25/02/15

Araripe de Baixo, Cagafogo ou Velho/Itapissuma

Após a construção do Engenho do Capitão, o primeiro da Capitania de Pernambuco, e sua destruição, o engenho que se tem notícia como um dos mais antigos da região é o Engenho Araripe de Cima, fundado por Felipe Calvacanti. Em 1584, as tropas destinadas à conquista da capitania da Paraíba acamparam em suas terras.
 
Mapa De Igarassu
Felipe Cavalcanti (Felipe de Giovanni Cavalcanti) – Nasceu em 12/06/1525-Firenze/Itália, tendo sido batizado em Santa Croce. Faleceu antes de 1614/Olinda, sendo sepultado na capela de São João, Matriz do Salvador/Olinda, hoje Igreja da Sé, da qual era seu padroeiro. Nota: Hoje não mais existem notícias da Capela de São João, pois com a invasão holandesa foram perdidos os cartórios públicos e a Matriz, não conserva nenhum altar a São João, pelo que parece depois da Restauração foram colocadas novas imagens no dito altar. Filho de Giovanni de Cavalcanti e de Genebra de Manelli. Seu pai era cortesão e comerciante de artes florentino que durante muitos anos tivera a proteção do papa Medici, Leão X, por ser “cubiculari”, homem de toda confiança que lhe prestava serviços na Inglaterra, junto à corte de Henrique VIII.
Gravura de um engenho - Brasil colonia
Após o falecimento de Rei Leão X, a família Cavalcanti começam a sofrer retaliações políticas dos Médicis, que era a família dominante em Florença, que destruíram o sistema representativo florentino e desde o início do século enfrentavam contestações republicanas. Giovanni imigra definitivamente para a Inglaterra, levando toda a família, aonde veio a falecer em 1542. Mas, com o agravamento da situação política em Florença, Filippo volta à sua cidade natal e se envolve em episódios políticos contestatórios contra o Duque Cosme de Médici, junto ao seu parente Holdo Cavalcante Pandolfo Pueci e outros.
Quando a conspiração é descoberta Felipe foge para Portugal, onde se encontra com o seu primo Zenóbio de Francesco Acciaiuoli. Mas, por não se achar seguro em terras portuguesas e incentivado pela política de imigração de famílias qualificadas toma a decisão de imigrar para o Brasil junto com seu primo Zenóbio e Nicolau Spinel. Em Pernambuco, Filipe é acolhido por Duarte Coelho Pereira, o 1º Donatário, e se hospeda na casa de Jerônimo de Albuquerque, o Torto, seu futuro sogro.
Em junho de 1559 solicita a aconfirmação de sua nobreza, de acordo com a certidão de confirmação de nobreza assinada em 23/08/1559 pelo Cosme I de Médici, o Grande, que so soube da participação de Filipe na conspiração Pucci & Cavalcanti três meses depois.
Em Pernambuco foi: Lugar-Tenente (1588 e 1590), Capitão-mor de Goiana, Coronel das Ordenanças, Sargento mor de Goiana, Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Participou de combates contra nativos e piratas. Administrador da Capela de São João/Olinda. Padroeiro, junto com a sua esposa, da Igreja de São Salvador/Olinda, Capela de São João.
Curiosidades: Numa carta de 10/10/1578, escrita pelo seu amigo Filipe Sassetti a Baccio Valori, o florentino era descrito como um homem bem conceituado na Capitania, grande proprietário de engenhos e de extensos territórios, tinha muitos pajens e muitos escravos, montava muito bem seus cavalos de raça que eram ricamente ajaezados, organizava e tomava parte em cavalhadas e torneios públicos, vestia–se com grande distinção e elegância, orçando as suas despesas anuais em perto de 5.000 escudos.
Dele conta Scipione Ammirato, na sua Istoria della Famiglia de Cavalcanti: Filippo di Giovanni Cavalcanti, irmão [de Guido e de Schiatta] foi grandíssimo homem... Da qual recebeu alguns engenhos de refinar açúcar, e com seu engenho e modo tornou– se riquíssimo, e naquele país, grandíssimo homem, que adquiriu [boas] graças com aquele povo, e governou com seu engenho, porque tinha grande cabeça, todo aquele estado com grandíssima satisfação geral daqueles povos, que o estimavam grandissimamente, e tiveram muitos filhos, Jeronimo, João, Lourenço, Filipe, que viveram naquele reino honradamente, e não tiveram sucessão todos porque naquele reino se usa que o filho maior o verdadeiro herdeiro, e lhes toma todos os bens do pai como morgado, e é obrigado a apoiar os outros irmãos. Este foi Antônio, que nasce por volta do ano de 1560, e teve descendência...
Segundo Pereira da Costa, Filipe Cavalcanti foi uma das primeiras pessoas a receber uma data de terra de sesmaria, pois no começo as pessoas beneficiadas eram quase todas ligadas à parentela do Donatário ou articuladas com capitais estrangeiros que aplicavam na plantação da cana de açúcar e na construção de engenhos. A dita sesmaria tinha uma légua de terra em quadro, ficava localizada na região do Cabo de Santo Agostinho e eram continuas às terras de João Paes Barreto (Instituidor do Morgado do Cabo), que alcançava as duas margens do Rio Arassuagipe, atual Pirapama. Filipe construiu nessas terras 03 engenhos: o Santa Rosa/Cabo de Santo Agostinho, hoje Ipojuca, fundado em 1556; o Santana/Cabo de Santo Agostinho; e o Utinga/Cabo de Santo Agostinho. Nota: As famílias beneficiadas eram quase todas ligadas à parentela do Donatário ou articuladas com capitais estrangeiros que aplicaram na construção de engenhos.
Curiosidades: Em denúncia ao visitador do Santo Ofício, datada de 16/11/1593, Felipe Cavalcanti afirmou contra: “Anrique Mendes e sua mulher Violante Rodrigues, Antônio Dias e seu cunhado por alcunha Alma de Burzeguins, Diogo Fernandes e sua mulher Branca Dias, Diogo Lopes da Rosa, Francisco Vaz Soares, o vigário Corticado, Antônio Leitão, o Velho, e Antônio Dias, o Felpudo", que: a "gente da Nação" olindense se reunia na tal esnoga de Camaragibe, a 04 ou 05 léguas de distância da vila, onde "faziam suas cerimônias e que nas ditas luas novas de agosto iam", em seus carros enramados e com festas "ao dito Camaragibi a celebrar a festa do jejum" do Iom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico.
Curiosidades: Em 29/10/1593, Amaro Gonçalves, casado com uma filha de Jerônimo de Albuquerque, compareceu à mesa da Primeira Visitação do Santo Ofício, acusando Filipe Cavalcanti de possuir em sua casa, no eng. Araripe/Igarassu, uma “bíblia em linguagem”. Talvez em seu linguajar pobre, o autor da acusação não soubesse especificar que tipo de “bíblia” era aquela, que ele dizia que era para que “desse ao diabo para ler”, talvez não fosse uma bíblia, fosse outro livro, ou mesmo uma espécie de bíblia protestante, não se sabe. O certo é que o autor se mostrou tão confuso em seu depoimento que chamou o réu de “Cavalgante”, isto é, que anda a cavalo, e repete o nome errado várias vezes, embora Filipe Cavalcanti fosse homem de destaque e muito conhecido.
Em dois livros de Gilberto Freire (“O Velho Félix e suas ‘Memórias de um Cavalcanti” (edt. Massangana, 1959,  pág. 306) e em “Casa-Grande & Senzala” (edt. Record, págs. 378 e 451), diz que Felipe Cavalcanti foi acusado também pela prática de sodomia.
Senhor dos engenhos (1556): Santa Rosa /Cabo de Santo Agostinho, hoje Ipojuca; Santana/Cabo de Santo Agostinho; Utinga/Cabo de Santo Agostinho; Araripe/Igarassu (antes de 1584).
Casamento 01: D. Catharina de Albuquerque, a Velha, filha primogênita de Jerônimo de Albuquerque com a índia Maria do Espírito Santo Arcoverde. Foi perfilhada por seu pai através de um requerimento feito ao Rei D. Sebastião. D. Catharina faleceu com mais de 70 anos em 04/06/1614, sendo sepultada na Igreja de São Salvador/Olinda, Capela de São João, de que ela e seu marido eram padroeiros.
Filhos (que deram origem às famílias: Cavalcanti de Albuquerque e Albuquerque Cavalcanti):
01 – Diogo Cavalcante, falecido criança; 02 – Antônio Cavalcanti de Albuquerque, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, solicitado por sua mãe, e que pertencera ao seu pai. Sucessor de Filipe Cavalcanti na administração da Capela de São João/Olinda. C.c. Isabel de Goes, filha de Arnau de Holanda e de D. Brites Mendes de Albuquerque, irmã de suas duas cunhadas. (c.g.); 03 – Genebra Cavalcanti de Albuquerque c.c. Filipe de Moura Rolim, Governador de Pernambuco. (c.g.); 04- Simoa de Albuquerque – C.c. Damião Gonçalves Carvalhosa; (s.g.ident); 05 - Joana Cavalcanti de Albuquerque – C.c. Álvaro Fragoso. (c.g.); 06- Catarina Cavalcanti  – C.c. Antonio Cavalcanti de Albuquerque. (c.g.); 07- Felipa Cavalcanti de Albuquerque – C.c. Antonio de Holanda de Vasconcelos, filho de Arnau de Holanda e de D. Brites Mendes de Vasconcelos. (c.g.)
Fontes:
BARRETO, Carlos Xavier Paes. Os Primitivos Colonizadores Nordestinos e seus Descendentes. Edt. Melso Soc. Anônima. Rio de Janeiro, 1960.
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais da Biblioteca de 1902, 1903,
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (57). Pag. 207. Anais 1926 Vol 48 (43). Pag. 42, 49, 50
Carta ao duque de Florença, Cosimo de' Medici, solicitando-lhe que certificasse a nobreza de Filippo Cavalcanti, para que este pudesse receber uma condecoração do rei de Portugal, em 1558.
Cássia Albuquerque, Francisco Doria e Marcelo Cavalcanti. Cavalcantis: na Itália, no Brasil, p.16. Rio de Janeiro, 2010.
http://164.41.2.93/biblioatlas/S._Miguel_(engenho)
http://batistacavalcante.blogspot.com.br/2008/09/filipe-cavalcante-foi-ru-do-santo-ofcio.html
http://origem.biz/ver_cadastro1.asp?id=3689
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filippo_Cavalcanti
http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=40730&dir=genxdir/
http://www.catedra-alberto-benveniste.org/dic-italianos.asp?id=302
http://www.myheritage.com.br/site-73756931/familia-cavalcanti-niteroi-rj-brasil
http://www.revista.ufpe.br/revistaclio/index.php/revista/article/viewFile/32/32
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882002000100004
https://docs.google.com/document/d/1cfOTkxMD5T8hBj2XvGYA1pFiFsrypaeIzzOAEZ0-WMY/edit?hl=en_US
Inquisição, religiosidade e transformações culturais: a sinagoga das mulheres e a sobrevivência do judaísmo feminino no Brasil colonial — Nordeste, séculos XVI-XVII. Revista Brasileira de História. Vol. 22. Nº 43. São Paulo, 2002.
Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil 3/4 Denunciações e Confissões de Pernambuco. Recife: FUNDARPE, 1984, pp. 75-77.
Revista genealógica latina, Volumes 8-11https://pedrodealbuquerque.wordpress.com/2010/07/16/cristaos-novos-judeus-velhos/

Ao falecer as terras do Araripe passaram a pertencer ao seu filho Antônio Cavalcanti de Albuquerque.

Antônio Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em 1560 e faleceu em 1640, ambos em Pernambuco. Filho de Felipe Cavalcanti e de D. Catharina de Albuquerque. Neto materno de Jerônimo de Albuquerque e de D. Maria do Espírito Santo Arcoverde.
CURIOSIDADES: Em 31.10.1613, Antônio Cavalcanti de Albuquerque fez um Requerimento sobre a prisão e sequestro dos bens de todos os mercadores estrangeiros moradores de Pernambuco, ordenado pelo Provedor da Fazenda da Capitania, Miguel Gonçalves Vieira.
Casamento 01: D. Isabel de Gois – Filha de Arnau de Holanda e de D. Brites Mendes de Vasconcelos.
Filhos: 01- Diogo Cavalcante – Falecido ainda criança; 02- Antonio Cavalcanti – Falecido solteiro. (s.g.); Jeronimo Cavalcanti de Albuquerque – C.c. Isabel de Melo; 03- Manuel Cavalcante – Religioso; 04- Paulo Cavalcante – Religioso; 05- Jerônimo Cavalcante de Albuquerque – Falecido solteiro (s.g.); 06- Filipe Cavalcante de Albuquerque –  Nasceu em Olinda. C.c. D. Maria de Lacerda, filha de Antonio Ribeiro de Lacerda e de Isabel de Moura. (c.g.); 07- Brites de Góis Vasconcellos de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – C.c. Francisco Coelho de Carvalho, filho de Feliciano Coelho de Carvalho e Maria Monteiro. Governador e Capitão General do Estado do Maranhão e Grão-Pará, de quem descendem os donatários da Capitania de Camutá ou Cametá. (c.g.);  08- Isabel Cavalcante de Albuquerque – Nasceu em 1583. C.c. Manoel Gonçalves Cerqueira, em 1600. Filho de Pedro Gonçalves Cerqueira e Catarina de Friellas. Cavaleiro da Ordem de Cristo, Familiar do Santo Ofício, Herdeiro da Capela de Santa Catarina (c.g.). Após ficar viuva c.c. Francisco Bezerra. filho de Francisco Monteiro Bezerra e Maria Pessoa. (c.g.); 09- Maria Cavalcante de Albuquerque – Religiosa; 10- Ursula Cavalcante – Religiosa; 11- Paula Cavalcante – Religiosa; 12- Joana Cavalcante – Nada foi encontrado; 13.- Lourenço Cavalcante de Albuquerque – C.c. (NI); 14- Jorge Cavalcante de Albuquerque – Nada foi encontrado.
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1939 Vol 61 (1). Pag 61
http://geneall.net/pt/nome/281603/antonio-cavalcanti-de-albuquerque/
http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=40733&dir=genxdir/
https://pedrodealbuquerque.wordpress.com/2010/07/16/cristaos-novos-judeus-velhos/
Nobiliário das Famílias de Portugal - vol. III - pg. 1404 (Cavalcantis)

Antônio Cavalcanti de Albuquerque, herdeiro de Felipe Cavalcanti e de D. Catarina d e Albuquerque vende o engenho a Duarte Ximenes de Aragão.
                       
Duarte Ximenes de Aragão – Nascido em 1570. Cristão novo. Filho de Tomás Ximenes de Aragão e de Teresa Vasques d' Elvas. Ligado por laços de parentesco aos Ximenes de Aragão,
que foram mercadores riquíssimos de origem judia que, ao surgirem os conflitos com o Santo Ofício, saíram de Portugal para fundar uma casa bancária em Antuérpia e deram origem a importantes famílias da Nobreza Belga.
Um dos maiores exportadores de açúcar de Pernambuco, século XVI. Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, com apenas 33 anos (Olinda, 1603). Residente em Olinda no ano de 1600. Maior exportador de açúcar da região entre 1596 e 1605, tendo embarcado 5.375 arrobas do produto, sendo a maior parte para Lisboa. Rendeiro do Contrato de Dízimos do açúcar em Pernambuco, em 1617 e 1621. Detentor de um foro da Quinta da Horta na freguesia de Olivais, Portugal.
Até 1623 Duarte Ximenes de Aragão estava vivo e documentado em Relatório dos Holandeses - morava em Pernambuco, junto com seu irmão Gaspar Ximenes e com seu primo Antônio Nunes Ximenes.
Senhor dos engenhos: Araripe de Baixo/Ilha de Itamaracá-Araripe
Casamento 01: Catarina da Veiga – Filha de Rui Lopes da Veiga e de sua mulher e prima Leonor Rodrigues da Veiga, que eram parentes de médicos judeus das casas reais de Castela e de Portugal.
Filhos: 01- Thomas Ximenes de Aragão – Falecido em 08.11.1612, na Freguesia de São Cristóvão-Lisboa; 02- Leonor Ximenes de Aragão – Freira no Convento de Santa Clara/Lisboa, conforme consta na Pedatura Lusitana. Entretanto, aparece no testamento de Manoel de Sá Dória, como sua antepassada, c.c. Mateus Lopes Franco. Ao que tudo indica, saiu do convento e casou em seguida. (c.g.); 03- Rodrigo Ximenes de Aragão – C.c. Mariana Moniz, depois c.c. Luisa de Mendonça, moradores no Rego de S. Sebastião da Pedreira em Lisboa; 04- Maria Ximenes de Aragao – C.c Antônio Fernandes Caminha de Medina. (c.g.) ; 05- Lourenca Dias Ximenes – C.c. Domingos de Santiago Montenegro. (c.g.) ; 06- Teresa Ximenes de Aragão – C.c. D. João de Almada, em 1575, filho de D. Antão Soares de Almada e de D. Vicência de Castro. (c.g.); 07- (NI)
Fontes:
DANTAS SILVA, Leonardo. Cristãos-Novos e Judeus em Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma historia de 24 anos. Especial para o Diário de Pernambuco. Edição de Segunda-Feira, 28 de Julho de 2003.
http://arlindo-correia.com/020610.html
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010/05/genealogia-crista-nova-iv-maria-amelia.html
http://geneall.net/pt/forum/70859/re-ascendentes-da-familia-ximenes-de-aragao/
http://geneall.net/pt/nome/228969/duarte-ximenes-de-aragao/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Almada
http://www.geni.com/people/Duarte-Ximenes-de-Arag%C3%A3o/6000000024502233871
https://pedrodealbuquerque.wordpress.com/2010/07/16/cristaos-novos-judeus-velhos/
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras. São Paulo, 2012.
PEREIRA, Levy. "Velho (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Velho_(engenho_de_bois). Data de acesso: 24 de fevereiro de 2015.
RIBEMBOIM, Jose Alexandre. Senhores de Engenho Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicacao e Edt.Recife, 1995.
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 a 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE. Disponível em: http://www.xiconlab.eventos.dype.com.br/resources/anais/3/1308363099_ARQUIVO_Salvador.pdf

            Duarte Ximenes logo divide as terras do engenho e constrói o Araripe de Cima e o de Baixo, ou Velho que era movido a bois, com Igreja sob a invocação de Nossa Senhora do Ó. Suas terras ficavam situadas na margem esquerda do Rio Araripe (Rio Catucá-Rio Botafogo), freguesia de Araripe (Ilha de Itamaracá) jurisdição da Capitania de Itamaracá. Atualmente em suas terras está localizado o povoado Botafogo, construído na área da também Fazenda Botafogo (Vide imagem no Google Earth e o mapa IBGE Geocódigo 2606200 Goiana-PE). CURIOSIDADES: Nas matas do engenho Araripe nasce o Rio Tabatinga.
            Nas relações de engenho de 1609 e 1623, Duarte de Ximenes aparece como proprietário de engenho em Goiana, Capitania de Itamaracá.
            O Araripe de Baixo foi citado nos seguintes mapas coloniais: Præfecturæ Paranambucæ Pars Borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 Capitania de I. Tamarica, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ. vԐlho', na m.e. do 'R. Araripĭ'; IT (Orazi, 1698) Provincia di Itamaracá, representado como engenho, 'Velho', na m.e. do Rio 'R. Araripe'; (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado com o símbolo de engenho, 'Velho', na m.e. do rio 'Arari'.
Na cartografia de Johannes Vingboons (1665), este engenho aparece dividido em duas propriedades distintas: Araripe de Cima e Araripe de Baixo (ou Cagafogo), que deu origem ao distrito Botafogo pertencente a Itapissuma.
            Em 1623 o engenho Araripe de Baixo moeu 3.608 arrobas de açúcar e Duarte Ximenes já era então devedor à Coroa da soma de 10.000 cruzados, de que fora contratador ao tempo do Governador-Geral D Luís de Sousa (1617-1621).
            Posteriormente, Duarte Ximenes vendeu o engenho a Gaspar Caminha.

Gaspar Caminha – Em 1635 fugiu para a Bahia, durante o grande êxodo dos senhores de engenho de Pernambuco, levando consigo tudo que poderia ser transportado, deixando para trás grandes cabedais expostos a cobiça e estrago dos holandeses.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1903 Vol 25 (1). P[ag. 113
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras. São Paulo, 2012.

            Gaspar Caminha ao se retirar para o Reino, durante a invasão holandesa, vendeu o engenho a Francisco Lopes de Orosco, que era proprietário do engenho Velho, localizado nas redondezas, por 30.000 cruzados, soma que o comprador não se satisfez.

Francisco Lopes de Orosco – Durante a ocupação holandesa ficou do lado dos invasores. Capitão.
Casamento 01: D. Antonia Cosma dos Santos, compôs muitas poesias e era muita da a Filosofia Natural e a Lição de Historia.
Filhos: (NI)
Senhor dos engenhos: Araripe de Baixo/Ilha de Itamaracá-Araripe; Araripe de Cima/Ilha de Itamaracá-Araripe
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1903 Vol 25 (1). Pag 171
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 a 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE. Disponível em:
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. 2ª edição. Edt. CEPE. Recife, 2004..

            Em 1637 e 1639 o engenho Araripe moeu com o partido da fazenda (10 tar3efas), totalizavam 64 tarefas. Lavradores: Pascoal de Barros – 10 tarefas; Pedro de Freitas – 10 tarefas; Manuel Mascarenhas – 08 tarefas; Manuel Soares – 08 tarefas; Isabel Velho – 10 tarefas; Braz Dias Mascarenhas – 08 tarefas.
            Em 1643, Antônio Fernandes Caminha, filho de Gaspar Caminha, propôs um acordo com o Governo do Recife, uma vez que, na ausência de Gaspar Caminha e de seus herdeiros e face à inadimplência de Francisco Lopes de Orosco, a Companhia das Índias Ocidentais - WIC tinha direito na posse do engenho Araripe. A WIC fechou o acordo pelo total da dívida, que era de 105.000 florins, e que foi reduzida para 46.000 florins, e paga em 08 prestações anuais a partir de janeiro de 1645. Por sua vez, Antônio Caminha executaria Francisco Lopes, porém se ignora o desfecho do litígio, pois não existe nenhum comprovante de pagamento, mas em 1646, Francisco aparece como devedor de 3.493 florins à WIC e Antônio Fernandes Caminha de 512.089 florins.

Antonio Fernandes Caminha de Medina – Natural de Lisboa/PT
Casamento 01: Maria Ximenes de Aragão.
Filhos: 01- Maria de Barros – C.c. Jose Cavalcanti de Albuquerque. (c.g.); 02- Joao Baptista de Abreu Ximenes de Aragão – C.c. D. Anna Isabel Pessoa Bezerra, filha de Jose de Mello Cesar e Andrade e de D. Marianna Bezerra de Azevedo
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1925 Vol 47 (1). Anais 1926 Vol 48 (2)Pag. 220. Pag. 264
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93

Durante a Insurreição Pernambucana os senhores Dortmont e Willem Lambertsz comunicaram ao Conselho holandês que haviam expedido um corpo de 60 soldados e 100 brasileiros até uma Aldeia, perto de Obú e daí para o Engenho Araripe, sem que encontrasse inimigo algum na região, apesar ter sido a força alvejada por disparos de dentro do mato; por isso a tropa regressara a Itamaracá, via Itapissuma.
            O próximo proprietário encontrado foi Joao Dias Ximenes de Galego, descendente de Antonio Fernandes Caminha de Medina

João Dias Ximenes de Galego – Filho de Lourença de Aguiar Dias Ximenes e de Domingos de Santiago Montenegro, membro da antiga família Montenegro, de origem espanhola, estabelecida em Pernambuco.
Senhor do Engenho Araripe.
Casamento 01: Sebastiana Tavares Cabral, em 1715, Goiana, Pernambuco. Falecida em  - 18.05.1791. Neta de Sebastião Leitão de Vasconcelos e de Inez de Souza.
Filhos: (NI)
Fontes:
http://geneall.net/pt/forum/70859/re-ascendentes-da-familia-ximenes-de-aragao/

Nos livros de registro de batizados da Paróquia dos Santos Cosme e Damião, o engenho aparece em 1770 com uma capela sob a invocação de Santa Luzia.
No ano de 1833 o engenho foi arrendado pelo período três anos ao Tenente-Coronel José Carneiro de Carvalho Cunha, por 1:005$000 (um conto e cinco mil réis), moeda utilizada na época.

José Carneiro de Carvalho Cunha – Tenente-Coronel. Nada mais foi encontrado.
Fontes:
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 a 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE. Disponível em:

Em maio de 1836 quando expirou o arrendamento o Engenho passou às mãos de João Vieira da Cunha, que iniciou as obras de recuperação do mesmo. (NETO, s/d). No início de 1837, quando as obras acabaram, o engenho estava completamente recuperado, tendo sido efetuado os seguintes serviços: roda d’água nova, tapagem do balde e retificação do açude, conserto do sobrado, obra de pedreiro feita no engenho e caixa d’água, compra e assentamento da moenda nova, tudo orçado em 6:233$400 (Seis Contos, Duzentos e Trinta e Três Mil e Quatrocentos Réis). ( NETO, s/d)

João Vieira da Cunha –Tenente-Coronel. Com inventário feito em 1856. (Museu de Igarassu. Seção Inventários Cx. 08 – 1856).
Casamento 01: D. Maria das Neves Carneiro da Cunha.
Filhos:
01- Antero Vieira da Cunha – Nascido em 1837 e falecido em 02.08.1905, ambos em Pernambuco. Agraciado com o título de Barão de Araripe, em 20 de março de 1875, "atendendo ao relevante serviço que prestou à Colônia Orfanológica Isabel, em Pernambuco", como se lê no próprio texto do decreto da criação do título. Senhor dos engenhos: Novo, Serra, Pitimbu, Setúbal e Rosário, no município do Cabo; Jundiá-Mirim, em Escada; Conceição Velha, em Ipojuca. Possuía um belíssimo sobrado no Recife, na Rua Imperial/Recife. C.c.  Antônia de Morais Vieira da Cunha, sua prima Baronesa de Araripe, falecida em 03.19.1890/Recife. Nos autos de inventário da Baronesa, aparece a Condessa da Boa Vista como devedora da quantia de 5 contos de réis;
02- Epaminondas Vieira da Cunha – 1º Barão de Itapissuma. Coronel da Guarda Nacional. Senhor do engenho Araripe de Baixo/Igarassu; Piedade/Cabo de Santo Agostinho
C.c. Teresa de Morais Vieira da Cunha
Fontes:
http://geneall.net/pt/forum/85074/epaminondas-vieira-da-cunha-barao-de-itapicuma/
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 a 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE. Disponível em:

Com o falecimento de João Vieira da Cunha (1856), o engenho ficou sobre responsabilidade dos seus herdeiros. Sua esposa, D. Maria das Neves Carneiro da Cunha (dados acima), dá início ao inventário sobre responsabilidade do Dr. Adelino de Luna Freire e tendo como avaliadores: o Major Manoel Julião da Fonseca Pinho e o Tenente Coronel Francisco Pereira de Arruda Câmara que avaliaram o engenho na quantia de 60:000$000 (sessenta contos de Réis).
            Em 1874, D. Maria das Neves Carneiro da Cunha falece, e se faz um novo inventário contando a situação real do engenho. O então engenho passou as mãos do Comendador Epaminondas Vieira da Cunha.

Epaminondas Vieira da Cunha – Nasceu em 1829 em Pernambuco, e faleceu em 1856, no seu Engenho Araripe de Baixo a 29.96.1910. Filho de João Vieira da Cunha e de D. Maria da Neves Carneiro da Cunha 1º Barão de Itapissuma, por decreto de 8 de março de 1880. Coronel da Guarda Nacional.
Senhor do engenho Araripe de Baixo/Igarassu; Piedade/Cabo de Santo Agostinho
Casamento 01: Teresa de Morais Vieira da Cunha, sua prima. Nascida em 1826. A Baronesa de Itapissuma faleceu, no Recife, na Rua Conde da Boa Vista nº 24-C, em 24 de julho de 1896, sendo sepultada no Cemitério de Santo Amaro. 
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epaminondas_Vieira_da_Cunha
http://geneall.net/pt/forum/85074/epaminondas-vieira-da-cunha-barao-de-itapicuma/
Nobreza de Portugal e Brasil - 3 vols - vol. 3 - pg. 626
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 a 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE.

O Barão de Itapissuma foi o último dono do referido engenho. A sua morte ocorreu no dia 29.06.1910 na casa de vivenda do engenho, logo após iniciou-se o inventário dos bens deixados pelo Barão, que se encontra em poder do Departamento de Pesquisa Histórica do Museu de Igarassu, nos revela que os avaliadores da época avaliaram o engenho em quarenta contos de réis (40:000$000).
Dezessete anos após a morte do Barão de Itapissuma o Engenho foi vendido a firma Bandeira e Irmão que ficou sobre suas responsabilidade até a década de 1950.  Quando o engenho foi vendido ao Grupo Votorantim e permanece até atualidade nas mãos desde grupo, que passa a construção de uma empresa do grupo, a CAII, demoliram o sobrado, a capela sob a invocação de Santa Luzia e outras instalações do engenho. Sufocando a história do primeiro engenho igarassuense, mas presente na memória de muito que ali passaram no período final do engenho.

NOTA: A respeito da imagem de Santa Luzia da capena do engenho, encontramo-la, ainda recentemente na nova capela construída pelo grupo Votorantin.

Fontes:
Documentos manuscritos avulsos da Capitania de Pernambuco: Fontes repatriadas Edt. Universitária - UFPE, 2006
http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=2963
http://www.igarassutem.com/ct/16/pontos-turisticos
Johannes Nieuhof, José Honório Rodrigues, Moacir Nascimento Vasconcelos. Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil (Google e Livro) Livraria Martins, 1682.
PEREIRA, Levy. "Velho (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Velho_(engenho_de_bois). Data de acesso: 24 de fevereiro de 2015.

BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1918 Vol 40 (2). Pag. 38

23/02/15

Megaípe de Baixo (Megaípe; Megoapa; Mogaipe; Mogoaipe; Megahipe)/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca

            Engenho fundado antes de 1623 e pertencia a Luís Marreiros. Sua moenda era movida a bois e pagava 1,5% de pensão ao Donatário sob o açúcar produzido. Suas terras ficavam localizadas na margem direita do Rio Jaboatão, freguesia da Muribeca, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco.
            
Casa grande do engenho Megaípe de Baixo
Luís Marreiros – Natural de Tomar (Beira Litoral)/PT. Em 1592 servia em Lisboa ao terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho, que depois o recompensou com o cargo de Tabelião do Público e Judicial de Olinda.
Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca
Casamento 01: Lusia Lopes, segundo o livro velho da Sé de Olinda.
Filhos:
01- Álvaro Marreiros – Batizado em 24.01.1609/Ig. Matriz do Salvador de Olinda e foram seus padrinhos Vasco Pires e sua tia Luisa Marreiros.
02- Luís Marreiros – Batizado em 06.06.1616/Ig. Matriz do Salvador de Olinda. Em 1635 imigrou junto com seu pai para a Bahia, retornando a Pernambuco durante a Insurreição Pernambucana. Procurador da Câmara de Olinda (1644). Vereador em 1650.
C.c. Maria da Costa – Filha de Francisco da Costa Calheiros. (c.g.)
03- D. Isabel Lopes – C.c. Jerônimo de Albuquerque, Fidalgo da Casa Real. (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 82 Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 136
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois). Data de acesso: 23 de fevereiro de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93

            Segundo Pereira da Costa (1951, Vol. 1, ano de 1568, pág. 378) existiam dois engenhos com o mesmo nome na Muribeca/Jaboatão dos Guararapes: o Mogoaipe (Megahipe), o primeiro que é nosso objeto de estudo era mais antigo, e tomou então a denominação de "Megaipe de Baixo; o outro que constituiu um vínculo instituído pelo reverendo Dr. Lourenço Tavares Pinto Benevides, seu proprietário, que reuniu ao patrimônio quatro prédios seus situados no Recife, cujos bens passariam a Santa Casa de Misericórdia quando se extinguisse a linha dos descendentes e colaterais de um menino de nome Inácio que o instituidor tinha em seu poder, o que tudo consta do competente registro do vínculo na Secretaria do Govêrno em 12.09.1772.
A Capela do engenho Megaípe, sob a invocação de São Felipe e Santiago, era muito antiga e talvez sua construção fosse contemporânea à do engenho.
            O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: Præfecturæ Paranambucæ Pars Borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ mogypÿ'; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'Mogoai', na m.e. do 'Mogoai' (Riacho Cristina).
             Em 1623 o engenho produzia 3.453 arrobas de açúcar. em 1635, Luís Marreiros abandonou o engenho Megaípe, levando tudo o que podia ser carregado e acompanhou o General Mathias de Albuquerque durante o grande êxodo dos cidadãos pernambucanos (8.000 pessoas) que foram se exilar na Bahia.
             Em 1637, o engenho Megaípe por se encontrar abandonado, arruinado e de fogo morto. Talvez tenha sido incendiado pelo próprio Luis Marreiros, antes de fugir, ou pelos campanhistas luso-brasileiros. Em 1637, foi confiscado pela Companhia das Índias holandesa e vendido a Simão Ferreira Jácome por 24.000 florins, em três prestações anuais de igual valor.

Simão Ferreira Jácome – Em 1645 e 1663, Simão aparece como devedor de 21.000 florins à WIC. Nada mais foi encontrado.
Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca
Fontes:
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois). Data de acesso: 23 de fevereiro de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93

            Em 1640, segundo o relatório de Dussen (pág 150) o engenho Megaípe pertencia a Diogo de Araújo de Azevedo.

Diogo de Araújo de Azevedo Nada mais foi encontrado.
Senhor dos engenhos: Mangue ou Mangre/Alagoas; Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca
Fontes:
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois). Data de acesso: 23 de fevereiro de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93

O engenho moía sua cana de 05 partidos de lavradores, que com as do partido da fazenda (20) totalizavam 72 tarefas, ou seja, 2.520 arrobas de açúcar. Lavradores:

. Manuel Gomes de Lisboa com 20 tarefas;
. Diogo Fernandes Velho com 10 tarefas;
. Pedro Dias Paes com 06 tarefas;
. Pedro Rodrigues Carasqui com 06 tarefas;
. Domingos Gonçalves com 10 tarefas.

           Em 1655 o engenho safrejava e pertencia a Luis Marreiros (filho) pagava 1 1/2% de todo o açúcar produzido ao Donatário D. Miguel de Portugal, mas de todo o açúcar que cabia ao dízimo real pagava a D. Maria de Albuquerque, herdeira de Duarte de Albuquerque Coelho, pelo contratador que o arrendava, de cada dez arrobas, uma.

Luís Marreiros – Batizado em 06.06.1616/Ig. Matriz do Salvador de Olinda. Filho homônimo de Luís Marreiros e de Luisa Lopes. Neto paterno do fundador do engenho Megaípe. Em 1635 imigrou junto com seu pai para a Bahia, retornando a Pernambuco durante a Insurreição Pernambucana. Procurador da Câmara de Olinda (1644). Vereador em 1650.
Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca
Casamento 01: Maria da Costa – Filha de Francisco da Costa Calheiros. Neta paterna de Manoel da Costa Calheiros, natural de Ponte da Barca/PT e de Catharina Rodrfigues.
Filhos:
01- Luiz Marreiros – Nasceu na Bahia. Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca. Capitão de Ordenança do Cabo de Santo Agostinho, por patente do Gov. João da Cunha Souto Maior, em 06.11.1685.
C.c. D. Juliana de Oliveira – Filha de Julião de Oliveira e de D. Maria de Abreu.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 82 Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 136
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93

            O engenho foi herdado pelo seu filho Luiz Marreiros c.c. D. Juliana de Oliveira.

Luiz Marreiros – Nasceu na Bahia. Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca. Capitão de Ordenança do Cabo de Santo Agostinho, por patente do Gov. João da Cunha Souto Maior, em 06.11.1685.
Casamento 01: D. Juliana de Oliveira – Filha de Julião de Oliveira (Moço Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz e Capitão de Infantaria)  e de D. Maria de Abreu. Sobrinha paterna do Bispo de Angola D. José de Oliveira.
Filhos:
01- Luis Marreiros de Sá – Capitão.
02- Álvaro Marreiros de Oliveira – Sargento-mor. Senhor do engenho Megaípe de Baixo.
03- Julião Marreiros da Silveira – Sargento-mor. C.c. D. Maria Cavalcante, filha de Manoel Cavalcante. (s.g.)
Outros filhos:
04- Antônio Marreiros – Sacerdote do Hábito de São Pedro.
05- Luiz Marreiros de Sá – C.c. D. Beatriz de Mello, filha do Mestre de Campo Marcos de Barros Correia e de D. Margarida de Mello. (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 82 Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 136

            O engenho foi herdado por Álvaro Marreiros de Oliveira, filho de Luiz Marreiros e de D. Juliana de Oliveira.

Álvaro Marreiros de Oliveira – Natural da Muribeca. Sargento-mor. Filho de Luis Marreiros e de D. Juliana de Oliveira.
Senhor do engenho Megaípe de Baixo/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca; São Bartolomeu/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca
Casamento 01: Luisa Barretos, natural da Muribeca. Filha de Lourenço Velho Barreto e de D. Maria de Bittencourt.
Filhos:
01- Maria Josepha de Oliveira – C.c. seu primo Luiz Marreiros de Mello.
02- D. Juliana de Oliveira – C.c. o Capitão Diogo Soares de Albuquerque (s.g.) e depois c.c. Sargento-mor Custódio Álvares Martins (senhor do engenho Santo Estevão, do Sertão Rodellas e de São Pedro em Pajeu de Flores, onde instituiu uma Capela com invocação de São Pedro e a dotou.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana.  Anais 1925 Vol 47 (8). Pág. 137. Anais 1926 Vol 48 (3). Pág. 406

Ruínas da Casa Grande
            A casa-grande do Engenho Megaype ganhou destaque por ser uma das mais antigas casas de engenho do Estado de Pernambuco. Não se sabe sua data exata de construção, porém, as hipóteses mais pessimistas a situam como sendo do final do século XVII. Além da antiguidade, outro fator que tornava Megaípe especial era seu estilo arquitetônico, uma verdadeira casa senhorial de engenho com volumetria imponente e duas torres lateriais. Mereceu, por isso, ilustrar o livro Casa-grande & Senzala de Gilberto Freyre e a lamentação de Manuel Bandeira e de Júlio Belo, quando foi dinamitada. Foi destruída em 1928, pelo dono da Usina Bom Jesus, Sr. João Lopes de Siqueira Santos quando soube que a dita casa se encontrava na lista de bens históricos e artísticos que seriam tombados pelo Governo e antecipando-se à iniciativa oficial e equivocada quanto aos verdadeiros propósitos governamental, não vacilou em destruir completamente a casa que atravessara os muitos períodos da história de Pernambuco, ficando na lembrança apenas no poema de Ascenso Ferreira dedicado à Casa grande de Megaípe.
            A casa grande do engenho tinha um ar de permanência que se sentia através das paredes meio pensas e do abalcoado podre, na expressão tranquila das velhas linhas coloniais. Era um um símbolo agonizante do passado já longínquo em que os nobres senhores de engenho tinham, em seus domínios, poderes absolutos. A usina já chegara desde fins do século XIX e se firmara na região como a nova força econômica e política, e foi a Usina que derrubou a casa, como pensou e cantou Ascenso Ferreira (1988):

Há muito tempo que a Usina estava danada com ela!
A linda casa colonial cheia de assombrações...

Debalde ela, a Usina
Mostrava orgulhosa
O seu bueiro com aquela pose de girafa!

Debalde mostrava
O giro das rodas
O brilhos dos aços
O espelho dos latões...

Nada, todo mundo que lá ia
Só dizia nos jornais
Coisas bonitas da linda casa colonial cheia de assombrações...

Tentou um esforço derradeiro
Mandou Mestre Carnaúba
Fazer um samba bem marcado
A fim d’ela cantar alegre
Ao som do ganzá
De suas bombas de pressão:

“olha a volta da turbina
Da turbina, da turbina
Da turbina da Usina
Da Usina brasileira.
Olha a volta da turbina
Da turbina, da turbina
Da turbina da Usina
Da usina brasileira.

Qual! Todo mundo só fala
Na linda casa colonial cheia de assombrações...
A vaca Turina
O cavalo Cachito
O burro Manhosos
O cachorro Vulcão
Todos a uma vez, unidos repetiam:

É bom dormir naquele terraço
Prestigiado por quatro séculos de assombrações
Então a Usina não pode mais!
Mandou meter a picareta nas pedras lendárias,
Destruir os quartos mal assombrados,
Enxotar aos fantasmas de sais de seda
E capas de ermitões,
Respondendo, insolente, à falação que se levantou:

Olha a volta da turbina
Da turbina, da turbina
Da turbina da Usina
Da usina brasileira.

            A imprensa pernambucana não deu muita atenção à demolição da antiga casa-grande publicando, no Jornal A Província em 14.09.1928 que botaram abaixo a casa de Megahype.
            Em janeiro de 2011, a Secretaria de Cultura do município de Jaboatão dos Guararapes, esteve em visita ao local onde se encontravam as ruínas do Casarão de Megaype de Baixo. Porém, logo depois, o local foi destruído pela segunda vez sem que fosse feita nenhuma pesquisa arqueológica. Se o engenho era do século XVII, as pesquisas poderiam revelar detalhes da vida nesse período através dos resquícios arqueológicos encontrados.

Local onde existiu a casa grande do engenho



Fontes:
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2012/01/aqui-jaz-megaipe-de-baixo-segunda.html
http://www.revistacontinente.com.br/index.php/component/content/article/473.html
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004
PEREIRA DA COSTA. Pergunte a Pereira da Costa. Vol. 7. Ano de 1812. Pág. 379. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br/pc2/get.jsp?id=286&year=1812&page=380&query=1812&action=previous
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois). Data de acesso: 23 de fevereiro de 2015.
GOMES, Geraldo. Engenhos e Arquitetura. FUNDAJ. Edt. Massangana. Recife, 2007. Pág: 139-44, 146-147, 149, 151, 196
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 164