30/07/15

Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca

            Engenho fundado em 1595, sob a invocação de Nossa Senhora da Paz, situado na margem esquerda do Rio Pirapama, freguesia do Cabo de Santo Agostinho, capitania de Pernambuco. Sua fábrica tinha uma moenda movida à água.
            Em 1609 o engenho Pantorra pertencia a Belquior Garcia Rebelo.

Belquior Garcia Rebelo – Chegou a Pernambuco em 1595. Exportador de açúcar e comerciante de escravos.
Senhor dos engenhos: Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 123 e 124

            Em 1623, o engenho Nossa Senhora da Paz que ficava ao lado do engenho de Antônio Gonçalves da Paz pertencia a Diogo Fernandes Pantorra, passando a ser conhecido como o engenho Pantorra por conta do sobrenome de seu proprietário. Nesse ano produziu 7.855 arrobas de açúcar, pagando 03% de pensão ao Donatário.

Diogo Fernandes Pantorro – Durante a ocupação holandesa abandonou suas propriedades.
Senhor dos engenhos: Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes par a História do Brasil Holandês. 2ª edição. Edt. CEPE. Recife, 2004. Pág. 29
PEREIRA, Levy. "Pardora (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Pardora_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de julho de 2015
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 123 e 124

            Quando os holandeses invadiram Pernambuco o engenho estava arrendado a Domingos da Costa que fugiu de Pernambuco assim como o proprietário do engenho Diogo Fernandes Pantorra.
            Nessa época o engenho Pantorra tinha cerca de uma milha de terras com muitos montes e matas e de seus canaviais. Situado a 1/2 milha mais ao Oeste do engenho Utinga/Cabo de Santo Agostinho. Sua fábrica podia moer anualmente 4.000 a 5.000 arrobas de açúcar. A casa de purgar e das caldeiras tinham paredes de alvenarias.

Domingos da Costa – Durante a ocupação holandesa fugiu de Pernambuco.
Rendeiro do engenho: Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 123 e 124

            Quando os holandeses chegaram ao engenho encontraram na casa grande e na casa de purgar 83 caixas de açúcar e 1.055 formas que, segundo a contra do purgador Bento Dias, renderam 1.123 arrobas de açúcar branco e mascavo.
            Das citadas formas 511 pertenciam aos lavradores: Gaspar de Aguiar e Bento Dias Pinto, as quais renderam 420 arrobas de açúcar branco e 114 arrobas de açúcar mascavo, e tirado o dízimo ficou para os lavradores 151 arrobas de açúcar branco e 21 arrobas do mascavado, restando para a Companhia das Índias Ocidentais holandesa 269 arrobas de açúcar branco e 93 arrobas de açúcar mascavado, que, com as mencionadas formas, representaram para a Companhia 858 arrobas de açúcar branco e 93 arrobas de açúcar mascavado, dos quais foram feitas 37 caixas, que com a marca da Companhia, foram mandadas para o Pontal e Barreto.
Após o engenho ser confiscado seu proprietário Diogo Fernandes Pantorra retornou do exílio e o readquiriu (1637), por 19.500 florins em 06 prestações anuais. Mas, em 1638, o engenho se encontrava completamente arruinado por ter suas terras servido de acampamento para as tropas invasoras  ...o efetivo do exército holandês estava situado e mantinham guarnições, em vários pontos do interior do Estado: ... Em Ipojuca: no engenho Pantorra: Capitão Daey 79 homens ... (Pereira da Costa). Diogo não podendo recuperar seu engenho o repassou a Nicolas d’Haen e seus sócios da L´Empereur & Cia (nada foi encontrado).

Nicolas d’Haen – Quando chegou ao Recife e alugou uma casa (1635) junto com Cornelis Metsu Daniels. Essa casa pertencia a Companhia das Índias Ocidentais holandesas e ficava localizada na Ilha de Antônio Vaz, onde havia morado o já falecido Dr. Jacob Stalpart van der Wiele. O valor do contrato foi de 250 florins, por um ano, o que era considerado para a época um aluguel muito modesto.
Senhor dos engenhos: Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca; Pagi ou Pagy/Nazaré da Mata
Fontes:
http://www.liber.ufpe.br/visaoholandesa/Next.vh?query=diversidade&page.id=1993
http://freimilton-ofm.blogspot.com.br/2009/06/engenhos-de-ipojuca-e-os-holandeses.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 123 e 124
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes par a História do Brasil Holandês. 2ª edição. Edt. CEPE. Recife, 2004. Pág. 143
____________________________ Tempo dos Flamengos.  2ª edição. Gov. de Pernambuco e BNB. Recife, 1979. Pág. 51

            Em 1639, Nicolas d’Haen começou a recuperar o engenho e seus canaviais para que pudesse moer no ano seguintes.
            O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho: Pantorra', numa ilha fluvial na margem esquerda do 'R. Piripama', na foz do 'R. Gujibuzŭ' (Rio Cajubuçu); PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'Pardora', margem esquerda do 'Pirapáma' - 'Piraparma' (Rio Pirapama).
Em 1655 o engenho estava de fogo morto e pertencia a Nicolau Coelho dos Reis.

Nicolau Coelho dos Reis – Natural de Monte-mor o Novo/Alentejo-PT. Filho de Antônio Simões Colaço e de Anna Coelho. Neto paterno do Dr. Bartolomeu Colaço e de Catharina Simões e por via materna de Antônio Lourenço e de Maria Alves. Imigrou para Pernambuco, século XVI, onde adquiriu muitos bens. Sargento-mor da Comarca por patente Régia. 
Casamento 1: D. Maria Soares de Faria, filha de Mathias Ferreira de Sousa e de Maria Soares de Faria.  Irmã dos Frades José de Santo e João de Faria (jesuíta Presidente do Curso no Colégio da Bahia).
Filhos: 01- Mathias Ferreira de Sousa que faleceu assassinado no eng. Anjo. Senhor do engenho Pantora e Anjo. C.c. D. Lusia Margarida Cavalcante. (c.g.); 02- José Coelho dos ReisAntônio Coelho dos Reis; 03- Leonor dos Reis c.c. Antônio Ribeiro de Lacerda (recebeu como dote de casamento o eng. Santana/Jaboatão dos Guararapes), filho de Francisco de Barros Falcão e de D. Marianna de Lacerda. (c.g.); 04- Antônio Coelho dos Reis; 05- Anna Theresa dos Reis c.c. André Vieira de Mello, Cavaleiro Fidalgo, Alferes do 3º da Infantaria da Praça do Recife, filho de Bernardo Vieira de Mello e de D. Catharina Leitão. (c.g.)
NOTA: Anna Theresa dos Reis (Anna Faria) c.c. André Vieira de Mello. D. Anna foi vítima de fofoca de uma escrava que tinha ciúme dela, que disse que D. Anna, que se encontrava grávida, estava de namorico com João Paes Barreto (II). Depois do nascimento do filho de D. Anna ela foi envenenada por  duas vezes, mas como não deu  resultado foi asfixiada pela sua sogra Catarina Leitão. João Paes Barreto foi emboscado quando ia para o seu engenho, e baleado mortalmente por André Vieira de Mello. (Revista genealógica latina, Volumes 8-11).
Senhor dos engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes, Anjo/Cabo de Santo Agostinho e Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7) . Pág. 132, 375, 376, 440

            O engenho foi herdado por Mathias Ferreira de Sousa, filho de Nicolao Coelho dos Reis e de D. Maria de Faria.

Mathias Ferreira de Sousa – Faleceu assassinado no eng. Anjo. Filho de Nicolau Coelho dos Reis  e de D. Maria Soares de Faria.
Casamento 01: D. Lusia Margarida Cavalcante, filha de Joao Cavalcante de Albuquerque (senhor do eng. Santana/Jaboatão dos Guararapes) D. Maria Pessoa. Neta materna de Arnau de Hollanda Barreto (senhor do eng. São João/São Lourenço da Mata) e de D. Luisa Pessoa.
Filhos: 01- Gonçalo Francisco Xavier Cavalcante (senhor do engenho Pantorra e do Pindoba que recebeu de dote pelo seu casamento com sua prima D. Luisa Bernarda de Mello, filha e herdeira de André Vieora de Mello e de D. Anna Theresa dos Reis; 02- Nicolao Coelho de Albuquerque c.c. D. Catharina José de Mello, filha de André Vieira de Mello e de D. Anna Theresa dos Reis; 03- João Cavalcante de Albuquerque c.c. D. Leonor Serafina Cavalcante, filha do Cap. Pedro Pimentel de Lusa (senhor do eng. Matapagipe) e de D. Leonarda Cavalcante. (c.g.); 04- Francisco do Rego Barros, que foi assassinado no ano de 1752, (senhor do engenho Arariba) c.c. D. Josepha de Lacerda, filha de Antônio Ribeiro de Lacerda (eng. Santana/Jaboatão dos Guararapes) e de D. Leonor dos Reis. (c.g.);  05- D. Luisa c.c. Antônio Cavalcante de Albuquerque, filho de Felipe Fragoso de Albuquerque e de (?);
Senhor dos engenhos: Anjo/Cabo de Santo Agostinho; Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7). Pág. 132, 375, 376, 423, 440

            Após o falecimento de Mathias Ferreira de Sousa e de sua esposa D. Lusia Margarida Cavalcante o engenho passou a pertencer ao seu filho primogênito Gonçalo Francisco Xavier Cavalcante.

Gonçalo Francisco Xavier Cavalcante – Filho primogênito de Mathias Ferreira de Sousa e de D. Lusia Margarida Cavalcante.
Casamento 01: D. Luisa Bernarda de Melo, filha e herdeira de André Vieira de Mello e de D. Anna Theresa dos Reis.
Filhos: 01- Ludovina Ferreira Cavalcante
Senhor dos engenhos: Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca e do Pindoba/Cabo de Santo Agostinho que recebeu de dote pelo seu casamento com sua prima
Fontes:
https://login.yahoo.com/config/login;_ylt=AtI46q.M_jXQ2vBSmsjhpB.gwsEF?.src=ygrp&.intl=br&.lang=pt-BR&.done=https%3A%2F%2Fbr.groups.yahoo.com%2Fneo%2Fgroups%2Ffamiliascearenses%2Fconversations%2Fmessages%2F148
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7). Pág. 67, 205, 222
https://gallaeciacores.wordpress.com/2014/04/09/pedido-de-ajuda-sobre-d-ludovina-ferreira-da-silva-cavalcante-de-albuquerque-a-tia-desconhecida-do-visconde-de-suacuna/

            O próximo proprietário encontrado foi Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque.

Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em torno de 1760 e faleceu em 1827. Capitão-Mor. Filho de Francisco Xavier Cavalcanti de Albuquerque  (Coronel Suassuna. Fundador da Academia Suassuna (1802), centro de difusão das ideias liberais e republicanas que desembocaram no movimento de 1817) e de D. Filipa Cavalcanti de Albuquerque.
Criança fantasiada não identificada - Engenho Pantorra. 
(Col. Francisco Rodrigues; FR-1621).
Casamento 01: sua prima D. Maria Rita de Albuquerque Mello – Filha de Antônio de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque e de Maria Manuela de Mello. Neta materna de Sebastião Antonio de Barros Mello e de D. Maria Rita de Albuquerque Mello. Neta paterna de Francisco do Rego Barros e de D. Maria Manuela de Mello
Filhos: 01- Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em 10.06.1793/Jaboatão dos Guararapes e faleceu em 28.01.1880/Recife. Barao e Visconde de Suassuna. Brigadeiro. Senador. Ministro de Estado. Presidente de Pernambuco; 02- Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em 21.08.1797/Cabo de Santo Agostinho e faleceu em 14.04.1863/Rio de Janeiro.Visconde de Albuquerque. Deputado, Senador, Ministro. C.c. Emília Cavalcanti de Albuquerque. (c.g.); 03- Manuel Francisco de Paula Cavalcanti – Nasceu em cerca de 1804/Pernambuco e  faleceu em 1894. Barão da Muribeca. C.c. sua sobrinha D. Maria da Conceição do Rego Barros. 04- Pedro Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque – Nasceu em 19.04.1806 e faleceu em 1875. Deputado, Senador, Presidente de Pernambuco. Barão e Visconde de Camaragibe. C.c. Ana Teresa Correa de Araújo. (c.g.).
Senhor dos engenhos Girento/Escada; Limoeiro/Escada;  Mangueira/Escada; Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca; Pantorra/Cabo Santo Agostinho;  Penedo de Baixo/São Lourenço da Mata; Pitangueiras/São Lourenço da Mata; Poeta/Recife; Roncaria/São Lourenço da Mata; São Vicente/Escada; Sapucagy de Baixo/Escada;  Suassuna (antes Nossa Senhora da Assunção); Suassuna/Jaboatão dos Guararapes; Timbi/Camaragibe; e da Usina Limoeirinha/Escada.
Fontes:
http://rosasampaiotorres.blogspot.com.br/p/jorge-cavalcanti-de-albuquerque-uma.html
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1920-1921 Vols 43 / 44 (2). Pág. 12, 13
http://doria.genealogias.org/HolandaCav.pdf
http://www.geni.com/people/Francisco-de-Paula-Cavalcanti-de-Albuquerque/6000000021606812420?through=6000000021606703681

            Após o falecimento de Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque o engenho passou a pertencer ao seu filho Antônio Francisco de Paula de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque.

Antônio Francisco de Paula de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em 21.08.1797/Eng. Pantorra – Cabo de Santo Agostinho e faleceu em 14.04.1863/Rio de Janeiro. Filho do Capitão-Mor Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e de Maria Rita de Albuquerque Mello.
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Antônio Francisco de Paula de Hollanda
 Cavalcanti de Albuquerque
Aos dez anos foi Cadete, sendo promovido mais tarde a Tenente-Coronel, posto em que foi reformado. Deputado por sua província na 1ª legislatura de 1826 a 1829, na 2ª e 3ª de 1830 a 1837. Deputado Geral. Ministro da Fazenda em quatro Gabinetes. Ministro da Marinha (1840). Ministro da Fazenda. Ministro da Guerra. Conselheiro de Estado, em1850. Senador em 1838 a 1863. Nos dois primeiros períodos, enfrentou a situação crítica do estado econômico do País. Em 1846, voltou ao cargo; nesse período reorganizou as Recebedorias das Rendas Internas, e criou as da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará e São Pedro do Sul, atual Rio Grande do Sul, com a atribuição de arrecadar tributos, o que até então era feito pelas Alfândegas. Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, de 1837 a 1850. Homem da Imperial Câmara. Dignitário da Ordem do Cruzeiro e Cavaleiro de Cristo.Visconde de Albuquerque por Decreto de 02/12/1854.
Casamento 01: Emília Cavalcanti de Albuquerque.
Senhor do engenho Suassuna/Jaboatão dos Guararapes; Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca
Fontes:
http://www.senado.gov.br/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=1433&li=7&lcab=1848-1849&lf=7
http://www.navioseportos.com.br/cms/index.php?option=com_content&view=article&id=125:hollanda-cavalcanti&catid=53:personagens&Itemid=80
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Francisco_de_Paula_de_Holanda_Cavalcanti_de_Albuquerque

            O próximo proprietário encontrado foi Manoel Clementino Cavalcanti de Albuquerque.

Manoel Clementino Cavalcanti de Albuquerque – Nascido em 03.06.1885/eng. Pantorra. Filho de Gil Clementino de Holanda Cavalcanti de Albuquerque e de Emília Mendes de Holanda (primos), neto materno de sua tia Joana de Holanda Cavalcanti de Albuquerque e de Sebastião Mendes da Silva.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Recife. Agricultor no Município do Cabo.
Casamento 01: com sua prima D. Ignácia de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, filha de Sebastião José Mendes de Holanda e de D. Maria Anna Moura Cavalcanti de Albuquerque.
Filhos:  Gil Clementino Cavalcanti de Albuquerque, Djalma de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, Maria Edith de Holanda Cavalcanti de Albuquerque e Maria Eliza de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, todos nascidos no engenho Pantorra.
Senhor do engenho Suassuna/Jaboatão dos Guararapes; Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca e Brilhante/Cabo de Santo Agostinho
Fontes:

Celina de Holanda Cavalcante de Albuquerque c.c. seu primo
Djalma de Holanda Cavalcante de Albuquerque 
 - Poetisa pernambucana
nascida em 19.06.1916- Eng. Pantorra

            O próximo proprietário encontrado foi Gil Clementino de Holanda Cavalcanti de Albuquerque

Gil Clementino de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – Filho de Manoel Clementino Cavalcanti de Albuquerque e de D. Ignácia de Holanda Cavalcanti de Albuquerque.
Casamento 01: Amélia Campelo, em 1941.
Filhos (?)
Senhor do engenho Suassuna/Jaboatão dos Guararapes; Pantorra antes Nossa Senhora da Paz/Cabo de Santo Agostinho, citado algumas vezes como Ipojuca e Brilhante/Cabo de Santo Agostinho
Fontes:
Viana O, Fausto. percurso cenográfico de Campello Neto Uma vida dedicada à cenografia. São Paulo, 2010
  
            Hoje as terras do engenho Pantorra, com área de 840 hectares, limitan-se ao Norte com o eng. Papogi de Baixo, ao Sul com o eng. Ipiranga, ao Leste com o eng. Vila Real e o eng. Universo, e ao Oeste com o eng. São Miguel, Liberdade e Brilhante. O engenho se encontra cadastrado no INCRA sob o n. 231.010.259.004-6, e de propriedade da Destilaria Liberdade, anteriormente Liberdade Agroindustrial S/A – LAISA. Segundo uma avaliação judicial, publicada no Diário PE - Justiça de 18/03/2014 (4809622917480448), o engenho foi avaliado em R$ 2.520.000,00.

Fontes:
http://www.radaroficial.com.br/d/4809622917480448
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1919-1920 Vols 41 / 42 (5). Pág. 168
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 123 e 124
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Voll I.  2ª edição. Edt. CEPE. Recife, 2004. pág. 59, 71
PEREIRA DA COSTA, F.A. 1635 – 1665. 2ª edição. FUNDARPE. Coleção Pernambucana. Recife, 1983. Vol. 3 pág. 80
PEREIRA, Levy. "Pardora (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Pardora_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de julho de 2015.

BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7), pág. 132.

10/07/15

Penedo de Cima ou das Chagas, Nossa Senhora das Chagas/Várzea do Capibaribe-Camaragibe

                Engenho fundado por Simão Vaz, antes de 1593, situado na margem direita  do Rio Capibaribe, acima do eng. Camaragibe, próximo a São Lourenço da Mata. Sua moenda era movida a bois, sem igreja, freguesia da Varzea, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco, pagando 02% de pensão sob todo o açúcar fabricado.

Simão Vaz – Cristão novo. Filho de Miguel Dias e Brites Vaz. Irmão de Miguel Dias, Manuel Dias Henriques e João Mendes Henriques, Florença Dias, Brites Vaz, Isabel Nunes, Grácia Vaz e Milícia Nunes. Costumava frequentar com seus parentes a esnoga do engenho Camaragibe/Camaragibe, aonde trabalhava como Feitor. Morou em Olinda entre 1597 e 1602, aonde era mercador e depois carregador de açúcar para navios que se destinavam ao exterior.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72
PEREIRA, Levy. "Đ. Chagas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/%C4%90._Chagas. Data de acesso: 10 de julho de 2015.
Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenhos Judeus em Pernambuco Colonial 1542-1654. Edt. 20-20. Recife, 1995. Pág. 126.
               
                Em 1623 o engenho pertencia a Diogo da Costa Maciel, que permaneceu sob o domínio holandês e administrando suas terras. Nesse dito ano o engenho moeu 3.370 arrobas de açúcar.

Diogo da Costa Maciel – Nada Mais foi encontrado.
Casamento 01: Maria Cabral Bacellar.
Filhos: 01- Bento Cabral Bacellar – Falecido em 1679. C.c. Magdalena Pessoa. (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio de janeiro. Anais 1925 Vol 47 (3). Pág. 153, 410, 482.
PEREIRA, Levy. "Đ. Chagas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/%C4%90._Chagas. Data de acesso: 10 de julho de 2015.
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:400
http://www.liber.ufpe.br/visaoholandesa/Previous.vh?query=diversidade&page.id=1947
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72

Segundo Pereira da Costa o desbravamento das terras de São Lourenço da Mata, com a exploração do pau-brasil, abriu campos à sua cultura, e dai a construção dos seus primeiros engenhos,  de sorte que, em 1630, se viam já sete fábricas de açúcar no termo da sua paróquia, aonde era fabricado o melhor açúcar da Província.
Como a povoação já era de certa importância, naquela época, o General Matias de Albuquerque, mandou, em 1633, o Capitão Luiz Barbalho Bezerra guarnecer com o terço do seu comando a dita povoação, mas logo depois o Capitão teve que se retirar por urgência do serviço da campanha, e assim desguarnecida, é atacada por uma forte coluna holandesa, entregue a pilhagem, e bem assim os aldeamentos circunvizinhos. Dos seus engenhos de então temos uma circunstanciada noticia em um documento holandês de 1637, que assim os enumera: São Bento,pertencente a Francisco Nunes Barbosa; Moribara, sob a invocação de N. S. das Dores,  de Gabriel de Pina, que, ausentando-se com a invasão holandesa, foi a propriedade confiscada e vendida a André Soares; Nossa Senhora de Monteserrate, pertencente a Antônio Rodrigues Moreno; São João, pertencente a Arnau de Holanda, que tinha levando a fábrica a pouco tempo; Mussurepe, do Mosteiro de S. Bento de Olinda; Nossa Senhora das Chagas, pertencente a Diogo da Costa Maciel; Massiape, sob a invocação das Chagas de Cristo, do capitão Francisco do Régo Barros, que o levantou, e o abandonando.
O engenho Nossa Sra. das Chagas foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ: os Chagas', na margem direita  do 'Rº. Capauiriuÿ' (Rio Capibaribe);IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ. os Chagas.', na margem direita  do 'Rº. Capauiriuÿ'; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'd Cliugas', na margem direita  do rio 'Capiibari'.

Fontes:
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:400.

MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72

Tejipió/Tejipio-Recife

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Mapa localização Tejipió-Recife
Cortada pelo Rio Tejipió , a região onde foi fundado o engenho foi ocupada pelos portugueses ainda no século XVI, com a instalação de alguns engenhos de cana de açúcar que pertenciam a freguesia da Várzea, como o eng. São Paulo e o eng. Curado. 
            O engenho Tejipió/Tejipió-Recife, antes Jaboatão dos Guararapes,  foi fundado por Antônio de Andrade Caminha, sem igreja e indicação de orago, com moenda movida a bois. Suas terras ficavam situadas na margem esquerda do Rio Tejipió, também conhecido como Rio dos Cedros e Rio dos Afogados; pelo Rio descia e para o Recife, em pequenos barcos, todo o açúcar fabricado, acondicionado em caixas de madeira, como então se praticava e permaneceu ainda por largos anos, até que foram substituídas por sacos de algodão. Suas terras estavam encravadas na freguesia da Varzea, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco.

Antônio de Andrade Caminha – Nascido no Conselho do Bem Viver/Bispado do Porto. Filho da governança do Porto/PT. Em 1598 residia em Olinda.
Fontes
Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Pág 15. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58

Durante a Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil (1593-1595), Sebastião Pires Abrigueiro, carreiro no engenho de Antônio de Andrade Caminha em Jaboatão, foi processado
            Em 1609 o engenho pertencia a Antônio de Andrade da Cunha.

Antônio de Andrade da Cunha – Filho e herdeiro de Antônio de Andrade Caminha.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58

O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'TisԐpio Ԑ.', na m.d. do 'Rº. TisԐpio'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ TisԐpio', na m.d. do 'Rº. TisԐpio'.
            O próximo proprietário encontrado foi Antônio Fernandes Pessoa “o Mingau”, senhor do engenho Jiquiá (São Timóteo, Novo, Santo Antônio, Mingau)/Mangueira-Recife.

Antônio Fernandes Pessoa “o Mingau” – Natural de Pernambuco. Faleceu em torno de 1633, de acordo com o formal de partilha de seu filho Pedro de Lyra Pessoa, passado em 15.09.1698 pelo Juiz de Órfãos de Serinhaém, Diogo de Guimarães de Azevedo, tendo como escrivão Antônio Fernandes Bittencourt de Mello. Filho de Pedro Afonso Duro (português e Fidalgo da Casa Real, senhor do engenho da Madalena/Recife) e de D Madalena Gonsalves, que ainda vivia em 1643 e residia em Olinda, em uma casa própria próxima à matriz de São Pedro Mártir, de acordo com uma escritura de compra de umas terras situadas na Várzea, feita por Antônio Fernandes Pessoa.  Padroeiro da capela do Senhor Bom Jesus dos Passos da Graça.
Casamento 01: D. Maria de Aguiar, que segundo Borges da Fonseca já era falecida antes de 1647, como se vê no inventário que foi feito no ano seguinte pelo Juiz de Órfãos o Sr. Francisco Berenguer de Andrada, cujo escrivão foi Manoel de Pinho Soares. Filha de Gaspar de Aguiar e de Maria de Lima. Neta paterna de Thomé de Castro e de Maria Nova de Lyra, irmã de Gonçalo Novo de Lyra (Procurador Fiscal do Santo Ofício em 1600)
Filhos: 01- Conrado – Padre Franciscano. Religioso da Ordem de São Francisco. Já era Professo quando foi feito o inventário de sua mãe, porque dele não se faz menção; 02- Manoel de Aguiar – De acordo com o inventário de sua mãe era viúvo, porem não foi declarado o nome de sua esposa. (c. geração desconhecida); 03- Gaspar de Lyra – Assassinado em terras do engenho Sibiró/Serinhaem. Solteiro. (c.g.); 04- Antônio... – Em 1648 tinha apenas 08 anos de idade; 05- Pedro de Lyra Pessoa – Em 1648 tinha apenas 05 anos de idade. Casado em Portugal. Em 03.03.1657 se encontrava em Pernambuco, cobrando a sua legítima, para tanto apresentou uma procuração de sua esposa D. Luisa do Amaral, residente em Tomar/PT. Em 01.11.1705, ainda era vivo, como se vê no recibo que passou ao pé do seu formal de partilhas aos herdeiros do Cap. Antônio Borges Uchoa. (c. geração desconhecida); 06- Barbara de Lyra – Falecida em 1661, com inventário feito em 12.06 do dito ano. C.c. Miguel Ferreira. (c.g.); 07- D. Angela de Lyra Pessoa – Com testamento feito em 10.02.1657/Várzea. Falecida em 1658, pois nesse ano o Juiz de Órfãso, o Licenciado Antônio Pereira, escrivão Francisco Correia Pinto, fez o inventário dos bens que ficaram por seu falecimento. Primeira esposa do Tenente Thomé Soares de Brito. (c.g.); 08- D. Anna de Lyra Pessoa – Em 1648 tinha 12 anos de idade. C.c. Luiz da Silva, em 1648, que recebeu como dote de casamento de seu pai o engenho Jiquiá, com a obrigação de pagar as legítimas aos seus cunhados, de acordo com a escritura do engenho São Paulo do Sibiró/Serinhaem, na nota do Tabelião Sebastião de Guimarães, em 03.02.1653. Viúva, pouco tempo depois, D. Anna c.c. Francisco de Faria Uchoa, filho de Marcos André (senhor do eng. da Torre) e de D. Maria de Mendonsa Uchoa. Em 03.03.1657 D Anna e Francisco Uchoa venderam o engenho ao Cap. Antônio Borges Uchoa. (c.g.)
Senhor do engenho Jiquiá (São Timóteo, Novo, Santo Antônio, Mingau)/Mangueira-Recife; Tejipió/Tejipió-Recife; Sibiró/Ipojuca
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (1) pág. 150, 151, 152
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 1 pág: 587; Vol. 2 pág: 130-133
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:130, 602

            Durante a invasão holandesa Antônio Fernandes Pessoa abandonou suas propriedades (1630) e retirou-se para ao eng. Sibiró/Ipojuca, que havia arrendado, mas que depois veio a comprar, e no qual faleceu. 
Em 1640 o engenho se encontrava completamente arruinado e de fogo morto, foi confiscado e vendido ao líder da Insurreição Pernambucana João Fernandes Vieira e, por isso, o local passou a ser um dos centros de conspirações contra os invasores.

João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT e faleceu em 1679. Filho do fidalgo Francisco de Ornelas Muniz com Antônia Mendes. Seu pai era bisneto de Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico. Sua mãe era bisneta de Pedro Vieira, morgado da Ribeira de Machico; entre os seus bisavós se encontra António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no norte da ilha da Madeira.
Em 1606, com 10 anos de idade, Fernandes Vieira imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois como não era o filho primogênito - herdeiro de todo o legado dos pais, se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses da época.
Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época. Seu primeiro trabalho foi como ajudante de mascate, em troca de comida e morada; depois foi auxiliar do mercador do comerciante Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de algumas casas na Vila de Olinda.
Em 1630, com a invasão holandesa João Fernandes Vieira se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Após 1635, Fernando Vieira tornou-se muito amigo e depois sócio do Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Stachouwer, de quem depois foi feitor-mor de seus engenhos: Ilhetas (Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe)/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Stachouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour, homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)”.
Nessa época Fernandes Vieira era descrito como um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante a trégua estabelecida entre Portugal e a Holanda, estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social.
Com a partida de Stachouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira passou a lucrar com a administração dos engenhos e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou das propriedades dos dois sócios: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo, e assumiu  os débitos contraídos por Stachower e de Ridder na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Logo Fernandes Vieira e torou um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Fernandes Vieira foi indicado Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Escabino de Maurícia (Recife) de 07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43. Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos. Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Embora fosse um dos mais importantes senhores de engenho da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio com uma moça pertencente a uma das famílias mais importantes da Capitania. Com o casamento Fernandes Vieira que já era colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros do governo holandês se tornaria, também um dos homens mais importantes da Capitania, com apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, e de doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas.
Casamento 01: D. Maria César, em 1643 – Filha do madeirense e senhor de engenho Francisco Berenguer de Andrade (eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. (s.g.)
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco; 02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello; 03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre; 04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - MuribecaSanto Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 74.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

Deflagrada a luta contra os holandeses, acampou em Tejipió a tropa vinda da Bahia, sob o comando dos Mestres de Campo André Vidal de Negreiros e Martin Afonso Moreno. Essa tropa tinha se juntado ao exército independente pernambucano, na povoação do Cabo de Santo Agostinho. Foi de Tejipió, inclusive, que partiram muitos soldados para a batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão.
Nesse tempo o engenho já não mais existia, e as suas terras, constituindo uma grande partido de cana, pertenciam então ao Mestre de Campo João Fernandes Vieira, onde construiu uma bela e espaçosa casa de vivenda, para a sua habitação.
A essa propriedade se refere João Fernandes Vieira no seu testamento celebrado em 1674 na sua fazenda de Maranguape, dizendo que ficava junto e adiante do engenho S. Francisco da Várzea, de André Vidal de Negreiros, as terras de Tejipió , que vão para Nossa Senhora da Luz, com a extensão de meia légua quadrada, que comprara a Sebastião Bezerra.
            Segundo a Relação dos Engenhos moentes da Capitania de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba (1655) o engenho Tijipio estava de fogo vivo, em 1655, e pagava 1,5% de pensão sobre todo o açúcar que fazem antes de ser dizimado, e pertencia a Francisco Berenguer de Andrada (II), cunhado de João Fernandes Vieira, último proprietário encontrado.

Francisco Berenguer de Andrade (II) – Filho do Coronel Francisco Berenguer de Andrade (Fidalgo da Ilha da Madeira, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Coronel. Juiz de Órfãos) e de sua segunda esposa D Antônia Bezerra. Neto materno de Antônio Bezerra Barriga Irmão por parte de pai de Maria Cesar que c.c. João Fernandes Vieira. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Capitão de Igarassu.
CURIOSIDADES: Segundo Borges da Fonseca existiram relatos que Francisco Berenguer escrevera algumas anotações genealógicas sobre as famílias pernambucanas que viveram no seu tempo, em torno de 1686, de tal maneira indiscreta, que foi queimada pelo seu primo Antônio Ribeiro de Lacerda, por não concordar com que estava escrito sobre sua pessoa.
Casamento 01: Leonor dos Reis, filha do português Nicolau Coelho dos Reis e de D. Maria de Faria. Durante a ocupação holandesa fugiu com Mathias de Albuquerque para a Bahia (1635). Com sucessão em títulos de Marinhos.
Senhor do engenho Aiamã de Baixo/Igarassu; Tejipió/Tejipió-Recife
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1902 Vol 24 (1), pág. 218;  1903 Vol 25 (1), pág. 99.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (5), pág. 06, 244
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 74.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 26, 30, 77, 132, 146-7.

Paróquia Nossa Senhora do
 Rosário (Tejipió).
Em meados do século XVIII, já não mais existia o casarão do engenho, e em seu lugar foi construída uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. De acordo com uma placa fixada na soleira da porta principal, a capela situava-se a 21,45m acima do nível médio do mar. Esse templo deu sepultura, em seu cemitério privativo, aos membros da igreja e aos filhos (até a idade de sete anos), de João Fernandes Vieira, estendendo o benefício às pessoas pobres.
Em 1819, mediante um aterro, o governador de Pernambuco, Luís do Rego Barreto, construiu uma estrada para Tejipió. Isso veio facilitar a comunicação do povoado com a cidade do Recife. A primeira estrada de rodagem, porém, que ia de Afogados até Areias, só foi construída em 1836.
Em 1863, Antônio Frederico de Castro Alves  (1847-1871) quando veio para o Recife estudar Direito, morou no bairro do Barro, caminho de Tejipió, com a artista portuguesa Eugênia Câmara, considerada a melhor atriz do Império, dez anos mais velha. Eugênia, que chegara ao Brasil com Furtado Coelho, foi o grande amor de Castro Alves e  influência decisiva de sua vida. Por Castro Alves foi homenageada por em versos, no Teatro Santa Isabel.
Estação ferroviária de Tejipió
No início do século XX, o bairro de Tejipió era um distrito de Jaboatão até que no ano de 1928 foi anexado ao Recife, por ordem do Governador Estácio Coimbra. Nesse período, o local era mais movimentado que Cavaleiro, tendo um mercado público, construído pela prefeitura de Jaboatão cujo prefeito na época era Nobre de Lacerda. Este mercado foi posteriormente destruído para que os ônibus elétricos pudessem fazer a volta. Tejipió também possuía uma imprensa bastante movimentada com vários jornais locais como "O Echo".
Hoje o bairro de Tijipio integra a 5ª Região Político-Administrativa (RPA 5) e faz limites com os bairros Coqueiral, Sancho, Curado, Jardim São Paulo, Barro e com o município de Jaboatão dos Guararapes, possuí uma área territorial de 104,3 ha, uma população residente de 8.486 habitantes (censo de 2.000) e uma densidade demográfica de 81,39 hab./ha.


Fontes:
CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: Câmara Municipal do Recife, 1998.
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife: estátuas e bustos, igrejas e prédios, lápides, placas e inscrições históricas do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife: Fundação Guararapes, 1970.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tejipi%C3%B3
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:130,  595, 602
_________________________ Arredores do Recife. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1981.
PEREIRA, Levy. "TaijĩbĩpiôTeiibipio (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Taij%C4%A9b%C4%A9pi%C3%B4Teiibipio_(engenho_de_bois). Data de acesso: 7 de julho de 2015.

Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Pág 15. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14)