08/04/14

João Paes Velho Barreto - Morgado do Cabo de Santo Agostinho

Morgadio

O  morgadio ou morgado teve origem na legislação castelhana, embora que já vinha sendo usada pelo reino português, mas só foi legalizada em Portugal com as Ordenações Filipinas de 1603.  
O morgadio difundiu-se na idade média como uma forma de contrariar o empobrecimento das famílias ricas devido às sucessivas partilhas, servindo, assim, como um vínculo entre um pai e sua descendência no qual seus bens são transmitidos ao filho primogênito.
As primeiras instituições de morgadio, em Portugal, datam do início do século XIV e por duzentos anos, não existiu qualquer tradição escrita sobre a sua vinculação. Mas, em 03/08/1770, a Lei Pombalina, regulamentou definitivamente os morgadios. Não podia vincular bens quem queria, mas sim quem o Rei autorizava, dentro de exigências bem definidas. Por outro lado, a sucessão dos morgados fazia-se quase sempre em linha reta e só em alguns casos, por extinção da descendência, por linha transversal. Essa prática não se verificou apenas para a conservação de um sobrenome, mas sim para a manutenção da nobreza do filho primogênito e seus descendentes.
O morgadio consistia em um vínculo de capelas ou de terras, rendas ou outros utensílios provenientes de uma determinada profissão, feito pelo respectivo instituidor. Estes bens assim vinculados não podiam ser vendidos nem alienados. Cabia ao administrador (o morgado) o cumprimento das determinações do instituidor, seu usufruto e o gozo dos rendimentos proporcionados pelos bens vinculados.
O morgado podia acrescentar bens ao morgadio, e por vezes a instituição do vínculo obrigava mesmo que cada administrador lhe acrescentasse a sua terça. Mas para vendê-lo ou trocar parte desses bens vinculados, ou mesmo à extinção do morgadio era preciso à expressa autorização real.
As regras de sucessão na administração do morgadio eram definidas pela respectiva instituição. Em geral, sucedia o filho homem mais velho e, à falta de filhos, o parente mais próximo. O filho primogênito na sua maioria das vezes recebia o nome do pai completo, seguido da palavra Filho, Neto... Os outros filhos(as) tinham somente o nome e o sobrenome do pai: a família da mãe (esposa) não existia. O intuito era manter a árvore genealógica.
Os demais filhos caíam na desgraça e muitas vezes sujeitos a um primogênito, insensato e carregado de vícios. É certo que o morgado contrariava o princípio da igualdade na partilha dos bens entre os filhos, privilegiando o mais velho e o homem em relação à mulher. Mas, por outro lado, criava obrigações ao primogênito em relação aos irmãos, e muitas vezes estes recebiam os bens móveis livres de foros, vínculos ou ônus dos pais.
O direito de herança das filhas era tratado de forma categórica na letra da lei: (...) e concorrendo na sucessão dos Morgados irmão varão e fêmea ordenamos que sempre o irmão varão suceda no morgadio e bens vinculados, e preceda a sua irmã, posto que seja mais velha. E mesmo será nos outros parentes em  igual grau mais chegado ao ultimo possuidor, porque sempre o varão precederá na sucessão à fêmea posto que ela seja mais velha. Ainda menos comum do que o morgadio, a exclusão da filha do rol de herdeiros podia ser uma outra forma de a sociedade impedir as mulheres de ter acesso aos bens da família, caso o comportamento da filha afrontasse a autoridade patriarcal.
Nem sempre o morgadio esteve associado a bens imóveis, pois podia ser associado a determinadas profissões, nomeadamente na distribuição do correio e também a algumas profissões mecânicas ou artesanais.
Devido ao empobrecimento dos filhos não primogênitos, o Parlamento brasileiro proibiu a instituição do morgadio em 1835, sendo extinto definitivamente em 1837. Em Portugal só foi extinto no reinado de D. Luís I por Carta de Lei de 19/05/1863, subsistindo, no entanto o vínculo da Casa de Bragança, o qual se destinava ao herdeiro da Coroa. Este último morgadio viria a perdurar até 1910.
No Brasil existiu vários morgadios, entre eles o do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, fundado por João Paes Velho Barreto.

Morgado da Madre de Deus, do Cabo ou dos Paes /Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco
                                
Brasão de Duarte Coelho Pereira
        Duarte Coelho Pereira assumiu o propósito firme de permanecer em Pernambuco e não apenas ocupá-lo movido por sentimento de aventura; dedicou profunda afeição a terra, diferentemente de donatários e colonizadores de outras regiões; experiente agricultor, fez da cana a base de uma organização social agrícola; combateu os colonos aventureiros que queriam apenas fazer fortuna derrubando árvores e matas virgens; e estimulou o gosto e o interesse dos portugueses pela cultura da cana no Brasil. Essas virtudes todas fizeram Freyre explicitar, também em Nordeste, que Duarte Coelho transformou sua conquista de Pernambuco numa colonização criadora: “Onde dominou a influência do velho Duarte, o canavial avançou, sempre com a capela e a casa-grande, animando a paisagem de elementos novos, dando-lhe cores novas, novas fontes de vida e não apenas matando os índios, os animais e as árvores”. Uma colonização, portanto, criadora, empreendedora, realizadora e transformadora.
       A partir de 1635 o Donatário de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira distribuiu as primeiras sesmarias entre os primeiros colonizadores da Capitania. A Lei das Sesmarias (1375) era uma legislação do reinado de Fernando I, de Portugal, que pretendia fixar os trabalhadores rurais na terra e diminuir o despovoamento no campo.
         As famílias beneficiadas eram quase todas ligadas à parentela do Donatário, fidalgos e gente de elevada hierarquia que chegavam de Portugal e de outras nações europeias trazendo suas famílias e haveres próprios, ou articulados com capitais estrangeiros. NOTA: Estes capitais lhes proporcionavam, também, a possibilidade de casamentos junto à parentela do donatário, a recepção de sesmarias e a fundação de engenhos de açúcar.
Duarte Coelho de Albuquerque
2º Donatário de Pernambuco
         Por concessão do 1º e 2º donatário da Capitania de Pernambuco foram distribuídas a título de sesmaria, terras ao empreendimento proposto, de propriedade perpétua, livres de pagamento de foro ou pensão. Agregavam-se a estes benefícios vários favores régios. Esta política de distribuição de terras fazia-se para os cultivadores do açúcar, exploradores do pau-brasil, desde o século XVI e para a criação do gado no Sertão, a partir do século XVIII. 
          Entre os colonos beneficiados podemos citar: Tristão de Mendonça (eng. Tabatinga); Filipe Cavalcanti (eng. Santa Rosa, Santana e Utinga); João Gomes de Melo (eng. Trapiche/Cabo de Santo Agostinho); Sibaldo Lins e seu irmão Cristóvão Lins (eng.  em Porto Calvo-AL) Gonçalo Mendes Leitão (eng.  de Paratibe); Brás Barbalho Feio (eng. São Paulo da Várzea); José Peres Campelo (eng. Peres/Recife-Afogados); João Paes Velho Barreto, entre muitos outros.
 
Localização do município do Cabo de
 Santo Agostinho
João Paes Barreto – Nascido em 1544/Viana do Castelo/PT e faleceu em 21/05/1617 - Olinda, no Hospital Paraíso, sendo sepultado na Capela do Hospital da Santa Casa da Misericórdia/Olinda, em jazigo próprio, que construíra na capela-mor da dita Capela, gozando assim das honras de padroeiro. Ainda hoje se conserva desse monumento, cuja laje é mármore com o brasão das suas armas. Paes Barreto morreu em odor de santidade, ganhando a distinção de ingressar no hagiológio de varões santos ou virtuosos de Portugal e de suas conquistas que Jorge Cardoso escreveu em meados do século XVII. Para a fama de piedoso concorreu, sobretudo o ter sido provedor e grande benfeitor da Santa Casa de Misericórdia de Olinda.
Segundo filho de Antônio Velho Barreto (Cavaleiro da Ordem de Cristo, Morgado de Bilheira) e de Mariana Pereira da Silva, da Casa dos Regalados. Neto de João Velho Barreto, bisneto de Mendo Paes Barreto e trineto de Florentino Barreto (senhor da Torre de Constantino Barreto). Portanto, nobre, mas sem direito à herança patrimonial do rico morgadio. Irmão de: Estevão, Cristóvão, Miguel, Diogo, Antonio, Filipe e D. Catarina.
João Paes Velho Barreto veio para o Nordeste brasileiro ainda muito jovem, quase adolescente, sonhando em construir seu próprio futuro. Chegou a Pernambuco, em 1560, com 13 anos, trazendo apenas RS 60$000 (sessenta mil réis), como muitos moços que os morgadios minhotos destinavam à aventura ultramarina, pois não eram herdeiros do título de nobreza, que era passado para o filho primogênito juntamente com toda a fortuna, fazendo com que os demais filhos tivessem que trabalhar duro, o que na época era uma desonra e um tributo da classe baixa.
NOTA: Pereira da Costa e Borges da Fonseca assinalam a vinda de João Paes Barreto em 1557. Outros historiadores dizem que desembarcou em 1558. O “Relatório” de 1878, de Oliveira Maciel, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda, dá a entrada de Paes Barreto, na Nova Lusitânia, em 1560, data que também é citada por Borges da Fonseca.
Paes Barreto ao chegar a Pernambuco, o 1º donatário Duarte Coelho Pereira (1485/1554) já havia falecido, e a capitania estava sendo administrada por Brites de Albuquerque (1517/1584), sua esposa, enquanto seu filho mais velho não atingia a maior idade.
Ao pisar em terras brasileiras (1557 a 1560) logo começou a trabalhar e depois entrou para as milícias que ajudaram a conquistar o sul da Capitania. Na sequência dessas lutas pela posse das terras habitadas pelos indígenas, à medida que iam sendo ocupadas eram repartidas entre portugueses que tinham prestado relevantes serviços à Donataria de Pernambuco ou ao Reino de Portugal.
João Paes Barreto no final do primeiro século adquiriu, em Olinda, um engenho de propriedade de Luiz Henriques, e outro chamado eng. São João/Cabo de Santo Agostinho, que produzia cinco mil arrobas de açúcar e em 1637 foi vendido, pelos holandeses, para Pedro Lopes de Vera, em leilão público. Confiante no sucesso da nova jornada dedicou-se com entusiasmo à produção de cana-de-açúcar.
Participou como Capitão dos Cavalos de várias campanhas militares contra os índios da Mata Sul da Capitania de Pernambuco. Como recompensa pelos serviços prestados recebeu do Donatário ou do Reino de Portugal uma sesmaria (1571) no Cabo de Santo Agostinho, ao sul do Rio Jaboatão, no baixo Pirapama (antes rio Arassuagipe). Chegando a ser um dos homens mais ricos e influentes no início da transformadora civilização do açúcar na Nova Lusitânia, assim denominada a Capitania de Pernambuco pelo seu próprio fundador e primeiro donatário, Duarte Coelho. Nessas terras o Paes Barreto chegou a ter oito a dez engenhos que deixou para seus oito filhos.
Com o passar do temo João Paes Velho Barreto se torna o homem mais rico da Capitania, proprietário de muitos imóveis e de 08 a 10 engenhos, que foram deixados para seus filhos. Segundo Evaldo Cabral de Mello afirmar (O Nome e o Sangue), essa distribuição patrimonial fez de João Paes Velho Barreto o primeiro senhor de engenho a realizar o sonho de deixar um engenho para cada filho e orgulho para seus descendentes como dizia Joaquim Nabuco, descendente pelo lado maternoque se gabava do ancestral rico, de quem, no fim da vida, diria haver herdado a atração atávica pelas Paes nas margens do rio Lima.
NOTA: O Padre Jaboatão, tratando de João Paes Barreto, na sua referida Chronica, tom. 1.0 da 2.a parte. a fl. 131, e quando fala da povoação do Recife, diz: “Na terra era João Paes Barreto um dos seus primeiros colonos, não só em nobreza mas em bens da fortuna, e o mais rico que naquelle tempo habitava em Pernambuco; morador e assistente na freguezia de Santo Antonio do Cabo, aonde tem ainda hoje larga descendencia de oito filhos que deixou, sete varões e uma femea, chamada D. Catharina Barreto...
Em 1580, exatos 23 anos depois de ter chegado a Pernambuco e, então, com 35 anos, João Paes Velho Barreto criou o morgadio de Nossa Senhora da Madre de Deus do Cabo de Santo.
Como Capitão do Cabo de Santo Agostinho e com a idade de 45 anos, prestou serviços de alta monta na colonização da Paraíba, acudindo a convocação do Ouvidor Martim Leitão. 
Baía da Traição/Paraíba
O nome de João Paes Velho Barreto é lembra como o herói da batalha da Baía da Traição/PB  (1584), onde lutou heroicamente com seus 300 homens, após 05 dias de viagem.
João Paes Velho Barreto, Feliciano Mascarenhas, Matias de Albuquerque, Francisco e Antônio do Rego Barros, Felipe Cavalcanti, Simão Falcão, Álvaro Barreto e muitos outros, participaram da famosa missa pela conquista da Fortaleza dos Santos Reis/Rio Grande do Norte, em 24/06/1588.
Fortaleza dos Santos Reis/Rio Grande do Norte
Em 1592 foi Comandante de um dos navios armados em guerra pelo Capitão-mor de Pernambuco, Manuel Mascarenhas Homem, para a expulsão definitiva dos índios e franceses do Rio Grande do Norte.
Títulos: Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Fidalgo da Casa Real.
NOTA: Segundo o Frade Melchior de Santa Catharina, que viera para a vila de Olinda, no ano de 1585, o custodio da Ordem Franciscana e fora colono do Cabo de Santo Agostinho, João Paes Velho Barreto fora um dos colonizadores de Pernambuco e o conhecera por homem de credito e opinião, e dos mais antigos de Pernambuco.
Em seus engenhos João Paes Velho Barreto não foi displicente. Cuidou das famílias dos colonos e da sociedade local. Desenvolveu as propriedades, deu conforto aos seus e ajudou aos necessitados. Proporcionou instrução aos filhos e servidores, mantendo em suas terras escolas para o ensino de leitura, latim e aritmética, que em 1588 estava a cargo de Bento Teixeira Pinto, autor da Prosopopeia, poemeto laudatório a Jorge de Albuquerque. Mantinha pedreiros, marceneiros e obreiros. Segundo Almeida Prado, em “Pernambuco e as Capitanias do Norte”, móveis de valor nas casas grandes só quem tinha era João Paes Velho Barreto, um perdulário como Felipe Cavalcanti ou os donatários.
Depois de ter criado o morgado do Cabo para seu filho primogênito João Paes Barreto (II), Paes Barreto criou o morgado de São João de Jurissaca/Cabo de Santo Agostinho, que vinculou ao engenho com a mesma denominação. Em 1614, o morgado foi dado como dote de casamento a D. Luís de Sousa Henriques quando este se casou com sua filha D. Catarina Paes Barreto, com a condição de nele se instituir um Morgado de mil cruzados para sempre com as obrigações de 05 missas rezadas, e que a sucessão fosse dada ao primeiro filho homem, caso o casal não tivesse filho, sucederia a filha mais velha. Dom Luís, contudo, não formalizou a instituição do morgado, o que só veio a ocorrer em 1673, através de seu filho Dom João de Souza. Nota: Em 1837, o Parlamento brasileiro proibiu a instituição de novos morgadios e, em 1837 foram instintos os já existentes. Em Portugal, só foram abolidos em 1863, no reinado de D. Luís I. Uma das razões que levou à sua extinção foi o empobrecimento dos filhos não primogênitos.


Casamento 01: D. Inês Tavares Guardez, nascida em 1544, filha de Francisco de Carvalho Andrade (senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho e São Paulo/Recife-Várzea do Capibaribe) e de Maria Tavares Guardez. Ao se casar D. Inês levou de dote do engenho Guerra/Cabo de Santo Agostinho. NOTA: Através dessa ascendente, já pernambucana, terá vindo o distante sangue indígena que ainda no século XVIII atribuía-se à família Paes Barreto.
Filhos:
01- João Paes Barreto (1º Morgado do Cabo de Santo Agostinho) – falecido e sem geração. Por ser o filho primogênito seu pai lhe deu o Morgado do Cabo;
02- Estevão Paes Barreto – (2º Morgado do Cabo de Santo Agostinho, senhor do eng. Ilhetas/Cabo de Santo Agostinho). C.c. D. Catarina de Castro de Távora, filha de Martim Fernandes Távora e de Margarida Castro. C.g;
Capela do eng. Garapu/Cabo de Santo
Agostinho, hoje em ruínas
03- Filipe Paes Barreto – Senhor dos engenhos: Benfica e Garapu, ambos no Cabo de Santo Agostinho. De suas terras do eng. Benfica foi tirada a área para o aldeamento dos índios e é hoje a cidade de Barreiros. Preso pelos holandeses quando fugia para a Bahia, ao atravessar o Rio São Francisco, retornou a Pernambuco e negociou seu eng. Garapu. C.c. Brites de Albuquerque. C.g;
04- Cristóvão Paes Barreto (senhor do eng. Novo/Cabo de Santo Agostinho, que produzia 6.000 arrobas anuais e foi vendido, pelos holandeses, para Duarte Saraiva, em 1637, por 42.000 florins, em leilão público), Capitão-mor do Cabo de Santo Agostinho. Fidalgo Cavaleiro da Ordem de Cristo. C.c.  Margarida de Melo (não Maria), filha de João Gomes de Mello e Anna de Hollanda. C.g;
Capela do eng. Novo/Cabo de Santo
Agostinho
05- Miguel Paes Barreto que faleceu solteiro. Retornando a Pernambuco encontrou seu eng. Algodoais muito destruído e talvez tenha revendido a Gaspar Wanderley, durante a ocupação holandesa;
06- Diogo Paes Barreto (senhor do engenho Una/Cabo de Santo Agostinho, confiscado pelos holandeses), em 1625 doou um monte onde foi construída a igreja de São Gonçalo ao patrimônio da freguesia de Una;
07- Catarina Paes Barreto c.c.. Luís de Sousa Henriques , que recebeu de dote o Morgado de Jurissaca/Cabo de Santo Agostinho;
08- Maria Paes Barreto, freira.


Senhor dos engenhos: Algodoais/Cabo de Santo Agostinho; Garapu/Cabo de Santo Agostinho; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Jacaré//Cabo de Santo Agostinho; Jurissaca/Cabo de Santo Agostinho; Madre de Deus ou Velho, antes Pirapama/Cabo de Santo Agostinho; Santa Apolônia ou Ilha/Cabo de Santo Agostinho; Santo Estêvão/Cabo de Santo Agostinho; São João/Cabo de Santo Agostinho; de Luiz Henriques/Olinda (seu primeiro engenho); São João/Cabo de Santo Agostinho (que produzia 5.000 arrobas no princípio do século XVI).
Proprietário de um passo no Recife, junto ao Rio Capibaribe, onde os rebelados luso-brasileiros queriam construir o Arraial Novo, pois no tempo de inverso, tinha provisão de água e lenha, para o provimento necessário. Mas João Fernandes Vieira, Felipe Camarão, Henrique Dias e outros disseram que não convinha o local porque deixaria a infantaria encurralada, e que era melhor fazer estâncias em volta de Recife e da Cidade Maurícia.


Fontes consultadas:
BARRETO, Carlos Xavier Paes. Primitivos Colonizadores Nordestinos. 2º Edição. Usina de Letras. Rio de Janeiro, 2010. 400 Pág.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarchia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1926.
CALADO, Manoel.(Frei). O Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade. Vol. I e II. 5ª edição. Governo de Pernambuco. CEPE, 2004.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pais_Barreto_(sobrenome)
MELLO, Evaldo Cabral de. O nome e o Sangue. Uma parábola famililar no Pernambuco colonial. 2ª edição revista. Edt. Topbooks. Rio de Janeiro, 2000.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurda. Guerra e açúcar no Nordeste. 1630-1634. 3ª edição revisada. Edt. 34. São Paulo, 2007. 384 pag.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês.  2ª Edição. CEPE/Companhia Editora de Pernambuco. Recife, 2004.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Coleção Pernambucana. Vol. XV. 2ª edição. BNB. Gov. de Pernambuco. Recife, 1979.
Pergunte a Pereira da Costa. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Volume 1,Edições 1-12 (Google e-Livro)

Em 1560, João Paes Barreto instituiu o primeiro Morgado (1) no Brasil chamado Morgado da Madre de Deus, do Cabo ou dos Paes, com uma légua quadrada, com a competente permissão régia, cuja escritura foi lavrada em 28/10/1580 pelo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, segundo Nota do Tabelião, Secretário e Escrivão da donataria Amaro de Rezende e constituído, por Alvará Real de 28/07/1603. 
Do instrumento público de instituição do morgado consta que os bens vinculados foram os engenhos: Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe, Santo Estevão, Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha) e Guerra, todos situados no Cabo de Santo Agostinho, e duas casas situadas na vila de Olinda, cujos bens, tirados das terças de cada um deles, constituiriam o patrimônio do vínculo, sendo a sua renda, então, estimada em 1.000 cruzados anuais, exclusivamente destinadas à satisfação dos encargos pios e religiosos da instituição. Esse morgado foi instituído para seu filho primogênito João Paes Barreto, o Moço, e seus sucessores igualmente primogênitos, e na falta destes os seus imediatos, segundo a ordem de sucessão por direito estabelecida; e submetido depois o instrumento de instituição à aprovação régia (Alvará de 25/07/1603).
O Morgado de Nossa Senhora da Madre de Deus do Cabo de Santo Agostinho, depois de atravessar uma existência de mais de dois séculos e meio, foi extinto, em virtude da Lei de 06/10/1835, e durante tão longo período teve 08 administradores ou morgadios todos descendentes de João Paes Velho Barreto e de D. Ignez Guardês de Andrada.

Morgadios do Cabo

Cavaleiro de Cristo.
Ordem Honorífica de Portugal
1 - João Paes Barreto, “o Moço” – Falecido durante a ocupação holandesa. Filho de João Paes Velho Barreto e de D. Inês Guardês de Andrada. Neto paterno de Antônio Velho Barreto, nobre de Viana/Foz do Lima/PT, e de Mariana Pereira da Silva. Neto materno de Francisco Fernandes Carvalho de Andrade (eng. São Paulo/Recife) e de Maria Tavares Guardês. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda. 1º Morgadio do Cabo de Santo Agostinho. Tenente-General. Capitão dos Cavalheiros. Loco-Tenente da Capitania, em substituição ao seu cunhado, D. Luiz de Souza Henriques, de 1617/1620, quando entregou o poder ao governador nomeado Matias de Albuquerque. Durante a ocupação holandesa fugiu com todos seus irmãos e famílias (1635), no grande êxodo dos senhores de engenho da Capitania de Pernambuco, acompanhando o General Mathias de Albuquerque, deixando para trás tudo o que não podia ser levado, mas levando consigo cerca de 350 escravos. Participou da Insurreição Pernambucana. Cavaleiro do Hábito de Cristo. Foi para Madrid, em 1537, onde foi Capitão da Guarda do Rei da Espanha, levando consigo três criados, que trouxe depois de volta. Fidalgo da Casa Real da Espanha. Se encontrava na Bahia depois de 1640.


Casamento 01: D. Anna Corte Real, filha de Affonso de Franca, Governador de Marzão/PT, e de D. Catharina de Franca.
Filhos: Sem geração.
NOTA: Por não ter tido geração o Morgado foi herdado por seu irmão  Estevão Paes Barreto.


Senhor dos engenhos: Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho e Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Jacaré/Cabo de Santo Agostinho (herdado por D. João de Sousa). 


Fontes consultadas:
CALADO, Manoel.(Frei). O Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade. Vol. I. Governo de Pernambuco. CEPE, 2004.
Memórias Diárias. Pág. 263.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt. 34. 3ª edição definitiva. São Paulo, 2007.

Igreja Santo Antônio, hoje Matriz do
 município do Cabo de Santo Agostinho.
        Em uma elevação à margem do Rio Arassuagipe, no seu eng. Madre de Deus ou Velho, antes Pirapama/Cabo de Santo Agostinho, João Paes Barreto mandou construir a capela de Santo Antônio, hoje Matriz do município do Cabo de Santo Agostinho. Para poder construir a Igreja requereu em 09/09/1622, permissão ao bispado geral do Brasil, o que foi prontamente atendido; sendo o seu primeiro vigário o Padre Matheus de Souza Uchoa. CURIOSIDADES: Reza entre a população que não se sabe onde a imagem de Santo Antônio fora encontrada. Colocada na antiga Capela de São José, segundo Frei Jaboatão, mas desapareceu por duas vezes, até que foi construída a Igreja de Santo Antônio,  onde a imagem permaneceu até hoje e que lhe atribuem vários milagres.   
Durante a ocupação holandesa (1630/1654) a família Paes Barreto fugiu para a Bahia abandonando todos os engenhos e bens que não podia ser levado. Todos os engenhos do Morgado do Cabo foram confiscados pela Companhia das Índias Ocidentais entre 1635 e 1637. Com a restauração de Pernambuco o então Governador da Capitania, General Francisco Barreto de Menezes, que liderou a expulsão dos flamengos, revogou o confisco de todos os engenhos da Capitania de Pernambuco e muitos voltaram para as mãos de seus antigos proprietários.
 Em 1653,  Estevão Paes Barreto, segundo filho e 2º Morgado, fez um requerimento ao General Francisco Barreto de Menezes solicitando a devolução dos bens de sua família, e foi prontamente atendido.
2 - Estevão Paes Barreto – Filho de João Paes Velho Barreto e Inês Guardês de Andrada. Neto paterno de Antônio Velho Barreto, nobre de Viana/Foz do Lima/PT, e de Mariana Pereira da Silva. Capitão–mor. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda. 2º Morgadio do Cabo de Santo Agostinho (em torno de 1653). Capitão-mor, irmão do precedente, que ficou, após a Restauração de Pernambuco, por direito de sucessão, falecido o primeiro morgado, com os engenhos que haviam sido confiscados pelos invasores holandeses.
NOTA: Segundo Evaldo Cabral de Mello (O Nome e o Sangue) alguns genealogista como Antônio de Sá e Albuquerque e seu filho Afonso de Albuquerque de Mello, excluem o 2º morgado, o primeiro Estevão Paes Barreto fazendo passar a sucessão do vínculo diretamente do seu irmão João Paes Barreto (I), para o filho de Estevão, João Paes de Castro, que teria sido o 2º morgado. Mas os competentes genealogistas da família, como Gilberto Osório de Andrade e Sylvio Paes Barreto atribuem o 2º morgado a Estevão Paes Barreto.


Casamento 01: Catarina de Castro de Távora, filha de Miguel (Martim) Fernandes Távora (natural de Lisboa, Fidalgo Escudeiro) e de Margarida Castro (natural de Ipojuca).
Filhos:
01- João Paes de Casatro (3º Morgado do Cabo) c.c. Anna do Couto, filha de André do Couto e de uma filha de Arnau de Holanda e de D. Beatriz Mendes de Vasconcelos. S.g;
02- Estevão Paes Barreto (4º Morgado do Cabo) c.c. Maria (Barreto) de Albuquerque, sua prima;
03- Margarida Alves de Castro c.c. João Paes Barreto de Melo.


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas/Cabo de Santo Agostinho. 


Fontes consultadas:
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1903 Vol 25 (1)
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (10)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial. Edt. Topbppls. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro. 2000. 308 pág.


3 - João Paes de Castro – Filho de Estevão Paes Barreto (2º Morgadio) e de D. Catarina de Castro de Távora. Bisneto dos fundadores do Morgado, João Paes Velho Barreto e Inês Guardês de Andrada. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda. 3º Morgadio do Cabo. Por não deixar descendente o Morgadio foi passado para seu irmão Estevão Paes Barreto.


Casamento 01: Anna do Couto, filha de André do Couto e de uma filha de Arnau de Holanda e de D. Beatriz Mendes de Vasconcelos.
Filhos: Sem geração.


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho e do Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha)/Cabo de Santo Agostinho, (fundador do engenho)


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (10)
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial. Edt. Topbppls. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro. 2000. 308 pág.


4 - Estevão Paes Barreto – Filho segundo de Estevão Paes Barreto (2º Morgadio) e de D. Catarina de Castro de Távora. Capitão-mor do Cabo de Santo Agostinho. Juiz Ordinário do Cabo de Santo Agostinho. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda.  4º Morgadio do Cabo.


Casamento 01: Maria (Barreto) de Albuquerque, sua prima, filha de D. Felippe Paes Barreto e de D. Brites de Albuquerque.
01- João Paes Barreto (5º Morgado do Cabo) c.c. D. Maria Maior de Albuquerque, sua prima, filha do Capitão-mor José de Sá de Albuquerque;
02- Felippe Paes Barreto (Capitão-mor do Cabo de Santo Agostinho e Professo no Hábito de Cristo. Teve uma participação decisiva da Guerra dos Mascates, 1710-1711, defendendo os interesses do Recife e do Brasil)c.c. sua prima D. Margarida Barreto de Albuquerque, filha do Sargento-mor Antônio Paes Barreto e de D. Margarida de Barros. C.g;
03- Diogo Paes Barreto, religioso de São Felippe Nery, no Convento da Madre de Deus/Recife. Solteiro e s.g;
04- Antônio Paes Barreto c.c. D. Maria da Fonseca Barbosa, filha do Padre Affonso Broa. C.g;
05- Fernão Rodrigues de Castro primeiro marido de D. Brites Maria da Rocha, filha do Sargento-mor João Marinho Falcão e de Maria da Rocha. C.g;
06- Miguel Paes Barreto (Preso pelos holandeses quando fugia para a Bahia, quando atravessava o Rio São Francisco) c.c. D. Maria de Amorim, em Alagoas, filha de Manoel Rodrigues Calheiros. S.g;
07- Francisco Barreto Corte Real, Sacerdote do Hábito de São Pedro. Faleceu soleiro. S.g.


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha)/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho. 


Fontes consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial. Edt. Topbppls. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro. 2000. 308 pág.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (10)
http://bestaesfolada.blogspot.com.br/2010/12/genealogia-brasileira-joaquim-nabuco-e.html


5 - João Paes Barreto – Filho de Estevão Paes Barreto e de D. Maria de Albuquerque. Capitão-mor das Ordenanças do Cabo de Santo Agostinho. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda.  5º Morgado do Cabo. Moço Fidalgo da Casa. Real Faleceu assassinado pelos soldados paulistas do terço dos Palmares, comandados por Bernardo Vieira de Mello, na estrada entre o eng. Velho e da Guerra que o acusava de ter tido um caso com a esposa de seu filho André Vieira de Mello, D. Anna de Faria de Mello.
Segundo Evaldo Cabral de Mello (O nome e o sangue) durante o levante da nobreza de Olinda (10/1710), o Capitão-mor do Cabo o 5º Morgado João Paes Barreto, e sua gente eram simpáticos à causa dos mascates, mesmo marchando com sua gente para o Recife sob a pressão ou a ameaça dos chefes da nobreza pernambucana. João Paes Barreto procurou moderar o radicalismo dos momentos iniciais da revolta, se é que não chegou a pensar em bandear-se para os mascates.


Casamento 01: D. Maria Maior de Albuquerque, sua prima, filha do Capitão-mor José de Sá de Albuquerque.
Filhos:
01- João Paes Barreto, sucessor do Morgado, c.c. D. Manoella Lusia de Mello;
02- D. Ignez Brites Xavier Barreto c.c. o Capitão-mor João Paes Barreto de Mello, filho do Capitão-mor Christóvão Paes Barreto e de D. Maria Wanderley;
03- D. Maria do Ó de Albuquerque, solteira.


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha)/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho.


Fontes consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial. Edt. Topbppls. 2ª edição revisada. Rio de Janeiro. 2000. 308 pág.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (10)
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucidemo. Vol I ebII. 5ª edição. CEPE. Recife, 2004
Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Olinda

6 - João Paes Barreto – Filho de João Paes Barreto e de D. Maria Maior de Albuquerque. Capitão-mor do Cabo de Santo Agostinho. Provedor e fundador do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Olinda.   6º Morgado do Cabo.
Casamento 01: D. Manoella Lusia de Mello, sua prima, filha do Capitão Fernão Rodrigues de Castro e de D. Brites Maria da Rocha.
Filhos: Menores e 1748.


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (10)


7- Estevão José Pais Barreto – Filho de João Paes Barreto (6º morgado do Cabo) e de Maria Luisa de Melo. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda. Mestre de Campo do Cabo, Muribeca e Ipojuca.  7º Morgado do Cabo.


Casamento 01: Maria Isabel Pais Barreto, filha de Filipe Paes Barreto e Maria Isabel Barreto.
Filhos:
01- Francisco Paes Barreto (1º Marques do Recife e 8º e último Morgado do Cabo) c.c. Teresa Luísa Caldas Barreto e depois com Cândida Botelho Sampaio;
02- Maria José Felicidade Barreto c.c. Francisco Antônio de Sá Barreto;
03- Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo c.c. o Senador José Tomás Nabuco de Araújo (pais de Joaquim Nabuco);
04- Joaquina Antônia Paes Barreto c.c. o Mestre de Campo Luiz José de Caldas Lins


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha)/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho. 


Fontes consultadas:
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=641912


8- Francisco Paes Barreto – Nasceu em 26/05/1799/eng. Velho no Cabo de Santo Agostinho e faleceu em 1848/Cabo de Santo Agostinho. Filho do Mestre de Campo Estevão José Paes Barreto e de Maria Izabel Paes Barreto, família que se destacou na vida política e social de Pernambuco, desde a conquista da terra, no século XVI, quando João Paes Velho Barreto participou da luta travada por Duarte Coelho de Albuquerque, contra os índios, ao sul de Pernambuco. Entre seus antepassados havia sangue de cristão-novo, que passou disfarçado durante longos anos, sem que a inquisição o incomodasse. Irmão de Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo c.c. o Senador José Tomás Nabuco de Araújo, pais de Joaquim Nabuco. Neto paterno do Capitão-mor João Paes Barreto e Maria Luiza de Mello. Neto materno de Felipe Paes Barreto e Isabel Barreto
Francisco Paes Barreto cresceu no meio rural e estudou com professores particulares. Estabeleceu-se como senhor de engenho na freguesia do Cabo de Santo Agostinho. Primeiramente foi herdeiro do título e dos direitos do "Morgadio do Cabo", recebendo por herança uma grande quantidade de terras, formada pelos engenhos: Velho, Santo Estevão, Ilha e Guerra. Depois fundou os engenhos: Campo Alegre, São José, Caramuru, Junqueira e Camaçari, totalizando 09 engenhos de açúcar. Proprietário e diretor do Hospital do Paraíso, onde uma sala era reservada para as reuniões maçônicas da Academia do Paraíso. Tinha à sua volta vários amigos, parentes, agregados e grande número de escravos.
Rico e com grandes poderes, exerceu diversos cargos públicos e forte influência na vida política e social de Pernambuco.
Foi um dos fundadores de 03 associações patrióticas, que tiveram importante atuação como centros e efervescentes debates políticos, que ficaram sendo chamadas de Academia Paraíso. A Academia passou a ser  uma escola com ideais democráticos, princípio do sentimento do povo pernambucano para uma revolução consequente, tendo em vista a autonomia de Pernambuco e a Independência Nacional. Extintas após o insucesso da Revolução de 1817.
Capitão-mor Comandante da Companhia de Ordenanças do Cabo na Revolução de 1817, ficando à frente de um grupo revolucionário. Reunindo suas tropas, se dirigiu ao Recife, participando do cerco ao Forte do Brum, contribuindo para a prisão do governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. Derrotado o movimento, foi preso e levado para a Bahia, permanecendo quatro anos na prisão e, depois, retornando ao Recife, onde novamente seria preso e remetido para Lisboa, por conta da tentativa de assassinato de Luiz do Rego, o presidente da província de Pernambuco que massacrara os derrotados de 1817. Reunidos no lago do Erário, preparavam a constituição do governo provisório da república. Com prestígio e fortuna, esperou ser eleito membro do governo republicano, mas seu nome não estava na lista. Decepcionado retirou-se para o Cabo, acompanhando os acontecimentos, sem negar apoio à República. Diante da vitória das tropas reais, Francisco Paes Barreto propôs uma rendição honrosa dos revolucionários, que não aceitaram e deixaram a cidade. Paes Barreto foi preso e remetido para Bahia, nos porões do navio Carrasco, e colocado na cadeia da Relação, onde permaneceu durante quatro anos.
Com a anistia geral, em 1821, de volta ao Recife, foi novamente preso, acusado pelo Governador Luís do Rego, de envolvimento com o atentado contra sua vida. Junto com vários pernambucanos, foi remetido para Lisboa. Após a vitória da revolução constitucionalista do Porto, foi libertado e autorizado a voltar para sua terra. De volta às atividades políticas, presidiu a Junta de Governo, mas ameaçado por grupos populares, retirou-se para o Cabo.
Novamente em liberdade, retornou a Pernambuco e, depois que Luiz do Rego foi expulso do governo, integrou a Junta Provisória do governo da Província de Pernambuco (09/1822 a 12/1823), conhecida como "Governo dos Matutos" que elegeu o presidente Manoel de Carvalho Paes de Andrade.
Presidente da Província, nomeado pelo imperador D. Pedro I no início de 1824, o que desencadeou a crise que levou à eclosão da Confederação do Equador. Sobre essa nomeação, Frei Caneca assim se manifestou, à época, nas páginas do Typhis Pernambucano: "Pode Sua Majestade dar padrões de tenças, títulos de barões, viscondes, condes, marqueses e duques; porém dar ciência a um tolo, valor a um covarde, virtude a um vicioso, honra a um patife, amor da pátria a um traidor, não pode Sua Majestade”. A indignação de Frei Caneca devia-se ao posicionamento de Francisco de Paes Barreto durante a Confederação do Equador. Anteriormente, durante a Revolução Pernambucana (1817), Paes Barreto fora uma figura decisiva. No entanto, no caso da Confederação do Equador, colocara-se radicalmente contra o movimento separatista pernambucano, tendo sido um dos líderes daqueles que defendiam a União com o governo central. Paes Barreto foi às armas e sufocou os revoltosos, o que inspirou sentimentos de amor mas também de ódio entre os pernambucanos, com relação a ele. Com a promulgação de uma Constituição pelo imperador D. Pedro I, cabia ao mesmo nomear os presidentes das Províncias e Paes Barreto foi nomeado para Pernambuco, no dia 23/02/1824. A junta, presidida por Manuel de Carvalho Paes de Andrade recusou-se a entregar-lhe o poder. Os desentendimentos entre a junta e o imperador se aprofundaram e Manuel de Carvalho proclamou a Confederação do Equador, separando Pernambuco do império, em 02/07/1824.
A revolução teve curta duração, por terra, as tropas comandadas por Francisco de Lima e Silva, cercaram e venceram os rebeldes. Paes Barreto não foi mais indicado para a presidência da Província, mas recebeu a honra de Grã Cruz da Ordem Imperial e o título de Visconde do Recife, com grandeza, em 04/05/1825. Viajou para o Rio de Janeiro onde recebeu o título de Armeiro-Mor do Império e Visconde do Recife, com grandeza a 04/05/1825. Elevado a Marquês do Recife, por carta imperial, em 12/10/1825. 
Com tantos serviços prestados ao Brasil, aos 46 anos de idade, Francisco Paes Barreto resolveu afastar-se da vida pública e dedicar-se aos seus negócios particulares. Retornou, então, para o lugar de simplicidade onde havia começado sua luta pela independência nacional. Voltou para a administração do tradicional Hospital Paraíso onde permaneceu até o final de sua vida.


Casamento 01: Teresa Luísa Caldas Barreto, sua sobrinha, considerada uma jovem virtuosa, filha de sua irmã Joaquina Antonio Paes Barreto e do Mestre de Campo Luiz José de Caldas Lins.
Filhos:
01- Francisco Paes Barreto;
02- José de Castro Paes Barreto;
03- Luiz Francisco Paes Barreto;
04- Maria Isidora Paes Barreto;
05- Francisco Luiz Paes Barreto;
06- Estevão Paes Barreto.
Casamento 02: Cândida Botelho Sampaio. (http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=1042511)
Filhos:
07- Maria Francisca Paes Barreto;
08- Francisco Paes Barreto;
09- Paulino Paes Barreto;
10- Joana Francisca Paes Barreto;
11- João Francisco Paes Barreto;
12- João Gil Paes Barreto;
13- Camilo Paes Barreto;
14- Braziliano Paes Barreto;
15- Eugênio Paes Barreto.


Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Pirapama (Santa Apolônia ou Ilha)/Cabo de Santo Agostinho, Santo Estevão/Cabo de Santo Agostinho, Velho ou Madre de Deus, antes Roseagipe/Cabo de Santo Agostinho, herdados com o morgado do Cabo e depois comprou os engenhos: Campo Alegre, São José, Caramuru, Junqueira e Camaçari.


Fontes consultadas:
VASCONCELOS, Rodolfo Smith de, VASCONCELOS, Jaime Smith de. Arquivo nobiliárquico brasileiro. Lausana, 1918.
Alcides, Jota. Marquês do Recife., Francisco Paes Barreto. Benemérito da Pátria. Brasília, Fatorama, 2004

Igreja e Hospital Paraíso/Recife





Fontes consultadas:
Costa, A. F. Pereira da. Anais Pernambucanos. Recife: Arquivo Público Estadual de Pernambuco. Tomo IV, P468, 1954.
Cavalcanti, Alfredo Leite. História de Garanhuns- 2ª edição- Biblioteca Pernambucana de História Municipal.-1997.
Dalgado. 1988 (I, 78)
Felner. 1868 (vi-ix e 45-55)
GARCÍA CÁRCEL, Ricardo et al. Historia de España. Tomo 5: La España del siglo XVI; Ed. Espasa; Espanha.
Hildete Pereira de Melo. Teresa Cristina Novaes Marques. A partilha da riqueza na ordem patriarcal. Disponível em: http://www.anpec.org.br/encontro2001/artigos/200101222.pdf
ROSA, Maria de Lourdes - O Morgadio em Portugal. Lisboa: Editorial Estampa, 1996.
Silva, Maria Beatriz Nizza da. Ser nobre na Colônia. UNESP, 01/01/2005 - 341 pág.