22/09/16

Engenho Três Paus, N. Sra. da Encarnação, Capibaribe,Boa Vista/Goiana

Localização da Capitania de Itamaracá
           No século XVI quando a capitania de Itamaracá foi oficialmente criada, os Capitães-mores começaram a conceder terras em sesmarias para construção de engenhos de açúcar em Goiana.
           Em 1570 foi concedia uma data de 5.000 braças de terra em quadro a Diogo Dias e seus filhos. Essas terras ficavam situadas no Vargedo Norte do Capibaribe Mirim e nelas foram fundados os primeiros engenhos de Goiana: Goiana Grande, Jacaré e o Trés Paus. Em uma outra concessão de terras feita em 1577 a Boaventura Dias, filho de Diogo Dias, foram levantados os engenhos Dois Rios e Mariúna, e posteriormente outros, atingindo 09 engenhos em 1630. Destes nove engenhos desapareceram os de nome Três Paus (Nossa Senhora da Encarnação, Boa Vista, Capibaribe), Tracunhãem de Baixo, Tracunhãem de Cima e Santos Cosme e Damião, naturalmente pela imposição de novos nomes..
            O engenho Três Paus/Goiana era movido à água, sob a invocação de Nossa Senhora da Encarnação, provavelmente fundado por Simão Soeiro nas terras de sesmaria que pertenciam a Diogo Dias, localizadas na margem direita do Rio Capibaribe Mirim (Rio Goiana), freguesia de Goiana, Capitania de Itamaracá,
O engenho Três Paus pode ser o engenho mencionado em 1609 como pertencente a Antônio Dias, com uma moenda movida a bois e igreja.
            No ano de 1623 o engenho moeu 5.327 de açúcar e pertencia a Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque, filho de Filipe Cavalcanti, o florentino, e D. Catarina de Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque, o Adão de Pernambuco.

Como os brasões concedidos por Maurício de Nassau às capitanias nordestinas ilustram a história,
a economia e a geografia do Brasil holandês na primeira metade do século XVII
Em 1633 o engenho foi incendiado pelas tropas holandesa e três anos depois Jerônimo Cavalcante resolve fugir de Pernambuco, durante o grande êxodo dos principais da terra, suas famílias e escravos (8.000 pessoas) que acompanharam o General Mathias de Albuquerque para a Bahia, abandonando tudo o que não podia ser levado.
Tendo seu proprietário se retirado, o engenho Três Paus, que se encontrava arruinado, foi confiscado e depois leiloado em 30.05.1637 pela Companhia das Índias Ocidentais holandesa e arrematado pelo alto funcionário do Brasil holandês Servaes Carpentier juntamente com o engenho Tracunhaém de Cima, pelo 60.000 florins, em prestações anuais de 10.000 florins.

O engenho moeu em 1637 e 1639, com 12 tarefas da fazenda e 06 partidos de lavradores que somavam 162 tarefas (8.100 arrobas). Lavradores: Angela da Mota com 20 tarefas; Cornelis Stalpaert van der Wyel com 30 tarefas; Jan Carpentier com 50 tarefas; Johan Houck com 20 tarefas; Maria Gomes com 15 tarefas; Noel Mabel Garenne com 15 tarefas; que totalizavam 162 tarefas, sendo 12 da fazenda.
Em 1639, Servaes Carpentier começara a construir outro engenho na freguesia, possivelmente o engenho Nassau, registrado por Goijath, mas sem maior informação a respeito do referido engenho.

O engenho Capibaribe foi citado nos seguintes mapas coloniais: 

ü  PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, Una Cum PRÆFECTURA De ITÂMARACÂ. NOTA: No BQPPB há somente o topônimo, sem o símbolo, desse engenho. A sua localização probabilística assumida no georreferenciamento é baseada na hipótese de que a posição no mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA está correta.
ü  IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ. TrԐs Puos', na margem direita do braço sul do 'R. Capinarinÿ' (Rio Capibaribe Mirim - Rio Goiana).
ü  IT (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, representado sem símbolo, 'Tres Puos', na margem direita  do rio 'Capinaricu' (Rio Capibaribe Mirim - Rio Goiana). NOTA: Nesse engenho também se observa que Orazi mistura as informações do mapa fonte - mapa semelhante ao IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA da Biblioteca do Vaticano - com o BQPPB, criando duplicidade: plota mais um engenho na mesma situação, denominado-o 'S. Cosmo di Paos'.

Em 1645, a dívida de Carpentier com a WIC (Companhia das Índias Ocidentais) montava a 159.429 florins; e em 1663, seus herdeiros ainda deviam 97.500 florins. Àquela altura, Gaspar Carpentier, provavelmente um parente muito próximo, apresentou suas pretensões de ressarcimento à Coroa portuguesa. 
O engenho Três Paus (Nossa Senhora da Encarnação, Boa Vista, e por último Capibaribe) /Goiana, foi evacuado e incendiado em 1646, pelos insurreptos, como muitos outros engenhos da região.
Atualmente não existe vestígio do engenho e sua área de 152,88 ha foi desapropriada (Lei nº 13.831, de 29 de junho de 2009), para construção de moradias e implantação de microempresas, hotéis e indústrias de pequeno e médio porte, que tenham como principal característica a gestão da hospitalidade relacionada com a responsabilidade ambiental. 

Engenho Uruaê/Goiana, século XVIII,



Fontes:
http://legis.alepe.pe.gov.br/arquivoTexto.aspx?tiponorma=1&numero=13754&complemento=0&ano=2009&tipo=&url=
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. 1ª edição. Sã Paulo, 2012. Edt. Penguim e Companhia das Letras. Pág. 145-146
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_de_Itamarac%C3%A1
Mapas manuscritos do ATLAS editado por Johannes Vingboons, pertencentes ao IAHGP - Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
NASSAU-SIEGEN, J. Maurice; DUSSEN, Adriaen Van der; KEULLEN, Mathijs Van: Breve Discurso sobre o Estado das Quatro Capitanias Conquistadas no Brazil, pelos Holandeses 14.01.1638.
ORAZI, Andrea Antônio (Andreas Antonius Oratij), mapas, in (Santa Teresa, 1698)
PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto: Anais Pernambucanos. Edição de 1951 do Arquivo Público Estadual, FUNDARPE, Diretoria de Assuntos Culturais, Recife, Pernambuco, Brasil, 1983
PEREIRA, Levy. "Đ 3 paos". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%90_3_paos. Data de acesso: 21.09.2016.



PROPRIETÁRIOS:



Simão Soeiro – Filho dos cristãos-novos Francisco Soares (mercador em Olinda) e de Guiomar Soeiro. Sua irmã Beatriz Soares c.c. o lavrador Estêvão Ribeiro e residiu em Itamaracá e depois em Igarassu.
Casamento 01: Maria Álvares – Filha de Beatriz Mendes (II) que nasceu em 1534/Setubal-PT.
Filhos:
01- Francisco Soares (II) – Nasceu em 1570/Capitania de Itamaracá. Cristão-novo. Residiu em Goiana
02- Branca Ramires – Residia em Itamaracá. Cristã nova. C.c. Diogo Roiz.
03- Branca Ramires – Cristã nova.
04- Guiomar Soeiro (II) – Nasceu em 1564/Capitania de Itamaracá. Cristã nova.
05- Beatriz Mendes – Cristã nova.
06- Joanna Mendes – Nasceu em 1572. Cristã nova. Tinha o mesmo nome de sua tia paterna. Residia em Goiana.
07- Paula Soares – Cristã nova.
08- Lianor Mendes – Nasceu na Capitania de Itamaracá e faleceu em torno de 1587/Tapecima-Itamaracá.
Fontes:
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. 1ª edição. Sã Paulo, 2012. Edt. Penguim e Companhia das Letras. Pág. 145-146
https://familysearch.org/photos/artifacts/21111377
PEREIRA, Levy. "Đ 3 paos". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%90_3_paos. Data de acesso: 21.09.2016.
RIBEMBOIM, José Alexandre. As Comunidades Esquecidas, Estudo sobre os cristãos-novos e judeus da Vila de Igarassu, Capitania de Itamaracá e Cidade Maurícia. Prefácio de José Luiz da Mota Menezes, Recife: L. Dantas Silva, Officina das Letras, 2002



1609- Antônio DiasNada foi encontrado.
Fontes:
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. 1ª edição. Sã Paulo, 2012. Edt. Penguim e Companhia das Letras. Pág. 145-146
PEREIRA, Levy. "Đ 3 paos". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%90_3_paos. Data de acesso: 21.09.2016.



1635 - Jerônimo Cavalcante de Albuquerque (Jeronimo Cavalcante de Lacerda) – Nasceu em Olinda quando faleceu foi sepultado na Capela do seu engenho Três Paus, depois Boa Vista/Goiana. Filho de Filipe Cavalcanti e de Maria de Lacerda. Neto materno de Antônio Ribeiro de Lacerda e de Isabel de Moura.
Junto com seus dois irmãos, Antônio e Lourenço, participou da luta de defesa contra o ataque militar da Companhia de Comercio holandesa (WIC), quando de sua primeira tentativa de estabelecimento na Bahia em 1624. No ano seguinte foi enviado pelo General Mathias de Albuquerque em socorro à Bahia para a retomada final da praça. Retornou a Pernambuco já como Governador de Armas. Em 1635 fugiu para a Bahia junto a mais de 8.000 pessoas, acompanhando o General Mathias de Albuquerque e deixando para trás tudo o que não podia ser levado. Coronel de Cavalos de Itamaracá, com carta de confirmação datada de 16.11.1694. Capitão-mor de Itamaracá, carta datada de 15.11.1696. Capitão-mor de Goiana. Fidalgo da Ordem de Cristo (1625). Cavaleiro da Ordem de Cristo (1625). Capitão de Infantaria de Pernambuco, com carta de confirmação de 02.09.1697.
Senhor dos engenhos Tracunháem de Cima/Goiana, Bujari/Goiana; Três Paus, depois Boa Vista/Goiana.
Casamento 01: Catarina de Vasconcellos – Filha de Francisco Camello Valcaçar e de Catarina de Vasconcelos.
Filhos:
01- Manoel Cavalcanti de Albuquerque Lacerda – Alcaide-mor de Goiana. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Professo na Ordem de Cristo, com habilitação em 1706. C.c. Sebastiana de Carvalho (da Cunha ou de Castro), filha de Manoel Carneiro da Cunha e de Sebastiana de Carvalho.
02- Ana Cavalcanti – C.c. seu primo o Cel. Das Ordenanças de Goiana Felippe Cavalcante de Albuquerque, filho de Francisco de Barros Falcão e de Mariana de Lacerda. (c.g.);
03- Maria de Lacerda – C.c. José Camello Pessoa, nascido em 1682, filho de Nuno CAmello e de Inês Pessoa. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Capitão-mor da Várzea. Coronel das Ordenanças de Olinda. Capitão-mor de Goiana. Senhor do engenho da Boa Vista e administrador das capelas de Nossa Senhora das Angústias do Real Colégio de Olinda e de São Pantaleão. (c.g.);
04- Francisca Cavalcante – C.c. Miguel Carneiro da Cunha, filho de Manoel Carneiro da Cunha e de Sebastiana de Carvalho. Senhor do Engenho do Brum-Brum. (s.g.) NOTA: Depois de viúvo Miguel Carneiro da Cunha, já idoso, foi obrigado a se casar com uma mulher com que vivia amasiado, pelos confessores da Capitania do Ceará, onde foi morar depois de ter ocupado o posto de Coronel de Cavalaria do Ceará.

Fontes:
BORGES DA FONSECA. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1903 Vol 25 (3). Pág. 45, 64, 113
­­­­­­­­­­­­­­­­­­­_____________________________________________________ Anais 1925 Vol 47 (1). Pág. 215
_____________________________________________________ Anais 1973 Vol 93 (3). Pág. 25, 45
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. 1ª edição. Sã Paulo, 2012. Edt. Penguim e Companhia das Letras. Pág. 145-146
http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=40745&dir=genxdir/
PEREIRA, Levy. "Đ 3 paos". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%90_3_paos. Data de acesso: 21.09.2016.



1638- Servaes (Servatius) Carpentier – Nasceu em 22.04.1599/Aachen, Cologne, North Rhine-Westphalia/Alemanha  e faleceu em 1648 em batalha no Monte Guararapes, sendo sepultado na Igreja do Corpo Santo/Goiana. Filho de Jan Roelandsz de Carpentier e de Maria Servaes dr Hellinx.
 Médico em Utrecht. Chegou a Pernambuco junto com a frota que veio invadir a Capitania. Diretor da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais. Conselheiro político (1630 a 1636). Primeiro governador da província holandesa da Paraíba e Rio Grande do Norte, de (1635 a 1636). Autor do Relatório sobre a Capitania da Paraíba em 1635. Como Conselheiro residiu em Pernambuco até 1636 quando foi em missão do Conselho à Holanda para expor a situação da colônia (tendo redigido então dois interessantes relatórios, in BPB).
Após uma rápida passagem pelos Países Baixos, retornou ao Brasil com Maurício de Nassau (1637), como Secretário do Alto e Secreto Conselho. Em 1639 deixou a sua função para dedicar-se exclusivamente à vida rural. Viu-se forçado a retornar ao Recife quando da eclosão da Insurreição de 1645, vindo a falecer em 25.021646.
Na Guerra dos Guararapes os Terços de Fernandes Vieira e de Felipe Camarão atacaram na baixada os regimentos de von Schkoppe, Adolph van Els e Servaes Carpentier. No amanhecer do dia 20.04.1648, foram encontrados no campo da batalha, 33 bandeiras e estandartes, duas peças de artilharia em bronze, armas das mais diversas, muita pólvora, cunhetes de balas, alfaias, animais domésticos, algemas e grilhões diversos, uma grande quantidade de moedas em ouro, mantimentos e até uma sortida farmácia. Nas baixas do exército holandês, segundo minucioso relatório incluído pelo major Antônio de Souza Júnior em Do Recôncavo aos Guararapes (Rio, 1949), figuravam 523 feridos e 515 outros, entre mortos e prisioneiros, dos quais 46 oficiais. No confronto perderam as vidas os coronéis Hendrick van Haus, Cornelis van Elst e Servaes Carpentier, ficando feridos o general van Schkoppe e coronel Guilherme Houthain. O coronel Pedro Keerweer que sucedera o coronel Servaes Carpentier, fora dado por desaparecido nos relatórios holandeses, muito embora, na verdade, se encontrava como prisioneiro de João Fernandes Vieira.
Senhor dos engenhos: Três Paus/Goiana (1637); Tracunhaém de Cima/Goiana (1637); Nossa Senhora da Conceição/GoianaEm 1639, Servaes Carpentier começara a construir outro engenho na freguesia, possivelmente o engenho Nassau, registrado por Goijath, mas sem maior informação a respeito do referido engenho.
Casamento 01: Agatha Hamel.
Filhos: (com geração desconhecida)
Fontes:
http://www.luizberto.com/esquina-leonardo-dantas-silva/guararapes
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana. Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. 1ª edição. Sã Paulo, 2012. Edt. Penguim e Companhia das Letras. Pág. 145-146
Gonçalves de Mello, José Antônio (1985). Fontes para a História do Brasil Holandês (v. 2). Fundação Nacional Pró-Memória [S.l.] p. 506
https://pt.wikipedia.org/wiki/Servaas_Carpentier
https://www.geni.com/people/Servaes-de-Carpentier/6000000017554725064
Lins, Guilherme Gomes da Silveira d’Avila, Governantes da Paraíba no Brasil Colonial (1585-1808): uma revisão crítica da relação nominal e cronológica.
PEREIRA, Levy. "(Carpentier, 1635)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/(Carpentier,_1635). Data de acesso: 22 de setembro de 2016.

PEREIRA, Levy. "Đ 3 paos". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%90_3_paos. Data de acesso: 21.09.2016.

21/09/16

Engenho Camaçari/Jaboatão dos Guararapes

         Engenho Camaçari (Camassurin; Camassarim) foi fundado por Manuel da Costa Calheiros, em 1593, em meia com um sócio que não conseguimos identificar. Sua moenda era movida à água, não possuía igreja e não tinha indicação de orago.
Suas terras ficavam localizadas na margem esquerda do Rio Camaçari, sob a jurisdição de Olinda, Freguesia de Santo Amaro do Jaboatão, Capitania de Pernambuco.
O engenho Camaçari foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Camassurin'; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'Camaçari', na m.e. do 'Camaçari' (Rio Camassari);
        Segundo documentos encontrados, no ano de 1637 o engenho Camaçari se encontrava há muitos anos arruinado e pertencia a Manoel Fernandes Cruz.
     Em 1638 o Governo do Recife decidiu leiloar o engenho, sendo arrematado porDuarte de Saraiva, que o reconstruiu, mas não chegou a moer.
        Laet (Livro Décimo Terceiro, 03.08.1636 ― pág. 911), ao relatar os feitos da coluna do Coronel Crestofle d'Artischau Arciszewski (ou Krzysztof Arciszewski): Cumprindo a ordem, o Coronel dirigiu-se com a sua força para o mato, passou pelo engenho de João de Barros Corrêa e pelo de Antônio de Bulhões, chamado Sto. Amaro, situado em Jaboatão e acampou à noite no velho e arruinado engenho de Manuel Fernandes da Cruz, chamado Camasari. Pondo-se em movimento no dia 4, cedo pela manhã, ...
No ano de 1655 o engenho se encontrava de fogo morto e pertencia a Luís Dias Barroso que pagava 03% de pensão.
Atualmente grande parte de suas terras se encontram submersas pela Barragem Duas Unas, cuja área é conhecida como Camassari - vide mapa IBGE Geocódigo 2607901 - Jaboatão dos Guararapes-PE.

Mapa Barragem Duas Unas

Fontes:
CABRAL DE MELLO, Evaldo. O Bagaço da Cana.. os engenhos de açúcar do Brasil Holandês. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 99, 100.
DUSSEN, Adriaen Van der: Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil, redigido pelo senhor Adriaen van der Dussen, datado de 10.12.1639 e apresentado ao Conselho dos XIX na Câmara de Amsterdam em 4 de abril de 1640.
Gonsalves de Mello, José Antônio. Fontes para a História do Brasil Holandês, vol. 1 - A Economia Açucareira, Parque Histórico Nacional dos Guararapes, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória, Recife, Pernambuco, Brasil, 1981, doc. 6, pág. 131-232.
Laet, Ioannes de: HISTÓRIA OU ANAIS DOS FEITOS DA COMPANHIA PRIVILEGIADA DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS, DESDE O COMEÇO ATÉ O FIM DO ANO DE 1636 (Iaerlijck Verhael). In: OUTROS TEXTOS, CD [anexo a (Coelho, 1654) ], Editora BECA, São Paulo, SP, Brasil, 2003.
PEREIRA, Levy. "Camaçari (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/atlas/Cama%C3%A7ari_(engenho). Data de acesso: 21 de setembro de 2016.
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho, Judeus em Pernambuco Colonial - 1542-1654, 5ª edição, Recife, 2000. Pág. 190.


PROPRIETÁRIOS:



1593 - Manuel da Costa Calheiros – Natural de Ponte das Barcas – Minho/PT. Falecido em 06.1620, deixando como seus testamenteiros sua esposa e seu filho Manoel da Costa, sendo sepultado na Igreja da Matriz do Salvador/Olinda.  Filho do Tabelião do Público e Judicial dos Arcos de Valdevez – Minho/PT, que era irmão e sobrinho de pessoas notáveis do local. Participou da conquista do Rio Grande do Norte. Vereador de Olinda (1612). Juiz Ordinário mais velho de Olinda (1613). Membro da Mesa da Misericórdia de Olinda (1616).
Casamento 01: Catarina Tavares (Rodrigues) – Filha do Capitão Braz de Araújo Pessoa e de D. Catarina Tavares.
Filhos:
01- Antônio Ribeiro Pessoa – C.c. D. Thereresa de Ornellas, filha do Capitão Antônio Carvalho de Vasconcelos e de sua segunda esposa D. Luisa de Mello de Ornelas. Irmã de D. Maria de Ornellas c.c. o Capitão Luiz da Veiga Pessoa. Neto materno do Capitão Braz de Araujo Pessoa e de D. Catharina Tavares. (c.g.);
02- Miguel Pessoa – C.c. sua prima D. Catharina, filha de Miguel Pessoa de Araújo e de D. Maira Telles de Menezes;
03- João Ribeiro Pessoa – Capitão-mor. Viveu sempre em Igarassu. Juiz Ordinário e dos Órfãos de Igarassu. Logrou as primeiras estimações pelos grandes juízos e capacidades de que foi dotado. C.c. D. Genebra de Vasconcellos Castro, filha de Francisco de Brito Lyra e de D. Juliana de Drumont. Neta materna de Leandro Teixeira Escócia de Drumont e de D. Victoria de Moura.
04- D. Maria Pessoa – C.c. Francisco Dias de Figueiredo (c.g.), casou depois com Francisco de Carvalho (s.g.);
05- Manoel da Costa Calheiros – C.c. sua prima D. Ignez, filha de Miguel Pessoa de Araujo e de D. Maria Telles de Meneses, (c.g.)
06- Catarina da Costa – Segunda esposa de Cristóvão de Hollanda de Vasconcellos, viúvo de D Catharina de Albuquerque (c.g.). Filho de Arnau de Hollanda e de D. Brites Mendes de Vasconcelos. Nascido e viveu em Olinda e falecido em 02.06.1614, deixando como seus testamenteiros sua D. Catharina, seu cunhado Manoel da Costa Calehrios e seu filho Bartholomeu de Holanda. Quando da entrada dos holandeses, passou a viver na freguesia de S. Lourenço da Mata. Foi vereador em Olinda em 1651. Foi sepultado na Capela da Igreja Matis do Salvador/Olinda. (c.g.)
07-  D. Lusia – Segunda esposa de Felipe Bezerra Montenegro, viúvo de uma filha de C. Gonçalo Miz Calheiros de Tejucupapo (c.g.). Filho de Felipe Bezerra Montenegro e D. Maria. (c.g.);
09- Justa da Costa – C.c. Bartolomeu de Hollanda Cavalcanti. Nasceu em Olinda e faleceu 06.06.1623, filho de Christovão de Hollanda de Vasconcellos e Catarina de Albuquerque. Senhor do engenho da Aldeia/Camaragibe. (c.g.)
Fontes:
http://geneall.net/pt/nome/1069455/manuel-da-costa-calheiros/
http://www.araujo.eti.br/descend.asp?numPessoa=39797&dir=genxdir/
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925. Vol 47 (9). Pág. 160-162, 185, 308, 309, 484, 485.
_________________________________________________________________________  Anais 1926 Vol 48 (7). Pág. 105, 188, 189, 270, 277, 278, 289.



1638 - Duarte de Saraiva – Nascido em 1572/Amarante/PT e falecido em 1651/Recife, com mais de 80 anos, onde foi sepultado. Membro da família Sênior Coronel radicada em Hamburgo. Filho de Abraham Sênior (Conselheiro da realeza). Neto de Heitor Coronel (nascido em Salvaterra, na Galiza/Espanha, casado em Monção/Portugal, na família Saraiva de origem cristão-novo). Duarte de Saraiva era tio de Gaspar de Mendonça (engenho Apipucos/Recife) c.c. D. Catharina de Cabral.
Duarte de Saraiva imigrou para Amsterdã (1598), aos 23 anos de idade, onde casou, atraído pelo fato da cidade ser o centro financeiro europeu e do governo ser tolerante para com a religião judia. Em 1601, já adquirido uma fortuna, trabalhando com transportes marítimos usando o nome católico de Duarte de Saraiva Coronel, conforme registros documentais de ações movidas contra os britânicos para o reembolso de sua apreensão de um navio carregado com açúcar vindo do Brasil e registros dos detalhes do comércio de sal e outros produtos com Portugal. Tornou-se “Cidadão de Amsterdã” em 1604. Em 1610, ele era proprietário de uma grande firma de fornecimento de carne para `comunidade judia de Amsterdã.
Após a consolidação da ocupação holandesa em Pernambuco (1635) o Conselho Político da Companhia das Índias Ocidentais (gestora dos negócios e operações militares além-mar) começou a receber vários requerimentos da comunidade judaica de Amsterdã solicitando a transferência para Pernambuco, entre eles o de David Sênior Coronel.
Proveniente de Flandres, David Saraiva chega a Pernambuco em 1636, com a sua família e se estabelece no Recife. Logo se torna um grande líder na comunidade judaica, usando seu prestígio junto aos correligionários e perante as autoridades legais constituídas no Pernambuco holandês.
O crescimento da população judaica em Pernambuco se tornou tão grande que o Conselho Político da Companhia das Índias Ocidentais decidiu vender ao rico mercador e proprietário de engenho, Duarte Saraiva, pelo preço de 450 reais, um lote junto a Porta da Terra, ao norte do istmo que ligava Recife a Olinda, para que construíssem casas para habitação e comércio (1635). Esse lote fica hoje localizado na “Rua dos Judeus” (Rua da Cruz, hoje do Bom Jesus, que se encontra bastante preservada no Centro do agora restaurado Recife antigo). Nele David Sênior constrói uma casa cujo andar térreo servia para o comércio e o andar superior era a sua residência.
Em 1636, na casa de David Sênior funcionava a sinagoga Kahal Kadosh Zur Israel (Comunidade Santa do Rochedo de Israel), a primeira de toda a América. Formalizada no primeiro semestre de 1636, a sinagoga instalou-se, em seguida, em um prédio próprio comprado pelo próprio David, possivelmente entre 1640 e 1641, cujo Rabino Aboab da Fonseca, o primeiro do continente, foi trazido da Holanda. Nota: A denominação Comunidade Santa do Rochedo de Israel talvez tenha sido por causa dos arrecifes que protegem Recife. O reverendo calvinista Joannes Baers, contemporâneo de David Sênior, assim descreve a cidade: “o Recife é um arrecife”.
Denúncias formuladas contra David Coronel asseguravam que fazia farto uso da distribuição de bíblias em espanhol para cristãos-novos, visando ações de proselitismo para que os mesmos retornassem ao judaísmo.
As atividades comerciais no Brasil Holandês de David Sênior Coronel foram muito amplas, conectando o Recife a Amsterdã: fretamento de navios (1637 a 1645); comercialização de escravos da costa da África (1638 a 1639); corte de madeira para fornecimento de lenha (1638 a1641). Homem muito rico, foi proprietário de 06 imóveis no Recife, sendo 03 na Rua dos Judeus, 07 engenhos e de muitos escravos. Por duas vezes (1639 e 1644) ele arrematou a cobrança dos impostos da Companhia sobre a produção do açúcar em Pernambuco, gastando na primeira vez a quantia de 128.000 florins.
NOTA: No Recife Duarte de Saraiva foi um dos nomes mais respeitados na comunidade judaica e holandesa, sendo homenageado pelo conhecido rabino de Amsterdã, Menasseh ben Israel, quando da publicação do seu livro El Conciliador (Amsterdã, 1641).
Depois do falecimento de Duarte de Saraiva sua família descobriu que todos os seus bens haviam sido hipotecados à firma holandesa West India Company (Companhia das Índias Ocidentais).
Em 1655, após a Restauração Pernambucana, todos os engenhos deixados por Duarte de Saraiva para sua família foram confiscados pelo reino de Portugal. Seu filho Ishac ainda tentou recuperar os imóveis e o controle da empresa Sênior-Coronel, através de ações jurídicas, mas não teve sucesso. Na pobreza sua família retorna para Amsterdã.
Senhor dos engenhos: Bom Jesus Salgado/Ipojuca (adquirido em 1637, por 60.000 florins, que fora confiscado de D. Isabel de Moura); Camaçari/Jaboatão dos Guararapes (adquirido em 1638, o engenho estava desativado); Madalena/Recife (engenho tomado de Manuel Saraiva, por este não lhe ter podido pagar um empréstimo concedido a ele); Nossa Senhora da Apresentação ou Moreno/Moreno (a posse desse engenho carece de maior comprovação, segundo Ribemboim); Novo/Cabo de Santo Agostinho (adquirido em 1637, por 42.000 florins, que tinha sido confiscado de Cristóvão Paes Barreto); São João do Salgado/Ipojuca (adquirido em 1639, que fora confiscado de Mateus da Costa); Torre/Recife -Torre (1637).
Velho de Beberibe/Beberibe-Olinda (adquirido em 1637, de fogo morto, por 10.000 florins, confiscado de Antônio de Sá); Torre/Torre-Recife (adquiriu parte do engenho em 06.12.1638 por 7.275 florins);
Casamento 01: Maria Saraiva, filha de Pedro Homem e Branca Homem.
Filhos:
01- David Ishac (Sênior Júnior) – Herdeiro de seu pai. Tesoureiro da comunidade judaica de Recife em 1652. Retornou com toda a sua família para Amsterdã (1654), aonde faleceu em 1676, com a idade de 51 anos. Seus descendentes, eventualmente, emigraram para o Suriname (Guiana Holandesa), na costa norte da América do Sul, onde também entraram no negócio de açúcar. C.c. Ester Saraiva  (born Rodriguez Portolegre);
02- Antônio Saraiva (Sênior Coronel) – Nada mais foi encontrado;
03- Ishac Saraiva (Sênior Coronel) – C.c. Sara Saraiva (born Sarfati).
Fontes:
BAUCH, Emil. Litografia (sec. XIX). Disponível em: http://sitededicas.ne10.uol.com.br/clip_pe1.htm
BENNETT, Ralph G. David Senior Coronel (ou Duarte Saraiva Coronel). 1575-1676. Disponível em: http://www.jackwhite.net/iberia/coronel.html 
FILGUEIRA, Marcos Antonio. Cristãos-novos na gênese de algumas famílias do Nordeste.
FONSECA, V. Borges da. Nobiliarchia Pernambucana
Guerra, Luís de Bivar. Investigação encomendada pela Madame Ethel Krenz Senior, nos documentos portugueses - Declaração emitida pelo genealogista J. L Bivar Pimentel Guerra z"l. 
MELLO, Evaldo Cabral de. Rubro veio: o imaginário da restauração pernambucana.
_____________________ Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt. 34. 3ª Edição, definitiva.
MELLO, José Antônio Gonsalves de Mello. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. Recife, 2004.
PEREIRA, Levy. "S. Madanella (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Madanella_(engenho_de_bois). Data de acesso: 28 de junho de 2014.
Relatório de Dussen (1640, pg. 152)
Relatório de Nassau Siegen; Dussen; Keullen (Relatório de 1638, pg. 87)



Casa grande do engenho Megaipe de Cima
1655-  Luís Dias Barroso – (Nada mais foi encontrado)
Senhor dos engenhos: Megaípe de Cima (Algibeira, d'Alinbero,  ou de Manuel Bezerra)/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca; Camaçari/Jaboatão dos Guararapes
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês.  2ª edição. Recife, 2004. Pág. 29.
PEREIRA, Levy. "Camaçari (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Cama%C3%A7ari_(engenho). Data de acesso: 22 de março de 2015.

ELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 93.

16/08/16

Engenho Tabatinga (Tabatinga, Tapitinga, Tubatinga)/Igarassu

A história do estado de Pernambuco, está particularmente ligada à economia açucareira. A produção do açúcar era de fundamental interesse da Coroa Portuguesa, visto que essa especiaria foi, até meados do século XIX, o principal produto de exportação do Brasil. NOTA: A documentação relativa aos engenhos situados em Igarassu é escassa, porém a partir de pesquisas realizadas no Museu Histórico de Igarassu, é possível obter maiores informações alguns engenhos construídos na região.
Localização Rio Tabatinga/Igarassu
O município de Igarassu, era inicialmente ocupado por tribos indígenas, sobretudo os Caetés e os Tabajaras. Em 1516, foi implantada a Feitoria de Pernambuco por Cristóvão Jacques, em local hoje conhecido por Sítio dos Marcos, pois nesta área posteriormente foram fincados os marcos de pedra divisórios das Capitanias de Itamaracá e de Pernambuco, em terras onde depois foi construído o engenho Tabatinga, por meio da qual os portugueses exploravam o pau-brasil e detinham o controle no comércio da especiaria.
O engenho Tabatinga ficava localizado na margem direita do Rio Tabitinga (Tabatinga), Vila Antiga de Igarassu, Capitania de Pernambuco. Sua moenda era movida à água, com igreja, mas sem indicação de orago.
Em 1609 o engenho Tabatinga tinha como proprietário Vicente Fernandes. Em 1623, o engenho produziu 3920 arrobas de açúcar.
Sitio dos Marcos
Quando os holandeses invadiram Pernambuco o engenho pertencia a Francisco Coresma (Quaresma) de Abreu, Inspetor Geral do pau-brasil (1600 a 1607).
No dia 27.06.1633 o exército holandês seguiu para Itamaracá, dirigindo-se para a parte da que ainda estava em poder dos luso-brasileiros, atravessaram o Rio em lanchas e marcharam contra o engenho Tabatinga Dr. Francisco Quaresma de Abreu, onde foram rechaçados com uma perda de 70 mortos ou feridos. Mathias de Albuquerque informado desse sucesso, mandou reforço de 80 homens comandado pelo Capitão Manoel Rebello de França e João Basílio de Sousa.
Por se recusar a aceitar o domínio batavo, Francisco Quaresma (1635) foi desterrado para a Holanda, junto a sua família e escravos doméstico, totalizando 24 pessoas, deixando para trás encontrava14 escravos e 23 animais. Incendiado o engenho pelas tropas invasoras, a administração foi entregue ao lavrador Vicente Siqueira.
Igreja de São Cosme Damião/Igarassu. 
Tela de Frans Post - Séc. XVII
Em 1637, o engenho que se encontrava de fogo morto e com seus canaviais queimados foi vendido a Pieter Marissingh e sócio. Moía em 1639, dispondo de três partidos de lavradores, no total de 75 tarefas (3.750 arrobas), sem partido da fazenda. Seus lavradores eram: Vicente Siqueira, 20 tarefas; Leonardo Dias, 25 tarefas; e Paul Anthony Daems, 30 tarefas.
Em 1645, Marissingh e sócio eram devedores de 988 florins à WIC. Evacuado em 1646. Nas terras do engenho Tabatinga se encontra a divisória entre as capitanias de Pernambuco e de Itamaracá.
O engenho Tabatinga foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA - plotado como 'Ԑ Tubatinga', na margem direta do 'R. Tubating'; IT (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, plotado sem símbolo, 'E Tubatinga', no vale do 'R Tubating'; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, símbolo bem pequeno, na m.e. do 'Tabitinga'.
NOTA: Há também o topônimo 'Tapitinga' escrito após o nome do rio 'Iguaraçu', demostrando a duplicação de entes na elaboração deste mapa por Orazi baseado na fusão das suas fontes: mapa BQPPB e o mapa da Biblioteca do Vaticano semelhante ao IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA.
               Borges da Fonseca (Anais 1926 Vol 48, pág 98 ) cita João Leitão Arnoso (II) como morador de Tabatinga que foi sucedido pelo seu filho João Leitão Arnoso (III)
               Hoje o engenho não mais existe e suas terras estão situadas no bairro de Tabatinga, área urbana de Igarassú-PE.
 
Município de Igarassu

Fontes:
http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/VI_coloquio_t2_rede_industria_acucar.pdf
http://lhs.unb.br/atlas/S._Felippe_o_Iago_(Engenho_de_roda_d'%C3%A1gua)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. Sã Paulo, 2.012
MELLO, José Antônio Gonsalve de Mello. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Governo de Pernambuco. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004
PEREIRA, Levy. "Tabitinga (engenho d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Tabitinga_(engenho_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 16 de agosto de 2016.


PROPRIETÁRIOS:

1609 - Vicente FernandesNada mais foi encontrado.
Senhor dos engenhos: Araripe de Riba ou Jaracutinga/Itamaracá-Araripe (1609); Tabatinga (Tabatinga, Tapitinga, Tubatinga)/Igarassu (1609).
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. Sã Paulo, 2.012
http://lhs.unb.br/atlas/S._Felippe_o_Iago_(Engenho_de_roda_d'%C3%A1gua)



1623 - Francisco Coresma (Quaresma) de Abreu – Inspetor Geral do pau-brasil (1600 a 1607). Ouvidor de Pernambuco. Escrivão da Santa Casa da Misericórdia de Olinda, entidade muito poderosa, cujos membros com seus discursos filantrópicos, influenciava e muitas vezes ditava regras de conduta no meio social independentes do seu nível aristocrático ou situação financeira. CURIOSIDADES: No livro sobre os Documentos manuscritos avulsos da Capitania de Pernambuco, (Edt Universitária UFPE, 2006) podemos encontrar um pedido de informação (1635) sobre os serviços do Desembargador Francisco Quaresma de Abreu na guerra da Capitania de Pernambuco e na Restauração da Bahia.
Senhor do engenho: Tabatinga (Tabatinga, Tapitinga, Tubatinga)/Igarassu (1623).
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1939 Vol 61 (1). Pág. 68
CONSTANCIO, Francisco Solano. História do Brasil, desde o seu descobrimento por Pedro Alvares Cabral até a abdicação do imperador Pedro I. Volume 1. 1839
Documentos manuscritos avulsos da Capitania de Pernambuco. Edt Universitária UFPE, 2006
http://lhs.unb.br/atlas/S._Felippe_o_Iago_(Engenho_de_roda_d'%C3%A1gua)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. Sã Paulo, 2.012
MELLO, José Antônio Gonsalve de Mello. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Governo de Pernambuco. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004
PEREIRA, Levy. "Tabitinga (engenho d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Tabitinga_(engenho_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 16 de agosto de 2016.



1635 - Vicente SiqueiraNada foi encontrado.
Administrador do engenho (1635/1637), nomeado pelo Governo Holandês do Recife.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. Sã Paulo, 2.012



1637 - Pieter Marissingh e sócio – Comerciante holandês muito rico que pertencia a classe dos capitalistas, donos de sobrados, negociantes de escravos.
Coproprietário do engenho Tabatinga (Tabatinga, Tapitinga, Tubatinga)/Igarassu (1637).
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Tempo dos Flamengos. Coleção Pernambucana. Vol XV. 2ª edição. Pág  119.  Gov. de Pernambuco. BNB. Recife 1979



1637 - (?) Nada foi encontrado. Sócio de Pieter Marissingh
Coproprietário do engenho Tabatinga (Tabatinga, Tapitinga, Tubatinga)/Igarassu (1637).
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Tempo dos Flamengos. Coleção Pernambucana. Vol XV. 2ª edição. Pág  119.  Gov. de Pernambuco. BNB. Recife 1979



         - João Leitão Arnoso (II) – Filho do Capitão-mor Manoel da Costa Gadelha e de D. Francisca Lopes Leitão. Homem muito rico.
Casamento 01: D. Luiza de Mattos de Vasconcellos – Filha do Cel. José do Prado Leitão (Juiz Ordinário de Igarassu) e de D. Maria de Mattos de Vasconcellos.
Filhos:
01- João Leitão Arnoso (III) – C.c. D. Luisa Pereira de Lira. Sucessor de Tabatinga.
02- D. Lusia de Mattos de Vasconcellos – C.c. Capitão-mor José de Araujo Chaves. (c.g.)
03- D. Maria Mla. Leitão Arnoso – C.c. Estevam José de Sousa Palhano, filho do Cel. Estevam de Sousa Palhano, natural de Peninde e Familiar do Santo Ofício, e de D. Marianna Barbosa de Almeida. (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio Victorio. Anais 1926 Vol 48 (2). Pág. 94



         - João Leitão Arnoso (III) – Filho de João Leitão Arnoso (II), senhor do Tabatinga/Igarassu, e de D. Luiza de Mattos de Vasconcellos. Capitão de Ordenança de Igarassu. Vereador de Igarassu. Sucessor de Tabatinga.
Senhor do Sítio Tabatinga/Igarassu
Casamento 01: D. Luisa Pereira de Lira – Filha de Antônio Bezerra do Vale e de Maria Alves de Medeiros.
Filhos:
01- João Leitão Arnoso (IV) – C.c. Antônia Francisca Bezerra, sua prima, filha de Antônio da Costa Gadelha e de D. Brites de Mello Vasconcellos. (c.g.)
02- Eufrásio Alves Pereira Leitão – C.c. D. Maria de Andrada, filha do Sargento-mor Cosme Leitam de Mello e de D. Úrsula da Fonseca Catanho, (todos os filhos do casal faleceram criança). Depois c.c. D. Marianna de Sá e Albuquerque, filha de João Cesar Falcão e de D. Anna Maria Ximenes, (c.g.)
03- José Bezerra Leitão –
04- Lusia de Mattos Vasconcellos – C.c. seu tio paterno Antônio da Costa Gadelha, filho de Antônio da Costa Gadelha e de D. Brites de Mello Vasconcellos. Tenente da Cavalaria. Juiz Ordinário de Igarassu (1772). (c.g.)
05- D. Francisca Lopes Leitão – C.c. seu primo irmão Manoel Duarte Pessoa, morador de uma fazenda das Lagoas. (c.g)
06- D. Maria Alves de Medeiros – C.c. o viúvo Francisco Gomes de Castro, sobrinho do Sargento-mor José da Costa de Oliveira. (c.g.)
07- D. Joanna Bezerra Leitão – C.c. o Capitão Antônio José do Prado Leam, filho de Manoel do Prado Leam e de M. N... (s.g.).
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio Victorio. Anais 1926 Vol 48 (2). Pág. 94, 95