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26/10/2010

Santana (Sant'Anna)/Jaboatão dos Guararapes


Localização das edificações do engenho

O engenho Santana cuja moenda era movida à água, é um marco histórico de Pernambuco e um dos mais antigos do município de Jaboatão dos Guararapes. Localizado no bairro de Sucupira/Jaboatão dos Guararapes, nas margens esquerda do Rio Jaboatão e próximo à linha férrea que liga o município ao Recife. Composto por um conjunto formado pela casa-grande, capela, vila dos moradores, sede da administração, escola e senzala. Produziu açúcar e aguardente até o século XX, depois passou a ser fornecedor de cana para a Usina Jaboatão e a explorar suas pedreiras, cujas pedras abasteciam o grande Recife.
Casa grande do eng. Santana/Jaboatão
 dos Guararapes
A casa-grande foi construída em terreno alto, em um só pavimento em estilo eclético, de alvenaria de tijolos, e hoje se encontra em um bom estado de conservação, apesar das várias alterações que sofreu ao longo do século XX. Com terraço em “U”, aonde meu avô sentava em sua cadeira e avistava todas as edificações do engenho, os caminhões que passavam carregados de pedras e os carros puxados a bois, com seus rangidos (cantos) que lhes eram peculiares. Seu acesso é feito por duas rampas calçadas, uma subindo e outra descendo. 
Vista do jardim da casa grande
No pátio de entrada da casa ainda hoje existem dois jambeiros e dois banquinhos, embaixo de cada um deles, onde o administrador do engenho e do barracão, Sr. Juarez, costumava amarrar seus bonitos cavalos. Uma escada de pedra bruta de mármore, que dá acesso ao jardim frontal, com um portão gradeado com dois pilares onde estavam cravados dois leões de louça, que por sua postura eram verdadeiros guardiões do engenho. O terraço do lado direito, que servia de sala no verão, era fechado com grandes janelas de madeira e vidro que cobriam todas as suas paredes e uma porta que dava acesso para um jardim. No fundo da casa ficava o galinheiro e em todas as laterais se podia ver uma grande variedade de fruteiras. Atrás da casa existe um morro com muitos pés de araçá, mangueiras, ingazeiros, macaíba e de azeitona preta, um deleite para nossos passeios, que  eram proibidos quando as vacas paridas estavam pastando nele. NOTA: Na horta existente do lado direito existiam duas grandes cacimbas, cobertas com grossas tábuas, que forneciam água para a casa grande e que ao longo da minha infância ouvi muito dizerem: crianças, cuidado com a cacimba é perigosa e podem cair nela".
Conjunto de casa de moradores - Eng. Santana
          O interior da casa grande é composto de: rol de entrada, com fotografia dos ascendentes e descendentes das famílias Carneiro Leão, Carneiro da Cunha, Mendes de Holanda, Novaes e Carneiro de Novaes, um móvel com comendas que meu avô recebeu durante toda a sua vida, e uma grande caixa de música, com borboletas e tambores, que tocava 12 sonetos; 03 salas: uma de visita, duas para refeições, onde havia sempre um famoso café da manhã, feito por D. Anunciada e servido por Lúcia, após a missa do domingo, rezada pelo Capelão do Quartel de Socorro, Padre Oliveira (1960), que chegava logo de manhã cedo, trazido por “Meu Compadre Miguel Afonso”, depois por seus filhos: Paulo e Nelson, sucessivamente; um terraço interno, coberto de telhas de vidro, que servia de sala de televisão e de estar; um pequeno quarto para santos; 05 quartos (02 suítes); 01 banheiro social; uma copa; cozinha; quarto para passar roupas; dispensa; dependência completa de funcionários; um terraço ao fundo com lavanderia e um grande fogão à lenha para o cozimento dos famosos doces de banana, feitos pelo “seu” Cocó, figura impar, certa vez presenciei o “seu Cocó” tirar o chapéu para poder falar ao telefone com minha avó Nita. CURIOSIDADES: Era costume os trabalhadores e/ou moradores do engenho quando passavam em frente à casa grande e avistavam os proprietários do engenho no terraço da casa grande tirar o chapéu, em sinal de respeito.
          Adquirido por Fernandes Vieira. Pertenceu as famílias Soares Brandão, Carneiro da Cunham, Carneiro de Lacerda e em 1920 a Manoel Carneiro Leão que o deixou para sua filha D. Nita Carneiro de Novaes esposa do Senador da República Dr. Antônio de Novaes Filho (Ministro da Agricultura). 1950. (foto)
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Placa localizada na parede externa da Igreja
          A capela do engenho, sob a invocação de Santa Anna, fica localizada na mesma elevação da casa grande, se destaca pela beleza de suas linhas e curvas e é ligada a casa grande por um terraço lateral. Na sua parede frontal existe uma placa onde se pode ler: Engenho Santana. Requisitado pelos holandeses. Na sua parede frontal existe uma placa onde se pode ler: Engenho Santana. Requisitado pelos holandeses. Adquirido por Fernandes Vieira. Pertenceu as famílias Soares Brandão, Carneiro da Cunha, Carneiro de Lacerda e em 1920 a Manoel Carneiro Leão que o deixou à sua filha D. Nita Carneiro de Novaes casada com o Senador da República Dr. Antônio de Novaes Filho (Ministro da Agricultura). 1950. (foto acima) Na sacristia existem lápides de proprietários, familiares e de “Dodô” a baba de minha mãe e de meus tios. Logo abaixo da capela, descendo uma pequena elevação, há um grande pé de manga rosa onde ficava pendurada uma roda de ferro para que os vigias, do dia e da noite, batessem as horas. Logo abaixo um poço onde ficava localiza a roda d'água. NOTA: Durante o mês de maio o terço era rezado todos os dias e no fim do mês saía uma procissão em homenagem a São Joaquim e Santa Anna, acompanhada pelos moradores do engenho e proprietários, sendo puxada por um grande andor enfeitado com flores com a imagem da Santa, que ficava depois guardado no coro na Igreja ao lado do grande sino.
Antiga escola do engenho
  Em frente à casa-grande e próximo ao prédio da administração, está localizada as ruínas da moita do engenho, que desabou em 1964, e da senzala que ficava localizada por detrás. Mas, ainda se encontra de pé o bueiro do engenho, uma pequena cocheira, um quarto para selas e arreios, uma garagem para carros e cabriolés, e uma escola, cujas aulas eram administradas por D. Palmira (esposa do Sr. Juarez).
O destilador do engenho, na época de Novaes Filho, se chamava José Dutra Ferreira. O Sr. Dutra trabalhou com João Buarque Filho (eng. Campina Nova/Barreiros) e depois de Benedito Silveira Coutinho (eng. Gravatá/Água Preta). Segundo sua filha Grinauria Dutra (Iaia) - costureira da minha família, que ajudou na criação dos meus irmãos mais novos e dos meus filhos - "a cachaça era feita em um grande alambique de cobre aquecido à lenha. Depois de destilada era distribuída entre os moradores e vendida no barracão do engenho e em outros estabelecimentos da região. O transporte era feito a cavalos carregados com dois barris de carvalho de cada lado, com torneira, conhecidos com âncora".
Roda d'água que movia as moendas dos engenhos

História e Proprietários

Desde 24/09/1534, Duarte Coelho Pereira, 1º Donatário de Pernambuco recebeu autorização do rei D. João III para distribuir terras através do sistema de sesmaria. Portanto, Duarte Coelho tratou de fazer a distribuição de terras, que em sua maioria foi destinada à construção de engenhos.
Rio Jaboatão - eng. Santana
Essas doações de terra consistiam em uma política barata de povoamento das terras “devolutas e desaproveitadas”, não gastando a Coroa Portuguesa nenhum centavo com essa agigantada empreitada com e exploração de terras e a colonização brasileira.  A petição de terras era um negócio lucrativo, no entanto, exigia grande investimento. Desta forma, a terra não era dada aos pobres, mas àqueles que já possuíssem alguma fortuna para custear as viagens pelos intermináveis e dispendiosos sertões, tendo preferência os fidalgos e gente de elevada hierarquia, que chegavam de Portugal e de outras nações europeias, sozinhos ou com suas famílias. Nota: Os homens solteiros que traziam capitais tinham a possibilidade de se casarem junto à parentela do donatário, a recepção de sesmarias (livres de foro, tributo ou pensão, salvo o dízimo à Ordem de Cristo) e a fundação de engenhos de açúcar, preferencialmente, ou outra atividade como o financiamento das bandeiras para encontrar ouro ou prata e captura índios para escraviza-los. Além dos haveres, a própria vida era posta em cheque naquele meio selvagem e hostil, sortido de escaramuças entre os indígenas, piratas e colonos.
Sérgio Buarque de Holanda escreveu que “nos domínios rurais, a autoridade do proprietário de terras não sofria réplica”, e também ressaltou que “tudo se fazia consoante sua vontade, muitas vezes caprichosa e despótica” e que “o engenho constituía um organismo completo e que, tanto quanto possível, se bastava a si mesmo”. 
O título de senhor de engenho podia ser considerado tão alto como os títulos de nobreza dos grandes do reino de Portugal. As pessoas que recebiam uma sesmaria de terras condensavam em si próprios todos aqueles graus da hierarquia nobiliárquica, se bem que, inclusive os nobres de linhagem, nascidos na colônia e com o foro de fidalgo, não recebessem títulos de barão ou outros, até a transferência da Corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, em 1808.
Segundo Pedro Calmon os sesmeiros que se tornaram senhores de engenho “onde se devia produzir quase tudo, era o senhor feudal da região (fazendeiro-vassalo, lavrador e cultivador dos canaviais)". De acordo com José Mattoso, a apropriação desses poderes senhoriais por parte da nobreza constituiu o suporte do “modo de produção feudal”. O sesmeiro administrava a justiça, fora de quaisquer normas jurídicas, coletava multas e taxas locais, organizava forças militares, recrutava camponeses, exigia serviços para a conservação de estradas, pontes e fortificações, capturavam e escravizavam os indígenas. Os poderes de coação, assumidos pelos sesmeiros brasileiros, cujo maior ou menor prestígio dependia da quantidade de homens que possuía em sua sesmaria e que pudesse mobilizar a qualquer momento, fosse para o trabalho ou para a guerra. Esse tipo de poder foi acentuado em Pernambuco e na Bahia.
Em Pernambuco (século XVI), o sesmeiro quando recebia sua terra tinha a obrigação torná-la produtiva em cinco anos, seja: plantando lavouras, explorando o pau-brasil, cultivando a cana de açúcar e construindo engenhos. A partir do século XVIII as sesmarias foram também doadas para criação de gado bovino no sertão nordestino.
O rendeiro tinha um contrato verbal com o senhor de engenho, com a obrigação de pagar o foro em dinheiro ou em espécie. Sobre o trabalho dos escravos e de lavradores, desenvolviam-se vínculos de obrigação pessoal, mas, sujeitos a um sistema de deveres, principalmente militares. Ocorrendo a dominação econômica e jurídica do senhor da terra sobre o subordinado, em virtude da concentração do poder financeiro e o não controle direto ou indireto do Estado.
Nota: O sistema sesmarial perdurou no Brasil até 17/07/1822, quando a Resolução 76, atribuída a José Bonifácio de Andrade e Silva, pôs termo a este regime de apropriação de terras. A partir daí a posse passou a campear livremente no País, estendendo-se esta situação até a promulgação da lei de terras, que reconheceu as sesmarias antigas, ratificou formalmente o regime das posses, e instituiu a compra como a única forma de obtenção de terras.
O sesmeiro em Pernambuco (século XVI) tinha que a partir do recebimento do lote, a obrigação de cultivar a terra por um prazo de cinco anos, tornando-a produtiva. Exploraram o pau-brasil, cultivavam a cana de açúcar e construíram engenhos. A partir do século XVIII as sesmarias foram também doadas para criação de gado bovino no sertão nordestino
Após a expulsão dos índios Caetés que habitavam as terras da Ribeira do Rio Jaboatão, Duarte Coelho de Albuquerque, 2º Capitão Donatário da Capitania (1554/78), começou a doar terras. Em 29/05/1565, por carta de sesmaria, lavrada na vila de Olinda, Duarte Coelho de Albuquerque doou a 1º sesmaria da região de Jaboatão dos Guararapes, localizada na ribeira do Rio Jaboatão, a Gabriel de Amil, com 500 braças quadradas (1,1 km) de terras situadas na Ribeira do Rio Jaboatão, que foram judicialmente demarcadas em 14/09/1572.
        
Gabriel de Amil – Português. Em 1582 surge como Escrivão das datas das terras e sesmarias, demarcações e águas da Capitania de Pernambuco. Nada mais foi encontrado.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012.
http://www.liber.ufpe.br/pc2/get.jsp?id=798&year=1709&page=369&query=gadault&action=previous


No dia 05/12/1572, Gaspar Prestes comprou uma parte da sesmaria de Gabriel de Amil, por 130$000, de acordo com a escritura lavrada por João Rodrigues, Tabelião Público de Notas de Olinda, da Nova Lusitânia e da Terra do Brasil, que morava na Rua do Varadouro/Olinda. Essa terra ficava vizinha as terras do engenho comprada Jorge de Albuquerque, 3º Donatário da Capitania. 

Gaspar Prestes – Natural de Viana do Castelo/PT. Nada mais foi encontrado
Casamento 01: Catarina Ribeiro, filha de Francisco Domingues e de Margarida Maciel.
Filhos encontrados: 01- Belchior Martins Ribeiro c.c. Maria Ferreira. (c.g.)
Fontes :

Em 18/09/1576, Gaspar Prestes vende 250 braças X 500 braças de terras, a Simão Falcão de Sousa que constrói o engenho Santana/Jaboatão dos Guararapes, que começaria a moer em 1581, pagando 03% de pensão sobre o açúcar produzido. 

Simão Falcão de Sousa – Cristão novo. Natural de Évora. Faleceu em 1609/Olinda, sendo sepultado no recolhimento de N. Sra. da Conceição/Olinda. Chegou a Pernambuco para trabalhar como Provedor da Fazenda Régia no final do século XVI, sucedendo Diogo Cirne. Vereador de Olinda (1608). Capitão de Ordenança da Terra.Capitão de Ordenanças. Participou com bravura da conquista da Paraíba (1684/85). 
NOTA: Durante o seu processo perante o Inquisidor do Santo Ofício, Furtado de Mendonça, foi defendido por Fernão Soares da Cunha (eng. Suassuna/Jaboatão dos Guararapes e Novo/Jaboatão dos Guararapes-Muribecas), que procurou, aliás, defender da imputação de ter duvidado da competência do Bispo para conceder dias santos.
Casamento 01: D. Catarina Pais, nascida em Évora. D. Catarina ainda vivia em 22/12/1612, pois nesse dia foi testamenteira de seu filho Simão Falcão, o Moço.
Filhos encontrados: 01- Adriana Pessoa c.c. Lopo Soares; 02- Inês Falcão c.c. Cristóvão de Albuquerque; 03- Simão Falcão, falecido solteiro.
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais de 1925 Vol 47
Frei Vicente do Salvador, História do Brasil, 223, 227 e 235.
PEREIRA DA COSTA, F. A. Origens Históricas da Industria Açucareia em Pernambuco. Brasil Açucareiro, 1940.
Mello, Evaldo Cabral de. Um imenso Portugal: história e historiografia. Edt. 34, 2002 - 363 pág.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012.
Varnhagen, História do Brasil, 1:385 e 2:104

             Simão Falcão de Sousa doa em 01/09/1581 o eng. Santana para o seu genro Lopo Soares, a título de dote de casamento.

Lopo Soares – Falecido em 1622, sendo sepultado na Igreja de N. Sra. das Neves do Convento de São Francisco/Olinda. Capitão de Ordenança da Terra. Escabino de Olinda.
Curiosidades: Segundo Pereira da Costa: "Do antigo convento  N. Sra. da Conceição resta apenas a pequena e bonita capela do capítulo na quadra do claustro, ... e da qual foram seus primeiros padroeiros Lopo Soares e sua mulher D. Adriana Pessoa, e de 1656 por diante o Cap. Francisco do Rego Barros e sua mulher D. Arcângela da Silveira, que ali jazem em sepultura rasa junto ao altar, ...". (Pereira da Costa, 1951), Volume 1, Ano 1585, pg. 547.
Curiosidades: Lopo Soares foi um dos que denunciaram João Nunes (senhor de engenho na Paraíba e rico comerciante), durante a Visitação do Santo Ofício (1591), pelo Ouvidor do Eclesiástico Lic. Diogo do Couto dizendo que, ele portava-se mal na Igreja, conversando como se estivesse em uma praça e que seu absenteísmo às obrigações da missa e pregações era flagrante. Cumpria mal as obrigações de confessar e comungar.
Casamento 01: Adriana Pessoa, filha de Simão Falcão de Sousa (fundador do eng. Santana/Jaboatão dos Guararapes) e de D. Catarina Pais. 
Filhos enconrados: (NI)
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais de 1885-1886 Vol. 13
Sigueira, Sonia Aparecida.  Comerciante João Nunes. Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Em 1623, o engenho Santana produziu 8.829 arrobas de açúcar, sendo seu proprietário Nicolau Coelho dos Reis.

Nicolau Coelho dos Reis – Natural de Monte-mor, o Novo/Alentejo-PT. Filho de Antônio Simões Colaço e de Anna Coelho. Neto paterno do Dr. Bartolomeu Colaço e de Catharina Simões e por via materna de Antônio Lourenço e de Maria Alves. Imigrou para Pernambuco, século XVI, onde adquiriu muitos bens. Sargento-mor da Comarca por patente Régia. 
Casamento 1: D. Maria de Faria, filha de Mathias Ferreira de Sousa e de Maria Soares de Faria.  Irmã dos Frades José de Santo e João de Faria (jesuíta Presidente do Curso no Colégio da Bahia).
Filhos: 01- Mathias Ferreira de Sousa (eng. Pantorra e o Anjo, aonde foi faleceu assassinado), c.c. D. Lusia Margarida Cavalcante; 02- José Coelho dos Reis; Antônio Coelho dos Reis; 03- Leonor dos Reis c.c. Antônio Ribeiro de Lacerda (eng. Santana/Jaboatão dos Guararapes); 04- Antônio Coelho dos Reis; 05- Anna Theresa dos Reis c.c. André Vieira de Mello.
NOTA: Anna Theresa dos Reis (Anna Faria) foi assassinada pela sua sogra Catarina Leitão, c.c. Bernardo Vieira de Mello. (Revista genealógica latina, Volumes 8-11).
Senhor do engenho: Santana/Jaboatão dos Guararapes
Senhor dos engenhos: Santana; Anjo; Pantorra. 
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais de 1926.

Nicolau Coelho dos Reis doa o engenho Santana a Antônio Ribeiro de Lacerda, a título de dote pelo seu casamento com D. Leonor dos Reis, sua filha. Nota: O dote era uma forma de transmissão de riqueza para as mulheres no Brasil Colônia, e representava um adiantamento sobre a herança a que tinha direito e que seu pai lhe concedia para que ela casasse. 

Antônio Ribeiro de Lacerda - Falecido antes de 1635. Filho de Francisco de Barros Falcão (eng. Mussumbu/Goiana e Pedreiras/Goiana) e de D. Mariana de Lacerda, filha de Felipe Cavalcante de Albuquerque e de D. Maria de Lacerda. Almoxarife de Fazenda Real em Pernambuco (1575). Provedor da Fazenda Real de Pernambuco (1620).
CURIOSIDADES: Segundo Borges da Fonseca (Nobiliarquia Pernambucana - Anais 1925, Vol. 47), certo Antônio Ribeiro de Lacerda queimou um livro  de genealogia escrito por Francisco Berenguer de Andrade (Evaldo Cabral de Mello (2000, pág. 66), pois continha algumas notícias infamatórias sobre a sua pessoa. Por conta de alguns pormenores como esse é que Borges da Fonseca resolveu começar a escrever a Nobiliarquia Pernambucana, que continha 144 meias folhas de papel, numeradas e rubricadas, para que não houvesse quem quisesse escrever mentiras e atribuir a ele, sinal que muitas delas eram autênticas.
Casamento 01: Leonor dos Reis, filha do português Nicolau Coelho dos Reis e de D. Maria de Faria. Durante a ocupação holandesa fugiu com Mathias de Albuquerque para a Bahia (1635). Com sucessão em títulos de Marinhos.
Filhos: 01- Francisco de Barros Falcão, falecido solteiro; 02- Nicolau Coelho de Lacerda (eng. Santana); 03- Felipe Cavalcante Florentino c.c. sua prima D. Mariana de Lacerda Cavalcante; 04- Maria de Lacerda, batizada em 1608/Olinda, c.c. Jerônimo Velloso Machado; 05- Josefa de Lacerda c.c. Francisco do Rego Barros (eng. Arariba); 06- Joanna c.c João Bezerra Monteiro. NOTA: Não confundir esse Antônio Ribeiro de Lacerda com o outro que foi herói da guerra contra os holandeses, e que era casado com D. Isabel de Moura (sepultada no Convento de São Francisco Ipojuca.
Senhor do engenho: Santana/Jaboatão dos Guararapes
Fontes 
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Mello, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola familiar no Pernambuco colonial. Edt. Topbookks. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro, 2000
CALMOM, Pedro. Introdução e Notas ao Catálogo de Frei Jaboatão..
Melo Morais, Chonica Geral.
http://www.receita.fazenda.gov.br/Memoria/aduana/publicacoes/alfandega_PE.pdf

       Em 1630, durante a invasão holandesa  o engenho Santana pertencia a Manuel de Sousa d’Abreu, que fugiu dos invasores e abandonou o engenho Santana.

Manuel de Sousa de Abreu – Combateu no princípio da invasão holandesa como Capitão e Sargento-mor. Em 1635, fugiu com seu exército, durante o grande êxito dos senhores de engenho de Pernambuco, abandonando tudo o que não podia ser levado.  (nada mais foi encontrado).
CURIOSIDADES: Em 13/-1/1527 Miguel de Sousa de Abreu pediu reforma de consulta sobre o cargo de Sargento-mor de Pernambuco, que servia há 10 anos. Em 25/05/1639, pediu o pagamento dos soldos atrasados.
Senhor do engenho: Santana/Jaboatão dos Guararapes
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais de 1885-1886 Vol. 13.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012.
www.delanocarvalho.com/Pages/dholandes.aspx‎
PEREIRA, Levy. "S. Anna (engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Anna_ (engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 11/11/2013.

O engenho que estava destruído e de fogo morto foi confiscado pela Companhia das Índias Ocidentais/WIC, em 1637. Em 17/05/1638 o engenho Santana é vendido aos judeus: Jacob Stachouwer, e ao seu sócio Nicolaes de Ridder, por 30.000 florins, em 05 prestações anuais. 

Jacob Stachouwer (Estacour ) – Judeu. Nasceu em 1596. Capitão da Cavalaria holandesa. Segundo José Antônio Gonsalves de Mello, Jacob Stachhouwer chegou ao Recife em 08/05/1634, atuando como Conselheiro Político e acompanhando as operações militares de conquistas. Foi um dos principais homens durante a invasão holandesa. Governador da Capitania, juntamente com: Servaes Carpentier, Willen Schott, Bartazar Wyntgens e Ippo Eysens (1634). Participou da tomada do Arraial do Bom Jesus/Recife e, através de seu amigo Fernandes Vieira, conseguiu saber as pessoas ricas que estavam presas e da soma que cada um poderia pagar, extorquindo valores (dinheiro e joias) dos lusos brasileiros em troca de liberdade.
Stachouwer era um homem de baixa moral, vendo que o status de senhor-de-engenho lhe traria mais prestígio e dinheiro, pois "o açúcar prometia fortunas”, logo após a rendição do Arraial do Bom Jesus (1635), começou a comprar alguns engenhos confiscados através de empréstimo junto a Companhia das Índias e se apossar de outros. Mas, como não tinha experiência contratou seu amigo João Fernandes Vieira como feitor-mor de seus três primeiros engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes, Meio/Recife (adquirido em 27.05.1637) e do Ilhetas/Sirinhaém (adquirido em 06.05.1638, por 27.000 florins).
Nota: Jacob Stachower morava no Recife em duas casas por ele edificadas, localizadas na Rua do Bom Jesus, nº 62-64, antes Rua da Cruz. Essas casas passaram a pertencer a João Fernandes Vieira durante a Insurreição Pernambucana, assim como quase todos os seus bens “porque de muito lhe era credor”. Ainda hoje existem esses dois sobrados, que constituíam um só prédio, onde existe uma laje de pedra mulatinha (grés parto de Pernambuco), com 01m de altura sobre ½m de largura, onde se vê insculpida em alto relevo uma figura vestida de túnica, empunhando um bastão na mão direita, que dizem os historiadores que era do próprio Jacob, abaixo dela uma inscrição em holandês, já bastante apagada pelo tempo: ‘Jacob bem id genaemt’.
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes; Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
cvc.instituto-camoes.pt/.../2422-joao-fernandes-vieira-mestre-de-campo
Oliveira, Márcio Amêndola de. O trato dos escravos na América Colonial: da ‘mercadoria’ à condição ‘humana’ Universidade de São Paulo – Fflch – Curso De História. Disciplina: Brasil Colonial I – 1º Semestre Noturno (2007)
Os Holandeses em Pernambuco - Uma história de 24 anos. O Senhor de Engenho. Publicado no Diário de Pernambuco. Edição de Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2003.
PEREIRA, Levy. "N S. de Guadalupe (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_S._ de_Guadalupe_(engenho_de_bois). Data de acesso: 11/11/2013
PEREIRA, Levy. "S. Anna (engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Anna _(engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 11/11/2013
www.delanocarvalho.com/Pages/dholandes.aspx‎

Arraial do Bom Jesus/Recife

Nicolaes de Ridder – Promotor Público "Advocaat-Fiskaal", junto ao Conselho de Justiça Holandês, nomeado após a chegada do Conde Maurício de Nassau. Segundo consta, Nicolaes de Ridder aceitou o cargo muito a contragosto, pois lhe faltava conhecimento prático, tanto é que Gijsselingh escreveu: "Em vez de cumprir como Advogado-Fiscal o seu dever para com o Governo e a Companhia, de Ridder prefere dedicar-se à fabricação do açúcar, conquanto a promotoria lhe pudesse proporcionar belos lucros".
Segundo Evaldo Cabral de Mello (2007, pág. 324), Nicolaes de Ridder era encarregado do confisco de bens, que conhecia de visu, de Ridder preteriu concorrente particular, que não tinha apoio governamental e lhe foi doado os dois melhores engenhos: o Velho e o da Guerra, que tinham pertencido a João Paes Barreto.
Pouco tempo depois Ridder pediu demissão, seguindo os trâmites legais a espera de seu substituto holandês que fosse competente em matéria de jurisprudência. Junto a Schkoppe se apropriou dos dois melhores engenhos da Capitania: o Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho e Guerra/Cabo de Santo Agostinho (1635) e outros foram arrendados e depois comprados: Santana/Jaboatão dos Guararapes (1635), Ilhetas/Sirinhaém (06.05.1638, por 27.000 florins), e do Meio/Recife (comprado a crédito em 27.05.1637) a Companhia das Índias Ocidental Holandesa.
NOTA: Segundo Evaldo Cabral de Mello (2007, pág. 324) o favorecimento de funcionário da “puseram-nos para operar com escravos e empregados da Companhia”, sendo os africanos sustentados por conta da W.I.C. (Resoluções da Câmara da W.I.C. na Zelândia, 23.i.1637, ARA, OWIC, 34)
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes; Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt. 34. 3ª edição revisada. São Paulo, 2007
PEREIRA, Levy. "N S. de Guadalupe (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_S._ de_Guadalupe_(engenho_de_bois). Data de acesso: 11/11/2013
PEREIRA, Levy. "S. Anna (engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Anna _(engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 11/11/2013
www.delanocarvalho.com/Pages/dholandes.aspx‎

        Em 1641, o Jacob Stachouwer e o seu sócio Nicolaes de Ridder, retornaram para a Holanda, e deixam David Oraenborn com a tarefa de de por o engenho Santana para safrejar e João Fernandes Vieira como seu bastante procurador e administrador de suas dívidas e de todos os seus bens deixados em Pernambuco.
       No ano de 1642, João Fernandes Vieira toma posse definitiva do engenho Santana e de todos os bens de Jacob Stachouwer e de seu sócio Nicolaes de Ridder, alegando que pagara as dívidas que os dois sócios tinham deixado. O engenho volta a moer e produz 4.000 arrobas de açúcar  fino. NOTA: Segundo o testamento de Fernandes Vieira as dívidas dos dois sócios e as feitas com a Companhia das Índias Ocidentais nunca foram pagas, pois Vieira alegou que os chefes holandeses eram seus devedores em mais de 100 mil cruzados gastos com grandiosos banquetes e presentes que lhes dava para que ficassem contentes.
        
João Fernandes Vieira
João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT, filho de Francisco de Ornelas Muniz e de Antônia Mendes. Seu pai era bisneto de Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico, e neto de Lançarote Teixeira, o grande ginetário. Sua mãe era bisneta de Pedro Vieira, morgado da Ribeira de Machico; entre os seus bisavós se conta António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no norte da ilha da Madeira.
Em 1606, imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois como não era o filho primogênito, herdeiro de todo o legado dos pais, não tinha como se sustentar. Fernandes Vieira se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses. Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época.
Em Pernambuco trabalhou primeiramente como ajudante de mascate, em troca de comida e morada. Auxiliar do Mercador Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de casas em Olinda. Durante a ocupação holandesa (1630), se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Era Fernandes Vieira um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante o cerco ao Arraial do Bom Jesus/Recife estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social. Trabalhou como Feitor-mor do judeu e Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Satchhouwer, nos engenhos: Ilhetas ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Satchhouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour (Satchhouwer), homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)
Com a partida de Satchhouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois sócios, passou a lucrar com a administração de todos os bens deixados e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Cargos e funções: Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos.
Embora fosse um dos homens mais importantes da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio para poder ascender na sociedade luso-brasileira.
NOTA: João Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Casamento 01(1643): D. Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrade (um dos principais líderes da Insurreição pernambucana e senhor do eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque.
Filhos encontrados: (s.g.)
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco; 02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello; 03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre; 04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Paratibe de Baixo; Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
No engenho Paratibe de Baixo pagava anualmente 25$660 (vinte cinco mil e seiscentos e sessenta réis): Antônio de Abreu Magalhães – 1$600; Miguel de Abreu Soares, seu genro – 1$600; o Cap. Rafael Pires - $200; Jasinto Pereira -´$200; George de Almeida - $320; Maria Saraiva - $320; o Alferes Pedro Bermudes de Versoza - $320; Lionardo de Moura $200; Maria de Faria – $400; Joam Gonçalves - $640; Manoel Rois $240; Mathias Gomes de Abreu – 5$; Faustino Gomes, filho de Mathias Gomes de Abreu – 1$600; Antônia de Linhares – $400; Domingas de Barros - $200; Angello da Rocha - $640; Joam Carneiro - $480; Diogo Homem Pires - $320; Antônio de Faria - $200; Manoel de Mello ´- $500; Bento de Mello, filha de Manoel de Mello - $240; Joam Roiz de Figueiredo - $500; Domingos de Figueiredo, filho de Joam Roiz de Figueiredo - $320; Jassinto Roiz - $320; Pantalião Roiz  $960; Sebastião Vas - $320; Antônio Netto - $640; Sebastião de Torres - $240; Francisco Roiz - 240$; Francisco Fernandes de Abreu – 1$280; Joam d eSouza - $200; Joam Paes - $320; Guiomar Gomes – 1$500; Paulo de Castro – 1$; Domingos da Costa - $200; Domingos de Oliveira, o velho - $400; Domingos de Oliveira, filho de Domingos de Oliveira - $200; viúva Ana de Freitas - $300; Felesiano Gomes - $200; o Sargento Antônio Gonçalves - $200; Antônio Dias Lião, nas suas roças - $500.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
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Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

           Em 1655 o engenho pertencia a João Cavalcante de Albuquerque e pagava 3% de todo o açúcar produzido ao Donatário D. Miguel de Portugal, mas de todo o açúcar que cabia ao dízimo real pagava a D. Maria de Albuquerque, herdeira de Duarte de Albuquerque Coelho, pelo contratador que o arrendava, de cada dez arrobas, uma.

João Cavalcante de Albuquerque (João Cavalcante de Santana) – Filho de Lourenço Cavalcante de Vasconcelos e de D. Mariana Evangelho. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Fidalgo da Casa Real, foro que lhe foi conferido pelos serviços de seu pai Lourenço Cavalcante de Vasconcelos, que será passado para seus descendentes. Irmão da Misericórdia em 02/07/1665. 
Casamento 1: D. Maria Pessoa, filha de Arnáu de Hollanda Barreto e de D. Luzia Pessoa. 
Filhos: Antônio Cavalcante (solteiro); Cosme do Rego Cavalcante casado com D. Dionísia Freire; Pedro Cavalcante de Albuquerque casado com D. Teresa de Melo; André Cavalcante de Barro (clérigo de São Pedro); Francisco (solteiro); Francisco Xavier Cavalcante casado com D. Luísa Josefa Tavares Pessoa; Lourenço Cavalcante de Albuquerque (clérigo presbítero); João Cavalcante de Albuquerque primeiro marido de D. Cosma Pessoa; (?) casada com Fernão Carvalho de Sá e Albuquerque (eng. Massaranduba); Bertolesa Cavalcante; Luzia Margarida Cavalcante casada com Mathias Ferreira de Sousa (eng. Anjo e Pantorra).
Fontes 
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
 
        Após a Insurreição Pernambucana (1654) o engenho Santana volta para as mãos dos descendentes de Antônio Ribeiro de Lacerda e de Leonor dos Reis, nas mãos do seu filho Nicolau Coelho de Lacerda.

Nicolau Coelho de Lacerda – Filho de Antônio Ribeiro de Lacerda e de Leonor dos Reis. Capitão do 3º de Auxiliares de Igarassu. Vereador da Câmara de Olinda (1748 e 1753). Juiz de Fora e de Órfãos de Olinda.  Sucessor de seu pai no engenho Santana.
Casamento 01: D. Maria da Conceição Vieira de Lacerda, sua prima, em 1761. Filha de Bento Gonçalves Vieira Camelo (eng. Gurjau) e de D. Francisca Mariana Cavalcante de Lacerda.
Filhos encontrados: 01- Felipe Cavalcante Florentino c.c. D. Marianna de Lacerda Cavalcante.
Senhor do engenho Santana/Jaboatão dos Guararapes, herdado de seu pai.
Fontes 
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

      No século XVII aparece Manoel Xavier Carneiro da Cunha como rendeiro do engenho.

Manoel Xavier Carneiro da Cunha
Coleção Francisco Rodrigues (FR-04720, FR-4717).
Manoel Xavier Carneiro da Cunha – Filho de Francisco Xavier Carneiro da Cunha (eng. Santo Antônio de Bertioga/Ipojuca e Santo Antônio do Giquiá/Recife) e de Maria Margarida do Sacramento.   Juiz dos Casamentos e Resíduos*. Em 1802 substituiu José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho na Junta Governativa de Pernambuco. Governador de Pernambuco (1802). Tenente Coronel   da Guarda Nacional. Herdeiro dos engenhos Espírito Santo, Santa Lusia, que pertenceram ao seu avô paterno.
Curiosidades: Em 1888, apesar da baixa produtividade dos engenhos, as concessões lucrativas, pela especulação financeira que propiciavam continuaram a ser distribuídas às pessoas ligadas à fabricação do açúcar ou ao comércio. Manoel Xavier Carneiro da Cunha foi um dos beneficiados, de acordo com o Relatório referente ao 1º Distrito de Engenhos Centrais. (Relatório do 1º Distrito de Engenhos Centrais, p. 208,261,272,282-4)
Casamento 01: Ignácia Rosa Thenório, para quem foi vinculado o engenho Santo Antônio da Bertioga/Ipojuca, pelo seu irmão Pe. José Xavier, jesuíta e Reitor do Colégio da Paraíba, quando, na ocasião de professar o 4º voto.
Filhos: 01- Manoel Xavier Carneiro da Cunha  (Col. Francisco Rodrigues; FR-4715).
Senhor dos engenhos: Espírito Santo, Santa Lusia (que pertenceram ao seu avô paterno), Santo Antônio da Bertioga/Ipojuca.
Rendeiro dos engenhos: Cajabussu/Cabo de Santo Agostinho, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Muribequinha/Jaboatão dos Guararapes.
Fontes 
*Almeida, Suely Creusa Cordeiro de, A clausura feminina no mundo ibero atlântico: Pernambuco e Portugal nos séculos XVI ao XVIII. Professora da Graduação e da Pós-graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
CAMPOS, Zóia Vilar. Doce amargo: produtores de açúcar no processo de mudança, Pernambuco (1874-1941) – São Paulo: Annablume, 2001.
  
     O seu próximo proprietário encontrado foi Francisco Casado da Fonseca.

Francisco Casado da Fonseca – Nasceu em 08/06/1803/Freguesia de São José dos Bezerros e faleceu em 22/07/1887-eng. Cavalheiro/Jaboatão dos Guararapes, aos 84 anos de idade. Filho do português Damião Casado de Lima (eng. Boa Vista e Cucau/Serinhaém) e de  Ana Maria do Nascimento. Batizado como Francisco Casado de Lima tomando mais tarde o sobrenome Fonseca do seu avô, para diferenciar-se do tio e sogro, também Francisco Casado de Lima (Jr.).
Quando Francisco Casado da Fonseca faleceu já não possuía os engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes, Jangadinha/Jaboatão dos Guararapes, Guarani/Jaboatão dos Guararapes. Em seu inventário, iniciado em 26/03/1888 e encerrado a 16/09/1896, declarou que possuía os seguintes bens: dinheiro - nada; ouro - nada; prata - nada; móveis – nada; um boi "Canivete", avaliado por quarenta mil réis; um boi "Lavarinto", avaliado por quarenta mil réis; um boi "Bonito", avaliado por quarenta mil réis. O engenho Cavalheiro/Jaboatão dos Guararapes, moente a vapor, com todas as suas obras e benfeitorias, terras e matas, pelos limites estabelecidos em escritura pública, nas notas do Tabelião Manoel Vicente, avaliado pela quantia de dezesseis contos de réis; o Sítio Coqueiral - 2 contos de réis; uma faixa de terras entre o Sítio acima descrito e o Sítio Cavalheiro Novo, avaliado em duzentos mil réis; pouco mais da metade do Sítio Cavalheiro Novo, avaliado por um conto e quinhentos mil réis; um terreno - cem mil réis; uma faixa de terras - cem mil réis; uma faixa de terras - dois contos de réis; um Sítio de terras denominado "Gruji" - duzentos e cinquenta mil réis; uma propriedade de terras, com três mil braças em cada área, denominadas "Brejinho" ou "União" com casas, maquinismo de uma engenhoca, na comarca de Bonito - dez contos de réis. No total os bens somaram 32:270$000 (trinta e dois contos, duzentos e setenta mil réis). 
Casamento 01(07/03/1832): com sua prima Martinha Margarida Lima, nascida em 12/11/1815 e falecida em 08/03/1907-eng. Cachoeira D’Antas/Água Preta, que pertencia ao seu filho Francisco Cornélio da Fonseca Lima. Filha de Tereza de Jesus Grata com o Cel. de Milícias Francisco Casado de Lima Júnior, que era casado com Maria da Conceição Cavalcanti. Irmã, por parte de pai, de Clara Isabel, a qual foi mãe do Barão de Santa Cândida. D. Martinha foi legitimada, em 1820, por D. João VI e perfilhada por D. João VI: Carta de Legitimação: "A Martinha se há de passar Carta de Legitimação. Rio, 24.03.1820. Bernardo de Souza Lobato". O casal deu origem a família Fonseca de Lima.
Segundo Zilda Fonseca em seu livro: Nossa tia, Antônia Rosalina da Fonseca Lima Borba que conheceu D. Martinha Margarida Lima, e com ela conviveu até a idade de 19 anos, que era a filha predileta de seu pai, homem de grande fortuna. Frequentara o melhor colégio da época, andava ricamente vestida e adornada com joias caras. Em sua juventude saia às ruas do Recife em "cadeirinha" ou "palanquim", carregada por dois robustos escravos. Era mulher de muita piedade, católica fervorosa e dedicava grande amor ao próximo. Era proprietária do engenho Jangadinha. Estudou nos melhores colégios do Recife, andava ricamente ornamentada, transportada em “cadeirinha de arruar”, carregado por escravos robustos, pelas ruas da cidade.
Filhos encontrados:  01- Francisca Maurícia da Fonseca Lima c.c Dr. Malaquias de Lagos Ferreira Costa; 02- Francisco Cornélio da Fonseca Lima (1841-1908), senhor do eng. Cachoeira D’Antas/Água Preta, c.c Elvira Accioli Lins; 03- Ana Climéria da Fonseca Lima (falecida em 1892) c.c Dr Marcolino Ferreira Lima; 04- Cap. Liberato Benício da Fonseca Lima c.c Cândida Maria da Conceição; 05- Dr. Caetano Alberto da Fonseca Lima c.c Maria da Glória Loureiro Gomes; 06- Cap. Nacional Latino Ramos da Fonseca Lima (1851-1914); 07- Rosendo Adrião da Fonseca Lima (falecido em 1882); 08- Firmino Cândido da Fonseca Lima.
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes, Guarani/Jaboatão dos Guararapes, Jangadinha/Afogados-Recife (conforme escritura de arrendamento de 23/03/1881) e Cavalheiro Novo/Afogados-Recife (segundo antigas escrituras, este engenho ou sítio, como às vezes também é referido, ficava ao sul do Engenho Jangadinha, separado deste pelo "Riacho Cavalheiro").
Fontes 
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Fonseca, Zilda: Os desbravadores da Capitania de Pernambuco, Seus Descendentes, Suas Sesmarias, 2003, Editora Universitária, UFPE. Texto escrito e postado por José Aluísio Botelho, em agosto de 2011.

           No século XIX o engenho pertencia a Manoel Carneiro Leão.

Manoel Carneiro Leão – Filho de Manoel Carneiro Leão e de D. Maria  Archanja Carneiro Lins e Mello. Coronel da Guarda Nacional. Sócio fundador da Sociedade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco, Decreto Imperial em 1872, cujo Presidente atual, Ricardo Ferreira Rodrigues, é casado com sua bisneta. Membro do Conselho Municipal de Jaboatão dos Guararapes. Prefeito de Muribeca - quando município, por 18 meses, e que por motivo de saúde renunciou, enviando ao Governador o seguinte ofício: “Comunico-vos que nesta data passei o exercício da Prefeitura ao meu substituto legal Tte. Cel. Manoel Celestino Mendes da Silva, o que faço para os devidos fins. Saúde e Fraternidade, a) Manoel Carneiro Leão – Prefeito”. 
CURIOSIDADES: Em 1888, apesar da baixa produtividade dos engenhos, as concessões lucrativas, pela especulação financeira que propiciavam continuaram a ser distribuídas às pessoas ligadas à fabricação do açúcar ou ao comércio. Manoel Carneiro Leão  foi um dos beneficiados, juntamente com Bel. Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, que receberam a quantia de 200.000$000, de acordo com o Relatório referente ao 1º Distrito de Engenhos Centrais. (Relatório do 1º Distrito de Engenhos Centrais, p. 208,261,272,282-4)
Proprietário dos engenhos: Recreio/Jaboatão dos Guararapes (comprado ao dicionarista Morais Silva), Santana/Jaboatão dos Guararapes (pertenceu a Francisco Casado de Lima), Solidão/Água Preta (recebido por ocasião de seu casamento), Suassuna Mirim/Jaboatão dos Guararapes e Secupema/Cabo de Santo Agostinho (que pertenceu a sua família). 
NOTA: Em 1889, quando foram distribuídas concessões para a construção de engenhos centrais no 1º Distrito de Pernambuco recebeu, juntamente com o Bel. Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, a quantia de 200.000$000 réis. (Relatório referente ao 1º Distrito de Engenhos Centrais, p 208, 261, 272, 282/4). NOTA: Na parte de cima da fachada da casa-grande do engenho Santana existe as iniciais "Cel. MCL". Nota: Em Jaboatão dos Guararapes existe uma rua e escola com o nome Manuel Carneiro Leão.
Casamento 01: D. Joanna Idelvita Mendes de Hollanda, em 19/04/1899, sua parenta. Filha de Sebastião José Mendes de Hollanda e de sua 2ª esposa D. Maria Anna Cavalcanti de Albuquerque. D. Joanna ao se casar levou como dote o engenho Solidão/Água Preta
Filhos encontrados: O casal teve vários filhos mais só uma sobreviveu: Maria Anna Carneiro Leão c.c. seu parente Antônio de Novaes Mello Avelins Filho
Senhor dos engenhos: Contestado/Maraial; Guarani/Jaboatão dos Guararapes; Monteiro//Jaboatão dos Guararapes; Recreio/Jaboatão dos Guararapes; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Secupema/Cabo de Santo Agostinho; Solidão/Água Preta; Suassuna Mirim/Jaboatão dos Guararapes.
Fontes :
CAMPELLO, João Nazareno Carneiro. “Notas Genealógicas" – 1899/1900.
Colaboração de Reinaldo Carneiro Leão, em 06/02/2012.
Colaboração da família Carneiro de Novaes, em 2012.
  
No século XX, o engenho já se encontrava de fogo morto, as atividades realizadas eram a pecuária, a mineração (extração de rochas para a construção civil) e suas canas eram moídas  na Usina Jaboatão. Com o falecimento de Manuel Carneiro Leão, o engenho e demais propriedades ficaram para a sua filha única Maria Anna Carneiro Leão (D. Nita).

Maria Anna e Novaes Filho

Maria Anna Carneiro Leão – Nasceu em 1903/engenho Secupema/Cabo de Santo Agostinho e faleceu em 1997/em sua casa na Rua Benfica/Madalena-Recife, filha única e herdeira de Manoel Carneiro Leão  e Joanna Idelvita Mendes de Hollanda.
Antônio de Novaes Filho
Casamento 01:  Antônio de Novaes Mello Avelins Filho (Novais Filho), seu parente, em 1926. Novaes Filho nasceu em 1898/engenho Pimentel/Cabo de Santo Agostinho e faleceu em 1978/Recife. Filho de Antônio de Novaes Mello Avelins e de Rita de Cássia Carneiro da Cunha.  Sócio e depois Presidente da Sociedade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco, fundada através de Decreto Imperial em 1872. Secretário de Agricultura do Estado de Pernambuco. Prefeito da cidade do Recife, Deputado Federal, Senador, Ministro da Agricultura e Interino da Educação.
Filhos: 01- Maria do Carmo (Nitinha) Carneiro de NovaesJoana Idelvita (Ninita) Carneiro de Novaes; Afrânio Carneiro de NovaesRegina Carneiro de NovaesAntônio Telmo Carneiro de NovaesPaulo Gileno Carneiro de NovaesMaria de Lourdes Carneiro de Novaes e José Bueno Carneiro de Novaes. 
Senhor dos engenhos: Arimunã/Escad; Giqui/Escada; Guarani/Jaboatão dos Guararapes; Recreio/Jaboatão dos Guararapes; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Suassuna Mirim/Jaboatão dos Guararapes  NOTA: Todos os engenhos que pertenceram ao casal estão, hoje desapropriados para fins da reforma agrária. Rendeiro do engenho Pimentel/Cabo de Santo Agostinho
Fontes: (Testemunho dos familiares)
www.delanocarvalho.com
    

Casa onde morou Maria Anna e
Novaes Filho, localizada na Rua Benfica/Madalena-Recife
(ainda hoje existente) 
       Em 14/10/1998 - D.O./PE, o engenho Santana é declarado de interesse social. Ficando para os herdeiros de Novaes Filho e de Maria Anna Carneiro de: a casa-grande, a capela, vacaria, algumas casas e seu entorno (11 há) que foram entregues por seus herdeiros, através de um Contrato de Comodato, à Comunidade Católica Obra de Maria – que presta serviços comunitários e sociais para os habitantes da região, onde consta como um dos principais itens a conservação dos imóveis da propriedade.
          
Fontes:
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 164
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
CARVALHO, Marcus Joaquim Maciel de, e Bruno Augusto Dornelas Câmara. A Insurreição Praieira. UFPE/Departamento de História. 
Colaboração de Reinaldo Carneiro Leão, em 06/02/2012.
COSTA, F. A. Pereira. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco. Publicado nos Anais da Conferência Açucareira. 1905, Recife 
Dados coletados dos descendentes de Maria Anna Carneiro de Novaes e Antônio Novaes Filhos
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para a História do Brasil Holandês. A economia Açucareira. CEPE. Recife - 1981. Colaboração de José Antônio Gonsalves de Mello.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636. Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
http://abreuelimaemdestaque.hdfree.com.br/Engenho%20Jaguaribe.html
http://bvjagm.fgf.org.br/obra/Imprensa/030404-00034.pdf
http://familiasdebaturite.blogspot.com.br/2008_06_01_archive.html
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2009/01/os-engenhos-judaicos-de-jaboatao.html
http://www.catolicismo.com.br
http://www.familiaridade.com.br/biografia_familia.asp?id_pessoa=890721
http://www.fundadores.org.br/principal.asp?IdTexto=764&pag=1&categ=2
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=222091
http://www.geocities.ws/geneabotelho/Site/pafn01.htm#20
http://www.pmw.adm.br/monografia_moonen.pdf 
http://www.tjpe.jus.br/memorial/revista/revista012009/6-L%EDdia-
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma Parábola no Pernambuco Colonial. Editora Topbooks, 2000.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2 v.
Pesquisa junto a família Carneiro de Novaes. 
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258.
VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. p. 188-191.
WATJEN, Hermann. O Domínio Colonial Hollandez no Brasil. Companhia Editora Nacional. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. 1938. Coleção da Biblioteca Pedagógica Brasileira, série 5, vol. 123 – Coleção visão holandesa. Tradução de Pedro Celso Uchoa Cavalcanti.