Fontes

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27/11/2013

Maranhão/Ipojuca

             A palavra Maranhão pode ter várias interpretações: maranhã, guará; maranã, desordem, tumulto; maranã, maldade, pecado; mbará-nã, rio caudaloso. Sampaio interpretou: Mará, mbará, pará, rio, nhã, correr, fluir, andar; o mar corrente — M. M.".


Terras do engenho Maranhão/Ipojuca
O engenho Maranhão fundado antes de 1609 por Antônio Ribeiro de Lacerda. Possuía uma moenda movida à água e possuía uma Igreja dedicada a Nossa Senhora da Penha. Ficava localizado situado a meia milha de distância do engenho Três Reis, na margem esquerda do Rio Ipojuca, sob a jurisdição de Olinda e freguesia de Bela Pojuca (Ipojuca). Suas terras eram ruins e tinha ½ milha de extensão, com muitos montes. Produzia anualmente 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar e pagava 02% de recognição.
O engenho Maranhão, em 1630, pertencia a João Tenório de Molina. Era movido à água e possuía uma Igreja dedicada a Nossa Senhora da Penha. Ficava localizado na margem esquerdado Rio Ipojuca, sob a jurisdição de Olinda e freguesia de Bela Pojuca (Ipojuca).

Antônio Ribeiro de Lacerda - Falecido antes de 1635. Filho de Francisco de Barros Falcão (eng. Mussumbu/Goiana e Pedreiras/Goiana) e de D. Mariana de Lacerda, filha de Felipe Cavalcante de Albuquerque e de D. Maria de Lacerda. Almoxarife de Fazenda Real em Pernambuco (1575). Provedor da Fazenda Real de Pernambuco (1620).
Igreja do Engenho Maranhão, Ipojuca, PE.
Desenhos de ruínas de igrejas brasileiras, 
por EDUARDO VERDERAME
Curiosidades: Segundo Borges da Fonseca (Nobiliarquia Pernambucana - Anais 1925, Vol. 47), certo Antônio Ribeiro de Lacerda queimou um livro  de genealogia escrito por Francisco Berenguer de Andrade (Evaldo Cabral de Mello (2000, pág. 66), pois continha algumas notícias infamatórias sobre a sua pessoa. Por conta de alguns pormenores como esse é que Borges da Fonseca resolveu começar a escrever a Nobiliarquia Pernambucana, que continha 144 meias folhas de papel, numeradas e rubricadas, para que não houvesse quem quisesse escrever mentiras e atribuir a ele, sinal que muitas delas eram autênticas.
Casamento 01: Leonor dos Reis, filha do português Nicolau Coelho dos Reis e de D. Maria de Faria. Durante a ocupação holandesa fugiu com Mathias de Albuquerque para a Bahia (1635). Com sucessão em títulos de Marinhos.
Filhos: 01- Francisco de Barros Falcão, falecido solteiro; 02- Nicolau Coelho de Lacerda (eng. Santana); 03- Felipe Cavalcante Florentino c.c. sua prima D. Mariana de Lacerda Cavalcante; 04- Maria de Lacerda, batizada em 1608/Olinda, c.c. Jerônimo Velloso Machado; 05- Josefa de Lacerda c.c. Francisco do Rego Barros (eng. Arariba); Joanna c.c João Bezerra Monteiro. Nota: Não confundir esse Antônio Ribeiro de Lacerda com o outro que foi herói da guerra contra os holandeses, e que era casado com D. Isabel de Moura (sepultada no Convento de São Francisco Ipojuca.
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes; Maranhão/Ipojuca
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág.115-116.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola familiar no Pernambuco colonial. Edt. Topbookks. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro, 2000
CALMOM, Pedro. Introdução e Notas ao Catálogo de Frei Jaboatão.
Melo Morais, Chonica Geral.

Em 1623 o engenho Maranhão produziu 3.655 arrobas de açúcar.
Segundo Pereira da Costa (1812, vol. 07. Pág. 91), quando os holandeses invadiram Pernambuco (1630) a freguesia de Ipojuca contava no seu termo os seguintes engenhos: Sibiró de Baixo (Francisco Soares Ganha); Sibiró de Cima (Manuel de Novalhas); Maranhão e 1/3 do Bertioga (João Tenório de Molina); Trapiche (Francisco Dias Delgado); Santa Luzia e o Salgado (Cosme Dias da Fonseca); Pindoba (Gaspar da Fonseca Carneiro); Caroaçu (Manuel Vaz Vizeu); Guerra e o Nossa Senhora do Rosário (não mencionou o proprietário).

João Tenório de Molina – Natural de Servilha/Espanha (segundo Borges da Fonseca). Filho  de Estevão Thenório e de D. Brites de Molina. Chegou a Pernambuco em 1619, em companhia de seus tios: Luiz Lopes Tenório e do Padre João Ramires Tenólrio
Em 1635, João Tenório acompanhou o General Mathias de Albuquerque no grande êxodo dos senhores de engenhos, suas família, feitores e escravos (8.000 pessoas), que deixaram para trás tudo o que não podia ser carregado.
João Tenório logo retorna a Pernambuco e em 23/06/1637 compra de volta seu engenho Maranhão, que tinha sido confiscado pela Companhia das Índias Ocidentais por se encontrar abandonado. O valor pago foi de 12.000 florins em 06 prestações de 2.000 florins, a primeira a vencer em 1640. Depois readquire também o eng. Bertioga por 21.000 florins, que antes da invasão holandesa possuía só uma terça parte de suas terras.
Casamento 01: D. Leonor de Albuquerque, filha de Manoel Nunes e de D. Catharina de Albuquerque, segundo marido. Neta materna de Jerônimo de Albuquerque e da índia D. Maria do Espírito Santo Arcoverde.
Filhos: 01- João Thenório de Molina – Falecido solteiro em 1681; 02- D. Leonor de Albuquerque – C.c. Francisco Annes, assassinado no eng. Bertioga quando ia apartar uma pendência. Viúva D. Leonor casou com Braz da Rocha Cardoso (Fidalgo Cavaleiro e Capitão de Infantaria na guerra holandesa, por patente de 08/02/1648, lutou na guerra das Tabocas e de Casa Forte, Capitão-mor e Governador de Sergipe e Mestre de Campo de um dos Terços da Bahia); 03- D. Anna Thenório – C.c. seu primo João Leitão de Albuquerque e depois com (?); 04- Manoel Thenório de Molina – Viveu em Ipojuca. C.c. D. Ignez de Lluna, que ainda viva em 1760.
Senhor dos engenhos: Maranhão/Ipojuca e Bertioga ou Santo Antônio/Ipojuca
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais de 1926.
http://freimilton-ofm.blogspot.com.br/2009/04/um-pouco-da-historia-de-ipojuca_26.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág.117.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Governo do Estado de Pernambuco. CEPE. 2ª Edição.  Recife, 2004
PEREIRA, Levy. "Marinhã (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas /Marinh%C3%A3_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 27/11/2013.
PEREIRA, Levy. "S. Antº (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb. br/biblioatlas/S._Ant%C2%BA_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 27/11/2013

           No século XVII o engenho Maranhão era conhecido como engenho Marinhã (Maranhão; Marangnan; Marinha), citado no mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve, plotado como engenho, 'Ԑ: Marangnan', na m.e. do , 'Rº. Salga∂o' (Rio Ipojuca) e no mapa PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado como engenho, 'Marinha', na m.d. do 'Ipoiucâ' (Rio Ipojuca). Atualmente se chama Engenho Maranhão - vide mapa IBGE Geocódigo 2607208 Ipojuca-PE.
Na freguesia de Ipojuca, o primeiro golpe dado pelos holandeses foi a 12/03/1634 após tomarem o Forte Nazaré em Cabo de Santo Agostinho. Os holandeses se dirigiram mais ao sul desembarcando no engenho Salgado/Ipojuca. Consolidando o domínio na região alguns proprietários resolveram abandonar seus engenhos, destruindo suas edificações e queimando suas canas para que os holandeses não dessem continuidade no plantio.
Quando os holandeses chegaram ao engenho Maranhão encontraram na casa de purgar e das caldeiras, que eram de alvenaria, 198 fôrmas, que renderam 170 arrobas de açúcar branco e 42 arrobas de açúcar mascavado, dos quais foram feitas 9 e 1/2 caixas; e 13 caixas velhas de açúcar mascavado pertencentes ao senhor de engenho, 02 a Leonardo de Oliveira, 01 de um comerciante em Portugal, 6 caixas de açúcar branco pertencentes ainda a algumas pessoas ausentes. Todas elas foram, com a marca da Companhia, mandadas para o Pontal. O engenho foi confiscado, por se encontrar abandonado, pela Companhia das Índias Ocidentais. (Dussen, 1640)
          João Tenório que acompanhara seu tio Luís Tenório para a Bahia, retorna sozinho para Pernambuco e em 23/06/1637, compra a Companhia o Engenho Maranhão (que por sua ausência fora confiscado), a qual lhe fez preço especial de 12.000 florins, para serem pagos em 06 prestações de 2.000 florins, a primeira a vencer em 1640. Vendeu-se-lhe também o eng. Bertioga, do qual  João Tenório de Molina era antes de 1630 proprietário de uma terça parte, por 21.000 florins. NOTA: O engenho moeu em 1637, 1639 e em 1655.
            Em 1642, a Companhia das Índias Ocidentais cobrou as prestações atrasadas a João Tenório, que pediu paciência com ele, que na presente safra [...] perdera 40 negros e no ano precedente todos os seus canaviais tinham sido queimados pelo inimigo, pelo que este ano não moerá e quando puder fazê-lo entregará metade da produção à Companhia. Mas, a Companhia rejeita o pedido e em 1644 sequestra todo o açúcar produzido nos dois engenhos: Maranhão e o Bertioga.
            Em 1645, João Tenório negocia novamente com a WIC a encampação do seu débito de 49.579 florins, inclusive com Gaspar Francisco da Costa, a ser pago nos 03 anos seguintes. Em 1663 o montante devido já era de 38.604 florins.
                No Pernambuco holandês existiu vários judeus proprietários de engenho, lavradores de cana-de-açúcar e  fazendas de gado, como foi destacado no livro “Senhores de Engenho – Judeus em Pernambuco Colonial 1542-1654” – de José Alexandre Ribemboim: Diogo Fernandes e Branca Dias (eng de Camaragibe-P), Ambrósio Fernandes Brandão (eng. de Inhobi), David Senior Coronel ou Duarte de Saraiva (eng. Bom Jesus), Moisés Navarro (eng. de Juriçaca) e Matheus da Costa (lavrador do eng. Salgado e o eng. Maranhão que pertenceram a João Tenório Medina), participando apenas com 1/5 do açúcar produzido.

Matheus da Costa – Judeu. Nasceu em Favaios, Comarca de Lamego/PT. Filho de Diogo Lopes e de Maria da Costa. Quando chegou em Pernambuco foi morar em Ipojuca, onde trabalhou como mercador e lavrador de cana de açúcar no eng. de João Tenório de Molina (eng. Maranhão ou o Bertioga) por 12 anos.
Em 20/04/1646, foi aberto um processo contra Mateus da Costa de 65 anos, acusado de judaísmo. Pelo seu crime foi dada a sentença em 06/12/1646, onde tinha que ir ao auto-de-fé com vela acesa na mão, abjuração de veemente, cárcere e arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, penitências espirituais e pagamento de custas. (Código de Referência PT/TT/TSO-IL/028/00306 – Torre de Tombo/Lisboa-PT).
Mateus da Costa chegou a possuir 07 escravos que trabalhavam em sua propriedade, uma escrava que ficava com suas netas (Isabel e Joana), e outro escravo que estava na Bahia sob poder do provedor-mor, além de três crianças escravas, filhos de seus escravos. Possuía ainda: seis bois, que valiam 36.000 réis, um forno de cobre que valia 13.000 réis.
Além disso, Mateus lista os nomes e valores daqueles que lhe deviam dinheiro, como por exemplo, Francisco Gonçalves, através do vaqueiro Gonçalo, devia 4.000 réis por um novilho e ainda 50.000 réis por um cavalo. A lista de devedores mostra que Mateus era também comerciante, seja fazendo empréstimos ou vendas de produtos variados e não somente as caixas de cana de açúcar que produzia em seu arrendamento.
Possivelmente, de acordo com José Alexandre Ribemboim, em época posterior, Matheus da Costa teria comprado o engenho São João do Salgado/Ipojuca, através de leilão público (1637), por 18.000 florins, mas em 1639 o dito engenho é citado como pertencente a David Sênior Coronel (David Saraiva)
Casamento 01: Francisca da Silva – Cristã-nova.
Filhos: 02 filhos homens e 06 mulheres. (não identificados)
Fontes:
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654.. pág. 100

Em meados do século XVII os senhores de engenhos se tornaram grandes devedores da Companhia das Índias Ocidentais holandesa, segundo informa o Conde João Maurício de Nassau, que estimou a dívida global em 75 tonéis de ouro, o que representava 7,5 milhões de florins; dois anos depois, a dívida já alcançava a elevada importância de 130 tonéis de ouro, correspondentes a 13 milhões de florins. Mas a Companhia continuou a ajuda-los financeiramente, facilitando a construção dos engenhos ou pagando as suas dívidas contraídas com particulares.
                Em 1642, Bullestrat escreveu em seu Relatório (pág. 153) que tinha falado com João Tenório sobre o seu débito e este pediu que tivesse paciência com ele; e que na safra daquele ano perdera 40 negros e no ano precedente todos os seus canaviais tinham sido queimados pelo inimigo, como poderiam confirmar diversas testemunhas, por isso seu engenho se encontrava de fogo morto e quando pudesse fazê-lo entregaria metade da produção à Companhia.
            A Capela do engenho Maranhão ao longo dos séculos passou por várias reformas, sendo o atual prédio do século XIX. Segundo moradores do entorno, não há atividades religiosas no local desde 1999 e o prédio funcionou como escola: “Lembro quando tinha um muro baixo e um portão criando um terraço na frente da igreja, batizei minha irmã aqui”, conta Cirlene Maria da Silva. “Meu avô casou nessa igreja, 38 anos atrás, e meu pai estudou na escola que funcionava no prédio”, diz Renata Maria da Silva. “Seria bom se recuperassem o prédio”, acrescenta Marcos Roberto da Silva, que foi batizado no lugar. (Postado em “Passado açucareiro pede por socorro” - http://www.afcp.com.br/?p=11216)
            As terras do engenho ficam hoje, localizadas na PE-42, em Ipojuca; a Capela de Nossa Senhora da Penha, representante da arquitetura dos antigos engenhos de açúcar, se desmonta a cada dia. O prédio está infestado de cupins, o telhado caiu, o altar não existe mais, o mato cresce nas paredes (dentro e fora do imóvel), portas e janelas encontram-se quebradas, há lixo pelo chão e os túmulos foram violados.
            Em suas terras será construída pelo Governo de Pernambuco a Barragem do Engenho Maranhão, com capacidade de 60 milhões de m³, para suprir de água bruta o Complexo Portuário de Suape, a partir do funcionamento da Refinaria Abreu e Lima. A construção dessa barragem já era prevista desde a década de 70 para atender a futura demanda do Complexo Industrial e Portuário de Suape.


Fontes:
**Diniz, Raquel. Cristão-novo não mais como outro qualquer: a busca por uma trajetória individual. Mestranda em História Social pela Universidade Federal Fluminense. 
http://freimilton-ofm.blogspot.com.br/2009/04/um-pouco-da-historia-de-ipojuca_26.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág.117.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Gov. do Estado de Pernambuco. CEPE. 2ª Edição.  Recife, 2004.
PEREIRA, Levy. "Marinhã (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Marinh%C3%A3_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 27/11/2013.
Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco. “Passado açucareiro pede por socorro”. Disponível em: http://www.afcp.com.br/?p=1121

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