Fontes

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07/03/2017

Primeiros engenhos de Pernambuco

Ilha de Itamaracá

            A Ilha de Itamaracá - Capitania de Itamaracá, já era habitada 09 anos antes do descobrimento do Brasil, de acordo com o 1º Processo Judicial no Tribunal Francês de Bayone/França, sobre os crimes praticados no navio “La Pélerino”, onde podemos constatar que nessa época moravam na Ilha náufragos, que possuíam casas de alvenaria.  Há também documentos que registram a passagem pela Ilha dos portugueses: João Coelho da Porta da Cruz e Duarte Pacheco Pereira, em 1493 e 1498, respectivamente.

            A primeira estrutura de defesa do litoral brasileiro foi construída na Ilha de Itamaracá pelo navegador português Cristóvão Jacques, que tinha recebido do rei D. Manoel I a incumbência de guarnecer a costa brasileira e expulsar os piratas franceses (1516-1519), que negociavam o pau-brasil com os nativos indígenas. Essa fortaleza foi feita de pau-a-pique e ficava localizada junto ao Canal de Santa Cruz - foz do Rio Igarassu, na margem direita da foz do Rio Igarassu, sendo muito usada para proteção de poucos portugueses que residiam na Ilha.
D. Manuel I, o Valeroso
O Rei Dom Manuel I, de Portugal, em 1516, adotou o sistema de capitanias de mar e terra, que tinha tempo determinado de exploração. Na costa do Brasil foram outorgadas as primeiras dessas capitanias a Fernão de Loronha (Ilha de Fernando de Noronha) e a Pedro Capico (em Pernambuco), por dez anos. Nessa mesma época ocorre a primeira tentativa de colonização metódica e aproveitamento da terra com base na plantação da cana (levada da Ilha da Madeira ou de Cabo Verde) e na fabricação do açúcar. Para isso o Rei expediu dois alvarás que instruía que se procurassem práticos para instalação de engenhos e lhes dessem todo tipo de ajuda para este fim.
Pedro Capito aproveitando a vinda de Cristóvão Jacques para o Brasil a fim de combater os piratas franceses chega a Pernambuco e assim que aporta começa o plantio da cana de açúcar  e depois constrói um engenho para a extração do açúcar (1º engenho da Capitania de Itamaracá e do Brasil). 
Marco que Duarte Coelho Pereira mandou erguer para marcar
a divisa entre as Capitanias de Pernambuco e Itamaracá.
Dez anos depois (1526) no Livro da Casa da Índia da Alfândega de Lisboa/PT, o engenho de açúcar de Pedro Capico aparece como contribuinte sobre a produção de açúcar fabricado na Ilha de Itamaracá/PE. Esse documento vem comprovar que a primeira fábrica de açúcar foi construída na Capitania de Itamaracá/PE, destruindo o que escreveu frei Gaspar da Madre de Deus e outros escritores, quando dizem que o açúcar brasileiro foi extraído primeiramente na Capitania de São Vicente. Na verdade a cana-de-açúcar só vem a ser plantada na Capitania de São Vicente, entre 1533 e 1534, quando foi firmado um contrato social entre Martim Afonso e seu irmão Pero Lopes de Souza, como se refere Dr. Freire Alemão, com João Vicente Veniste, Francisco Lobo e Vicente Gonçalves para a construção de 02 engenhos, sendo um em São Vicente (engenho São Jorge) e outro na Capitania de Itamaracá.
O Brasil nesse período colonial se torna o polo de maior interesse dos portugueses, pois os lucros com o comércio das Índias haviam desaparecido através de construção de edifícios majestosos, presentes, sustentos da realeza. Começa então a faltar recursos para construção de navios, organização e manutenção das guarnições militares, o que leva o governo português a contrair empréstimos junto a banqueiros.
Capitanias Hereditárias
            Sem recursos Portugal resolve implantar o sistema de Capitanias Hereditárias para colonização do Brasil. O Rei D. João III divide o Brasil em 15 lotes e os entrega a Donatários (pessoas nobres ou que tivessem realizados serviços para o reino). Cabia ao donatário: colonizar a capitania, fundar vilas, policiar as suas terras, proteger os colonos contra os índios e piratas estrangeiros, fazer cumprir o monopólio real do pau-brasil, , teria o direito de doar terras de sesmarias, escravizar índios, montar engenhos de açúcar, fazer cumprir o monopólio real do pau-brasil e do comércio colonial, cobrar impostos e exercer a justiça em seus domínios;  caso fosse encontrado metais precisos, 1/5 do valor seria enviado à Coroa. Em contrapartida a capitania seria passada para seus herdeiros, por isso o nome de Capitania Hereditária.
           Em 10.03.1534, a primeira capitania é doada ao militar Duarte Coelho Pereira, pelos serviços prestados ao Reino, através de carta de doação subscrita em Évora/PT no dia 25 do mesmo mês. A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia, tinha 60 léguas de costa brasileira, incluindo os estados de:  Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e parte da Bahia.  Duarte Coelho que na época tinha 64 anos de idade, resolve partir para o Brasil, mesmo podendo administrar a Capitania de Portugal, para isso, consegue ajuda dos banqueiros: Fugger de Augsburg, através de seus prepostos, e dos primos Sibald Linz von Dordorf e Christoph Lins.

             Em 09.03.1535, Duarte Coelho desembarca na Ilha às margens do Canal de Santa Cruz, onde havia um núcleo de povoamento, depois conhecido como o Sítio dos Marcos, por conta do marco fincado nesse lugar que indicava a fronteira entre a Capitania de Itamaracá e a de Pernambuco. Em sua comitiva vieram: sua mulher D. Beatriz (Brites) de Albuquerque, o seu cunhado Jerônimo de Albuquerque, parentes, várias famílias “nobres do Norte de Portugal”, judeus especialistas na montagem de engenhos de açúcar e feitores com experiência nas plantações da cana-de-açúcar na Ilha da Madeira e em São Tomé, já que a Coroa portuguesa já conhecia bastante a região para esperar que a cana-de-açúcar se desse bem, pois o clima quente e úmido da costa lhe seria altamente favorável. Acompanhou-o, por determinação de El-Rei, interessado na organização administrativa da colônia, e na assistência espiritual aos que ali iam viver, o Feitor e Almoxarife Real, Vasco Fernandes de Lucena, aquinhoado com dois por cento das rendas que fossem arrecadadas, e mais um Vigário, que foi o Padre Pedro Figueira, com quatro capelães, recebendo aquele um ordenado anual de quinze mil réis, e os outros oito mil réis cada um. (GUERRA, 1984, p. 22).
Duarte Coelho Pereira
            Assim que Duarte Coelho e sua comitiva desembarcaram, se instalaram em uma feitoria régia, fundada por Cristóvão Jacques, para evitar o tráfico do pau-brasil e combater os piratas franceses. CURIOSIDADES: Nas cartas de doação da Capitania Hereditária, feita por D. João III (1521-1557) a Duarte Coelho, existe a seguinte referência sobre a feitoria existente na Ilha de Itamaracá: “Cristóvão Jacques fez a primeira casa de minha feitoria a cinquenta passos da feitoria pelo rio adentro ao longo da praia”. (Castro, 1940:130)
Na feitoria existia uma fortaleza de pau a pique, para defesa dos habitantes locais, mas tinha sido construída em um local muito baixo e sujeito a inundações, o que facilitava ataques dos índios. Por esses e outros motivos Duarte Coelho seguiu para o Sul da Capitania à procura de um local seguro para instalar a sede de seu governo (Olinda), dando ordem ao seu Lugar-Tenente Afonso Gonçalves, companheiro de suas viagens à Índia, para que comandasse uma expedição à procura de água e de um lugar para construção de uma Vila e de um engenho de açúcar.
            Em 08/08/1535, dia de São Domingos, o Capitão partiu navegando pelo Rio Jussara (depois São Domingos) e até a região onde hoje se encontra o município de Igarassu ocorrem diversas batalhas com os índios Caetés, aliados dos piratas franceses que queriam expulsar os portugueses. No dia 27.09 do mesmo ano, o Capitão consegue vencer uma batalha e em comemoração, manda construir uma capela que dedicou aos Santos mártires Cosme e Damião, a primeira do Brasil – ainda hoje existente; no seu entorno funda uma povoação com o mesmo nome, depois Igarassu.
Para o povoamento da vila, Afonso Gonçalves mandou vir de Viena/PT vários de seus parentes com suas famílias, muitos deles pobres, que começaram logo a trabalhar, plantando lavouras de sustento e cana de açúcar. Rapidamente a Vila se torna uma grande e abastada aldeia, que enfrenta larga resistência, combates e pelejas com os indígenas locais.
            O engenho logo foi construído e ficou sendo conhecido como o engenho do Capitão. Pereira da Costa cita a construção do engenho dos Capitão nos Anais Pernambucanos:  Para a nascente vila mandara ele vir de Viana seus  parentes, -”que tinha muitos e muitos pobres, os quais vieram logo com suas mulheres e filhos e começaram a lavrar a terra entre os mais moradores, que já havia, plantando mantimentos e canas de açúcar, para o que começara já o Capitão a fazer um engenho.” (COSTA, 1983, p. 250).

Igarassu


            Em 1536, Jerônimo de Albuquerque, irmão de D. Beatriz (Brites) de Albuquerque c.c. o Donatário Duarte Coelho Pereira, funda em uma sesmaria recebida do Donatário, o engenho Nossa Senhora da Ajuda/Olinda.
            Numa carta ao Rei de Portugal D. João III em 05.1548, Afonso Gonçalves pedia ajuda para manutenção da capela, do povoado dos Santos Cosme e Damião em Igarassu que ele fundara e para combater as constantes investidas dos índios Caetés que continuavam as guerras para expulsão dos portugueses. Em uma dessas batalhas os indígenas cercaram Igarassu por vários meses, e em um dos combates o Capitão Afonso Gonçalves foi ferido mortamente por uma flechada. Em socorro a Igarassu, Duarte Coelho contratou um navio bombardeio sob o comando do alemão Hans Staden. O conflito findou com a derrota dos índios que foram obrigados a fugir. 
            Em 1539 e 1542, Duarte Coelho escreve ao Rei pedindo permissão para buscar escravos de Guiné/África, pois os índios não deram para o trabalho escravo.
            No ano de 1542 o Donatário constrói o engenho São Salvador, depois Beberibe/Recife, o segundo engenho que se tem notícias da Capitania de Pernambuco. Suas terras ficavam localizadas a uma légua de Olinda, na margem direita do Rio Beberibe, que nasce em Camaragibe. A casa de vivenda campeava junto ao rio, à direita da ponte do Varadouro/Olinda, e a pouca distância, para o Norte, na entrada da rua foi situado o edifício da fábrica, ficando de permeio a capela da fazenda, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, porém mais afastada, para Oeste; de forma que se traçando uma linha de união entre as construções, teríamos um triângulo perfeito.
Resultado de imagem para engenho beberibe
Engenho para beneficiamento
da cana de açúcar
            Atualmente não resta mais nada do engenho e suas terras foram reocupadas pela zona urbana do bairro do Cajueiro/Recife.  NOTA: O primeiro engenho pernambucano foi fundado em Igarassu e se chamava engenho do “Capitão”, construído pelo Capitão Afonso Gonçalves a mando de Duarte Coelho, mas teve uma existência curta devido aos ataques indígenas. NOTA: Pereira da Costa associa o engenho Eenkalchoven, ao engenho São Salvador, e (Gonsalves de Mello, 1976), pg. 32, o associa, acertadamente, ao Engenho Velho de Beberibe, sob invocação de Nossa Senhora da Ajuda, o 'N S ᵭ Aiuda' do BQPPB*.
            Levantada as edificações do engenho e plantado os canaviais, começaram logo a afluir diversos moradores, que obtiveram a concessão de lotes de terras para da lavoura de cana, dentre os quais temos notícias de um Francisco Barbosa c.c. Maria de Oliveira. NOTA: Nélson Barbalho em sua “Cronologia Pernambucana V. 05 – parte 02”, diz que Francisco Barbosa e de Maria de Oliveira, foram um dos primeiros casais que chegaram com o 1º Donatário, e que levantado o engenho Beberibe se tornaram um dos primeiros lavradores, depois que obtiveram a concessão de um lote de terra para a cultura da cana de açúcar. CURIOSIDADES: Um neto do casal Francisco Barbosa e Maria de Oliveira, o Capitão João de Freitas da Cunha foi um militar distinto, nascido em terras do engenho Beberibe, exerceu o cargo de Capitão-mor do Ceará, entre 1696 e 1699, depois sucessivamente foi nomeado Sargento-mor de um Terço da Guarnição de Pernambuco e promovido a mestre-de-campo comandante de um terço, falecendo entre 1711 e 1712.
Resultado de imagem para d. joão iii
D. João III - o Piedoso
No anto de 1546, tendo sido atendido por D. João III no sentido de trazer escravos africanos, o Donatário escreve outra vez ao Rei, para avisá-lo sobre a remessa de uma “caixa com mostra de açúcares escolhidos para V.M. ver....” Com esse ato foi consolidado o poder do Donatário Duarte Coelho obtendo de Portugal o privilégio de ficar isento da jurisdição do 1º Governador Geral do Brasil Tomé de Souza.
            Nesse contesto da indústria canavieira do Brasil colônia, se deve a Duarte Coelho o cultivo da cana de açúcar e a qualidade do açúcar fabricado em Pernambuco.  Em 1549, Pernambuco já possuía 30 engenhos-banguê; a Bahia, 18; e São Vicente, 02. A lavoura da cana-de-açúcar era próspera e, meio século depois, a distribuição dos engenhos perfazia um total de 256 engenhos.
Pernambuco, a mais rica das Capitanias durante o ciclo da cana-de-açúcar, impressionara o Padre Fernão Cardim, que escreveu: "as fazendas maiores e mais ricas que as da Bahia, os banquetes de extraordinárias iguarias, os leitos de damasco carmesim, franjados de ouro e as ricas colchas da Índia", e resumiu suas impressões numa frase antológica: "Enfim, em Pernambuco acha-se mais vaidade que em Lisboa". A opulência pernambucana parecia decorrer, como sugere Gabriel Soares de Sousa em 1587, do fato de, então, ser a capitania "tão poderosa (...) que há nela mais de cem homens que têm de mil até cinco mil cruzados de renda, e alguns de oito, dez mil cruzados. Desta terra saíram muitos homens ricos para estes reinos que foram a ela muito pobres".
Resultado de imagem para cultura da cana de açúcarPor volta do início do século XVII, Pernambuco junto com a Capitania de São Vicente espalharam por todo o Brasil, a  cultura da cana de açúcar e do seu aproveitamento na fabricação do açúcar e seus derivados. Dessas duas capitanias se espalhou o canavial para as demais regiões brasileiras, onde existia terras apropriadas e clima propício floresceram as várias espécies da doce gramínea trazida pelos portugueses.




Fontes:
HERSON, Bella. Cristãos-novos e seus descendentes na medicina brasileira, 1500-1850. 2ª edição ampliada. Edt. Univ. de São Paulo, 2003.
PRADO, J. F. Almeida. Primeiros Povoadores no Brasil, Editora Nacional, 1954, p. 66
AVELLAR, 1976:55; BUENO, 1998:57; BUENO, 1999:197
BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. 288p. il. ISBN 8 573022523
Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
História do Brasil: Administração Colonial. Capitanias do mar (1516-1532). Disponível em:http: www.portalsaofrancisco.com.br.
Histórico da Ilha de Itamaracá. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=260760#. Acessado em: 24.09.2012.
http://icachaca.com.br
http://pt.rodovid.org/wk/Pessoa:129960 
http://pt.scribd.com/doc/81293840/122/O-ENGENHO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Duarte_Coelho_Pereira
http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=43846&dir=genxdir/ - Duarte Colho Pereira
http://www.xiconlab.eventos.dype.com.br/resources/anais/3/1308363099_ARQUIVO_Salvador.pdf
MARTINS, Francisco Santos. História de Santos, Revista dos Tribunais, 1937, p. 60
MELO, Fernando. Igarassu, marco da colonização portuguesa em Pernambuco. Disponível em: http://academialetrasigarassu.blogspot. com.br/p/prosa.html
PEREIRA, Kleide Ferreira do Amaral. Quatrocentos e Setenta Anos de Açúcar no Brasil. Brasil Açucareiro. Rio de Janeiro. Agosto de 1972. Ano XL. Vol. LXXX, nº 2
PORCHAT, Edith. Informações Históricas Sobre São Paulo no Século de sua Fundação. Iluminuras. 1993. p.39
SCHWARTZ, Stuart B. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial 1550-1835. Editora Companhia das Letras, 1988.  Pág. 36.
VAINSENCHER, Semira Adler. Brites Mendes de Albuquerque.
VIEIRA, Edvânia Lopes. Presença Marcante: Um Estudo em Inventários Sobre os Perfis dos Escravos Negros em Igarassu (1828 A 1877). Especialista em Ensino de História pela UFRPE

ZÚQUETE, Afonso Eduardo Martins. "Armorial Lusitano". Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 168.

15/01/2017

Água Branca de Uraba/Quipapa

          Do antigo engenho produtor de aguardente e rapadura, restam duas casas-grandes e uma capela.
         A primeira casa-grande, de construção mais antiga, foi edificada em alvenaria de tijolos sobre calçada alta em base de pedra. Possui telhado em duas águas, mais alto e independente do telhado do alpendre. Seu alpendre em forma de "U" tem colunas laterais em alvenaria, enquanto na face principal as colunas são em madeira, indicando uma provável alteração construtiva. Atualmente abrigando uma oficina, seu estado de conservação e limpeza é ruim.
         A segunda casa-grande, construída em 1933, é uma edificação em alvenaria de tijolos com telhado em duas águas, mais alto e independente do telhado do alpendre. Seu alpendre em forma de "L" tem colunas em alvenaria. Acima do telhado do alpendre, avista-se uma mansarda com duas janelas. Seu uso atual é residencial e o estado de conservação e limpeza é regular.
         A capela dedicada a São José, erguida em 1944, é marcada pela verticalidade de sua única torre central, arrematada por cúpula pontiaguda, encimada por uma cruz. Seu estado de conservação e limpeza é bom.
No entorno do conjunto são avistadas algumas outras construções, bem como o prédio da antiga fábrica e o seu bueiro.
Fontes:
Inventário do Patrimônio Cultural RD Mata Sul. Disponível em: http://www.mapacultural.pe.gov.br/pmapper/images/fundarpe/2611507.pdf
http://atrativope.blogspot.com.br/2014/04/quipapa-atrativos-naturais-e-historico.html


Proprietários:


Usina Catende – Situada no município de Catende, na margem esquerda do rio Pirangi, numa altitude de 153 metros. Foi fundada, em 1890, pelo inglês Carlos Sinden e seu sogro Felipe Paes de Oliveira, com o nome de usina Correia da Silva (homenagem ao vice-governador do Estado). Em 1892, passou a ser usina Catende, construída no antigo engenho Milagre da Conceição, fundado em 1829.
A usina não teve sucesso, sendo entregue a credores, entre os quais o Banco de Pernambuco. Houve várias tentativas de exploração, mas sem resultados, até que, em 1907, foi adquirida pela firma Mendes Lima & Cia, que a reformou (1912), aumentando a sua capacidade de moagem de 200 para 1000 toneladas diárias. Os proprietários, no entanto, eram comerciantes e não industriais. Interessava-lhes vender o açúcar e não fabricá-lo. A usina foi novamente vendida, dessa vez para a firma Costa, Oliveira & Cia.
Com a saída dos demais sócios, em 1927, a usina passou a ser propriedade do coronel Antônio Ferreira da Costa Azevedo (Tenente da Catende), que revolucionou toda a zona canavieira da mata sul de Pernambuco, com seu sistema técnico e administrativo, servindo de exemplo para diversas usinas da região. Em 1929, a usina era considerada a maior do Brasil em produção e capacidade. Possuía 43 propriedades agrícolas, uma via férrea de 140 quilômetros, 11 locomotivas e 266 vagões. O transporte da cana e seus produtos era feito pela Great Western.
Quando o Tenente da Catende morreu, em 1950, deixou a usina Catende com uma capacidade industrial para fabricação de 1 milhão de sacos de açúcar, uma destilaria de álcool anidro (a primeira do país), 36 mil hectares de terra, 165 quilômetros de estradas de ferro e 82 engenhos de cana. Seu filho mais velho, João Azevedo, assumiu a direção da usina. Durante a sua gestão, a usina Catende absorveu a usina Pirangi e seus dez engenhos.
Em 1973, a usina Catende foi adquirida por um grupo formado por Rui Carneiro da Cunha (co-proprietário da usina Massauassu), Alfredo Maurício de Lima Fernandes e Mário Pinto Campos. Este último, alguns anos depois, vendeu sua parte para Inaldo Pereira Guerra, comerciante de açúcar no Recife e criador de gado em Gravatá.
Entre 1922 e 1993 a usina Catende mudou sua razão social para Companhia Industrial do Nordeste Brasileiro - Usina Nossa Senhora de Fátima. 
Proprietária dos engenhos: Água Branca de Uraba/Quipapa; Bálsamo da Linha, Corubas/Jaqueira; Bálsamo das Freiras//Lagoa dos Gatos; Bamborel, Bela Aurora, Boa Sorte, Cana Brava, Harmonia, Milagre da Conceição, Monte Pio, Niterói, Ouricuri, Tabaiaré/Catende; Campinas, Capricho, Esperança. Granito/Palmares; Espírito Santo, Mangueira, Mãozinha, Palanqueta, Pastinho, Pasto Grande, Piragibe ou Piragybe, Pirangy ou Pirangi, Porto Seguro, Souza, Veloz, Venturoso, Vida Nova/Água Preta; Curupaiti ou Curupaity /Xexéu; Limão, Urucú ou Urussú/Escada; Monte Alegre/Gameleira; Paudalho/Paudalho; Santa Cruz/Rio Formoso.
Fontes: 
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989.  (República, v.1)
GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17).
GASPAR, Lúcia. Usina Catende. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: .



Ocupado pelos sem terras. - Dec. - 000000 de 22/10/1997. Declara de interesse social, para fins de reforma agrária, parte do imóvel rural constituído pelos engenhos "Água Branca/Aracati/ Surucucu", situado no município de Quipapa, estado de Pernambuco, e da outra providencias

Água Azul/Timbaúba

Resultado de imagem para engenho Água AzulO engenho Água Azul fica localizado a 17 km do trevo de acesso a Timbaúba, o acesso é feito através de várias estradas rurais, em bom estado de conservação, mas sem qualquer tipo de sinalização, o que dificulta e atrasa a chegada do visitante eventual.
O engenho possui duas casas grandes e uma capela que fazem parte do inventário de bens culturais e naturais da mata norte de Pernambuco
Fontes:
http://members.tripod.com/municipio_alianca.br/estudos/patrimcultural.htm

Fabrício de Araújo Pereira Palma – (s.n.m.)
Senhor dos engenhos: Água Azul, União (antigo Ronca), União/Timbauba e o Sociedade/Aliança.
C 01-  Cândida Xavier de Andrade (?). Filhos: 01- Maria Christina de Araújo Pereira Palma – Com  fotografia na Col. Francisco Rodrigues: FR-4121; 02- Maria Cândida Xavier de Andrade.
Fotografias tiradas com moradores do engenho na Col. Francisco Rodrigues: FR-663; 4114; 4115; 4116; 4122; 657; 2729; 4121; 4119; 06557; 06389; e 1262. (Maria Cândida Xavier de Andrade, Maria Cristiana de Araújo Pereira Palma, filhas de Fabrício de Araújo Pereira Palma; Severino de Araújo Pereira Palma; Antônio de Araújo Pereira Palma; Cândida Xavier de Andrade; Paschoal Pereira de Andrade; Irene Xavier de Andrade, engenho Sociedade/Timbaúba).
Fontes:
digitalizacao.fundaj.gov.br

http://digitalizacao.fundaj.gov.br/fundaj2/modules/visualizador/i/ult_frame.php?cod=5246


José de Barros de Andrade Lima – Nasceu em 05.09.1853/Igarassu e faleceu em 27.04.1926/Recife. Filho do coronel Luiz Ignácio de Andrade Lima e de D. Francisca de Vasconcellos de Andrade Lima. Estudou medicina na Bahia. Ao retornar de Salvador fixou residência na Vitória de Santo Antão. Membro do Partido “Autonomista” (1889). Presidente do “Conselho de Intendência” da Vitória (1890). Em 09.1892 foi eleito Prefeito da Vitória, cargo que voltou a ocupar no período de 1913/1916. Em 1911 chefiou a campanha de Dantas Barreto. Em 1916 houve o rompimento entre Dantas Barreto e Manoel Borba. Apoiou o seu parente o governador Manoel Borba.  Foi eleito vereador no período de 1916 a 1919. Deputado e Senador estadual.
Com fotografias: Col. Francisco Rodrigues; FR-2710; 2708; 2714.
Senhor dos engenhos: Alcaparra; Água Azul/Timbaúba 
C 01- Dulce Augusta de Andrade Lima – Col. Francisco Rodrigues; FR-3385
Fontes:
http://josecalvino.blogspot.com.br/2012/08/os-andrade-lima.html
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=68662
http://www.blogdopilako.com.br/wp/2013/06/11/jose-de-barros-de-andrade-lima/
http://josecalvino.blogspot.com.br/2012/08/os-andrade-lima.html
digitalizacao.fundaj.gov.br


Usina Cruangi – Teve sua origem, em 1918, no engenho Jenipapo/Timbauba, onde Manuel Caetano Pereira de Queiroz fundou a usina, denominada também de Jenipapo. Como a maquinaria era ruim e dava muito prejuízo, foi feita uma sociedade com Jáder de Andrade, a Andrade, Queiroz & Cia. A Usina passou a se chamar Cruangi em substituição ao nome Jenipapo
Em 1921, assumiram a direção da empresa Júlio Perfeito da Costa Queiroz, Jáder de Andrade, Hugo de Andrade, Antônio Vicente de Andrade e João de Andrade Sobrinho.
Em 1929, a usina tinha capacidade para processar 400 toneladas de cana e fabricar 2.000 litros de álcool em 22 horas, possuía 12 quilômetros de via férrea, 2 locomotivas e 42 vagões que faziam o transporte da cana e da lenha. O açúcar e o álcool eram transportados pela Great Western. No período da moagem trabalhavam na fábrica cerca de 100 operários. A usina tinha uma vila operária, um médico, fornecia remédios e mantinha uma escola com freqüência média anual de 270 alunos.
Júlio Perfeito foi o diretor da usina até 1974, época em que a sociedade foi transformada em Usina Cruangi Sociedade Anônima. Depois foi dirigida por Fernando Queiroz e, atualmente, seu presidente é José Guilherme Queiroz.
Fontes:
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)
GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17).
GASPAR, Lúcia. Usina Cruangi. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>.

13/01/2017

Acerto/Vicência

Atualmente desativado. Localizado a 5 km da sede de Nazaré da Mata, estrada de barro.
Casa grande
Do antigo engenho construído no século XIX, resta apenas a capela, sob invocação de São Bernardo, com estrutura de alvenaria e tijolo, bem conservada.
A atual casa grande, de 1917, construída em alvenaria, com planta quadrangular, em calçada alta, tem cobertura em duas águas, varanda em "V" com colunas de madeira e parapeito também em madeira. com um só pavimento; as paredes internas não atingem o teto; telhado em duas águas; e os alpendres com telhados independentes da coberta do corpo da casa. Atualmente, o engenho funciona como fornecedor de cana para usinas.
A sua antiga moita, com toda maquinaria de destilação, moenda com cubas em carvalho para a colheita do caldo de cana, alambiques e etc.
O seu entorno é marcado por palmeiras, fruteiras e árvores de médio porte.
Fontes:
http://atrativope.blogspot.com.br/2014/05/vicencia-atrativos-naturais-e-historico.html

Vacaria


Proprietário encontrados:



Aluísio Andrade Lima – (s.n.m.)
Fontes:
www.delanocarvalho.com


José Seabra de Andrade Lima –  Col. Francisco Rodrigues; FR-3021.
Senhor dos engenhos: Acerto/Vicência e Pindoba Velha/Paudalho
C 01- Joana de Almeida Azeredo Coutinho – 
Fontes:
www.dominiopublico.gov.br



Homero de Andrade Lima – Último proprietário do engenho. (s.n.m.)
Fontes:

www.dominiopublico.gov.br

Moita

Abreu/Nazaré da Mata

           Engenho localizado a 05 km da sede de Tracunhaém, numa área povoada desde a segunda metade do século XVII, por plantadores de algodão. A casa-grande atual, construída em 1917, tipo “chalé”, do início do século XX. (GOMES, Geraldo. Livro Engenho e Arquitetura. Pág. 213). A capela, sob a invocação de São Bernardo, apresenta estrutura de alvenaria e tijolo. Ambas estão em bom estado de conservação. Atualmente, o engenho funciona como fornecedor de cana para usinas. 
NOTA: Um dos principais blocos pernambucano de Maracatu “Folgazão do bloco Andaluza” é formado por moradores do engenho Abreu – foto em http://www.flickr.com/photos/carlossilvafilho/page12/
Fontes:
http://members.tripod.com/municipio_alianca.br/estudos/patrimcultural.htm


Proprietários encontrados:


Gregório Lopes de Abreu – Chegou a Pernambuco em fins do século XVI e começo do imediato. Almoxarife e Feitor da Capitania de Pernambuco. Lutou na guerra contra os holandeses com seus 05 irmãos, dos quais um deles era Capitão da Paróquia da Muribeca, Miguel de Abreu Soares. Militar e Capitão da Guarnição da Praça, chegando ao posto de Mestre de Campo General Acompanhou Martim Leitão na conquista da Paraíba juntamente com outros homens distintos de Pernambuco. Foi um dos Capitães enviados pelo Gov. Matias de Albuquerque em socorro a Bahia, que estava sendo atacada pelos holandeses.
NOTA 1: Segundo Borges da Fonseca (Nobiliarquia Pernambucana- Anais 1939 Vol. 61 – [1]): Em 12/01/1635-Lisboa, Gregório Lopes de Abreu, filho de Miguel de Abreu Soares e genro de Antônio de Barros Rego, fez um requerimento solicitando os serviços de seu pai e sogro, anexando 05 documentos.
NOTA 2: Carta (24.01.1635) do [Juiz da Índia e Mina], Antônio de Beja, ao rei [D. Filipe III], sobre o requerimento de Gregório Lopes de Abreu, em que pede o ofício de Feitor e Almoxarife da Fazenda Real da capitania de Pernambuco, em remuneração dos serviços prestados por seu pai, Gregório Lopes de Abreu.
Senhor dos engenhos: Nossa Senhora do Rosário/Recife; São Timóteo/Recife (antes de 1593); Abreu/Nazaré.
C 01- Maria Caminha Rego – Filha de Belchior Caminha Villas Boas e de Vitória de Barros Rego.
Filhos: 01- Miguel de Abreu Soares – Nascido por volta de 1614. Imigrou para o Rio de Janeiro. C.c.  Branca de Lemos “Peixoto”, por volta de 1644
Fontes:
Projeto Resgate - Pernambuco (1590-1826). https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/123456789/390902
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1885-1886 Vol 13 (4) Pág 140, 155, 157, 276
Alexandre José Mello Moraes, Basto (Marquez de.) e Ignacio Accioli de Serqueira e Silva. Memórias diárias da guerra do Brasil por espaço de nove annos: começando em 1630 deduzidas das que escreveu o Marquez de Basto, Conde e Senhor de Pernambuco. Typ. de M. Barreto, 1855
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1939 Vol 61 (1) Anais 1925 Vol 47 (10). Pág. 138, 140, 141
http://geneall.net/en/forum/80272/o-brasil-nos-velhos-nobiliarios-parte-i/
http://geneall.net/pt/nome/578679/maria-caminha-rego/
LEONARDO DE SOUZA, Mariana. "Frei Vicente do Salvador - A História do Brazil". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Frei_Vicente_do_Salvador_-_A_Hist%C3%B3ria_do_Brazil. Data de acesso: 6 de julho de 2014.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras.  1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 59
PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 1795-1817. 2ª Edição. FUNDARPE. Gov. de Pernambuco. Recife, 1983. Vol. 1 pág: 150, 550. V. 2 pág. 440


Ambrósio Fernandes Brandão – Cristão novo. Nascido em 1555/Portugal e faleceu em 1618. Residiu em Lisboa, entre 1607 e 1618. Mercador em Goa e em Lisboa. No Brasil Colonial foi um senhor de engenho e escritor português, que viveu primeiro em Olinda (1583 a 1597), depois na Paraíba (1607 a 1618), deixando uma obra sobre sua estada em terras brasileiras. 
Chegando ao Brasil foi feitor ou escrivão no engenho do rico cristão-novo Bento Dias Santiago também cristão novo, ambos contemporâneos da 1ª Visitação do Santo Ofício. Responsável pelo recebimento dos dízimos do açúcar da Capitania de Pernambuco (1583). Participou da expedição chefiada por Martim Leitão e João Tavares, de que resultou a conquista da Paraíba (1585). Governador do Rio Grande do Norte. Capitão-mor. Participou da Restauração Pernambucana. Conhecedor do litoral brasileiro, principalmente do RN, PB e PE. Escreveu o livro Diálogos das Grandezas do Brasil. Estabeleceu-se na Paraíba (1613), onde dizia que: “um bom engenho devia contar, no mínimo, com 50 escravos, 15 juntas de bois, além de muita lenha e dinheiro”. Após seu falecimento seus herdeiros voltaram a Portugal e seus engenhos foram confiscados, pela Companhia das Índias Ocidentais e vendidos ao holandês Isac de Rosière. NOTA: Depois da Restauração Pernambucana, passaram a pertencer a João Fernandes Vieira. NOTA: A obra "Diálogos das Grandezas do Brasil", de Ambrósio Fernandes Brandão, é um dos mais importantes textos do século XVII no Brasil. A análise interna da obra permite-nos perceber que seu autor é um cristão-novo cuja visão de mundo difere da de outros cronistas e viajantes do mesmo período. A linguagem de Brandão afasta-se da de outros escritores coevos do Brasil colonial, revelando um extremo otimismo pelas realidades físicas e econômicas do nosso País. Seu discurso apologético acerca do homem do Brasil tem ressaibos iluministas, tornando a obra de Brandão praticamente única em seu século.
Senhor dos engenhos: do Meio/Paraíba; São Cosme e São Damião/Paraíba; Gurjaú/Paraíba (cuja capela dedicada a Santana ainda se encontra de pé) Abreu/Tracunhaém; Arandú de Baixo/Cabo de Santo Agostinho; Meio/Igarassu; Nossa Senhora do Rosário/Recife; São Bento (Segundo Vasconcelos Sobrinho foi fundado em 1590 por Ambrósio Brandão).
Fontes:
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=602
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ambr%C3%B3sio_Fernandes_Brand%C3%A3o



Isaac de Rosière – Holandês. Negociante de Amsterdã. Escabino.
Senhor dos engenhos: Abreu/Nazaré da Comprou o engenho depois de confiscado pelos holandeses.
Fontes:
https://archive.org/stream/.../brasilacucar1944vol23set_djvu.txt
www.memoria.nemesis.org.br/pub/.../brasilacucar1944vol23set.pdf


João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT. Filho de Francisco de Ornelas Muniz com Antônia Mendes. Em 1606, como não era o filho primogênito, herdeiro de todo o legado dos pais, se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses. Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época.
Em Pernambuco trabalhou primeiramente como ajudante de mascate, em troca de comida e morada. Auxiliar do Mercador Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de algumas casas em Olinda. Durante a ocupação holandesa (1630), se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Era Fernandes Vieira um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante o cerco ao Arraial do Bom Jesus/Recife estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social. Trabalhou como Feitor-mor do judeu e Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Satchhouwer, nos engenhos: Ilhetas ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Satchhouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour (Satchhouwer), homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)
Com a partida de Satchhouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois sócios, passou a lucrar com a administração de todos os bens deixados e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Cargos e funções: Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos.
Embora fosse um dos homens mais importantes da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio para poder ascender na sociedade luso-brasileira.
NOTA: João Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
C 01: D. Maria César (1643), filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrade (um dos principais líderes da Insurreição pernambucana e senhor do eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. (s.g.)
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco; 02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello; 03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre; 04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258



Miguel Bezerra de Abreu – (s.n.m.)
Nota 1: Em 29.08.1855 o Tenente Coronel Luiz de Albuquerque Maranhão, senhor do engenho Malemba, respondeu ao Sr Miguel Bezerra de Abreu, em vista do anuncio inserto no Liberal Pernambucano (Nº 861) que está possuindo 04 escravos que o Sr. Miguel diz pertencerem ao engenho Abreu, por título legítimo que apresentar-lhe-á quando queira, e o convida a aparecer no seu engenho para ver o mencionado título, se, não obstante esta declaração ainda o duvidar... (O Liberal Pernambucano - 1852 a 1858 - PR_SOR_00677_705403. Edição 00866 (1). Pág 03.)
Nota 2: Segundo o Edital publicado em 13.03.1854: em observância ao Art. 19 das instruções de 31.01.1851, foram arrematados perante o Sr. Juiz de Feitos da Vazenda depois da sua próxima audiência e por execuções: o engenho Abreu era moente e corrente, sua renda anual (800$000 rs) nessa data foi dada por ordem judicial a Joaquim Francisco de Mello Cavalcante. (O Liberal Pernambucano - 1852 a 1858 - PR_SOR_00677_705403. Edição 00428 (1) Pág 04)
Fontes:
http://memoria.bn.br/DocReader. O Liberal Pernambucano - 1852 a 1858 - PR_SOR_00677_705403. Edição 00428 (1) Pág 04
__________________________  O Liberal Pernambucano - 1852 a 1858 - PR_SOR_00677_705403. Edição 00866 (1). Pág 03



Lourenço Bezerra Alves da Silva – Nascido em 1834, falecido em 05.06.1900/engenho Tabatinga. Filho do Cel. José Moreira Alves da Silva e de Maria Bezerra de Andrade. Coronel da Guarda Nacional. Chefe político de Ipojuca. Barão de Caxangá agraciado (Dec. 20.07.1889).
Senhor dos engenhos: Abreu/Nazaré da Mata; Bom Fim/Ipojuca J,aseru/Serinhaem; Jasmim/Cabo Santo Agostinho; Utinga de Baixo/Cabo Santo Agostinho, Tabatinga de Santa Luzia/Ribeirão e Caxangá (hoje usina)/Ribeirão.
C 01- Inês Escolástica de Souza Leão – Nascida em 1844 e falecida em 04.02.1900/engenho Bom Fim/Ipojuca. Baronesa de Caxangá.
Filhos: 01- João Filipe de Souza Leão; 02-  Maria da Conceição Alves da Silva; 03- Izabel Alves da Silva (09.04.1876 a 1902) c.c. José Ernesto Pereira Lima.
Fontes:
http://www.araujo.eti.br/familia.asp?numPessoa=40900&dir=genxdir/
https://www.geni.com/people/Louren%C3%A7o-Alves-da-Silva/6000000027877324363

https://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_Bezerra_Alves_da_Silva.