Fontes

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30/10/2013

Engenho Cocaupe, depois Cucau/Sirinhaém

Distrito de Serinhaém: O distrito de Serinhaém se estendia ao sul do Rio Pirassinunga até o Norte do Rio Marcoype, e está perfeitamente extremado com marcos e pedras fincadas. A este distrito pertencia uma parte da freguesia de Ipojuca, desde os currais de Marcaype, compreendendo os engenhos de Francisco Soares Cunha e de Miguel Fernandes de Sá, e a freguesia de Una. No distrito existia a cidade chamada Vila Formosa de Serinhaém e a povoação de São Gonçalo de Una, além de alguns outros lugarejos. Dos 18 engenhos de Serinhaém, 11 não moerão e 07 foram confiscado, durante a ocupação holandesa.

Engenho Brasil colonial
O engenho Cocaupe, depois Cucau era movido à água e possuía uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Penha de França. Suas terras ficam localizadas na margem direita do Córrego Lava Mão ou Rio Dois Braços, a três milhas em direção às matas, ao oeste do engenho Camaragibe; sob a jurisdição da Vila Formosa de Serinhaém. Tinha cerca de uma milha de terra, da qual a maior parte eram matas. As várzeas estavam plantadas com canas e podia produzir 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar, pagando duas arrobas de branco por milhar, depois de dizimado; sua moenda era movida com água de um açude razoável, mas muitas vezes faltava água de modo que o engenho não pode moer. No inverno dificilmente os açúcares podiam ser transportados, porque as estradas ficam intransitáveis; pagando de recognição 02 arrobas em cada mil. A casa de purgar e a casa das caldeiras eram de taipa.
Nomes históricos: Macucaguĩ (Macucagui); Cocaú (Cocaupe, Coucaupe); Nossa Senhora da Penha de França. Nome atual: Usina Cucaú Rio Formoso.

         Seu proprietário durante a invasão holandesa era D. Francisco de Moura, que residia em Portugal ou nas Índias, a serviço do rei da Espanha. O engenho foi queimado e ficou destruído, estava abandonado e sem moradores.

Francisco de Moura (Dom) – Filho de Francisco de Moura e de D. Genebra de Albuquerque. Neto materno de Felipe Cavalcante e de D. Catarina de Albuquerque. Bisneto materno de Jerônimo de Albuquerque, o Torto, e de D. Maria Arcoverde. Governador de Pernambuco (1603/1615). Capitão-mor. Viajou para a Europa onde foi servir ao Reis em Flandres e na Índia, ocupando vários postos relevantes. Governador de Cabo Verde.
Escreve Evaldo Cabral de Mello (Olinda Restaurada, pag. 333): D. Francisco foi a verdadeira eminência parda da armada do Conde da Torre, de ordem do monarca espanhol: devido à experiência militar e conhecimento da terra, o Conde deveria consulta-lo nas grandes decisões, ajustando-se a seu parecer e cultivando-pessoalmente.  O Conde dobrou-se às ordens, que tinham a vantagem de lhe permitir responsabilidades pelo eventual insucesso da armada. Já por ocasião do Conselho de Guerra levado a efeito em Cabo Verde, ele invocou sua experiência militar exclusivamente norte-africanas para transferir a D. Francisco a decisão sobre se deveria atacar Pernambuco diretamente, como previsto, ou navegar para a Bahia. Ao rumar contra o Brasil holandês, o Conde reivindicou todo o mérito da empresa, escrevendo ao Duque de Vila Hermosa: “porque D. Francisco de Moura, que o Senhor Conde-Duque me deu por companheiro, não tem talento nem ação de homem mais que só aquela aparência.... e como cá na (Bahia) deu com suas irmãs e tia”, refugiadas pernambucanas, “não tratou mais que de as visitar e regalar, fazendo novenas em sua casa e erguendo-se ao meio dia”. Após  o fiasco da expedição, o Conde confessará haver temido “mais as malícias e cautelas de D. Francisco de moura e do Conde de Óbidos que aos holandeses com quem pelejei”.
Participou do primeiro socorro a restauração da Bahia (1624), acompanhado por seu sobrinho Felipe de Moura e Albuquerque. Governador da Bahia (1624/26), comandando 03 caravelas, das quais ele capitaneava a sua, e as outras duas: Jerônimo Serrão e Francisco Pereira Vargas, aos quais se juntaram em Pernambuco ao Capitão-mor do Para, Manoel de Sousa de Sá, Feliciano Coelho de Carvalho, filho do Governador do Maranhão, e o Governador Matias de Albuquerque que lhes deu 06 caravelas, aonde se meteu todo o socorro, e 80.000 cruzados para provimento. Recebeu 04 comendas. Senhor da Ilha Graciosa e do Conselho do Estado. Faleceu solteiro sem sucessão, em 1664.
Casamento 01: Maria de Albuquerque, filha única de Duarte de Sá.
Filhos: Luís de Moura, sem sucessão; João de Albuquerque, sem sucessão; Alexandre de Moura e Albuquerque, sem sucessão; Felipa de Sá, religiosa no convento de Santa Clara em Lisboa; Maria de Albuquerque, religiosa no convento de Santa Clara em Lisboa; e (?), religiosa no convento de Santa Clara em Lisboa
Nota: Seus três filhos seguiram a carreira militar e o celibato. Um deles faleceu com o pai no célebre naufrágio da armada de D. Manuel de Menezes (1627) no litoral da Galiza; outro, no desastre da nau capitania de Tristão de Mendonça Furtado (1644) em Cascais; e o terceiro, Alexandre de Moura, escapou do fado trágico-marítimo dos parentes, participando da guerra contra a Espanha e o Alentejo e contra os holandeses em Pernambuco, e governando a Ilha da Madeira.
Senhor do engenho Cocaupe, depois Cucau/Serinhaém
Fontes consultadas:
Borges da Fonseca, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais de 1925.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola familiar no Pernambuco colonial. Edt. Topbooks. 2ª edição. Rio de Janeiro, 2000.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt. 34. 3ª edição definitiva. São Paulo, 2007.
MELLO, José Antônio Gonsalves. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição. Recife, 2003


"Planta da Restituição da Bahia"Atlas Estado do Brasil, João Teixeira Albernaz, o Velho, 1631.
Quando os holandeses chegaram ao engenho encontraram na casa de purgar e na das caldeiras, para a Companhia das Índias Ocidentais: 04 caldeiras grandes, 04 tachos novos, 04 escumadeiras, 02 ditas pequenas, 04 pombas, 02 reminhóis, 02 repartideiras, 02 tachas velhas, 08 bois, 02 vacas, 02 novilhos e, mais 06 escravos homens, 06 escravas mulheres e 06 crianças.
Como este engenho tinha muito pessoal e seus canaviais se encontravam maduros, foi permitido ao feitor-mor Paulo Carvalho (nada foi encontrado) que o fizesse novamente moer e fielmente administrar este engenho, como o fez antes, em proveito da Companhia e para comodidade dos lavradores. Por isso ser-lhe-á concedido certo salário quando prestar honestamente contas, e sob essas condições o referido engenho já começou a moer para a Companhia, fazendo uma quantidade razoavelmente grande de açúcar
Em 1640 segundo Dussen (pág. 159) o engenho tinha sido incendiado e destruído e seus moradores fugidos. 
Escravos fugitivos e capturados
Curiosidades: Publicado no Diário de Pernambuco no dia 06/03/1848: Escravos Fugidos. - Fugiram, no dia 21 do próximo passado, do engenho Cucaú, comarca do Rio Formoso, dois pardos, um de nome Patrício, quase aça, ou gazio, de estatura regular, de 16 a 20 anos, cabelos pixaim e um tanto vermelho; e outro de nome Agostinho, quase cabra negro acaboclado, cabelo um tanto corridos e crescidos, de estatura baixa, cheio do corpo, olhos pequenos e um tanto avermelhados, fala branda; não tem barba e se a tem é muito pouca; representa 25 a 30 anos. Roga-se a todas as autoridades e pessoas particulares, que os apreendam e levem-nos ao escritório do Sr. Manoel Gonçalves da Silva, na rua da Cadeia do Recife, ou no mesmo engenho Cucaú, que serão bem recompensados pelo Sr. Francisco da Silva Santiago, senhor dos ditos escravos.
  
José da Costa - Português. Fugiu de Portugal em circunstancias dramáticas e pitorescas. Perseguido por agentes de justiça, com ordens de arrastá-lo vivo ou morto – por ter jogado uma pedra a esmo, numa Praça de Restelo, que teria atingido a cabeça de um cortesão ou de um clérigo poderoso - escapou em desabalada carreira pelas ruas de Lisboa, alcançando um navio que se preparava para partir, no qual se meteu com a roupa do corpo, sem saber para onde ia, até que os marinheiros o despejassem, afinal, nas praias do Recife.
Casamento 01: Maria da Silva.
Senhor dos engenhos: Burarema, Cabuçu, Catuama, Conceição, Cucaú, Limão Doce/Amaraji, Maçaranduba/Timbauba, Mato Grosso /Água Preta, Oncinha/Barreiros, Santo Antônio/Palmares e outros.

                Atualmente o engenho se transformou na Usina Cucau que foi edificada, em 1895, pela Companhia de Melhoramentos em Pernambuco. Muitas figuras ilustres fizeram parte como acionistas e diretores da Companhia, entre os quais: Manoel Borba e José Rufino Bezerra Cavalcanti, ambos governadores de Pernambuco, Arthur de Siqueira Cavalcanti Filho, Barão de Águas Claras, Oscar Bernardo Carneiro da Cunha, coronel Júlio de Araújo, João Cardoso Ayres. Atualmente a usina pertence ao Grupo Armando de Queiroz Monteiro e integra, junto com a usina Laranjeiras, a Companhia Geral de Melhoramentos em Pernambuco. A fase de expansão da empresa teve início em 1944, quando o controle acionário da usina foi adquirido por Armando de Queiroz Monteiro que assumiu sua presidência, transformou a antiga usina através da modernização e incorporação de outras usinas, como a Tinoco, Aipibú e Laranjeiras. A usina Cucaú conta atualmente com 29.733 hectares, sendo 5.400 hectares de área mecanizada.

                A Usina possui 49 engenhos, entre os municípios de Rio Formoso, Ribeirão, Gameleira e Serinhaém, 36 escolas, serviços de assistência à saúde e política habitacional para seus operários. Há uma preocupação permanente dos seus dirigentes com a qualidade e atualização dos equipamentos, implantação de novas tecnologias e automação dos controles. O primeiro difusor para extração do caldo instalado no Brasil foi adquirido pela empresa e instalado na usina Cucaú, no final do século XIX.
 
Usina Cucau
Fontes consultadas:
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)
GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
GONSALVES DE MELLO, José Antônio. A Economia Açucareira. Fontes para a história do Brasil Holandês. 2ª edição. Governo do Estado de Pernambuco. CEPE. Recife, 2004
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal 17).
PEREIRA, Levy. "Macucaguĩ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Macucagu %C4%A9_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28/10/2013
http://www.dpnet.com.br/anteriores/1998/03/06/historia1.html

Engenho Jaguaré, Camela ou Camelinha/Serinhaém, hoje Ipojuca

Distrito de Serinhaém: O distrito de Serinhaém se estendia ao sul do Rio Pirassinunga até o Norte do Rio Marcoype, e está perfeitamente extremado com marcos e pedras fincadas. A este distrito pertencia uma parte da freguesia de Ipojuca, desde os currais de Marcaype, compreendendo os engenhos de Francisco Soares Cunha e de Miguel Fernandes de Sá, e a freguesia de Una. No distrito existia a cidade chamada Vila Formosa de Serinhaém e a povoação de São Gonçalo de Una, além de alguns outros lugarejos. Dos 18 engenhos de Serinhaém, 11 não moerão e 07 foram confiscado, durante a ocupação holandesa.
O engenho Jaguar´foi fundado por Jerônimo de Atayde. Segundo o inventário feito pelo Conselheiro Schott  o engenho ficava localizado na região do Rio Jagoaré, ao Sul do Rio da Jangada até o Rio Una, tinha cerca de uma milha de terra com poucas várzeas e muitos montes. Sua moenda era movida com água e podia produzir anualmente 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar, pagando de recognição duas arrobas por mil. A casa de purgar e a casa das caldeiras eram feitas de taipa, mas os holandeses as encontraram arruinadas e nelas nada foi encontrado para a Companhia das Índias Ocidentais holandesas. O engenho foi abandonado e depois confiscado pela Companhia, mas ainda não vendido, pois estava arruinado e de fogo morto.
Ruínas da casa grande do eng. Jaguaré
Curiosidades: O engenho Camela deu nome a povoação de Camela – situada a 27 km de Ipojuca, que possui uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição
O engenho atualmente possui uma casa grande, roda d'água e capela. A casa grande foi provável construída no séc. XVIII, feita em alvenaria de tijolo de formato retangular, assemelhando-se a um chalé. Tem uma escadaria de acesso de tijolo e cimento com dez degraus. Toda a frente e a lateral direita é alpendrada. Tendo os beirais superiores em madeira alpendrada. A lateral fica ao rés do chão e possui cinco arcos, os quais se supõe que eram os quartos dos escravos domésticos. A capela tem na frente uma escadaria, planta quadrangular, bastante singela, possuindo um nicho com um sino à sua lateral. Encontra-se em estado regular de conservação, servindo de moradia a famílias desabrigadas. Situa-se às margens da estrada, rodeada de árvores frutíferas de médio porte. Pode-se avistar um capoeirão de mata e o canavial.
Curiosidades: Segundo Adriaen van Bullestrate em “Notas do que se passou na minha viagem, desde 1641/1642, quando foi encarregado por um Alto e Secreto Conselho de visitar “as regiões do sul desta conquista”, escreve em 29/12/1641: “Em Serinhaém está vago o engenho de ... [não indica] que pertenceu à viúva de Jerônimo de Ataíde, que se retirou; ali ainda está vago o engenho Araquara, do qual era proprietário Vicente Campelo, que se retirou. Deste e do outro, deve-se dispor oportunamente para venda”. 

O que resta hoje das ruínas da casa grande do engenho.

Proprietários Encontrados

Jerônimo de Atayde de Albuquerque – Filho de Gaspar Dias de Athayde, que viveu em Olinda (1580) e de D. Brites de Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque e a índia Maria do Espírito Santo Arcoverde. Jerônimo de Atayde já era falecido em 1635. Seu engenho, durante a invasão holandesa era administrado pela sua viúva D. Catharina. Segundo Pereira da Costa não confundir Jerônimo de Ataíde com D. Jerônimo de Ataíde, Conde de Athonguia, Governador e Capitão General do Estado do Brasil, ou seja, o Governador Geral (1654-1657).
Curiosidades: “Em Serinhaem está vago o engenho de... [não indica] que pertenceu à viúva de Jerônimo de Ataíde, que se retirou; ali ainda está vago o eng. Araquara, do qual era proprietário Vicente Campelo, que se retirou. Deste e do outro, deve-se dispor oportunamente para venda”. (José Antônio Gonçalves de Mello, Administração da Conquista, II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, pg.)
Casamento 01: Catharina Camella.
Filhos: Gaspar de Albuquerque casado na Bahia com Joana de Vasconcelos de Albuquerque, c.g.
Senhor dos engenhos: Jaguaré ou Camela/Serinhaem; Jaserú, Nossa Senhora da Palma/Serinhaem.
Fontes consultadas:
Borges da Fonseca, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1903 Vol 25
PEREIRA, Levy. "Iaguâré (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Iagu%C3%A2r%C3%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de novembro de 2013.

Capela do engenho Jaguré
                Após o falecimento de Jerônimo de Ataíde o engenho passou a ser administrado por sua viúva D. Catharina Camella.

Catharina Camella – Depois que seu marido Jerônimo de Atayde de Albuquerque faleceu (1635) ficou administrando seus engenhos. Durante o êxodo dos senhores de engenho de Pernambuco, em 1635, fugiu com seu filho e a sua sobrinha D. Catarina (viúva de Pedro de Albuquerque), D. Catarina Barreto (viúva de D. Luiz de Sousa), D. Madalena (viúva de Felipe de Albuquerque) e mais cerca de 8.000 pessoas, que deixaram para trás suas propriedades expostas a cobiça e estrago dos holandeses.
Filhos: Antônio de Ataíde c.c. Maria Josefa de Albuquerque; Gaspar de Albuquerque casado na Bahia com Joana de Vasconcelos de Albuquerque, c.g.
Curiosidades: Reza a lenda que moradores do lugar encontraram uma imagem de Santo Antônio na cachoeira do Engenho São Pedro. A imagem mede aproximadamente, 40 cm, evidenciando o Menino Jesus no braço de Santo Antônio, que é atualmente guardada como relíquia. D. Catarina Camella, dona do Engenho Camelinha, ainda hoje existente, mandou construir um nicho para guardar sua imagem. Sempre ao amanhecer, D. Catarina fazia suas orações para o Santo e, por diversas vezes, a imagem não mais estava lá no nicho, saiam para procurar a imagem e a encontravam de volta a cachoeira onde foi encontrado por diversos moradores.
Um dia, D. Catarina fez uma promessa ao Santo: se ele ficasse no nicho, ela iria chamar a população para construir uma igreja para ele em um lugar de destaque no engenho Camela. Quando ela chegou ao nicho na manhã seguinte, lá estava a imagem de Santo Antônio. Exercendo influência moral e espiritual perante a comunidade, sendo extremamente fervorosa e muito ligada à Igreja, chamou as pessoas para construírem a capela de santo Antônio de Camela com as pedras da própria cachoeira. Os povoadores do lugar começaram a carregar as pedras na cabeça para edificar a Capela e assim cumprir a promessa feita pela devota Catarina de Camella: poporcionar aos devotos um local ideal para devoção dos fiéis.
Fontes consultadas:
Borges da Fonseca, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1903 Vol 25

PEREIRA, Levy. "Iaguâré (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Iagu%C3%A2r%C3%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de novembro de 2013.

                O engenho depois aparece como sendo de propriedade de seu filho Antônio de Ataíde de Albuquerque.

Antônio de Ataíde de Albuquerque – Filho de Jerônimo de Ataíde de Albuquerque e de D. Catharina Camella. Serviu com muita honra nas guerra da capitania de Pernambuco. Soldado. Alferes. Seguindo o exemplo dos familiares dos senhores de engenho confiscados pela Companhia das Índias Ocidentais que, havendo seguido a carreira militar, regressaram a Pernambuco como oficiais do exército restaurador. Participou da defesa de Serinhaém nas quatro batalhas navais e nas duas do Monte Guararapes, onde foi ferido. Pelo serviço prestado o Rei D. João IV lhe doou a propriedade do Ofício de Juiz de Órfão da vila Formosa de Serinhaém, por provisão de 28/05/1656 (fl. 139 do livro 1º da Secretaria do Governo).
Casamento 01: Maria Josefa de Albuquerque, parentes, filha de Luiz de Albuquerque de Mello e D. Simoa de Albuquerque.
Filhos: Antônio de Ataíde de Albuquerque
Fontes Consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Pág. 340. Edt. 34. 3ª edição. São Paulo, 2007.
Borges da Fonseca, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana.

Sebastião Galvão (1908) escreveu que o povoado de Camela possuía uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Hoje  em Camela só existe  a igreja de Santo Antônio, o único templo católico de Camela, onde em sua fachada existem duas datas: 1907 -1968. A primeira data deve ser de uma restauração; a segunda, conforme os paroquianos foi a de uma ampliação promovida pelo Prefeito de Ipojuca. Em 2008, o Vigário Frei Carlos Alberto, realizou melhoramentos, deixando a Capela mais alegre e espaçosa (foram gastos na reforma cerca de R$7.000,00 (sete mil reais).
Roda d'água do engenho Jaguaré
O engenho atualmente possui uma casa grande, roda d'água e capela que fazem parte do inventário do patrimônio cultural Região de Desenvolvimento da Mata Sul, Serinhaém.. A casa grande foi provável construída no séc. XVIII, feita em alvenaria de tijolo de formato retangular, assemelhando-se a um chalé. Tem uma escadaria de acesso de tijolo e cimento com dez degraus. Toda a frente e a lateral direita é alpendrada. Tendo os beirais superiores em madeira alpendrada. A lateral fica ao rés do chão e possui cinco arcos, os quais se supõe que eram os quartos dos escravos domésticos. A capela tem na frente uma escadaria, planta quadrangular, bastante singela, possuindo um nicho com um sino à sua lateral. Encontra-se em estado regular de conservação, servindo de moradia a famílias desabrigadas. Situa-se às margens da estrada, rodeada de árvores frutíferas de médio porte. Pode-se avistar um capoeirão de mata e o canavial.
Em 1917 foi fundada a Usina Jaguaré/Sirinhaém, no engenho do mesmo nome. Pertencia ao senhor Oscar Cardoso da Fonte, seu fundador. Não possuía estrada de ferro, sendo o transporte da cana e lenha feito por animais e caminhões. O açúcar e o álcool eram transportados para o Recife por via marítima, em barcaças. Sobreviveu em mãos do senhor Oscar Cardoso da Fonte durante 26 anos. Depois de vendida ao senhor Diniz Perilo, permaneceu por mais cinco anos, sendo absorvida (1948/49) posteriormente pela Usina Trapiche da firma M. Lima Etc., Companhia, em 1950, com uma produtividade de 5.459 sacos de açúcar.http://img.hotempreendedor.com.br/selo-importarroupas.gif
Hoje as terras do engenho pertencem a Usina Salgado, para se chegar ao engenho pega a Pe-064 e logo na beira da rodovia avistamos a capela e as ruínas da casa-grande, da qual só resta a parte de baixo da residência, onde ficava a senzala.

Fontes consultadas:
Fotos tirada do blog: thiagopovo.blogspot.com
Borges da Fonseca, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana.
COSTA, Francisco Augusto Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol. 3, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife. 1983, p. 81.
GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histótico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco – CEPE, Recife, 2006, pg. 145
Gonsalves de Mello, José Antônio. 1985, pg. 193
Gonsalves de MELLO, José Antônio. A Economia Açucareira, I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, p. 69
Gonsalves de MELLO, José Antônio. Administração da Conquista ,II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, pg. 157).
Panorama Cultural, 2005. fundarpe - Diretoria de Preservação Cultural. Governo do Estado de Pernambuco.
Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, Vol. I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 1983, p. 214)

Engenho Camaragibe/Sirinhaém

      
O engenho Camaragibe era movido à água, localizado na margem esquerda do Rio Camaragibe, afluente do Rio Serinhaém; sob a jurisdição da Vila Formosa de Serinhaém. Nomes históricos: Camurijĩmírĩ; Camriginÿ. Foi fundado em 1549, por Francisco Rodrigues de Porto (nada foi encontrado) e quando os holandeses invadiram Pernambuco ele já tinha falecido e o eng. Camaragibe era administrado pela sua viúva e herdeiros que ficaram sob a obediência dos invasores. O engenho tinha uma igreja dedicada a Santo Antônio. Suas terras tinha uma milha, com poucas várzeas, na maior parte matas e montes. Podia produzir anualmente 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar, pagando como pensão 2 arrobas em cada mil, depois de dizimado. No engenho os holandeses encontraram apenas açúcares pertencentes a pessoas que ficaram do lado dos holandeses.
Quando os holandeses ocuparam Pernambuco, após dominarem Recife e o norte, marcharam pelo sul e chegaram a Sirinhaém em 1632. Neste ano, cerca de 500 soldados e 100 marinheiros holandeses desembarcaram pelo rio Sirinhaém e invadiram, saquearam e queimaram o engenho de Romão Perez. O capitão Mateus Gomes de Lemos e Albuquerque organizou uma resistência com cerca de 60 homens. Os holandeses se retiraram. Com a queda da resistência no norte e em Recife, os holandeses planejavam a conquista do sul de Pernambuco para chegar à Bahia. As tropas luso-brasileiras resistiam a partir de três frentes: cerca de 450 homens compunham a resistência no Arraial (Velho) do Bom Jesus, 600 no Forte de Nazaré e 300 em Sirinhaém. Sirinhaém foi um dos últimos redutos da resistência, que foi derrotada após Maurício de Nassau chegar a Pernambuco e organizar o ataque à vila.
Segundo Borges da Fonseca durante o exército luso-brasileiro em visita ao engenho Camaragibe/Serinhaém encontrou 107 caixas de açúcar em um armazém e em outro armazém 160 caixas, que pretenderam leva-los com eles, mas, devido à constante e forte chuva que assolava a região, resolveram deixa-los, pois derreteriam, mas antes de partir tocaram fogo nos armazéns para que o inimigo não se aproveitasse do açúcar armazenado nos dois armazéns do engenho. E foi o que realmente aconteceu: .... voltando ao acampamento, incendiaram o povoado, com exceção da igreja, e partiram para Camaragibe, encontrando no caminho algum gado, mas não viram o inimigo, e levaram-no à frente com cordeiro, até chegarem ao engenho, onde foram distribuídos pela tropa. Mandaram várias forças em busca do açúcar, mas nada encontraram...
O engenho Camaragibe é citado no mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve - plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ: Camriginÿ'.
Segundo Dussen (1640, pág. 159), o engenho Camaragibe/Serinhaém aparece como pertencente a Blancol Mendes (nada foi encontrado) e seus lavradores eram: Domingos Pereira 09 tarefas; Gaspar Velho 12 tarefas; Manuel da Cunha 25 tarefas; Petro Peres 02 tarefas.
O próximo proprietário encontrado foi Manuel Correia de Araújo.

Manuel Correia de Araújo – Nada mais foi encontrado.
Casamento 01: Antônia Lins Correia de Araújo
Curiosidades: A revolução de 1817, quaisquer que tenha sido as suas causas, foi o primeiro grito de rebeldia social das América, que "aprendera por fim a se levantar mais alto que a Europa e dar leis àqueles de quem tinham por hábito recebê-las". A tradição chama esta revolução de "Revolução dos Padres", e tem razão, pois foi ela gerada no Seminário de Azeredo Coutinho, 50 padres seculares e 5 frades. Tal revolta recebeu o apoio inicial de Manuel Joaquim Barbosa, Comandante do Regimento de Artilharia, o que ocasionou em poucos dias a expulsão do governador Caetano Pinto e a derrota das forças portuguesas. Estando vitoriosa a revolução foi instalado um governo provisório (seguindo em algumas ocasiões os moldes franceses) composto por 05 diferentes membros representativos de classes: Domingos Teotônio Jorge (militar), Padre João Ribeiro (eclesiásticas), Domingos José Martins (comercial), Dr. José Luís Mendonça (jurídica) e Manuel Correia de Araújo (agricultura).


       O engenho depois pertenceu a Sebastião Antônio Accioly Lins Wanderley.

Sebastião Antônio Accioly Lins Wanderley – Nascido em 16/01/1829-Serinhaém e falecido em 02/05/1891-Recife. Filho do Cap. Sebastião Antônio Accioly e Joanna Francisca de Albuquerque Lins. Neto paterno de Cristóvão da Rocha de Barros e de Feliciana Ignácia Accioly. neto materno de Sebastião Antônio Accioly Lins e de Joanna Francisca de Albuquerque Lins. Estudou as primeiras letras, com o padre Joaquim Rafael N. Dura, conhecido latinista, no engenho Mamucabas/Rio Formoso que pertencia ao Cel. Manuel Xavier Paes Barreto. Foi bacharel em Direito em 1850 no Curso Jurídico em Olinda. Presidente da Assembleia Provincial em quatro legislaturas. Deputado Provincial em Pernambuco. Barão de Goicana, Dec. 18/08/1882. Senhor de engenho e Usineiro.
O Barão escreveu dois diários, o primeiro começado em janeiro de 1886 e terminado em 1890 foi publicado na revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Vol. L, Recife, 1978. O outro se perdeu.  Com fotografias na coleção Francisco Rodrigues; FR- 3716
Casamento 01: Feliciana Inácia Accioly Lins, c.g.
Senhor dos engenhos: Camaragibe/Sirinhaém; Fortaleza/Ipojuca; Goiana Grande (Usina Maravilhas)/Goiana; Goicana;  Palma; Portas d'Água;
Porto Alegre; Ubaquinha; Tapuia/Amaraji.
Fontes consultadas:

       No século XX o engenho Camaragibe pertencia a Mendes, Lima & AMP CIA.

Mendes, Lima & AMP CIA - Antônio Fernandes Ribeiro foi o fundador da firma "Barros, Mendes &AMP, Cia", em sociedade com os portugueses: João José Rodrigues Mendes e Gonçalo Alfredo Alves Pereira, sucedida por "Mendes, Lima & Cia, ao brasileiro José Adolpho de Oliveira Lima. A firma iniciou suas atividades comerciais com a compra de bacalhau, e depois como importadora do mesmo produto. Anos depois interessou-se pela atividade açucareira como comissária e exportadora de açúcar, que adquiria por financiamento antecipado a Engenhos e Usinas. Desse modo conseguiu acumular considerável patrimônio, por compra, ou em ressarcimento daquelas unidades incapazes de saldarem seus compromissos, conforme observa-se pelo levantamento do ativo da empresa por ocasião do inventário procedido com o falecimento do sócio Joaquim Lima d'Amorim que ingressara na firma em 1900, e cujos bens estavam assim arrolados as Usinas: Perseverança e Engenhos 73:200$000; Trapiche 1.693:037$000; Ubaquinha 1.877:044$842; Engenhos: Camaragibe, Jaciru, Cachoeira Nova, Cachoeira Velha , Anjo, Palma, Ubaca, Ubaquinha, Xanguá, Sapucaia, Sibiró do Cavalcanti, Porto Alegre, Gindaí ou Gindahi/Sirinhaém; Jardim /Catende; Jacaré/Goiana; Laje Nova/Palmares; Santana, Mangueira/Água Preta; Sirinhaém depois Todos os Santos, São Bras Coimbero/Cabo de Santo Agostinho; São Domingos/Barreiros; Fluminense; Rosário; Canto Escuro; Trapiche; e Machado.
Fontes consultadas:

Fontes consultadas:
PEREIRA, Levy. "Camurijĩmírĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Camurij%C4%A9m%C3%ADr%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 28/10/2013,
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1916 Vol 3

23/10/2013

Beberibe/Recife

O engenho São Salvador, depois Beberibe*/Recife, fundado pelo 1º Donatário Duarte Coelho Pereira c.c. D. Beatriz (Brites) de Albuquerque, em 1542, é um dos primeiros engenhos da Capitania de Pernambuco.
As terras do engenho ficavam localizadas a uma légua de Olinda, na margem direita do Rio Beberibe, que nasce em Camaragibe. A casa de vivenda campeava junto ao rio, à direita da ponte do Varadouro/Olinda, e a pouca distância, para o Norte, na entrada da rua foi situado o edifício da fábrica, ficando de permeio a capela da fazenda, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, porém mais afastada, para Oeste; de forma que se traçando uma linha de união entre as construções, teríamos um triângulo perfeito.
Localização do atual bairro
Bebribe/Recife
Atualmente não resta mais nada do engenho e suas terras foram reocupadas pela zona urbana do bairro do Cajueiro/Recife.  Nota: O primeiro engenho pernambucano foi fundado em Igarassu e se chamava engenho do “Capitão”, construído pelo Capitão Afonso Gonçalves a mando de Duarte Coelho, mas teve uma existência curta devido aos ataques indígenas.
* “Beberibe” é uma palavra de origem indígena que significa “voar em bandos” referindo-se aos voos dos pássaros que existiam nas margens desse rio. As águas do rio Beberibe representavam fonte de vida e ajudaram na sobrevivência da sociedade em tempos remotos.
NOTA: Pereira da Costa associa o engenho Eenkalchoven, ao engenho São Salvador, e (Gonsalves de Mello, 1976), pg. 32, o associa, acertadamente, ao Engenho Velho de Beberibe, sob invocação de Nossa Senhora da Ajuda, o 'N S ᵭ Aiuda' do BQPPB*.
Capitania de Pernambuco
Levantada as edificações do engenho e plantado os canaviais, começaram logo a afluir diversos moradores, que obtiveram a concessão de lotes de terras para o cultivo de cana, dentre os quais temos notícias de um Francisco Barbosa e sua esposa Maria de Oliveira. NOTA: Nélson Barbalho em sua “Cronologia Pernambucana V. 05 – parte 02”, diz que Francisco Barbosa e de Maria de Oliveira, foi um dos primeiros casais que chegaram com o 1º Donatário, e que levantado o engenho Beberibe s tornaram um dos primeiros lavradores, depois que obtiveram a concessão de um lote de terra para a cultura da cana de açúcar. Curiosidades: Um neto do casal Francisco Barbosa e Maria de Oliveira, o Capitão João de Freitas da Cunha foi um militar distinto, nascido em terras do engenho Beberibe, exerceu o cargo de Capitão-mor do Ceará, entre 1696 e 1699, depois sucessivamente foi nomeado Sargento-mor de um Terço da Guarnição de Pernambuco e promovido a mestre-de-campo comandante de um terço, falecendo entre 1711 e 1712.
Em meados do século XVI, Diogo Gonçalves  ou Diogo Gomes Froes, recebeu de D. Brites de Albuquerque o engenho São Salvador (Beberibe), a título de dote nupcial pelo seu casamento com D. Izabel de Fróis, e uma sesmaria com 800 braças de terra, segundo registros do Livro Velho Mosteiro de São Bento/Olinda, que abrangia onde hoje se situam os bairros de Casa Forte e da Várzea e onde depois Diogo Gonçalves edificou os engenhos: Casa Forte/Recife-Várzea do Capibaribe e por último o engenho Santo Antônio da Várzea do Capibaribe /Recife, que junto com o São Salvador legou para cada um de seus filhos.
O próximo proprietário encontrado (1609) foi Leonardo de Fróis, homem muito rico, que herdou o engenho de seus pais Diogo Gonçalves e D. Izabel de Fróis.

Frans Post - Sé de Olinda
No Relatório holandês (1639) feito por Adriaen van der Dussen  descreve o engenho como o “velho engenho de Beberibe” que em 1630 só restavam as ruínas, pois em suas terras o General Matias de Albuquerque estabeleceu uma rede de linhas de defesa, para atacar o invasor holandês, na Praça do Recife, e interceptar a sua comunicação com o interior do País. Mathias de Albuquerque fundou no eng. São Salvador uma fortaleza que foi guarnecida por soldados pernambucanos. Nessa época desapareceram a casa grande, a fábrica, e tudo mais que tinha sido construído pelos seus antigos proprietários.
O engenho foi citado em vários mapas coloniais: Præfecturæ Paranambucæ pars borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) - plotado como engenho, 'Ԑ: ßißԐribÿ', na m.d. do 'Rº. ßißԐribÿ'; PC (Golijath, 1648) "Perfecte Caerte der gelegentheyt van Olinda de Pharnambuco MAURITS-STADT ende t RECIFFO", plotado com a nota «Vervallen Ԑngenho van Leasnardo de Frois»; ASB (Golijath, 1648) "Afbeeldinge van drie Steden in Brasil", plotado e assinalado com a letra W. Na 'Verklaringe deser Caerte.' explicita «O: Engenho Biberibe een vervalle Suyckermolen toekomende Leonardo de Frois»; PC (Golijath, 1648) "Perfecte Caerte der gelegentheyt van Olinda de Pharnambuco MAURITS-STADT ende t RECIFFO",plotado, 'S Salvador', na m.d. do 'Iabebiri'.
Em 1635 o engenho foi confiscado de Antônio de Sá Maia que tinha se retirado para a Bahia, pela Companhia das Índias Ocidentais, que depois o vendeu (1637) ao judeu Duarte Mendonça Saraiva (David Sênior Coronel), por 10.000 florins. Duarte Saraiva logo que tomou posse do engenho e passou a chama-lo de engenho Enkalchoven. Mas do antigo engenho já não existia a grande casa das oficinas do engenho, bem como a sua capela, o que tudo ainda se via de pé, quando a propriedade foi confiscada.
Logradouro - Olinda
NOTA: A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ou Companhia Neerlandesa das Índias (em neerlandês: West Indische Ocidentais Compagnie ou WIC), pertencia a mercadores neerlandeses e representava um exemplo de organização privada do comércio externo, de tendência capitalista, que contrastava com o modelo de comércio português, que permaneceu por muito tempo fortemente dependente do Estado. A WIC tornou-se instrumento da colonização neerlandesa nas Américas, sendo responsável pela ocupação de áreas no nordeste brasileiro no século XVII.
CURIOSIDADES: A capela do engenho Beberibe foi retratada por pintores flamengos, da comitiva do Conde Maurício de Nassau, que conseguiram registrar a beleza da localidade. Essas telas pertenciam a galeria de Nassau; e, a que retratava o engenho foi oferecida ao rei da França Luiz XIV, contendo uma inscrição onde o Rio Beberibe é citado como Bibaribe: “La riviére se nomme Bibaribe; de delá c’est un moulin à sucre avec la demeure du seigneur, et plus haut la chapelle”.
Duarte de Saraiva falece (1650) e o engenho passa a pertencer ao seu herdeiro Ishac David. Mas com a expulsão dos batavos, muito dos engenhos voltam para seus antigos proprietários e outros são vendidos pela Coroa portuguesa a homens ricos da Capitania ou que tinham participado do exército restaurador. Quanto ao engenho Beberibe sua posse foi passada para José de Sá e Albuquerque, que tinha retornado do exílio e reivindicado perante as autoridades seu direito sobre os bens que tinham pertencido ao seu pai Antônio de Sá.
José de Sá e Albuquerque não se preocupou em recuperar o antigo engenho Beberibe e, segundo consta em documentos antigos, continuou a exploração das jazidas de pedras calcaria e madeira de suas extensas florestas para o fornecimento de lenha necessária aos fornos de calcinação, e para a comercialização. Essa madeira era transportada através de balsas, que desciam o Rio Beberibe, indo até a cidade de Olinda onde, em suas vizinhanças, era produzido o carvão.
NOTA: Das terras do antigo engenho Beberibe, subindo pelo rio Beberibe, do Varadouro de Olinda para cima, se tirava água para o abastecimento da vila de Olinda e do Recife. 
        O antigo engenho Beberibe, de acordo com o testamento de José de Sá e Albuquerque, foi arrendado de 1709 a 1813, a Domingos Bezerra Monteiro. NOTA: O testamento de José de Sá e Albuquerque, que se encontra arquivado no Cartório de Resíduos do Juízo Eclesiástico, feito em 22.01.1709/eng. Novo/Muribeca (Jaboatão dos Guararapes-Muribeca), foi aberto em 03.07.1711, pelo tabelião Gaspar da Terra de Inojosa, na presença do Dr. Luiz de Valansuela Ortis, Ouvidor da Capitania de Pernambuco: “Declaro que a Fazenda, que possuo partível entre os meus filhos é a seguinte: Item mais a fazenda de Beberibe em uma légua de terras dos fornos de cal, arrendada ao Capitão Domingos Bezerra Monteiro, e que daqui a 04 anos acaba o arrendamento, porque estas são as bastam para servir de conhecimento para os descendentes legítimos de Jerônimo de Albuquerque conservem ainda bens que herdaram dele”.
Em 1714, uma parte da fazenda Beberibe foi doada à Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe/Olinda, uma das poucas Igrejas da América do Sul sob a invocação da padroeira do México, construída pela devoção dos homens pardos libertos ou escravos da Vila de Olinda entre os anos de 1626 e 1629. Na época de sua construção, Portugal fazia parte do governo espanhol e talvez por isso a predileção pela santa da devoção espanhola. A Igreja abriga até os dias de hoje, a Irmandade de Nossa Senhora de Guadalupe, tendo servido também de sede à Irmandade de Nossa Senhora do Bom Parto até 1854, quando foi transferida para a Igreja de São Sebastião. É a mais antiga Igreja dedicada a Nossa Senhora do Guadalupe no Brasil. Sua fachada é simples, com uma única torre sineira, sendo composta por três portas que dão acesso à nave principal e mais duas que dão acesso à sacristia. Na parte superior, estão cinco janelas com varandas. Seu interior é simples, tendo a sua nave seis varandas e um púlpito protegido por gradil de ferro, sustentado por cachorros de pedra. O altar-mor é em madeira trabalhada, tendo no centro do nicho um quadro vindo do México, com pintura de Nossa Senhora de Guadalupe. Possui ainda duas tribunas protegidas por gradil de ferro e o teto pintado com a imagem da Santa. No dia 03/09/1759, o Marquês de Pombal expulsa a Companhia de Jesus de todo o Reino de Portugal, a propriedade foi confiscada pela Fazenda Real em 1765, sendo depois vendida em hasta pública.
Sua fachada é simples, com uma única torre sineira, sendo composta por três portas que dão acesso à nave principal e mais duas que dão acesso à sacristia. Na parte superior, estão cinco janelas com varandas. Seu interior é simples, tendo a sua nave seis varandas e um púlpito protegido por gradil de ferro, sustentado por cachorros de pedra. O altar-mor é em madeira trabalhada, tendo no centro do nicho um quadro vindo do México, com pintura de Nossa Senhora de Guadalupe. Possui ainda duas tribunas protegidas por gradil de ferro e o teto pintado com a imagem da Santa. No dia 03/09/1759, o Marquês de Pombal expulsa a Companhia de Jesus de todo o Reino de Portugal, a propriedade foi confiscada pela Fazenda Real em 1765, sendo depois vendida em hasta pública.
O próximo proprietário encontrado foi Jacinto de Freitas da Silva casado com Antônia da Cunha. Em 1767, concluiu-se a construção de um templo religioso, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição do Beberibe, cuja capela-mor (ainda existente), foi entalhada pelo mestre Simão dos Santos Pereira em 1780.
No começo do século XIX os liberais pernambucanos levantaram suas armas contra o capitão-general Luís do Rego Barreto, e instalaram o quartel-general do Movimento em Beberibe. Em outubro de 1821, foi assinada a famosa "Convenção do Beberibe", nas matas das redondezas, pondo um fim à gestão do último governador português.
Nessa época foi constituída uma irmandade, composta de pessoas da localidade, que se incumbiram das obras de construção da capela Nossa Senhora da Conceição de Beberibe, na qual descansam os restos mortais dos seus benfeitores. Tomando das terras patrimoniais, em 29.09.1743, como se vê no termo lavrado em reunião da corporação, deu logo começo à edificação do templo, mas somente em 1767 foi instalado o culto público.
No fim do século XVIII o proprietário do restante das terras do engenho era João Nunes de Freitas casado com D. Maria Correia de Lyra.
             Em 1829, a propriedade era conhecida como a Vivenda de Sobrado, em função da sua casa, com senzala, casa de farinha, estribaria e uma grande quantidade de matas e águas cristalinas que eram apanhadas junto ao Rio Beberibe na altura da ponte do Varadouro/Olinda, e que serviram para o abastecimento do Recife e de Olinda. No entanto a água foi se tornando impuras, pois a população olindense usava em demasiado suas águas que eram trazidas pelos escravos em canoas, em depósitos de madeira. Fato este que ensejou insatisfações na população e forte desejo da construção de um sistema de encanamento para levar a água do rio Beberibe até a cidade do Recife.
           Nas terras da antiga fazenda Beberibe, em novembro de 1848, ocorreu um grande combate entre os integrantes da Revolução Praieira e as forças de Tosta. Apesar de sua importância, só no dia 02.05.1879, a localidade foi elevada à categoria de Freguesia e desmembrada da Sé de Olinda. Com o tempo sendo repassadas de herdeiro para herdeiro, encerrando a sua série com D. Josefina Francisca de Freitas e Silva, falecida em 1856 (mais nada foi encontrado).
No fim do século XIX foi desaparecendo os aspectos do antigo feudo açucareiro, e suas terras passaram a ser negociadas através de lotes isolados de terras, desaparecendo definitivamente a fazenda, surgindo um povoado que, basicamente, exploravam a indústria de carvão vegetal, cultivavam lavouras de feijão, alguns tubérculos e fabricavam farinha de mandioca.
Nota: Os atuais bairros de Água Fria, Fundão e Cajueiro nasceram em terras do engenho Beberibe e, no presente, este último tem uma divisão administrativa bipartida entre os municípios de Olinda e Recife. No período de 1816 à 1817, sobre aquela localidade, um cronista registrou: Deixando o Recife passa-se pelo povoado de Beberibe, situado sobre o rio do mesmo nome, ornado de lindas casas de campo; e que ali se lava quase a maior parte da roupa do Recife, onde há falta de água doce.


Fontes consultadas:
A Constituição da venerável Ordem Terceira da Penitência do Padre Seráfico de São Francisco do Recife. Disponível em: www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/16755/16755_3.PDF
BENNETT, Ralph G. David Sênior Coronel.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia pernambucana. v. I. Rio de Janeiro:. Anais 1925 Vol. 47 (pág. 57, 147, 210, 323, 357, 466, 467/466);1926 Vol. 48 (pág. 05, 22, 23, 34, 355)
Dicionário Cronológico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. Disponível em: http://www.archive.org
Fontes para História do Brasil Holandês. A Economia Açucareira. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br/visao holandesa/Search.vh
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Holandesa_das_%C3%8Dndias_Ocidentais
http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
http://www.dei.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/dei/arquivos/nosdorn/nos1204.pdf
http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=655&Itemid=81
MELLO, José Antônio Gonsalves de. O chamado Foral de Olinda de 1537, Revista do Arquivo Público, V 11/28, Recife, 1957 - pág., 44.
MELLO, José Antônio Gonsalves. Diário de Pernambuco. Recife, 10 jul., 1949
MENEZES, Jose Luiz da Mota. O Papel de Olinda na Formação do Brasil Colonial. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br. Acesso em: 30.08.2012.
PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto. Anais Pernambucanos, Vol I, Recife, Cia Editora de Pernambuco. 1981.
___________________________________ Origem Histórica da Indústria Açucareira em Pernambuco. Anais da Conferência Açucareira, Recife - 1905.
SOUZA, Roberto Silva de. Particularidades da Evolução do Espaço Urbano de Olinda (Pe) No Contexto Histórico de Propriedades Fundiárias. Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
TAUNAY, Alfonso. Escorço biográfico por Affonso de E. Taunay. Museu Paulista. Imprensa Oficial do Estado, São Paulo – 1942.



PROPRIETÁRIOS:

1540 - Duarte Coelho Pereira – Nasceu em torno de 1485/Miragaia/Porto/PT, e faleceu em 07.08.1554/Portugal. Filho de Gonçalo Coelho (membro de uma das famílias da nobreza agrária do Entre Douro e Minho, Escrivão da Fazenda Real e Comandante da expedição que veio para o Brasil em 1503) com a plebeia Catarina Ana Duarte. Sem ter um lar organizado, teria sido criado por uma tia materna que era a Prioresa do Mosteiro de Vila Nova de Gaia/PT.
Jovem, Duarte Coelho alistou-se na Marinha Portuguesa e em 1506 partiu para a Índia na armada de D. Fernando Coutinho. Em 1516/17 foi embaixador no Sião e visitou a China. Construindo na época Igreja de Nossa Senhora do Outeiro, em Malaca/Malásia (1521). Retornou a Portugal em 1527.
Em 1531, Duarte Coelho parte novamente para as Índias e ao retornar recebe o comando da frota portuguesa para combater os franceses na costa brasileira, em 1532. No ano de 1532, recebe o comando de uma frota para expulsar os franceses do litoral brasileiro.
No dia 10.03.1534, através de uma carta de doação que foi subscrita em Évora/PT no dia 25 do mesmo mês, recebe pelos serviços prestados ao Reino de Portugal a primeira capitania brasileira, com 60 léguas de costa, que abrangia Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e parte da Bahia.  O donatário, com 60 anos de idade, mesmo podendo administrar a Capitania em Portugal, resolve partir para o Brasil e, para isso consegue ajuda dos banqueiros: Fugger de Augsburg, através de seus prepostos, e de Sibald Linz von Dordorf e Christoph Lins.
Duarte Coelho desembarca na Ilha de Itamaracá em 09.03.1535. Em sua comitiva vieram: sua mulher D. Beatriz (Brites) de Albuquerque e filhos, o seu cunhado Jerônimo de Albuquerque, alguns parentes, várias famílias “nobres do Norte de Portugal”, judeus especialistas na montagem de engenhos de açúcar, feitores com experiência nas plantações da cana-de-açúcar na Ilha da Madeira e em São Tomé, o Feitor e Almoxarife Real, Vasco Fernandes de Lucena, para organização administrativa da colônia, recebendo como dividendos 02% das rendas arrecadadas; o Padre Pedro Figueira para assistência espiritual, com um ordenado anual de 15.000 réis, e mais 04 capelães que receberiam anualmente 8.000 réis cada um.
Mas como a região de Igarassu era muito baixa e sujeita a inundações, o que facilitava ataques indígenas, aliados aos franceses, Duarte Coelho resolve seguir para o Sul à procura de um local seguro para instalar a sede de seu governo (Olinda), antes de 12.03.1537 – data de uma Carta de Doação de um local que refere como sendo o Foral de Olinda. NOTA: Na época, a Capitania de Pernambuco, maior área territorial da época, era denominada por Duarte Coelho de “Nova Lusitânia”.
Duarte Coelho era um homem enérgico, mas pacífico com os índios, apesar de enfrentar conflitos com algumas tribos, foi um administrador patriarcal, monocultor e escravista. Incentivou o plantio da cana em troca de isenção de taxas de moagem, o comércio e construiu estaleiros. A expansão dos canaviais e a produção de açúcar atraíram judeus, italianos, alemães, holandeses, entre outros que pretendiam enriquecer. Com a dificuldade de mão de obra local, solicitou à Coroa, uma autorização para importar escravos africanos, uma vez que já era hábito o tráfico de escravos na Península Ibérica, pois a mão de obra indígena era insuficiente.
Para os trabalhos no engenho, Duarte Coelho tentou usar índios, mas eles tiveram dificuldades em se adaptar àquele duro ofício que não estavam acostumados. Os colonizadores então começaram a trazer escravos africanos. Incentivados pela Igreja, que queria converter suas “almas impuras”; e pela Coroa portuguesa, que precisava equilibrar suas contas, cobrando por cada escravo altos impostos – 3.000 reis por cabeça, equivalente a 5% do seu valor de mercado. O número das importações foi crescendo rapidamente. No ano de 1559, chegaram 120 “peças”, em 1570 já existiam 3.000 e no final do século XVII, 500 mil.
Duarte Coelho e D. Brites viveram na vila de Olinda na torre de uma Fortaleza, localizada na Rua Nova, do mesmo lado em que se situa a Sé e nas suas proximidades estava a ferraria e o terreno que, em 1542, se reservava para a construção de uma cadeia. Todos os  edifícios construídos na vila ficavam localizados em uma praça, e tinham base de pedras retiradas de um terreno localizado onde hoje se encontra o colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Graça, que teve um dormitório do lado Leste, ameaçado de ruir por causa quantidade de pedra retirada do local.
Por conta de intrigas de invejosos no reino, Duarte Coelho volta a Portugal acompanhado de seus dois filhos, deixando D. Brites como Capitã, com plenos poderes (Livro de Tombo da Sé de Olinda), assistida pelo seu irmão Jerônimo de Albuquerque. Em Portugal pediu audiência para falar com o Rei mas não recebido, fica amargurado, adoece e pouco tempo depois vem a falecer.
Com o seu falecimento (1554) D. Brites ocupa interinamente o cargo, com todas as honras e obrigações devidas, até a maioridade do filho.
Senhor do engenho: Salvador (São Salvador; Beberibe), fundado em 1542.
Casamento 01: D. Beatriz (Brites) de Albuquerque, em 1530/Portugal. D. Brites nasceu por volta de 1517 e faleceu em 1584. Filha de Lopo de Albuquerque, membro da família dos Albuquerque, arrolados entre os “barões assinalados” do poema ‘Os Lusíadas’, e de Joanna de Bulhão. Dama do Paço da Corte. Nota: Em vários documentos firmados, Livro Velho da Sé de Olinda, pela esposa do 1º donatário de Pernambuco está assinado como Beatriz de Albuquerque e não como Brites, como muitos historiadores afirmam ser seu nome.
03 filhos:
01- Duarte Coelho de Albuquerque – nascido em 1537/Olinda e falecido em 1580/África. 2º Donatário da Capitania;
02- Jorge de Albuquerque Coelho – nascido em 1539/Olinda e falecido em 1596/Portugal. 3º Donatários da Capitania;
03- Catarina da Silva (nada foi encontrado).
Fontes:
http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/presencafeminina/BritesAlbuquerque.html
Biblioteca Virtual José Antônio Gonsalves de Mello. Disponível em: http://www.fgf.org.br/bvjagm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Duarte_Coelho_Pereira
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=301&textCode=4894&date=currentDate
http://www.e-biografias.net/duarte_coelho/



1545 (+ -) - Diogo Gonçalves (Diogo Gomes Froes*) – Nasceu na Vila do Conde/PT. Filho de Fernán Rodrigues de Campos (senhor da Vila de Erra) e de Helena Froes. Chegou a Pernambuco no princípio da colonização como trabalhador braçal, mas logo se tornou um dos homens mais importantes do seu tempo, quando exerceu o cargo de Auditor da Gente de Guerra da Capitania. Ao se casar com D. Izabel de Fróis recebeu como dote o engenho Beberibe/Recife, aonde passou a residir e estabeleceu sua família. 
No Livro de Tombo do Mosteiro de São Bento de Olinda, encontramos vários registros de doações e vendas de terrenos feitas ou autorizadas por D. Brites, e por ela assinados. Entre as doações registradas podemos encontrar a de uma sesmaria com 800 braças de terras que abrangia os atuais bairros de Casa Forte e da Várzea, doada a Diogo Gonçalves, morador antigo em Beberibe, e pai de "muitas filhas" e que era casado com D. Isabel Froes que viera para Pernambuco com o casal de Donatário com recomendações de D. Catharina, esposa de D. João III, com recomendações que a acomodassem e a protegessem. Nessa sesmaria Diogo Gonçalves construiu os engenhos Casa Forte/Recife e Santo Antônio da Várzea/Recife, que legou para suas filhas: D. Cosma e D. Isabel, deixando o engenho Beberibe para seu filho Leonardo Froes.
1ª Sinagoga do Brasil e das Américas
Senhor dos engenhos: Beberibe ou São Salvador/Olinda; Casa Forte/Recife-Casa Forte e Santo Antônio/Recife-Várzea
Casamento 01: D. Isabel Froes (Ana), em 1560.  – Filha de Álvaro do Campo (terceiro neto do General Francisco de Brito Freire – Almirante da Armada) e de (NI). Irmã de D. Leonarda Froes c.c. com o primo Martim Lopes de Brito. D. Isabel, antes de chegar no Brasil, trabalhou como criada da Rainha D. Catarina, mulher do Rei D. João III. NOTA: Alguns autores dão a paternidade de D. Isabel a Duarte Coelho Pereira, pois acham muito estranho D. Isabel ter levado de dote de casamento o eng. Beberibe que era o único construído pelo Donatário e depois seu marido ter recebido uma sesmaria, quando D. Isabel era apenas uma protegida da Rainha D. Catharina.
Quando Duarte Coelho e D. Beatriz de Albuquerque vieram para a Capitania de Pernambuco (1535), D. Catarina pediu que trouxessem D. Isabel com eles e lhe dessem acomodação e amparo financeiro por ser filha de um grande cavaleiro que morrera na Índia em seu serviço. O que foi executado com muito zelo casando-a com Diogo Gonçalves, um dos homens mais importantes da Capitania e dando como dote  o engenho Beberibe que pertencia ao Donatário.
03 filhos
01- Leonardo Froes – Vereador de Olinda, em 1604, de acordo com uma carta de data e sesmarias de umas casas no Recife, passada a Belchior Simões, e registrada no verso da fl. 5 do Livro que serviu de registro da Câmara de Olinda, de 1660 a 1682. C.c. Maria Gonçalves Raposo, depois com Francisca Nova  e depois com Francisca Nova. Herdeiro do engenho Beberibe/Recife (parte em Olinda); 
02- D. Isabel Froes – C.c. Jerônimo Paes de Azevedo (senhor do eng. Casa Forte). (c.g). Ficando viúva c.c. Belchior Simões. (c.g. desconhecida). Senhora do engenho Casa Forte/Recife – Casa Forte.
03- D. Cosma Froes – Segunda esposa de Pedro da Cunha de Andrada. Filho de Ruy Gonçalves de Andrada (Fidalgo, natural da Ilha da Madeira), e de D. Leonor da Cunha Pereira. Moço Fidalgo da Casa Real. Coronel de um dos Terços das Ordenanças em Olinda, durante a guerra holandesa. Pedro da Cunha foi casado em primeira núpcia com D Anna de Vasconcellos, filha de João Gomes de Mello (senhor do eng. Trapiche/Cabo de Santo Agostinho) e de D. Anna de Hollanda. (c.g.). Senhora do engenho Santo Antônio/Recife – Várzea.
Fontes:
* Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27. Pág. 646-650 e http://geneall.net/pt/nome/232108/diogo-gomes-froes/
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (2) Pág. 125, 126, 147, 199, 210. Anais 1926 Vol 48 (1) pág. 255, 322.
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html
http://doria.genealogias.org/Albuquerques.pdf
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. Pág. 68-69
______________________  O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 233
PEREIRA DA COSTA. F. A. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco. Aranis da Conferência Açucareira. Recife, 1905
PEREIRA, Levy. "Naβau (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Na%CE%B2au_(engenho_de_bois). Data de acesso: 26 de outubro de 2014.
VAINSENCHER, Semira Adler. Beberibe (rio e bairro, Recife). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.


1609 - Leonardo de Fróis – Filho de Diogo Gonçalves e de Isabel Fróis. Um dos homens mais respeitados de sua época. Vereador de Olinda, em 1604, de acordo com uma carta de data e sesmarias de uns chãos no Recife, passada a Belchior Simões e requerida pelo seu filho Felipe Cruz, registrada no verso da folha 05 do livro de registro da Câmara (1660/82). Participou da guerra contra os holandeses, sendo preso no Arraial do Bom Jesus, como refere Marquês de Basto em suas memórias.
Senhor do engenho Beberibe, antes São Salvador/Recife, herdado de seu pai, proprietário até 1636.
Casamento 01Maria Gonçalves Raposo – Falecida em 16/11/1612-Olinda, antes da invasão holandesa, sendo sepultada na Igreja da Casa da Misericórdia, deixando como testamenteiros seus cunhados: Francisco de Barros Rego e Francisco Monteiro Bezerra e o concunhado Jerônimo Paes de Azevedo. Filha de Diogo Alves Pessoa e de Maria Gonçalves. Segundo as memórias de Antônio de Sá de Albuquerque, D. Maria foi casada com Leonardo Froes, e deste matrimônio nasceram duas filhas. Uma que c.c. seu primo o Tenente General Antônio de Freitas da Silva. (Com geração desconhecida)
Casamento 02 (1630): Francisca Nova – Filha de Thomé de Castro e de Maria Nova de Lyra. O casal aparece mencionados em documentos como vivos em 1630.  (s.g.).
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (3) – pág. 147, 409, 466
________________________________________.  Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Anais 1926 Vol 48 (5). Pág. 27, 246, 255, 322
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 65



1636 - Antônio de Sá Maia – Nascido em Barcelos/PT e falecido em 1638/Recôncavo Baiano, durante um assédio feito pelos holandeses a cidade de Salvador. Filho de Duarte de Sá Lima e de Joana Tavares. Segundo Evaldo Cabral de Melo, Antônio de Sá Maia era cristão-novo, uma vez que pagou uma finta ou imposto especial cobrado dos cristãos-novos no tempo da união dinástica entre Portugal e Castela (1580/1640). Fidalgo da Casa Real. Alcaide-mor de Olinda. Provedor da Santa Casa da Misericórdia/Olinda. Comandante de Cavalaria Auxiliar, 1615/1635. Coronel do Regimento de Cavalaria de Itamaracá. Capitão de Cavalos da Muribeca e do Cabo de Santo Agostinho.
Antônio de Sá Maia que antes da ocupação holandesa tinha ocupado todos os cargos honrosos do Brasil e tinha se tornado um dos homens mais ricos de sua época, perdeu tudo o que tinha no começo da invasão e para não arriscar a fidelidade dos empregados e escravos retirou-se e os levou para a Bahia (1635), quando acompanhou o General Mathias de Albuquerque e a maioria dos senhores de engenho pernambucanos, cerca de 8.000 pessoas, entre família, escravos, feitores, etc.
Em 1637 todos os engenhos de sua propriedade foram confiscados para não arriscar a fidelidade de seus empregados e escravos, por se encontrarem abandonados. A fazenda Beberibe (antigo engenho) foi vendida a Duarte de Saraiva, por 10.000 florins, e os engenhos: Novo da Muribeca e Santo André, que se encontravam destruídos por um incêndio causados por tropas holandesas (1633), foram vendidos a Gaspar Dias Ferreira.
NOTA: De acordo com seu testamento: seus despojos deveriam ser enterrados junto aos dos pais na Igreja do Carmo/Olinda, cujos frades o acompanhariam, dizendo-lhe um ofício de nove lições de corpo presente na semana seguinte a seu enterro, recebendo o óbolo de 100 cruzados. Pela sua alma e das suas duas esposas, os frades carmelitas deveriam, “enquanto o mundo durar” rezar seis missas semanais, com exceção da sexta-feira, dia da missa de seu pai Duarte de Sá. Para essas missas reservava 48.000 réis, do aluguel de casas a serem adquiridas em Olinda, e que a Ordem Carmelitas não poderia alienar em tempo algum.
Senhor dos engenhos:  Beberibe/Recife (faz. Beberibe, proprietário em 1636) e os engenhos: Suassuna/Jaboatão dos Guararapes (vendido a Gaspar Dias Ferreira pelos holandeses); Santo André/Jaboatão dos Guararapes – Muribeca(vendido a Gaspar Dias Ferreira pelos holandeses); Novo/Jaboatão dos Guararapes – Muribeca; Santa Maria/Jaboatão dos Guararapes (vendido a Gaspar Dias Ferreira pelos holandeses).
Casamento 01Maria de Melo de Albuquerque (tia de sua segunda esposa) filha D. Isabel de Mello de Albuquerque e de Scipião... Pitta Porto Carrreiro (Gov. do Rio Grande do Norte, em 1631)
Filhos encontrados (o casal teve 11 filhos mais só uma sobreviveu):
01- D. Lourença de Albuquerque, filha única – C.c. Gaspar de Barros, contra a vontade dos pais.
Casamento 02: D. Catarina de Albuquerque, sobrinha de sua primeira esposa – Filha de Cristóvão de Albuquerque (Fidalgo da Casa Real e Alcaide-mor e Gov. da Paraíba) e de D. Ignez Falcão (falecida em 1621, cujos testamenteiros foram: Christovão de Albuquerque, seu filho, e Antônio de Sá Maia, seu genro). Neta paterna de Jerônimo de Albuquerque e de D. Felippa de Mello. Durante a ocupação holandesa fugiu com seu marido e família para a Bahia. Após o falecimento de seu marido e o roubo de todos os seus pertences trazidos de Pernambuco, orçados em cerca de 10.000 cruzados, D. Catarina ficou muito pobre, numa terra estranha, cuidando de 05 filhos que tinha ido com o casal para a Bahia, quando resolveu entrar com uma petição solicitando uma sentença de justificação, pelos serviços prestados por Antônio de Sá Maia, enquanto isso “ficou a pedir esmolas” e sendo ajudada por D. Catarina Barreto, que também imigrara para a Bahia. O casal teve 25 filhos, em 23 partos, mas só se conhece pelos genealogistas a existência de 15 deles. D. Catharina casou em 2ª núpcias com Pedro Lopes de Vera.
Filhos reconhecidos pelos genealogistas:
02- Duarte de Sá Lima – Que ainda vivia em 1626. Faleceu solteiro;
03- João de Albuquerque de Melo – Nada foi encontrado;
04- Jorge de Albuquerque –  Falecido solteiro;
05- Duarte de Albuquerque de Melo – Falecido criança;
06- André de Albuquerque de Melo – Falecido criança;
07- José de Sá Albuquerque, o Olho de Vidro – Nasceu em Olinda, sendo batizado pelo Pe. Luiz Álvares Pinto, na Igreja do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, no dia 23.08.1620, e foram seus padrinhos seus tios: Mathias de Albuquerque (Conde de Alegrete) e D. Isabel de Mello. Faleceu em 1711, com quase 10 anos de idade. Homem muito honrado e estimado em sua época. Quando seus pais imigraram para a Bahia, foi um dos 05 filhos que os acompanharam. Lutou junto ao seu pai contra os holandeses na defesa de Taparica/BA. Capitão e depois Coronel do Regimento das Ordenanças da Muribeca, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca durante a Restauração pernambucana. Exerceu o ofício de Juiz Ordinário da vila de Olinda por diversas veze. Em 1683 foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda. Recebeu o hábito da Ordem de Cristo do Rei D. Pedro, em remuneração de seus serviços e dos seu pai e avós, com 80.000 reis de tença, em 20.06.1681. fidalgo Cavaleiro da Casa Real, em 16.03.1694, com moradia de 1.600 reis por mês e uma alqueire de cevada por dia. . Padroeiro da Capela-mor do Carmo/Olinda. Senhor das capelas vinculadas nos engenhos: Santa Andrpe e Novo da Muribeca, ambos em Jaboatão dos Guararapes – Muribeca. C.c. Catarina de Melo de Albuquerque, sua prima. Filha de sua tia paterna D. Brites, se tornou chefe da família depois do falecimento do seu pai;
08- Manoel de Sá de Albuquerque – Nascido em 1616, batizado aos 08 anos de idade na Igreja da Sé de Olinda no dia 03.07.1626. Foi com seus pais para a Bahia (1635). Gêmeo de Antônio de Sá Maia Júnior. Faleceu solteiro com mais de 80 anos; 
09- António de Sá Maia Júnior – Gêmeo de Manuel de Sá Albuquerque. Faleceu antes de 1635, ano que seus pais e 05 irmãos foram para a Bahia;
10- Joana de Albuquerque – Falecida criança;
11- Maria de Albuquerque – Falecida criança;
12- D. Brites de Albuquerque – C.c. Filipe Pais Barreto (senhor do eng. Garapu/Cabo de Santo Agostinho), filho de João Paes Barreto e de D. Ingez Guardez.. (c.g.);
13- Ana de Lima Mahia, falecida criança;
14- Joana de Sá e Melo – C.c. Fernão Figueira de Moura;
15- Luísa de Melo Albuquerque  – C.c. Fernão Velho de Araújo;
16- D. Ignez de Albuquerque de Mello – Batizada no dia 27.09.1622 na Igreja do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, segundo o Livro Velho da Sé de Olinda. Desde pequena teve inclinação para entrar para um convento, mas foi impossibilitada de aconseguir o que lhe apetecia por conta da destruição da guerra holandesa. Quando seus pais foram para a Bahia foi um dos 05 filhos que os acompanharam. Em casa de seus pais vestia o hábito da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, descoberto. D. Ignez faleceu idosa e cheia de virtudes; 
17- D. Branca Mahia de Lima – Nada foi encontrado.
18- D. Maria de Sá e Lima – Batizada no dia 01.05.1624, na Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda, pelo Pe. D. Abbade Fr. Angelo;
19- D. Clara de Lima Maia – Falecida criança;
20- Ana de Melo de Albuquerque – Falecida criança;
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro.  Anais: 1920-1921 Vols 43 / 44. 1925 Vol 47 (Pág. 125, 126, 147, 199). Anais 1926 Vol 48 - Pag: 322
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro Anais 1925 Vol 47 (3) Pág. 72
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro Anais 1926 Vol 48 (5) Pág. 05, 22, 200, 201, 202, 215, 367-368
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html
http://doria.genealogias.org/Albuquerques.pdf
http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/presencafeminina/BritesAlbuquerque.html
http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe. php?id=6
http://www.dei.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/dei/arquivos/nosdorn/nos1204.pdf
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=291173
http://www.joaodorio.com/site/index.php?option=content&task=view&id=44&Itemid=117
J. A. Gonsalves de Mello e Cleonir Xavier de Albuquerque (eds.), Cartas de Duarte Coelho a El-Rei (Recife, 1967), pp. 29 e 114.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada, Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt. 34. 3ª edição. Rio de Janeiro, 2007. Pág.  355, 366-367
Pereira da Costa, 1951, Volume 4, Ano 1678. Pg. 157-158, pg. 159
Relatório de Van der Dussen cit., pp. 47/48                                 
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27.1347



1637 - Duarte Mendonça Saraiva (David Sênior Coronel) – Nasceu em 1572/Amarante-PT e faleceu em 1650/Pernambuco, com 75 anos de idade; sendo sepultado no cemitério judeu do Recife, onde estão também sua esposa e um neto*. Membro da família Sênior Coronel, muito conhecida na Espanha e radicada em Hamburgo. Filho de Heitor Coronel e de (?), casados em Monção/PT, na família Saraiva de origem cristã-nova. Tio de Gaspar de Mendonça (senhor do engenho Apipucos) e de João de Mendonça (senhor do engenho Madalena). Jovem, David imigrou para Amsterdã (1598), como muitos jovens judeus, para poderem praticar abertamente a sua religião, e também por ser considerada um dos maiores centros econômicos europeus. Em 1601, era um homem rico e comercializava o sal e de outras commodities com Portugal. No ano de 1604 já tinha se tornado cidadão de Amsterdã. Nessa época David Sênior Coronel já usava o nome cristão de Duarte Mendonça Saraiva , e começara a negociar mercadorias para o Brasil.
Quando os holandeses invadiram Pernambuco (1630) e começaram a prometer facilidades para a entrada de colonos na terra conquistada; um grande número de judeus sefardim e alguns poucos ashkenazim resolveram imigrar com sua família e trazendo novas técnicas comerciais e industriais. Entre eles estava Duarte Saraiva, que residia em Frandes e imigrou para Pernambuco com toda a sua família. CURIOSIDADES: Entre os muitos judeus que solicitavam transferência para a "terra do açúcar", feitas ao Conselho Político da Companhia das Índias Ocidentais em Amsterdam, no período de 01.01.1635 a 31.12.1636, cujo único livro de atas se conservou até os nossos dias, podemos citar Daniel Gabilho que viera para Pernambuco a serviço de Duarte Saraiva.
Chegando ao Recife, Duarte Mendonça Saraiva trabalhou como Corretor de Açúcar no Recife (1635) e logo assumiu publicamente sua condição de judeu, mudando seu nome ‘católico’ para o judeu David Sênior Coronel.
Duarte de Saraiva se torna um dos homens mais rico da Capitania e muito estimado pela comunidade judaica, sendo homenageado pelo conhecido rabino de Amsterdã, Menasseh ben Israel, quando da publicação do seu livro El Conciliador (Amsterdã, 1641). Seu nome aparece vinculado, durante o domínio holandês, à compra de escravos africanos, fretamento de navios, proprietário de imóveis, rendeiro e proprietário de vários engenhos adquiridos em leilão feito pela Companhia das Índias Ocidentais holandesa. Por duas vezes (1639 e 1644) ele arrematou a cobrança dos impostos da Companhia sobre a produção do açúcar em Pernambuco, gastando na primeira vez a quantia de 128.000 florins.
Com o crescimento da população judaica em Pernambuco o Conselho Político da Companhia das Índias decidiu, em 09/11/1635, vender alguns lotes de terrenos localizados junto à "Porta de Terra", ao Norte do Recife, no istmo que ligava a povoação do porto à vila de Olinda. Devido às construções ali realizadas, neste e em outros lotes que foram comprados por muitos comerciantes e pelos mais ricos mercadores judeus da comunidade, como Gaspar Francisco da Costa (José Atias), Moisés Navarro, Abraão Azevedo, entre outros, em 1636, surge a Rua dos Judeus (Jodenstraat), denominação que se manteve até 1654, quando da retirada dos holandeses de Pernambuco, passando a ser chamada de Rua da Cruz, em alusão a uma grande cruz erguida sobre o arco da "Porta de Terra", em cujo pavimento superior veio a funcionar a capela do Senhor Bom Jesus das Portas. Em 1850, por necessidade do trânsito, foi demolido o chamado Arco do Bom Jesus, com a sua capela, passando a rua, em 1870, a ser denominada Rua do Bom Jesus em alusão à capela que nela existira. Em 05.11.1992, o autor destas linhas, com o consentimento do então prefeito da Cidade do Recife, Gilberto Marques Paulo, e o apoio do presidente do Centro Israelita de Pernambuco, sr. Germano Haiut, fez afixar na antiga Rua dos Judeus as placas indicativas. Coube ao artista Bernardo Dimenstein fazer o desenho e ao ceramista Ferreira confeccionar as placas em cerâmica que foram afixadas no local: Rua do Bom Jesus antiga Rua dos Judeus. 1636 - 1654
David Sênior Coronel compra um dos lotes medindo 80 pés de comprimento e 60 de largura (24,3440 m. x 18,2880) por de 450 reais, para construir uma casa que lhe serviria de residência e que a rés-do-chão seria montado seu negócio, como era comum na época. Mas, assim que a moradia ficou pronta, passou a funcionar nela a primeira sinagoga das Américas, e depois, de forma definitiva, foi estabelecida no local a Kahal kadosh Zur Israel (Santa Comunidade Rochedo de Israel), que congregava os judeus imigrantes dos Países Baixos como os cristãos-novos que tinham retornado ao judaísmo. NOTA: O nome de batismo da nova comunidade talvez viesse em alusão ao próprio arrecife, localizado no porto do Recife. É desta época a visão de outro contemporâneo, o reverendo calvinista Joannes Baers (1580-1653), que assim sintetiza a descrição da cidade de então: "o Recife é um arrecife".
CURIOSIDADES: Destino da Sinagoga: Após a Insurreição Pernambucana, o Governo português, entre as presas de guerra, fez doação do prédio onde funcionara a sinagoga a João Fernandes Vieira. Após 20 anos o prédio da Sinagoga foi transferido por escritura de doação, datada de 14.10.1679, à Congregação do Oratório de São Felipe de Neri. Em 1821, com a extinção dessa ordem, os dois prédios passaram a integrar o patrimônio do Colégio dos Órfãos (1835) e posteriormente a Santa Casa de Misericórdia do Recife (1862), sua atual proprietária. Os prédios, que tinham os números 12 e 14, no século passado, receberam nova numeração no início deste século, passando a ostentar os números 197 e 203. Sua identificação tornou-se possível graças à planta existente no arquivo da Empresa de Urbanização do Recife - URB, encontrada pelo professor José Luiz da Mota Menezes, e de sentença judicial em favor da Santa Casa de Misericórdia do Recife publicada no Diário da Justiça, de março de 1962, que identifica expressamente os dois imóveis. Comunicado neste sentido foi feito pelo professor José Antônio Gonsalves de Mello, em sessão do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano e na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, anteriormente citada.
CURIOSIDADES: Nas Denunciações e Confissões de Pernambuco feitas na 1ª Visita do Santo Ofício, David Sênior Coronel  é citado como frequentador da casa de Manuel Cardoso Milão. Existe também vários depoimentos de luso-brasileiros a informar que, antes da instalação da sinagoga no Recife (1636), a casa de Duarte Saraiva serviu de ponto de reunião e de culto dos judeus chegados da Holanda e dos cristãos-novos de Pernambuco convertidos ao judaísmo.
David Sênior Coronel toma posse como escabino de Recife, junto a outros judeus como: Moisés Navarro, Francisco da Costa, Joseph Francês, Salomão Dorminod e Moisés Zacuto. Em 06.08.1642, garante as dívidas, perante seus credores, do comerciante judeu Moises Abendana. No dia 20.02.1654, o nome de David Saraiva é colocado na lista de proprietários judeus, sendo possuidor de casas e lojas em Recife e em Olinda, engenhos de açúcar e da firma Sênior-Coronel, que depois foi confiscada pelos portugueses. Ao falecer tinha créditos a receber da coroa portuguesa, na importância de 351.502 florins, e todos os seus bens tinham sido hipotecados devidos aos empréstimos tirado na Companhia da Índia Ocidental holandesa.
CURIOSIDADES: Perto da “a casa La Fontaine”, construída por Nassau para seu lazer, existia uma mata, que os holandeses ávidos por dinheiro, venderam a Duarte de Saraiva para que fornecesse lenha tirada das matas do engenho Madalena pertencente a João de Mendonça, para as fornalhas da residência do Conde Maurício de Nassau.
Senhor dos engenhos: Beberibe/Recife (comprado em 17.06.1637); Bom Jesus/Cabo de Santo Agostinho (comprado em 17.06.1637); Camaçari/Jaboatão dos Guararapes (comprado em 1638); Jurissaca/Cabo de Santo Agostinho; Madalena/Recife (comprado em 1641); Novo/Cabo de Santo Agostinho (comprado em 23.06.1637); São João do Salgado/Cabo de Santo Agostinho (comprado em 1639); Torre ou Rosário da Torre/Recife (comprou uma parte das terras em 1638).
Casamento 01Maria Saraiva, em1598 - Amsterdã
Filhos:
01- David Isaac (Duarte Sênior Júnior) – Herdeiro de seu pai. Rabino e Mestre-escola entre os judeus portugueses de Amsterdam. C.c. Ester Saraiva (Senior Coronel);
02- Antônio Saraiva (Sênior Coronel) - Nada mais foi encontrado;
03- Isaac Saraiva (Sênior Coronel) – C.c. Sara Saraiva (Senior Coronel) (born Sarfati).
A família Sênior Coronel voltou para Amsterdam em 1654, após os holandeses se rendera. Nos tribunais, David Ishac tentou recuperar da mudança da família para o Brasil. Ele pode ter sido tesoureiro da comunidade judaica de Recife em 1652, mas voltou com o resto de sua família para Amsterdã em 1654. Morreu lá em 1676 com a idade de 51. Seus descendentes, eventualmente, emigraram para o Suriname (Guiana Holandesa), na costa norte da América do Sul, onde também entraram no negócio de açúcar.
Fontes:
**http://www.myheritage.com.br/person-1000775_26310451_26310451/duarte-david-saraiva-senior-coronelhttp://lhs.unb.br/ biblioatlas/S._Madanella_(engenho_de_bois)
*http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=566%3Acemiterio-judeu-nas-americas-recife-&catid=38%3Aletra-c&Itemid=1
http://brasilhis.usal.es/?q=pt-br/node/113
http://culthotel.com.br/wp-content/uploads/2012/08/judeus.pdf
http://fateadal.wordpress.com/2008/10/31/judeus-em-pernambuco-no-seculo-xvi/
http://valverdewebmaster.tripod.com/id16.html
http://www.ahjb.org.br/pdf/jornal_jun01.pdf
http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
http://www.familiaaffonsodealbuquerque.50webs.com/index33.html
http://www.jackwhite.net/iberia/coronel.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 62-64, 99, 104, 121
______________________  O Nome e o Sangue. Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial. Edt. Topbooks. 2ª Edição. Rio de Janeiro. Pag. 56 e 215
MELLO, José Antônio Gonsalves de Mello. Tempo dos Flamengos.  2ª edição.  BNB e Governo de Pernambuco. Recife, 1979. pág. 55, 100, 119, 131, 253, 258, 263.
___________________________________  Gente da Nação: cristãos-novos e judeus em Pernambuco. 1542-1654. Fundação Joaquim Nabuco, 1996. 546 páginas.
RIBEBBOIM, José Alexandre. Senhores de engenho Juseus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 3ª edição revisada e aumentada. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 91 a 95



1650 - David Ishac (Duarte Sênior Júnior) – Nasceu em 1625/Amsterdã e faleceu em 1676/Amsterdã, com 51 anos de idade e falecido em 1676, com 51 de idade. Filho e herdeiro de Duarte Mendonça Saraiva (David Sênior Coronel). Chegou a Pernambuco com a sua família com 11 anos de idade.
David Ishac herdou todas as propriedades de seu pai, na época em que estava no auge a guerra contra os holandeses. Tesoureiro da comunidade judaica de Recife, em 1652. Herdou do avô a inscrição de número 133 da Santa Companhia de Dotar Órfãs e Donzelas, de Amsterdã, e que poderia ser sido o Tesoureiro da Terra Santa, entre os anos de 1650 e 1651.
Após o falecimento de seu pai hipotecou as empresas de seu pai e ficou devendo muito dinheiro a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Sem poder pagar as dívidas Ishac retornou para Amsterdã (1654), após a rendição holandesa, onde exerceu as funções de rabino e mestre-escola entre os judeus portugueses, e foi um dos principais líderes daquela comunidade. Passado algum tempo Davi Ishac tentou recuperar nos tribunais o controle das propriedades de seu pai e da firma Sênior-Coronel que havia sido confiscada pelos portugueses, mas não teve sucesso. Rabino e Mestre-escola entre os judeus portugueses de Amsterdam.
NOTA: Seus descendentes emigraram para o Suriname (Guiana Holandesa), na costa norte da América do Sul, onde entraram no negócio de açúcar.
Senhor dos engenhos: Fazenda Beberibe/Recife; Jurissaca/Cabo de Santo Agostinho; Bom Jesus/Cabo de Santo Agostinho; Camaçari/Jaboatão dos Guararapes; Madalena/Recife; Novo/Cabo de Santo Agostinho; São João do Salgado; Torre ou Rosário da Torre/Recife; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho
Casamento 01: Ester Saraiva (Senior Coronel)
Filhos: (?)
Fontes:
Arruda, Gustavo. História do Recife XI. Disponível em: https://docs.com/JBK1
http://fateadal.wordpress.com/2008/10/31/judeus-em-pernambuco-no-seculo-xvi/
http://geneall.net/en/forum/150627/familia-saraiva/
http://valverdewebmaster.tripod.com/id16.html
http://www.arquivojudaicope.org.br/2012/pt/compilacoes/mello-4.html
http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
http://www.familiaaffonsodealbuquerque.50webs.com/index33.html
http://www.jackwhite.net/iberia/coronel.html                                                                 
RIBEBBOIM, José Alexandre. Senhores de engenho Juseus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 3ª edição revisada e aumentada. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 92



José de Sá e Albuquerque, “o Olho de Vidro” – Nasceu em 1615/Olinda e foi batizado pelo Pe. Luiz Álvares Pinto, na Igreja do Recolhimento da Conceição/Olinda, que ficava junto à casa de seus pais. Teve como padrinho o General Mathias de Albuquerque, primo de sua mãe. Faleceu em 1711, com quase 100 anos de idade. Filho de Antônio de Sá Maia e de D. Catharina de Albuquerque. Com apenas 15 anos de idade imigrou com seus pais e mais 04 irmãos para a Bahia (1635). Jovem lutou junto ao seu pai contra os holandeses na defesa de Itaparica/BA.
Curiosidades: Durante a ocupação da Ilha de Itaparica/Bahia pelos holandeses e do bloqueio a cidade de Salvador e do Recôncavo baiano, José de Sá e Albuquerque todo dia ia seguia em barcos congos que saíam para incomodar as naus inimigas, aliviando a barra de Salvador.
Com o falecimento de seu pai Antônio de Sá Maia, a chefia da família passou para José de Sá e Albuquerque que era o primogênito. Herdeiro do engenho Santo André, recebido de seu avô e confirmado por seu pai ao encapelar a propriedade em seu favor. Mas seus irmãos protestaram e todos os bens de seus pais foram divididos igualmente. Depois foi feito um acordo: José de Sá e Albuquerque ficaria com a fábrica do engenho Novo, um terreno na Rua Nova – aonde foi a casa de seu avô, a fazenda Beberibe e a totalidade do eng. Santo André; suas irmãs e seu irmão Manuel receberiam suas legítimas em partidos de cana no eng. Novo, pois não tinham forças para lutar contra seu irmão José, que em contrapartida saldou todas as dívidas de seus pais, cujo montante correspondia ao valor atribuído ao eng. Santo André, e com a posse da totalidade do engenho, conseguiu encapela-lo (1612), oficializando o morgadio criado pelo seu avô, Duarte de Sá.
Em 1653 ao retornar do exílio na Bahia, participou do sítio e da rendição do Recife como Capitão e depois Coronel do Regimento das Ordenanças da Muribeca, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca.
Exerceu o ofício de Juiz Ordinário de Olinda por diversas vezes. Recebeu o hábito da Ordem de Cristo do Rei D. Pedro, com deliberação de exigências, em remuneração de seus serviços e dos seu pai e avós, com 80.000 reis de tença, em 20.06.1681. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda (1683). Fidalgo da Casa Real, em 16.03.1694, com moradia de 1.600 reis por mês e um alqueire de cevada por dia. Padroeiro da Capela-mor da igreja do Carmo/Olinda. Senhor do Morgado de Santo André/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca, instituído pelo seu avô Duarte de Sá. Senhor da capela vinculada do engenho Novo da Muribeca/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca. Autor da primeira monografia sobre a família Albuquerque, escrita em 1693, e “Povoações e cousas do Brasil” e “História genealógica dos descendentes de Jerônimo de Albuquerque”.
Senhor dos engenhos: Santo André/Jaboatão dos Guararapes (antes Muribeca); Novo da Muribeca/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca (na partilha entre os herdeiros lhe coube a fábrica, enquanto as terras ficaram para seus irmãos); e da Fazenda Beberibe/Recife
Casamento 01: D. Catarina de Melo de Albuquerque – Filha de sua tia materna D. Brites de Albuquerque e de Filipe Pais Barreto.
Filhos:
01- José Lins de Albuquerque – Faleceu solteiro;
02- Affonso de Albuquerque de Mello – Fidalgo da Casa Real.
Casamento 01: D. Anna Maria Falcão – Filha do Mestre de Campo Zeenóbio Accioli de Vasconcellos e de D. Maria Pereira de Moura. (s.g.);
Casamento 02: D. Marianna da Câmara de Albuquerque – Filha do Gov. Mathias de Albuquerque Maranhão e de D. Isabel Câmara. (s.g.);
Casamento 03: D. Ignez Barreto de Albuquerque – Filha do Sargento-mor Antônio Paes Barreto e de D. Maria de Fonseca Barbosa, filha de T. C. Affonso Broa. (s.g.);
03- Antônio de Sá de Albuquerque. Fidalgo da Casa Real.
Casamento 01: D. Margarida da Rosa de Vasconcellos, por vontade própria – Filha de Domingos Nobre e de Margarida da Rosa. (c.g.).
04- Pedro de Mello de Albuquerque – Cônego. Fidalgo da Casa Real. Teve um filho com uma mulata, escrava de seu irmão Affonso de Albuquerque de Mello, a quem chamaram de Francisco Xavier de Albuquerque;
05- D. Maria Maior de Albuquerque – C.c. seu primo o Capitão-mor e Morgado do Cabo João Paes Barreto (II). (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Anais 1926 Vol 48 (22) pág. 04-05, 22, 23
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (6) Pág. 148, 323, 415
http://www.joaodorio.com/site/index.php?option=content&task=view&id=44&Itemid=117
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010/12/genealogia-brasileira-joaquim-nabuco-e.html
PAES BARRETO, Carlos Xavier. Os Primitivos Colonizadores Nordestinos e seus Descendentes. Edt. Melso Soc. Anônima. Rio de Janeiro



Domingos Bezerra Monteiro – Filho de Domingos Bezerra e de D. Brázia Monteiro. Capitão.
Rendeiro da Fazenda Beberibe/Recife (1709 a 1713), de acordo com o testamento de José de Sá Albuquerque, feito em 1709.
Casamento 01: Antónia Rodrigues Delgado
Filhos:
01- Cosme Bezerra Monteiro – C.c. Bernarda Cavalcanti (c.g.);
02- Simoa Bezerra – C.c. Bento Rodrigues da Costa (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA. Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol. 48. Pág. 355
_____________________________________________________________ Anais 1925 Vol 47 (3). Pág. 472.




Jacinto de Freitas da Silva – Filho de João de Freitas da Silva e de D. Catarina de Albuquerque. Neto materno de João de Freitas da Silva. Batizado em 16/03/1680 e faleceu em 24/12/1757. Fidalgo da Casa Real. Tenente-Coronel de um dos Regimento de Auxiliares de Pernambuco, que chamava de Volante e que foi extinto em 1739, quando foi criado terços com Mestre de Campo. Capitão de Infantaria no Regimento da Praça do Recife. Vereador de Olinda (1715, 1729 e 1744). Provedor da Santa Casa da Misericórdia (1732).
Senhor do engenho Casa Forte/Recife, sucessor de seu irmão Antônio de Freitas da Silva; e da fazenda Beberibe/Recife
Casamento 01: Antônia da Cunha, irmã de sua cunhada Francisca Monteiro – Filha de Manuel Carneiro e de Sebastiana de Carvalho.
Filhos:
01- João de Freitas da Silva – Sargento-mor do Terço de Auxiliares do Cabo de Santo Agostinho, faleceu solteiro;
02- Sebastiana de Freitas – Faleceu solteira, em 15/09/1748;
03- Francisca Maria de Feitas da Silva – C.c. Manoel Lopes de São Tiago. (s.g.); 
04- Isabel Bernarda de Freitas da Silva – C.c. Antônio da Silva Santiago. (s.g.);
05- Antônio de Freitas da Silva – C.c. D. Francisca Monteiro.
Casamento 02, com mais de 70 anos: D. Maria de Siqueira.
Filhos: 06- Isabel da Silva – (nada foi encontrado)
Fontes :
BORGES DA FONSECA. Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925, 1626.



João Nunes de Freitas – Filho de André Lopes de Leam. Senhor de várias terras e da Capela de São Boa Ventura.
Proprietário da fazenda Beberibe/Recife
Casamento 1: D. Maria Correia de Lyra, natural do Cabo de Santo Agostinho. Filha de Cristóvão Correia e de Catarina de Lira, naturais da Ilha da Madeira.
Filhos:
01- Jacinto de Freitas de Lira – Sacerdote de São Pedro;
02- Cristóvão Correia de Lira – Sacerdote de São Pedro;
03- Maria Correia de Lira – C.c. Luiz Ribeiro, que viveram em Beberibe;
04- Antônio de Freitas de Lira – C.c D. Faustina Fernandes de Sá; 
05- Felipa Nunes – C.c João Gomes de Melo e Albuquerque, que viveram em Beberibe.
Fontes :
BORGES DA FONSECA. Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925



D. Josefina Francisca de Freitas e Silva - Falecida em 1856.
Última proprietária encontrada das terras que restaram do antigo engenho Beberibe.