10/07/15

Penedo de Cima ou das Chagas, Nossa Senhora das Chagas/Várzea do Capibaribe-Camaragibe

                Engenho fundado por Simão Vaz, antes de 1593, situado na margem direita  do Rio Capibaribe, acima do eng. Camaragibe, próximo a São Lourenço da Mata. Sua moenda era movida a bois, sem igreja, freguesia da Varzea, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco, pagando 02% de pensão sob todo o açúcar fabricado.

Simão Vaz – Cristão novo. Filho de Miguel Dias e Brites Vaz. Irmão de Miguel Dias, Manuel Dias Henriques e João Mendes Henriques, Florença Dias, Brites Vaz, Isabel Nunes, Grácia Vaz e Milícia Nunes. Costumava frequentar com seus parentes a esnoga do engenho Camaragibe/Camaragibe, aonde trabalhava como Feitor. Morou em Olinda entre 1597 e 1602, aonde era mercador e depois carregador de açúcar para navios que se destinavam ao exterior.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72
PEREIRA, Levy. "Đ. Chagas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/%C4%90._Chagas. Data de acesso: 10 de julho de 2015.
Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenhos Judeus em Pernambuco Colonial 1542-1654. Edt. 20-20. Recife, 1995. Pág. 126.
               
                Em 1623 o engenho pertencia a Diogo da Costa Maciel, que permaneceu sob o domínio holandês e administrando suas terras. Nesse dito ano o engenho moeu 3.370 arrobas de açúcar.

Diogo da Costa Maciel – Nada Mais foi encontrado.
Casamento 01: Maria Cabral Bacellar.
Filhos: 01- Bento Cabral Bacellar – Falecido em 1679. C.c. Magdalena Pessoa. (c.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio de janeiro. Anais 1925 Vol 47 (3). Pág. 153, 410, 482.
PEREIRA, Levy. "Đ. Chagas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/%C4%90._Chagas. Data de acesso: 10 de julho de 2015.
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:400
http://www.liber.ufpe.br/visaoholandesa/Previous.vh?query=diversidade&page.id=1947
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72

Segundo Pereira da Costa o desbravamento das terras de São Lourenço da Mata, com a exploração do pau-brasil, abriu campos à sua cultura, e dai a construção dos seus primeiros engenhos,  de sorte que, em 1630, se viam já sete fábricas de açúcar no termo da sua paróquia, aonde era fabricado o melhor açúcar da Província.
Como a povoação já era de certa importância, naquela época, o General Matias de Albuquerque, mandou, em 1633, o Capitão Luiz Barbalho Bezerra guarnecer com o terço do seu comando a dita povoação, mas logo depois o Capitão teve que se retirar por urgência do serviço da campanha, e assim desguarnecida, é atacada por uma forte coluna holandesa, entregue a pilhagem, e bem assim os aldeamentos circunvizinhos. Dos seus engenhos de então temos uma circunstanciada noticia em um documento holandês de 1637, que assim os enumera: São Bento,pertencente a Francisco Nunes Barbosa; Moribara, sob a invocação de N. S. das Dores,  de Gabriel de Pina, que, ausentando-se com a invasão holandesa, foi a propriedade confiscada e vendida a André Soares; Nossa Senhora de Monteserrate, pertencente a Antônio Rodrigues Moreno; São João, pertencente a Arnau de Holanda, que tinha levando a fábrica a pouco tempo; Mussurepe, do Mosteiro de S. Bento de Olinda; Nossa Senhora das Chagas, pertencente a Diogo da Costa Maciel; Massiape, sob a invocação das Chagas de Cristo, do capitão Francisco do Régo Barros, que o levantou, e o abandonando.
O engenho Nossa Sra. das Chagas foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ: os Chagas', na margem direita  do 'Rº. Capauiriuÿ' (Rio Capibaribe);IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ. os Chagas.', na margem direita  do 'Rº. Capauiriuÿ'; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'd Cliugas', na margem direita  do rio 'Capiibari'.

Fontes:
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:400.

MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 72

Tejipió/Tejipio-Recife

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Mapa localização Tejipió-Recife
Cortada pelo Rio Tejipió , a região onde foi fundado o engenho foi ocupada pelos portugueses ainda no século XVI, com a instalação de alguns engenhos de cana de açúcar que pertenciam a freguesia da Várzea, como o eng. São Paulo e o eng. Curado. 
            O engenho Tejipió/Tejipió-Recife, antes Jaboatão dos Guararapes,  foi fundado por Antônio de Andrade Caminha, sem igreja e indicação de orago, com moenda movida a bois. Suas terras ficavam situadas na margem esquerda do Rio Tejipió, também conhecido como Rio dos Cedros e Rio dos Afogados; pelo Rio descia e para o Recife, em pequenos barcos, todo o açúcar fabricado, acondicionado em caixas de madeira, como então se praticava e permaneceu ainda por largos anos, até que foram substituídas por sacos de algodão. Suas terras estavam encravadas na freguesia da Varzea, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco.

Antônio de Andrade Caminha – Nascido no Conselho do Bem Viver/Bispado do Porto. Filho da governança do Porto/PT. Em 1598 residia em Olinda.
Fontes
Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Pág 15. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58

Durante a Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil (1593-1595), Sebastião Pires Abrigueiro, carreiro no engenho de Antônio de Andrade Caminha em Jaboatão, foi processado
            Em 1609 o engenho pertencia a Antônio de Andrade da Cunha.

Antônio de Andrade da Cunha – Filho e herdeiro de Antônio de Andrade Caminha.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58

O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'TisԐpio Ԑ.', na m.d. do 'Rº. TisԐpio'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ TisԐpio', na m.d. do 'Rº. TisԐpio'.
            O próximo proprietário encontrado foi Antônio Fernandes Pessoa “o Mingau”, senhor do engenho Jiquiá (São Timóteo, Novo, Santo Antônio, Mingau)/Mangueira-Recife.

Antônio Fernandes Pessoa “o Mingau” – Natural de Pernambuco. Faleceu em torno de 1633, de acordo com o formal de partilha de seu filho Pedro de Lyra Pessoa, passado em 15.09.1698 pelo Juiz de Órfãos de Serinhaém, Diogo de Guimarães de Azevedo, tendo como escrivão Antônio Fernandes Bittencourt de Mello. Filho de Pedro Afonso Duro (português e Fidalgo da Casa Real, senhor do engenho da Madalena/Recife) e de D Madalena Gonsalves, que ainda vivia em 1643 e residia em Olinda, em uma casa própria próxima à matriz de São Pedro Mártir, de acordo com uma escritura de compra de umas terras situadas na Várzea, feita por Antônio Fernandes Pessoa.  Padroeiro da capela do Senhor Bom Jesus dos Passos da Graça.
Casamento 01: D. Maria de Aguiar, que segundo Borges da Fonseca já era falecida antes de 1647, como se vê no inventário que foi feito no ano seguinte pelo Juiz de Órfãos o Sr. Francisco Berenguer de Andrada, cujo escrivão foi Manoel de Pinho Soares. Filha de Gaspar de Aguiar e de Maria de Lima. Neta paterna de Thomé de Castro e de Maria Nova de Lyra, irmã de Gonçalo Novo de Lyra (Procurador Fiscal do Santo Ofício em 1600)
Filhos: 01- Conrado – Padre Franciscano. Religioso da Ordem de São Francisco. Já era Professo quando foi feito o inventário de sua mãe, porque dele não se faz menção; 02- Manoel de Aguiar – De acordo com o inventário de sua mãe era viúvo, porem não foi declarado o nome de sua esposa. (c. geração desconhecida); 03- Gaspar de Lyra – Assassinado em terras do engenho Sibiró/Serinhaem. Solteiro. (c.g.); 04- Antônio... – Em 1648 tinha apenas 08 anos de idade; 05- Pedro de Lyra Pessoa – Em 1648 tinha apenas 05 anos de idade. Casado em Portugal. Em 03.03.1657 se encontrava em Pernambuco, cobrando a sua legítima, para tanto apresentou uma procuração de sua esposa D. Luisa do Amaral, residente em Tomar/PT. Em 01.11.1705, ainda era vivo, como se vê no recibo que passou ao pé do seu formal de partilhas aos herdeiros do Cap. Antônio Borges Uchoa. (c. geração desconhecida); 06- Barbara de Lyra – Falecida em 1661, com inventário feito em 12.06 do dito ano. C.c. Miguel Ferreira. (c.g.); 07- D. Angela de Lyra Pessoa – Com testamento feito em 10.02.1657/Várzea. Falecida em 1658, pois nesse ano o Juiz de Órfãso, o Licenciado Antônio Pereira, escrivão Francisco Correia Pinto, fez o inventário dos bens que ficaram por seu falecimento. Primeira esposa do Tenente Thomé Soares de Brito. (c.g.); 08- D. Anna de Lyra Pessoa – Em 1648 tinha 12 anos de idade. C.c. Luiz da Silva, em 1648, que recebeu como dote de casamento de seu pai o engenho Jiquiá, com a obrigação de pagar as legítimas aos seus cunhados, de acordo com a escritura do engenho São Paulo do Sibiró/Serinhaem, na nota do Tabelião Sebastião de Guimarães, em 03.02.1653. Viúva, pouco tempo depois, D. Anna c.c. Francisco de Faria Uchoa, filho de Marcos André (senhor do eng. da Torre) e de D. Maria de Mendonsa Uchoa. Em 03.03.1657 D Anna e Francisco Uchoa venderam o engenho ao Cap. Antônio Borges Uchoa. (c.g.)
Senhor do engenho Jiquiá (São Timóteo, Novo, Santo Antônio, Mingau)/Mangueira-Recife; Tejipió/Tejipió-Recife; Sibiró/Ipojuca
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (1) pág. 150, 151, 152
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 1 pág: 587; Vol. 2 pág: 130-133
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:130, 602

            Durante a invasão holandesa Antônio Fernandes Pessoa abandonou suas propriedades (1630) e retirou-se para ao eng. Sibiró/Ipojuca, que havia arrendado, mas que depois veio a comprar, e no qual faleceu. 
Em 1640 o engenho se encontrava completamente arruinado e de fogo morto, foi confiscado e vendido ao líder da Insurreição Pernambucana João Fernandes Vieira e, por isso, o local passou a ser um dos centros de conspirações contra os invasores.

João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT e faleceu em 1679. Filho do fidalgo Francisco de Ornelas Muniz com Antônia Mendes. Seu pai era bisneto de Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico. Sua mãe era bisneta de Pedro Vieira, morgado da Ribeira de Machico; entre os seus bisavós se encontra António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no norte da ilha da Madeira.
Em 1606, com 10 anos de idade, Fernandes Vieira imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois como não era o filho primogênito - herdeiro de todo o legado dos pais, se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses da época.
Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época. Seu primeiro trabalho foi como ajudante de mascate, em troca de comida e morada; depois foi auxiliar do mercador do comerciante Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de algumas casas na Vila de Olinda.
Em 1630, com a invasão holandesa João Fernandes Vieira se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Após 1635, Fernando Vieira tornou-se muito amigo e depois sócio do Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Stachouwer, de quem depois foi feitor-mor de seus engenhos: Ilhetas (Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe)/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Stachouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour, homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)”.
Nessa época Fernandes Vieira era descrito como um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante a trégua estabelecida entre Portugal e a Holanda, estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social.
Com a partida de Stachouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira passou a lucrar com a administração dos engenhos e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou das propriedades dos dois sócios: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo, e assumiu  os débitos contraídos por Stachower e de Ridder na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Logo Fernandes Vieira e torou um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Fernandes Vieira foi indicado Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Escabino de Maurícia (Recife) de 07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43. Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos. Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Embora fosse um dos mais importantes senhores de engenho da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio com uma moça pertencente a uma das famílias mais importantes da Capitania. Com o casamento Fernandes Vieira que já era colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros do governo holandês se tornaria, também um dos homens mais importantes da Capitania, com apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, e de doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas.
Casamento 01: D. Maria César, em 1643 – Filha do madeirense e senhor de engenho Francisco Berenguer de Andrade (eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. (s.g.)
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco; 02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello; 03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre; 04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - MuribecaSanto Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 74.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

Deflagrada a luta contra os holandeses, acampou em Tejipió a tropa vinda da Bahia, sob o comando dos Mestres de Campo André Vidal de Negreiros e Martin Afonso Moreno. Essa tropa tinha se juntado ao exército independente pernambucano, na povoação do Cabo de Santo Agostinho. Foi de Tejipió, inclusive, que partiram muitos soldados para a batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão.
Nesse tempo o engenho já não mais existia, e as suas terras, constituindo uma grande partido de cana, pertenciam então ao Mestre de Campo João Fernandes Vieira, onde construiu uma bela e espaçosa casa de vivenda, para a sua habitação.
A essa propriedade se refere João Fernandes Vieira no seu testamento celebrado em 1674 na sua fazenda de Maranguape, dizendo que ficava junto e adiante do engenho S. Francisco da Várzea, de André Vidal de Negreiros, as terras de Tejipió , que vão para Nossa Senhora da Luz, com a extensão de meia légua quadrada, que comprara a Sebastião Bezerra.
            Segundo a Relação dos Engenhos moentes da Capitania de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba (1655) o engenho Tijipio estava de fogo vivo, em 1655, e pagava 1,5% de pensão sobre todo o açúcar que fazem antes de ser dizimado, e pertencia a Francisco Berenguer de Andrada (II), cunhado de João Fernandes Vieira, último proprietário encontrado.

Francisco Berenguer de Andrade (II) – Filho do Coronel Francisco Berenguer de Andrade (Fidalgo da Ilha da Madeira, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Coronel. Juiz de Órfãos) e de sua segunda esposa D Antônia Bezerra. Neto materno de Antônio Bezerra Barriga Irmão por parte de pai de Maria Cesar que c.c. João Fernandes Vieira. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Capitão de Igarassu.
CURIOSIDADES: Segundo Borges da Fonseca existiram relatos que Francisco Berenguer escrevera algumas anotações genealógicas sobre as famílias pernambucanas que viveram no seu tempo, em torno de 1686, de tal maneira indiscreta, que foi queimada pelo seu primo Antônio Ribeiro de Lacerda, por não concordar com que estava escrito sobre sua pessoa.
Casamento 01: Leonor dos Reis, filha do português Nicolau Coelho dos Reis e de D. Maria de Faria. Durante a ocupação holandesa fugiu com Mathias de Albuquerque para a Bahia (1635). Com sucessão em títulos de Marinhos.
Senhor do engenho Aiamã de Baixo/Igarassu; Tejipió/Tejipió-Recife
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1902 Vol 24 (1), pág. 218;  1903 Vol 25 (1), pág. 99.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (5), pág. 06, 244
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 74.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 26, 30, 77, 132, 146-7.

Paróquia Nossa Senhora do
 Rosário (Tejipió).
Em meados do século XVIII, já não mais existia o casarão do engenho, e em seu lugar foi construída uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. De acordo com uma placa fixada na soleira da porta principal, a capela situava-se a 21,45m acima do nível médio do mar. Esse templo deu sepultura, em seu cemitério privativo, aos membros da igreja e aos filhos (até a idade de sete anos), de João Fernandes Vieira, estendendo o benefício às pessoas pobres.
Em 1819, mediante um aterro, o governador de Pernambuco, Luís do Rego Barreto, construiu uma estrada para Tejipió. Isso veio facilitar a comunicação do povoado com a cidade do Recife. A primeira estrada de rodagem, porém, que ia de Afogados até Areias, só foi construída em 1836.
Em 1863, Antônio Frederico de Castro Alves  (1847-1871) quando veio para o Recife estudar Direito, morou no bairro do Barro, caminho de Tejipió, com a artista portuguesa Eugênia Câmara, considerada a melhor atriz do Império, dez anos mais velha. Eugênia, que chegara ao Brasil com Furtado Coelho, foi o grande amor de Castro Alves e  influência decisiva de sua vida. Por Castro Alves foi homenageada por em versos, no Teatro Santa Isabel.
Estação ferroviária de Tejipió
No início do século XX, o bairro de Tejipió era um distrito de Jaboatão até que no ano de 1928 foi anexado ao Recife, por ordem do Governador Estácio Coimbra. Nesse período, o local era mais movimentado que Cavaleiro, tendo um mercado público, construído pela prefeitura de Jaboatão cujo prefeito na época era Nobre de Lacerda. Este mercado foi posteriormente destruído para que os ônibus elétricos pudessem fazer a volta. Tejipió também possuía uma imprensa bastante movimentada com vários jornais locais como "O Echo".
Hoje o bairro de Tijipio integra a 5ª Região Político-Administrativa (RPA 5) e faz limites com os bairros Coqueiral, Sancho, Curado, Jardim São Paulo, Barro e com o município de Jaboatão dos Guararapes, possuí uma área territorial de 104,3 ha, uma população residente de 8.486 habitantes (censo de 2.000) e uma densidade demográfica de 81,39 hab./ha.


Fontes:
CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: Câmara Municipal do Recife, 1998.
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife: estátuas e bustos, igrejas e prédios, lápides, placas e inscrições históricas do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife: Fundação Guararapes, 1970.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tejipi%C3%B3
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012.Pág. 57, 58
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 2:130,  595, 602
_________________________ Arredores do Recife. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1981.
PEREIRA, Levy. "TaijĩbĩpiôTeiibipio (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Taij%C4%A9b%C4%A9pi%C3%B4Teiibipio_(engenho_de_bois). Data de acesso: 7 de julho de 2015.

Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil; Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595. Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife, FUNDARPE. Pág 15. Diretoria de Assuntos Culturais 1984. 509+158 p. Il (Coleção pernambucana – 2ª fases. 14)

06/07/15

São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife (Bairro dos Torrões)

            O engenho São Tomé foi fundado antes de 1593 por Lourenço de Sousa de Moura, tinha uma moenda movida a bois, não possuía igreja, pagando 0,5% de pensão sob todo o açúcar depois de dizimado. Suas terras ficavam localizadas na várzea entre o Rio Capibaribe e Jiquiá, freguesia da Várzea, cidade de Olinda, Capitania de Pernambuco.

Lourenço de Sousa de Moura – Falecido antes ou pouco depois da invasão holandesa. Fidalgo da Casa Real.
Casamento 01: D. Catharina de Moura – Filha de D. Felippe de Moura e de D. Genebra Cavalcante. D. Catharina abandonou seu marido depois do nascimento de seus filhos.
Filhos: 01- Antônio de Sousa de Moura; 02- Lourenço de Sousa Moura – Falecido solteiro. (s.g.); 03- Manoel de Sousa e Moura – Falecido solteiro. (s.g.)
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Vol I. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47. Pág. 69, 447, 454
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71
Fontes para História do Brasil Holandês. A Economia Açucareira. Página 28. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br/visaoholandesa/Next.vh?query=diversidade&page.id=1896

            No ano de 1623, segundo o Relatório dos Açucares Produzidos nos Engenhos de: Pernambuco, Ilha de Itamaracá e Paraíba, o engenho de Lourenço de Sousa de Moura, produziu 5.908 arrobas.
            Em torno de 1593, Lourenço de Sousa de Moura casou uma das suas filhas com Pero Cardigo com a promessa de dote de 12.000 cruzados, mas como não pagou, o genro apossou-se judicialmente do engenho São Tomé.

Pero Cardigo “o Velho” – Nasceu em cerca de 1534/Sardoal (Guarda, Beira Alta) e faleceu em Pernambuco. Filho de Fernão Garcia e de Felipa Cardigo. Morou no engenho Apipucos/Apipucos-Recife.
Cristão-velho, processado em 16.07.1594, pelo Santo Oficio por blasfêmias - Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 12967 – Cuja sentença foi uma repreensão sigilosa, multa e pagamento das custas. Capitão de Ordenanças de Olinda (1593). Tesoureiro da Fazenda dos Defuntos e Ausentes de Pernambuco (1568). Capitão na conquista da Paraíba, onde comandou homens e forneceu armas e suprimentos.
Casamento 01: Isabel Mendes– Filha de Lourenço de Sousa de Moura.
Filhos: 01- Felipa Cardigo segunda esposa de Frutuoso Barbosa (1º e o 3º Gov. da Paraíba – 1582/1585 e entre 1586/1594 e depois foi donatário); 02- Ana Cardigo c.c. Simão Barbosa Cordeiro; 03- Tomásia Cardigo c.c. Pero Coelho de Sousa, Locotenente da Capitania de Itamaracá; 04- Beatriz Cardigo .
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife; Nossa Senhora do Rosário/Jaboatão dos Guararapes
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Vol I. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47. Pág. 32
OLIVEIRA, Carla Mary S. Territory, Power, and Identities in the Captaincies of Northern Brazil (16th-18th Centuries): Portuguese Studies Review, Vol. 14, nº. 1. Baywolf Press, 2007 - 336 pág.
Senhores de Engenho e suas Propriedades Citados na Primeira Visitação do Santo Ofício (1593-1595). Disponível em: http://visaogeralgenea.blogspot.com.br/2009/12/senhores-de-engenho-e-suas-propriedades.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71
_____________________  Um imenso Portugal: história e historiografia. Edt. 34. São Paulo, 2002 -  Pág. 85.

O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ. St. Tomé'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ. St. Tomé'; PC (Golijath, 1648) "Perfecte Caerte der gelegentheyt van Olinda de Pharnambuco MAURIRTS-STADT ende t RECIFFO", plotado com a nota 'Ԑngenho St. Thome nu Rotterdam genaemt»; ASB (Golijath, 1648) "Afbeeldinge van drie Steden in Brasil", plotado e assinalado com a letra X. Na 'Verklaringe deser Caerte.' explicita «X: Engenho St. Thome nu gԐnaemt Rotterdam, toekomende Willem Bierboom en Jacob Velt: huysen»; PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado como engenho, 'Fyrbo', na várzea do 'Capiibari'.
            Durante a ocupação holandesa o engenho ficou completamente destruído e em seu lugar surgiu um partido de cana que estava arrendado estava arrendado a Pedro Vigario e seu sócio Francisco da Costa de Abreu. Os dois sócios foram deportados pelo Governo do Brasil holandês para as Índias, ficando o engenho em completo abandono.

Pedro Vigário – Deportado com seu sócio Francisco da Costa de Abreu, pelo  Governo do Brasil holandês para as Índias
Rendeiro do engenho São Tomé, Roterdam, Fyrbo/Várzea-Recife, tinha como sócio no arrendamento Francisco da Costa de Abreu
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

Francisco da Costa de Abreu – Deportado com seu sócio Pedro Vigário, pelo  Governo do Brasil holandês para as Índias
Rendeiro do engenho São Tomé, Roterdam, Fyrbo/Várzea-Recife, tinha como sócio no arrendamento Pedro Vigário.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

            O engenho São Tomé e seus partidos de cana aparecem como propriedade de Antônio de Sousa de Moura, filho e herdeiro de Lourenço de Sousa de Moura e de D. Catharina de Moura

Antônio de Sousa de Moura – Filho de Lourenço de Sousa de Moura e de D. Catharina de Moura.
Casamento 01: D. Maria Carneiro – Filha de Paulo Carvalho de Mesquita e de D. Úrsula Carnero de Mariz. (s.g.)
Casamento 02: D. Luisa (Correia Babosa) – Filha de João Correia Barbosa e de D Magadela de Goes. Neta materna de Arnaud e Hollanda Barreto (senhor do eng. São João/Muribara-São Lourenço da Mata) e de D. Lusia Pessoa. (s.g.)
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Vol I. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47. Pág. 166, 201-202
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Tempo dos Flamengos. Banco do Nordeste do Brasil S.A. e Gov. de Pernambuco. 2ª edição. Recife, 1979. Pág. 131
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

            Em 1635, logo após a rendição do Arraial do Bom Jesus e da fortaleza de Nazaré, houve uma corrida para a obtenção de engenhos, pois a fabricação de açúcar prometia verdadeiras fortunas. Entre os que adquiriram engenho estavam vários membros do Conselho Político holandês, Chefes militares, Comissário, Fiscal, alguns judeus e apredicantes calvinistas resolveram abandonar a “Messe do Senhor” em busca das riquezas da terra. Um deles, que se transformou em lavrador de canas de um partido de cana arrendado do engenho São Tomé, o pastor Daniel Schagen, veio a ser objeto das críticas do reverendo Vicente Soler; em vez de cultivar os campos do Senhor, deles retirando às ervas daninhas, cultivava as terras dos seus campos. Tal arrendamento foi confirmado em janeiro de 1636, quando Antônio de Sousa Moura declarou que na qualidade de único herdeiro do engenho São Tomé e dos partidos de cana que a ele pertencem, havia arrendado a Daniel Schagen pelo prazo de 25 anos, a partir de 22.10.1635

Daniel Schagen – Pastor. Nada mais foi encontrado.
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Tempo dos Flamengos. Banco do Nordeste do Brasil S.A. e Gov. de Pernambuco. 2ª edição. Recife, 1979. Pág. 131
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

            Em 1637, sendo Schagem interpelado sobre o paradeiro de certos escfravos pertencentes à WIC, Antônio de Sousa de Moura, proprietário do engenho, o apoiou, informando que Schagen dispunha-se a safrejar assim que o engenho estiver pronto.
            No ano de 1639 o engenho estava totalmente recuperado e de fogo vivo. Mas, Antônio de Sousa de Moura vende seu engenho a Willem Bierboom, por 18.000 florins (6.000 cruzados).

Willem Bierboom (Guilherme Brilão ou Bribão, segundo alguns autores portugueses) – Comerciante, estabelecido em Pernambuco em torno de 1636.
Rebatizou o engenho de Roterdã, embora a fábrica fosse conhecida como engenho do Bribão, corruptela do nome de seu novo proprietário.
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

            Willem Bierboom assim que se estabeleceu como proprietário do engenho o denomina como engenho de Roterdã, mas a fábrica ficou sendo conhecida como engenho do Bribão, corruptela do nome de seu novo proprietário. Bierboom se associa a Jacob Velthuysen, na exploração do engenho.

Jacob Velthuysen – Filho homônimo do Diretor da Câmara de Totterdam da West-Indische Compagnie- WIC (Companhia das Índias Ocidentais holandesa)
Senhor do engenho São Tomé, Roterdam, Bribão/Várzea-Recife
Fontes:
Inventário dos Prédios cit. e Frei Manuel Calado, O Valeroso Lucideno cit., II p. 136
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penquin & Companhia das Letras. Pág.70,71

Mapa do Arraial Novo do Bom Jesus
            Em setembro de 1645, devido a localização do engenho o Mestre de Campo João Fernandes Vieira um dos líderes da Insurreição Pernambucana manda construir em suas terras a Fortaleza do Arraial Novo do Bom Jesus, cujo traçado foi feito pelo Mestre de Campo Teodósio Estrate. O proprietário do engenho Willem Bierboom se retira e segue para o Recife, onde, “malgrado as dificuldades dos tempos, tem feito o possível para cumprir os seus compromissos com a WIC, contratando o fornecimento de pedra e tijolo à Companhia”.
            A Fortaleza do Arraial Novo do Bom Jesus ficava localizada no lugar conhecido como "Gargantão" no engenho São Tomé, a 8 km a Oeste do centro do Recife e Olinda e foi inaugurada em 01.01.1646. No seu interior estavam armadas 12 peças de bronze de diversos calibres e guarnecido com 06 Praças sob o comando de um Sargento
Deste arraial, dominando Recife, Olinda e os Afogados, saíram as tropas engajadas na primeira Batalha dos Guararapes (19.04.1648) e na segunda Batalha dos Guararapes (19.02.1649), e dele foi coordenado o assédio a cidade Maurícia, atual Recife.
O Forte do Arraial Novo do Bom Jesus foidesativado com o fim da Guerra da Insurreição Pernambucana (1654), e em seu lugar foi erigida uma coluna de granito comemorativa em 1872 pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, restaurada em 1917 por iniciativa do General Joaquim Inácio Batista Cardoso. Restavam à época vestígios de uma muralha e de dois baluartes de terra. Atualmente, o sítio é ocupado por uma praça pública administrada pela prefeitura municipal, à Av. do Forte s/n°. - Engenho do Meio, Recife.
            Hoje não existe mais nenhum vestígio do engenho São Tomé e suas terras foram reocupadas pelo bairro dos Torrões-Recife.
 
Bairro dos Torres-Recife/PE

Fontes:
Fontes para História do Brasil Holandês. A Economia Açucareira. Página 28. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br/visaoholandesa/Next.vh?query=diversidade&page.id=1896
PEREIRA, Levy. "Fyrbo". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Fyrbo. Data de acesso: 5 de julho de 2015.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. 2ª edição. Companhia Editora de Pernambuco – CEPE. Recife, 2004

______________________________ Tempo dos Flamengos. Banco do Nordeste do Brasil S.A. e Gov. de Pernambuco. 2ª edição. Recife, 1979.