22/03/15

Megaípe de Cima (Algibeira, d'Alinbero, ou de Manuel Bezerra)/Cabo de Santo Agostinho, antes Jaboatão dos Guararapes-Muribeca

                O engenho Megaípe de Cima foi fundado por Luís Dias Barroso antes de 1623, nesse ano produziu 3.409 arrobas de açúcar, pagando ao Donatário 03% de pensão. Não possuía uma igreja e tinha uma moenda movida a bois. Suas terras ficavam localizadas na margem direita do Rio Jaboatão, freguesia da Muribeca, cidade de Olinda, capitania de Pernambuco.

Luís Dias Barroso – (Nada mais foi encontrado)
Senhor dos engenhos: Megaípe de Cima (Algibeira, d'Alinbero,  ou de Manuel Bezerra)/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca; Camaçari/Jaboatão dos Guararapes
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês.  2ª edição. Recife, 2004. Pág. 29.
PEREIRA, Levy. "Camaçari (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Cama%C3%A7ari_(engenho). Data de acesso: 22 de março de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93.

                O Megaípe de Cima foi citado nos seguintes mapas: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; IBGE Geocódigo 2607901 Jaboatão dos Guararapes-PE; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Aljubera Ԑ.', na cabeceira do rio, sem nome, tributário m.d. do 'Rº. Jiboatao' e que tem na sua foz o 'Ԑ megypÿ' - atual Riacho Cristina; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'Mogoai', na m.d. e na cabeceira do 'Mogoai' (Riacho Cristina)
                Em 1637 o engenho aparece como pertencente a Manuel Bezerra, que permaneceu com suas propriedades durante a invasão holandesa.

Manuel Bezerra – Na relação de devedores da Companhia das Índias Ocidentais holandesas de 1663, Manuel Bezerra aparece como devendo o montante de 648 florins.
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês.  2ª edição. Recife, 2004. Pág. 86, 150.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93.
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois sem igreja)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois_sem_igreja). Data de acesso: 22 de março de 2015.

                O Megaípe de Cima moía 130 tarefas ou 45.502 arrobas de açúcar, que pertencia a três lavradoras: Clara d' Araújo (40 tarefas): Filipa da Cruz (40 tarefas); Isabel de Sousa (50 tarefas).; pagando 1,5% de pensão ao Donatário.
Em 1654 a situação agroindústria açucareira não era das mais promissoras, além dos senhores de engenho estarem com as rendas comprometidas, Pernambuco enfrentava uma grave crise econômica devido a guerra com os batavos.
No ano de 1655, Pernambuco tinha 24 engenhos de fogo morto e destruídos pela guerra e 109 funcionando num ritmo precário, entre eles estava o Megaípe de Cima que moeu nesse dito ano e pagou 1,5% de todo o açúcar produzido ao Donatário D. Miguel de Portugal. Mas, de todo o açúcar que cabia ao dízimo real se pagava a D. Maria de Albuquerque, herdeira de Duarte de Albuquerque Coelho, pelo contratador que o arrendava, de cada dez arrobas, uma.
        Segundo Pereira da Costa "Houve depois um outro Engenho Mogoaipe em Muribeca que constituiu um vínculo instituído pelo reverendo Dr. Lourenço Tavares Pinto Benevides, seu proprietário, reunindo ao patrimônio quatro prédios seus situados no Recife, cujos bens passariam a Santa Casa de Misericórdia quando se extinguisse a linha dos descendentes e colaterais de um menino de nome Inácio que o instituidor tinha em seu poder, o que tudo consta do competente registro do vínculo na Secretaria do Governo em 12 de setembro de 1772.".

Ruínas da Igreja do eng. Megaípe de Cima


Lourenço Tavares Pinto e Benevides – Dr. Filho de Pedro Pinto Tavares. Capelão. Fidalgo com pensão em dinheiro e cevada, com documentação formal datada de 22.03.1722 no Arquivo Geral da Torre de Lisboa/PT (Disponível em digitarq.dgarq.gov.pt)
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93.
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois sem igreja)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois_sem_igreja). Data de acesso: 22 de março de 2015.


Fontes:
*Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 164
Pereira da Costa, 1951, Volume 1, Ano 1568, pg. 378
PEREIRA, Levy. "Mogoaĩ (engenho de bois sem igreja)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Mogoa%C4%A9_(engenho_de_bois_sem_igreja). Data de acesso: 22 de março de 2015.

Pergunte a Pereira da Costa. Vol. 07, ano de 1812. Pág. 379

02/03/15

Bulhões, antes São João Baptista/Santo Amaro do Jaboatão, hoje Jaboatão dos Guararapes

             Segundo Pereira da Costa (1951, vol. 1, ano 1566, pág. 372), o segundo Donatário Duarte Coelho de Albuquerque concedeu a Gaspar Alves de Pugas.uma carta de sesmaria, para o cultivo de cana de açúcar e instalação de um engenho, 
            Na dita sesmaria Gaspar levantou o engenho São João Batista, que safrejava já em 1575. A sesmaria ficava localizada na Ribeira do Rio Jaboatão, tinha 2.400 braças; e o engenho Santa Cruz, chamado depois Mangaré.

Capela do engenho São João Baptista
Jaboatão dos Guararapes

Gaspar Alves de Pugas – Nada mais foi encontrado.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes (1566-1584)
Casamento 01: D. Isabel Ferreira.
Fontes:
PEREIRA DA COSTA, F.A. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco Anais da Conferência Açucareira. Recife, 1905. Pág 14.
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2011/10/o-fundador-de-jaboatao.html
PEREIRA, Levy. "S. Iuaõ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Iua%C3%B5_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de fevereiro de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98

O engenho São João, tinha uma moenda movida à água, possuía uma igreja sob a invocação de São João Batista. Suas terras ficam localizadas na margem esquerda do Rio Jaboatão, freguesia de Santo Amaro do Jaboatão, jurisdição de Olinda e Capitania de Pernambuco.
Resultado de imagem para jaboatão dos guararapes
Com escritura datada de 15.09. 1573,  Gaspar Alves vendeu uma parte de sua sesmaria aos irmãos Fernão e irmão Diogo Soares, constante de 1.200 braças de extensão, de Norte a Sul, sobre 60 de largura de Leste a Oeste, pelo preço de 200$000, para levantar um engenho de açúcar, obrigando-se o vendedor a moer na sua fábrica 30 tarefas de canas anualmente, durante seis anos, a começar em 1575, e a dar as terras demarcadas um mês depois da venda, cláusula esta que não cumpriu, porque a demarcação não se fez senão em 22.12.1584. Nessas terras adquiridas em Jaboatão os dois irmãos levantaram o extinto engenho Suassuna, situado na ribeira do riacho do mesmo nome, dando eles ao seu engenho a inovação de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da capela, também por eles levantada. O engenho moía com as águas do Riacho Suassuna.
            Gaspar vendeu em 1584, o engenho a Pedro Dias da Fonseca. O engenho só veio moer pela primeira vez em 03.07.1587.

Pedro Dias da Fonseca Nada mais foi encontrado.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes (1584-1593).
Fontes:
PEREIRA DA COSTA, F.A. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco Anais da Conferência Açucareira. Recife, 1905. Pág 14.
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2011/10/o-fundador-de-jaboatao.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98
PEREIRA, Levy. "S. Iuaõ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Iua%C3%B5_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de fevereiro de 2015.

            Pedro Dias da Fonseca vende o engenho São João Batista, por escritura pública lavrada em 01.05.1593, a Bento Luís de Figueiroa.

Bento Luís de Figueiroa – Natural do Porto/PT. Falecido antes de 1609, sendo sepultado no convento de São Francisco da Vila do Recife. NOTA: Nas Denunciações/Confissões de Pernambuco - 1593 a 1595 - aparece com Senhor do Engenho de Santo Amaro um Belchior Luis, que depoentes apontam ser filho de um sombreiro de Lisboa.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes (1593-1609).
Casamento 01:  D. Maria Feio. Natural do Porto/PT. Falecida em 12.12.1609, sendo sepultada na Capela-mor da Igreja Matriz de Santo Amaro do Jaboatão, para cuja construção doou junto com seu marido, um terreno preciso e constituíram o seu competente patrimônio canônico. Sobre a sua sepultura prescreve o seguinte a referida D. Maria Feio no seu testamento, aberto no dia do seu falecimento: "Declaro que quando Deus me levar para si, meu corpo seja enterrado na capela do bem-aventurado Santo Amaro matriz desta freguesia em sepultura onde outrem não fosse enterrado, porque sem mistura de outros ossos, se possam os meus trasladar à sepultura que temos no convento de São Francisco da Vila do Recife onde está enterrado Bento Luis de Figueiroa que Deus tem, e este lugar que elejo na capela maior de Santo Amaro se me deve dar com boa vontade, por nós sermos os doadores da terra em que se fez a dita igreja, e pelo que nela temos despendido o dito meu marido e eu; pela qual cova e sepultura deixo se dêem 4.000 réis de esmola para a fábrica da dita matriz que os meus testamenteiros pagarão do melhor da minha fazenda que deixo".
Filhos: 01: Gonçalo Feio c.c. Macia de Lemos; 02-  Maria Feio c.c. Antônio de Bulhões, filho de Antônio Correia de Bulhõe
Fontes:
PEREIRA DA COSTA, F.A. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco Anais da Conferência Açucareira. Recife, 1905. Pág 14.
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2011/10/o-fundador-de-jaboatao.html
http://geneall.net/fr/forum/72820/correia-montez-bulhoes-menezes-viseu-sec-xvi-xvii/
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27
BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriadno. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (10). Pág. 400. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 257
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98
PEREIRA, Levy. "S. Iuaõ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Iua%C3%B5_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de fevereiro de 2015.
Vera Lúcia Costa Acioli Valéria José da Silva Santos. História do Município do Jaboatão. Jaboatão de hoje, dos Guararapes, da indústria, do comércio e do turismo, revisitado pelas práticas laborais do Jaboatão velho, das usinas e dos engenhos. Disponível em: http://www.trt6.jus.br/memoriaehistoria/site/docs/artigos/Jaboataodeontemedehoje.pdf
             
Bento Luis de Figueiroa  reservou uma área das terras do engenho para quem quisesse se instalar na região e, atraídas pela doação dos lotes, várias pessoas oriundas de Recife e Olinda construíram ali suas casas. Segundo Pereira da Costa: "nos últimos anos do século XVII, começaram a afluir para as suas terras várias pessoas com o intuito de levantar casas de moradia na parte situada entre os rios Jaboatão e Una, e na confluência deste com aquele, e concedendo ele o necessário terreno para semelhante fim, a título de aforamento perpétuo, surgindo dentro de poucos anos uma aprazível povoação, que tal incremento teve, que em 1598 recebia os foros de paróquia sob o orago de Santo Amaro, de cuja igreja matriz fora ainda ele o fundador."
A povoação de Santo Amaro de Jaboatão teve rápido desenvolvimento e logo recebeu "foros" de Paróquia, sob o orago de Santo Amaro. Ainda em 1598, D. Antônio Figueiroa, terceiro bispo do Brasil e, anteriormente Prior da Ordem de São Bento de Avis, criou ali um Curato (provido em 1609). A fundação da sua igreja matriz veio, naturalmente, dessa época, uma vez que, Bento Luis de Figueiroa doou o terreno necessário para a construção do templo, concorrendo para este fim com avultados donativos, e tendo feito mesmo o seu competente patrimônio canônico.
Com o casamento de sua filha D. Maria Feijó, em 1609, Bento Luis de Figueiroa doa o engenho São João Baptista como dote nupcial ao seu genro Antônio Correia de Bulhões.

Rio Jaboatão na altura do engenho, hoje Usina Bulhões


Antônio Correia de Bulhões – Natural de Viseu, Beira Litoral/PT. Filho de António Correia de Bulhões (Juiz dos Órfãos de Viseu) e de Isabel do Amaral. Chegou a Pernambuco em começos do século XVII, na companhia do irmão, Gabriel de Bulhões que casou com a irmã de sua esposa. Em 06.1622 foi padrinho do seu sobrinho, o futuro Juiz dos Órfãos de Viseu, João Correia de Bulhões, filho de sua irmã Helena. Em Viseu foi fâmulo do bispo D.Teotônio, cujo rigor no trato da comunidade cristã-nova da sua diocese era a melhor garantia da pureza do sangue de Antônio de Bulhões.
Viseu - Portugal
CURIOSIDADES: Segundo Carlos Xavier Paes Barreto (Primitivos Colonizadores de Pernambuco. Pag. 367) O nome Bouillon, depois aportuguesa para Bulhões, foi o primeiro vulto da família vindo para Portugal. A estirpe pertencia a Santo Antônio, primitivamente chamado Fernando, depois Antão e, afinal, Antônio de Bulhões, o Santo de maior hierarquia no Brasil e em Portugal. Um dos Bulhões mais famoso foi Jerônimo de Albuquerque, cuja mãe se chamava Joana Bulhões.
Segundo Borges da Fonseca, Antônio de Bulhões era Cavaleiro da Ordem de Cristo, mas uma consulta feita a Mesa da Consciência, durante as provanças de Filipe Paes Barreto, esta respondeu negativamente à consulta do Santo Ofício, para as provanças de seu neto Felipe de Bulhões da Cunha.
Antonio de Bulhões ainda vivia em 1648, porque de acordo com o primeiro livro das Vereações da Câmara de Olinda, em Dezembro do dito ano fora um dos eleitores para o pelouro que se fez no dia 30 do referido mês.
No princípio da ocupação holandesa (1635) se exilou com outros senhores de engenho na Fortaleza do Arraial do Bom Jesus, teve de pagar um resgate de 2.000 cruzados aos holandeses, pela sua liberdade. Após o episódio permaneceu em seu engenho. Preso novamente em 1645 pelas autoridades holandesas, Bulhões aderiu a Insurreição Pernambucana.
Antônio de Bulhões foi uma das principais pessoas de Pernambuco que assinaram o tratado de rendição com o Governo Holandês, reconhecido por tabelião público, em 07.10.1645
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes (1609-1648)
Casamento 01: D. Maria Feijó – Natural de Olinda. Filha de Bento Luis de Figueiroa e de D. Maria Feyo.
Filhos: 01- Zacarias de Bulhões (sucessor do engenho Bulhões) – C.c. Cosma da Cunha, filha de Pedro da Cunha de Andrada e sua segunda esposa D. Cosma Froes. (c.g.)
Fontes:
CALADO, Manoel (Frei). O Valeroso Lucidemo. Vol. I. Pág. 264, 326. Vol. II. Pág. 103-106
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2011/10/o-fundador-de-jaboatao.html
http://geneall.net/fr/forum/72820/correia-montez-bulhoes-menezes-viseu-sec-xvi-xvii/
BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (10). Pág. 400. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 257
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98
_______ O Nome e o Sangue. Edt. Companhia das Letras. São Paulo, 2009. Pág. 129-31
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004. Pág 148-50
________ Tempo dos Flamengos. Coleção Pernambucana. Vol. XV. Governo de Pernambuco e BNB. Recife, 1979.Pág. 64
PEREIRA DA COSTA, F.A. Origens Históricas da Indústria Açucareira em Pernambuco Anais da Conferência Açucareira. Recife, 1905. Pág 14.
PEREIRA, Levy. "S. Iuaõ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Iua%C3%B5_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de fevereiro de 2015.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27
Vera Lúcia Costa Acioli Valéria José da Silva Santos. História do Município do Jaboatão. Jaboatão de hoje, dos Guararapes, da indústria, do comércio e do turismo, revisitado pelas práticas laborais do Jaboatão velho, das usinas e dos engenhos. Disponível em: http://www.trt6.jus.br/memoriaehistoria/site/docs/artigos/Jaboataodeontemedehoje.pdf

            Em 1623, o engenho estava arrendado a Gregório de Barros Pereira e produzia 10.521 arrobas de açúcar.

Gregório de Barros PereiraNada foi encontrado.
Rendeiro do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição.

            Após 1635, Antônio de Bulhões retorna ao seu São João Baptista, permanecendo sob a ocupação holandesa.
           Em 1637, o engenho incendiado por campanhistas, com perda de 24 bois de carros. Mas, em 1639 voltou a moer, como 01 partido da fazenda que tinha 14 tarefas e 09 partidos de lavradores: Agostinho João com 12 tarefas, Antônio de Sousa com 04 tarefas, Belquior Velho com 07 tarefas, Domingos Gonçalves Ferreira com 06 tarefas, Francisco Coelho com 18 tarefas, Francisco Velho Romeiro com 15 tarefas, Manuel da Guarda com 07 tarefas, Pedro Francisco Mayo com 18 tarefas ePero Álvares com 02 tarefas, totalizando 103 tarefas (5.150 arrobas de açúcar) e pagando 3,5% de pensão ao Donatário.
Em 1640, o Conde Maurício de Nassaru esteve no engenho Bulhões onde realizou uma assembleia de cunho democrático, onde estiveram vários senhores de engenho da época.
        Após o falecimento de Antônio de Bulhões o engenho São Joao Baptista, que já então era conhecido pelo sobrenome de seu proprietário “Bulhões”, ficou para seu filho Zacarias de Bulhões.

Zacaria de Bulhões – Filho de Antônio de Bulhões (senhor do eng. Bulhões) e de D. Maria Feijo. Zacarias foi uma das principais pessoas de Pernambuco que assinaram o tratado de rendição com o Governo Holandês, reconhecido por tabelião público, em 07.10.1645
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes.
Casamento 01: D. Cosma da Cunha – Filha de Lourenço Pedro da Cunha de Andrada e de D. Jerônima Froes. Neto materno de Bento Luiz de Figueiroa e de D. Maria Feio.
Filhos: 01- António de Bulhões da Cunha – Falecido na guerra contra os holandeses, ficando a posse do engenho São João Batista para o seu irmão, segundo na sucessão; 02- D. Cosma da Cunha c.c. Gonçalo Novo de Brito (senhor do eng. Espírito Santo e Santa Luzia/Itamaracá). Filho de Francisco Correia de Lyra (senhor do eng. Espírito Santo e Santa Luzia/Itamaracá) e de Maria Borges Pacheco. Neto materno dos madeirenses João do Souto Maior (senhor do eng. Tabocas/Paraíba) e de Anna Rosa). (c.g.); 03- Felippe de Bulhões da Cunha– Capitão e sucessor de seu irmão no engenho Bulhões. C.c. D. Rosa Francisca de Barros. (s.g.); 04- D. (Jerônima) Bulhões da Cunha c.c. Antônio Accioli de Vasconcelos, filho de João Baptista Accioli (Fidalgo da Casa Real) e de Maria de Melo). Viúvo c.c. D.Maria Cavalcante. Após ficar viúvo Antônio c.c. D. Maria Cavalcante, filha de Jorge Cavalcante. (s.g.)
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Edt. Companhia das Letras. São Paulo, 2009. Pág. 130
CALADO, Manoel (Frei). O Valeroso Lucidemo. Vol. I. Pág. 264. Vol. II. Pág., 107
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27
BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriadno. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (10). Pág. 400
http://geneall.net/fr/forum/72820/correia-montez-bulhoes-menezes-viseu-sec-xvi-xvii/ BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriadno. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 10, 257-268

  Em 1655 o engenho pagava 03% de pensão por todo o açúcar produzido ao Donatário D. Miguel de Portugal, mas de todo o açúcar que cabia ao dízimo real pagava a D. Maria de Albuquerque, herdeira de Duarte de Albuquerque Coelho, pelo contratador que o arrendava, de cada dez arrobas, uma.
            Segundo Borges da Fonseca (Anais 1925 Vol 47 (10). Pág. 202), Antônio Ayres de Moraes foi lavrador do engenho Bulhões, em época não citada. Antônio c.c. D. Isabel Carneiro (c.g.), filha do Capitão da Ordenança de Ipojuca Salvador Correia de Lacerda e de D. Maria dos Prazeres (primeiro marido).
Após a Insurreição Pernambucana (1655) o engenho estava de fogo vivo e moente e talvez já pertencesse ao Felippe de Bulhões da Cunha, sucessor de seu irmão António de Bulhões da Cunha que tinha falecido jovem durante a guerra holandesa.

Felippe de Bulhões da Cunha – Filho e herdeiro de Zacaria de Bulhões e de D. Cosma da Cunha. Neto paterno de Antônio de Bulhões e de D. Maria Feijo. Alcançou a provisão Real, em 16.01.1698, para ser isento de servir na Câmara de Olinda, que se registrara na fls. 239 do livro de Registro (1683 a 1702). Herdeiro do engenho São João Batista por ter seu irmão primogênito falecido muito jovem, durante a guerra holandesa.
Carregadores de açúcar - Brasil colônia
NOTA: A maioria das notícias sobre a descendência e ascendência de Antônio de Bulhões, vem da carta feita por Felipe de Bulhões, e apresentada por João Carneiro da Cunha e esposa, em 1733, provando, perante o Conselho do Santo Ofício,  que pertencia a uma família de cristãos-novos, quando requereu as provanças como Familiar do Santo Ofício,  de seu neto. Em 1737, João Carneiro da Cunha foi aceito como Famliar do Santo Ofício e no meio século seguint3e, admitiram-se sem problemas nada menos que 04 filhos seus e dois netos, inclusive à Ordem de Cristo.
CURIOSIDADES: Em 1640 fez um requerimento solicitando Mercê pelos serviços prestados pelo seu avô Antônio de Bulhões na guerra contra os holandeses.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes
Casamento 01: D. Rosa Francisca de Barros – Filha do Capitão-mor José de Barros Pimentel (senhor do eng. do Morro/Alagoas) e de D. Maria Accioli. Neta materna de João Baptista Accioli (Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Sargento-mor de Pernambuco) e de D. Maria de Mello (viúva de Gaspar Wanderley que era senhor do engenho Algodoais). D. Rosa após ficar viúva foi a segunda esposa de Francisco de Moura Rolim.
Filhos: (s.g.)
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Edt. Companhia das Letras. São Paulo, 2009. Pág. 113-114, 129-131, 232
http://geneall.net/fr/forum/72820/correia-montez-bulhoes-menezes-viseu-sec-xvi-xvii/
BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriadno. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 10, 258, 268

            Durante o Pernambuco colônia o engenho foi citado nos seguintes mapas:Præfecturæ Paranambucæ Pars Borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve, plotado como engenho, 'Ԑ St Juan ßatist:', na m.e.  do 'Rº. ∂jiboatao' - 'R.Janga∂a' (Rio Jaboatão); PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado, 'S. Iuaõ', na m.e. do 'Iaucpoata' - 'Iarapóata' - 'R. ᵭ Estremo' (Rio Jaboatão)
            Com o falecimento de Fellipe de Bulhões da Cunha sua viúva, D. Rosa Francisca de Barros, casou novamente e o engenho ficou sendo administrado pelo seu marido e herdeiro Francisco de Moura Rolim.

Francisco de Moura Rolim – Nasceu em Damão e faleceu em Damão, Bom Jesus em 15.02.1709. Fidalgo da Casa Real. Ocupou vários postos nas Ordenanças. Mestre de Campo do 3º de Auxiliares de Igarassu, por patente Real.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes; do Meio/Recife-Várzea
Casamento 01: D. Joanna Carneiro da Cunha – Filha de João Carneiro da Cunha (Senhor do eng. do Meio/Recife-Várzea) e de D. Anna Carneiro de Mesquita, sua prima. Neta materna de Paulo Carvalho de Mesquita e de D. Úrsula Carneiro de Mariz. (s.g.)
Casamento 02: D. Rosa Francisca de Barros viúva de Felippe de Bulhões da Cunha (senhor do eng. de São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes). Filha do Capitão-mor de Porto Calvo José de Barros Pimentel (senhor do eng. do Morro/Alagoas) e de D. Maria Accioli. (s.g.)
Casamento 03: D. Maria José da Silveira – Filha de José Gomes da Silveira (natural de Torres Novas. Capitão da Ordenança do Recife) e de Ignez de Freitas Barbosa.
Filhos: 01- Francisco de Moura Rolim – Nascido em 1749; 02- D. Rosa... – Que tinha 18 anos em 1777; 03- Felippe de Moura Rolim – Que tinha 16 anos em 1777.
Fontes:
Revista do IPHAN Nº 13 ano 1956. Pág. 251.
BORGES DA FONSECA, José Antônio Victoriadno. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 10, 338, 339

            Em 1731, o Capitão-mor Domingos Bezerra Cavalcanti aparece como proprietário do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes.

Domingos Bezerra Cavalcanti – Filho de Cosme Bezerra Monteiro (nascido em 1641/Portugal.  Irmão d Santa Casa da Misericórdia, em 27.01.1763) e de Leonarda Cavalcanti de Albuquerque (nasceu em 1646/Pernambuco).
Capitão-mor. Capitão das Ordenanças. Era um homem cruel e autoritário. Segundos as lendas correntes, o mesmo enterrava vivo nas paredes de suas casas os escravos que lhe provocavam a ira. Assim, há quem acredite que o Casarão do engenho Catende guarde em suas paredes esqueletos de escravos emparedados.
Construiu a Capela do eng. Catende, em 1745, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, posteriormente mudada para a invocação de São Sebastião. Esta ficava localizada no alto da colina, bem acima da casa-grande, voltada para a direção nordeste, mas foi destruída em 1973 para a construção da Escola Cardeal Dom Jaime Câmara.
Senhor dos engenhos: Catende/Moreno; São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes; Moreno/Moreno. Proprietário de vastas extensões de terras.
Casamento 01: Bernardina Ferreira da Assunção.
Filhos: 01- Jerônimo Bezerra Cavalcanti; 02- João Luis Cavalcanti; 03- Antonio Bezerra Cavalcanti
Fontes:
http://www.myheritage.com.br/names/domingos_bezerra%20cavalcanti
http://morenoredescoberto.blogspot.com.br/2014/05/o-engenho-catende.html
Documentos manuscritos avulsos da Capitania de Pernambuco: Fontes repatriadas. Edt. Universitária UFPE. Recife, 2006.
Revista do IPHAN Nº 13 ano 1956. Pág. 251.

          Em 1774 o Capitão Luís Pereira Viana se sentindo prejudicado com a demarcação do engenho Moreno que fora comprado por Domingos Bezerra Cavalcanti aos herdeiros do Capitão-mor Cristóvão de Holanda Cavalcanti, entrou com uma ação judicial. O engenho Bulhões foi a hasta pública, sendo arrematado por Pereira Viana.

Luís Pereira VianaNada mais foi encontrado.
Senhor do engenho São João Baptista, depois Bulhões/Jaboatão dos Guararapes; Pereira/Moreno
Casamento 01: D. Ana Correia de Araújo.
Fontes:
Revista do IPHAN Nº 13 ano 1956. Pág. 251.
PEREIRA DA COSTA. Pergunte a Pereira da Costa. Vol. 05. Anto 1709. Pág. 373.

           Em 20.11.1827 fez Gervásio Pires Ferreira aquisição do engenho, por escritura de compra, pela quantia de 32$000$000 pagos a vista; e nas respectivas terras levantou depois um outro engenho, que denominou Caxito, do nome de um dos partidos de plantação de canas situados nas terras do mesmo engenho Bulhões, e no qual levantou a nova fábrica.

Gervásio Pires Ferreira – Nasceu em 26.06.1765-Recife e faleceu em 1836. Estudou em Mafra-PT, com apenas 10 anos de idade, depois foi estudar Humanidade e Matemática na Faculdade de Coimbra-PT. Acometido de uma forte oftalmia não consegue cursar além do primeiro ano da universidade. Não podendo continuar as atividades acadêmicas, entrega-se ao comércio, de Lisboa, e se torna um grande capitalista.
Gervásio Pires
Visando a prosperidade brasileira e temendo a decadência de Portugal, em 1809 retorna com sua família para Pernambuco em seu navio Espada de Ferro. Já instalado, passa a residir em uma casa que existia no lado direito da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no bairro e freguesia da Boa Vista-Recife. Se torna o primeiro negociante a empreender a navegação e o comércio direto para a Ásia (para a cidade de Calcutá, na Índia).
Durante a Revolução de 1817, Gervásio Pires é encarregado pelo Governo Provisório de examinar o sistema fiscal da Província, bem como de propor as reformas que julgasse necessárias. Acusado pelo crime vago e indeterminado de Lesa-Nação, bem como pela prepotência ou fraqueza relativa da Junta do Governo da província, é preso pela oposição e depois remetido, navio Carrasco, para a cadeia da Corte da Bahia, onde sofre angústias, privações, doenças, tem os seus bens sequestrados, entre outros transtornos. por exatos três anos, oito meses e vinte e dois dias. Apesar de ter direito a um foro privilegiado, Gervásio Pires desiste do mesmo para ser julgado na Casa da Sulplicação, em Lisboa.
Após ser solto, retorna ao convívio da família, mas logo depois ocorre o levante de Goiana, e Gervásio Pires se oferece ao Capitão General, na ocasião, para tentar obter a paz. Embarca para Lisboa onde consegue uma resolução das Cortes e uma Carta Régia que manda eleger uma Junta de Governo da Província. Daí, em 18.09.1821, Gervásio é eleito Presidente do Governo regenerador e popular de Pernambuco.
A Corte portuguesa não ficou satisfeita com algumas decisões de Gervásio Pires, pois achava que ele deveria lutar mais por ela, e menos pela Junta, embora todas as pessoas cultas aprovassem a conduta de Gervásio Pires e da Junta. Na noite do dia 02.08.1822, e no dia 3, difundindo o terror entre a população, as tropas começam a fazer oposição ao Governo e a prender várias pessoas, entre elas: oficiais militares, funcionários públicos, o Ouvidor da Comarca e uma série de outras pessoas consideradas como inimigas do Brasil e perturbadoras da harmonia da Família Portuguesa.
Mas, Gervásio Pires e seus assessores reconhecem o dever de colocar todos os presos em liberdade, e recorrem, para tanto, a um Conselho de cidadãos, com o objetivo de garantir os meios necessários para assegurar a tranquilidade pública.
Após vários conflitos, os conspiradores decidem depor a Junta, apesar de Gervásio (e seus assessores) terem solicitado ao Rei e ao Príncipe suas respectivas demissões.
Gervásio Pires é preso novamente e remetido para a Bahia, ficando nas mãos do inimigo portugueses, é deportado para a prisão de Limoeiro de Lisboa, acusado de: retirar de Pernambuco a tropa europeia mandada pelas Cortes e por El-Rei; assinar o termo de vereação da Câmara do Recife, pelo qual se declara a independência do Poder Executivo no Brasil, na pessoa do Príncipe D. Pedro; dar ordens para a eleição dos Deputados às Cortes do Brasil; recusar passar passaportes a navios destinados para a Bahia; fugir para junto dos rebeldes, após o Governo do Rio de Janeiro ter declarado guerra a Portugal. Somente no dia 14.06.1823, Gervásio adquire a sua liberdade; e decide partir, então, para o Rio de Janeiro.
A partir de 1828, Gervásio Pires é eleito: Conselheiro da Província, Conselheiro do Governo, Deputado à Assembléia Geral na legislatura (1830 a 1833), Membro da Assembléia Legislativa Provincial. Cria, além do mais, o Tesouro e Tesourarias Provinciais; a grande Lei do Orçamento (1930); a Lei da Fixação das Forças de Terra; e a adoção do Código do Processo Criminal, por parte da Câmara dos Deputados.
Em 1827, compra no bairro da Boa Vista-Recife uma fábrica de descaroçar, fiar e tecer algodão, e o engenho Bulhões/Jaboatão dos Guararapes, desmembra suas terras econstrói um outro engenho que nomeia de Caxito.
Em seu testamento, ele solicita expressamente a sua esposa, entre outras coisas, que desse uma gratificação de 100.000 réis a cada um dos seis cidadãos, chefes de famílias honestas, que fizessem o obséquio de carregar o seu corpo até a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, e a capela do engenho Bulhões; uma esmola de 100 camisas de madapolão ordinário e cem calças de pano, da fábrica do Fundão, para os presos, homens livres da cadeia desta cidade, que mais precisassem; a gratificação de 20.000 réis à Irmandade da igreja do Rosário pela cova; e a oferta de dez mil réis ao vigário da freguesia pela licença.
Senhor do engenho Bulhões/Jaboatão dos Guararapes; Caxito/Moreno
Casamento 01: Genoveva Perpétua de Jesus Caldas, filha de um rico comerciante, e vem a se tornar um grande capitalista.
Filhos: dez filhos e vinte e um netos.
Fontes:
VAINSENCHER, Semira Adler. Gervásio Pires Ferreira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 28.02.2015.

            Em torno de 1891 o engenho pertencia a Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda.

Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda – Prefeito de Jaboatão dos Guararapes (1892-1895). Nada mais foi encontrado.
Fontes:
jaboataodosguararapes.blogspot.com
http://unuhospedagem.com.br/revista/rbeur/index.php/shcu/article/viewFile/518/494

            Em 1890, os senhores de engenho de açúcar foram beneficiados com o Dec. nº 299, baixado pelo Presidente do Estado de Pernambuco o Barão de Lucena (alterado no dia 15 de outubro do mesmo ano, pelo sucessor do governo estadual, Correia da Silva). Esse Decreto visava, ao contrário do anterior sistema de engenho central, a permitir que senhores de engenhos mais empreendedores fizessem a transição financeira e penosa rumo à condição de usineiros.
            Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda com a concessão do 1º Distrito no valor de 300.000$000, converte a fábrica de seu engenho em uma aparelho de suporte (transição entre engenho primitivo e usina), denominada de Usina Bulhões (vide mapa IBGE Geocódigo 2607901 - Jaboatão dos Guararapes-PE).

Usina Bulhões – Ficava localizada à margem da rodovia PE-07, próxima ao Rio Jaboatão. A Usina foi fundada em 1895, em terras do antigo engenho São João Batista, depois Bulhões, pelo seu proprietário Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda.
Em 27.12.1889, Decreto nº 99, o Marechal Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório, aprovou um capital de 750:000$, com juros de 06% ao ano, para ser empregado no estabelecimento de um engenho central, destinado ao fabrico do açúcar e álcool de cana, requerido por Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda.
Em 1906 a Usina é completamente remodelada e se tornou uma potência da indústria açucareira de Pernambuco  com capacidade para processar 400 t. de cana e produzir 3.000 l. de álcool em 22 horas.
Usina Bulhões - hoje falida e seu
maquinário sucateado.
A Usina tinha 27 km de estradas de ferros, em 1929, com 04 locomotivas e 44 carros que se comunicavam com as linhas férreas da Great Western. A ferrovia da Usina se bifurcava no encontro dos Rios Duas Unas e Pixaó. O primeiro ramal continuava pelo Vale do Rio Duas Unas passando pelos engenhos Pocinho e Una, onde aparentemente terminava neste último (talvez prosseguisse até o Engenho Pacoval). O segundo ramal seguia pelo Vale do Rio Pixaó, em direção noroeste, até o Engenho do Mato, onde novamente se bifurcava em dois sub-ramais. O primeiro seguia ao norte pelo Engenho Curupaity e terminava no Povoado de Matriz da Luz. Já o segundo, prosseguia pelo Vale do Rio Pixaó até o engenho homônimo, onde tomava o rumo oeste, seguindo até a nascente do rio. Atravessava o divisor de águas entre o Pixaó e o Várzea do Una, e seguia por mais sete quilômetros atravessando os engenhos Covas, Araújo, Poço Dantas e Várzea do Una, onde terminava. Em sua maior extensão, a ferrovia da Usina Bulhões alcançava até cerca de 20 km.
Durante sua vida útil a Usina teve vários proprietários, a saber: Guimarães & Cia; Pessoa, Maranhão & Cia e José Queiroz (1946-1982).
Em 1982, foi vendido para a Agricultura Jaime Beltrão. Em 1990, o grupo dividiu-se e a fábrica tornou-se parte de Roberto Lacerda Beltrão, filho de Jaime Beltrão. 
Atualmente, a planta tem onze fundos agrícolas com capacidade para produzir 200 mil toneladas de açúcar.
Proprietária dos engenhos: Baraúna, Bulhões, Cangaú, Cangauzinho, Cova, Serraria, Curupatí, Araújo, Jacaré, Poço Dantas e Várzea do Uma.
Fontes:
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)
GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17).
http://www.cbg.org.br/baixar/acucar_no_brasil_7.pdf
http://usinasdepernambuco.blogspot.com.br/2012/11/jaboatao-dos-guararapes.html
http://morenoredescoberto.blogspot.com.br/2014/01/ferrovias-de-usinas-em-jaboatao-e-moreno.html

          Em 2013, foi anunciado pelo Governo de Pernambuco a demolição do antigo Casarão da Usina Bulhões, em seu lugar será construída o nova unidade do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). *Infelizmente um engenho tão rico no ponto de vista histórico terá sua última edificação destruída, numa prova da mais pura ignorância por parte dos nossos gestores. Não seria possível construir o IFPE preservando e restaurando o antigo casarão, e consequentemente, a história do município? Como se constrói um centro educacional e se destrói a história? Não seria contraditório? (Helbert Fernandes)
Casa grande da Usina Bulhões


Fontes:
Carvalho, Zóia Campos de. Doce amargo: produtores de açúcar no processo de mudança, Pernambuco, 1874-1941. Edt. Annablume, 2001
Fernandes, Helbert. Casarão da Usina Bulhões será derrubado para dar espaço ao novo IFPE de Jaboatão. Disponível em: http://www.lagoaolhodagua.com.br/2013/02/casarao-da-usina-bulhoes-sera-derrubado.html
http://geneall.net/fr/forum/72820/correia-montez-bulhoes-menezes-viseu-sec-xvi-xvii/
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/search/label/Engenhos
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 97-98
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004.
PEREIRA DA COSTA - Anais Pernambucanos (Pagina 139 do volume 02 do ano 1598).
PEREIRA, Levy. "S. Iuaõ (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Iua%C3%B5_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28 de fevereiro de 2015.
Pergunte a Pereira da Costa. Volume: 3 Ano: 1637. Numero da Página: 372. Vol. 3. Ano 1637. Pág. 374.  Disponível em: www.liber.ufpe.br
Vera Lúcia Costa Acioli Valéria José da Silva Santos. História do Município do Jaboatão. Jaboatão de hoje, dos Guararapes, da indústria, do comércio e do turismo, revisitado pelas práticas laborais do Jaboatão velho, das usinas e dos engenhos. Disponível em: http://www.trt6.jus.br/memoriaehistoria/site/docs/artigos/Jaboataodeontemedehoje.pdf
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 162