Fontes

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03/01/2018

Jaguaribe/Abreu e Lima

       Segundo Pereira da Costa (1903, Vol. 1, ano 1573, Junho 12, pg. 403-404) em  1O.06.1540 foi feita a demarcação judicial das terras de Jaguaribe, conferidas a VASCO FERNANDES DE LUCENA, por carta do donatário DUARTE COELHO, lavrada em 24.07.1540, e procedida em virtude de despacho do Desemb. ANTÔNIO SALEMA, Ouvidor Geral do Brasil, que se encontrava em Pernambuco, no desempenho do seu cargo, a requerimento dos herdeiros das ditas terras, D. BEATRIZ DIAS, viúva de Vasco Fernandes, de seus filhos SEBASTIÃO FERNANDES DE LUCENA, FRANCISCO FERNANDES DE LUCENA, VICENTE FERNANDES DE LUCENA e D. CLARA FERNANDES, representada por seu marido, CRISTÓVÃO QUEIXADA. NOTA: A denominação de Jaguaribe vem de um braço do rio Maria Farinha, passa por suas terras; e, termo de origem indígena, é corruptela Yaguár-y-pe, no rio do jaguar, da onça.
Brasão Lucena
Nessas terras Vasco Fernandes de Lucena, pretendendo levantar um engenho solicitou um Auxílio Régio, que foi recomendado pelo donatário Duarte Coelho, em carta dirigida a D. João III, em 22.03.1548: — "por ele querer fazer um engenho em uma ribeira, e em um pedaço de terra que lhe dei, pede a V. Alteza por ajuda de o fazer, lhe faça mercê de lhe dar licença para poder mandar algum brasil de cá para isso, o que irá fazer à costa onde não faça dano nem prejuízo, certo, Senhor, que ele disso e de toda outra mercê é merecedor e a mim, Senhor, a fará fazendo a ele, pois a mercê, e ele escreve a V. Alteza sobre isso por um seu filho".
Em 20.08.1566, VICENTE FERNANDES DE LUCENA, filho de Vasco Fernandes, vendeu 400 braças em quadro de terra de Jaguaribe, que lhe tinham sido doadas por Duarte Coelho, para o MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE OLINDA. Posteriormente os Monges receberam um pedaço de terra na mesma região de Manoel Godinho c.c. Maria Fernandes, com escritura passada em 18.07.1598; uma ilha situada entre o rio Jaguaribe e o Aiamá, chamado hoje rio Inhaman, vendida por Braz Correia de Abreu e sua mulher, em 7.05.1615; um partido de canas vendido por Paulo de Almeida em 26.11.1647; e um Sítio de terras em Jaguaribe, doado por disposição testamentária de D. Inês de Oliveira, do qual tomou posse o mosteiro em 7.01.1660. NOTA: Todos os documentos citados sobre as terras de Jaguaribe, bem como a carta de data conferida a Vasco Fernandes de Lucena (1.540), se acham registrados no Livro do Tombo, do Mosteiro.
Em 1609, Gaspar Fernandes Anjo possuía os engenhos: o Paratibe de Cima, o Paratibe de Baixo e o Jaguaribe Jaguaribe (Iaguarĩ, JԐguriby, Jaguarabe; Jegoaribi; Jeguaribi), exportando açúcar para Lisboa. Em 1623, o Paratibe produzia 2907 arrobas.
engenho não tinha indicação de orago e ficava localizado na margem Rio Jaguaribe (Barro Branco, Iaguari ou Maria Farinha), Capitania de Pernambuco, sob a jurisdição de Olinda, freguesia de Igarassu.
Em 1623, pertencia a FRANCISCO GOMES FLORES. Nessa época o engenho já possuía uma igreja dedicada a Santo Antônio e sua fábrica era movida à água, produzindo 3.200 arrobas de açúcar.
A próxima proprietária encontrada (1630) foi JERÔNIMA CABRAL, viúva de Francisco Mendes Flores, e que  o arrendou a ANTÔNIO DA ROCHA BEZERRA, que era devedor de 3.060 florins a WIC (1663).
            O Jaguaribe moía em 1637 e 1639. O relatório de Van der Dussen contou-o duplamente sob os números 78 e 85. Em 1646 o engenho foi evacuado e em 1647, pertencia a PAULO DE ALMEIDA E SOUZA, que vendeu um partido de cana do dito engenho à ORDEM BENEDITINA.
O engenho foi citado nos seguintes mapas: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA - plotado como engenho, 'Ԑ: JԐguriby', na m.d. do 'R. JԐguaribԐ' ('Rº. Maria ƒarajnha.' na barra no oceano); IT (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, plotado sem símbolo, 'Ieguanti', na m.d. do 'R. Ieguaribÿ' ('R. Maria Farina', na barra).
No dia 07.07.1645, um destacamento de 90 soldados e 30 brasileiros das guarnições de Recife e Itamaracá, comandados pelo holandês Hartisteyn, marcharam para o engenho Jaguaribe e o Aiamã, à procura de rebeldes. Não encontrando, porém, nenhum revoltoso, regressou por volta do meio-dia e, na noite seguinte, marchou em direção às tropas de Haus.
João Fernandes Vieira
As terras de Jaguaribe, se dilatavam nos anos seguintes, como se vê da verba 28 do testamento do Mestre de Campo JOÃO FERNANDES VIEIRA (1671), em que declara, que comprara as ditas terras, sem fábrica alguma, estando tudo por terra, — e só restando do engenho que ali havia alguma ferragem — os cobres miúdos, duas tachas, um paiol e outras miudezas de ferramenta, — como tudo declara na referida verba.
As terras do Engenho foram empossadas em 07.01.1660, pela ORDEM RELIGIOSA DE SÃO BENTO. O frei Bento da Purificação tomou posse, em Jaguaribe, das terras prometidas por uma senhora chamada D. Inês de Oliveira em testamento lavrado em 29.10.1647, no qual dizia: “... deixo aos reverendos padres de São Bento, para que por minha alma digam a valia dela em missas...”. Nessa propriedade, localizada entre a estrada Velha e a Praia de Maria Farinha, os Beneditinos construíram a capela de São Bento, atualmente em ruínas, tornando-se o mais importante ponto turístico de Abreu e Lima.
São Bento

A partir da chegada dos beneditinos à região, as terras adjacentes ao engenho passaram para os domínios dessa ordem religiosa. Por volta de 1674 o Engenho Jaguaribe encontrava-se em ruínas, conforme consta no testamento de JOÃO FERNANDES VIEIRA: “comprara ditas terras, mas – sem fábrica alguma, estando tudo por terra, - e só restando do engenho que ali havia alguma ferragem”.
As terras do Jaguaribe houve um presídio militar, que foi mandado extinguir pela carta régia de 12.03.1707, em virtude de proposta do governador Francisco de Castro Morais, por desnecessário, e ordenando a referida carta, que o cabo que o comandava, Manuel Dias Pinheiro, e que ainda lá estava, passasse no mesmo posto e soldo de quatro mil réis, para o forte que. se estava construindo na praia de Pau Amarelo.



Posteriormente, porém, foi a fábrica restaurada, e em 05.1812 era o Engenho Jaguaribe arrendado por HENRY KOSTER, bem conhecido pelo interessante livro que publicou das suas viagens ao Brasil; como refere ele próprio, o engenho estava provido de escravos, gado, maquinismos e utensílios, de modo a começar logo a trabalhar; e descrevendo-o, fala do seu grande terreiro, da capela, a casa grande do senhor do engenho, da senzala com a sua fileira de casinhas, para habitação dos escravos, das casas da fábrica e de purgar, e da levada por onde passa a água que moi o engenho.
O engenho Jaguaribe era provido por muitos escravos, bois, maquinário e acessórios e foi descrito por Koster como distante quatro léguas do Recife, na direção do Norte, e a uma légua do mar. O caminho passava pela propriedade de Paulistas e, depois de ter cruzado o Rio Paratibe, um atalho estreito seguia, por uma légua, através de bosques fechados. Koster procurando por esse ponto, diz ainda que “encontrei aspectos que seriam sempre deliciosos, mas o País de tal forma está cheio dessas magnificências que apenas tive um breve sentimento de admiração. confesso que as vantagens oferecidas por esse terreno para as plantações ocupavam maior espaço que suas belezas. Dziante de mim estava a casinha, com suas senzalas, rodeadas de bananeiras e situadas na projeção da colina. além à esquerda, no vale estreito e longo, erguiam-se as casas do Jaguaribe, no campo aberto, com as colinas por trás e o riacho na
Koester primeiramente se instalou na Igreja do engenho, dormindo na sacristia, pois a casa grande estava ocupada pelos antigos moradores. A dita casa ficava situada num prolongamento da uma colina, olhando para o vale. Era espaçosa, mas o solo não estava tijolado e as paredes interiores não possuíam pintura ou teriam sido branquejadas há muito tempo. As terras circunvizinhas ao Norte pertenciam aos frades beneditinos, as de Leste a uma velha senhora, ao Sul ficava a terra de Paulistas, e a oeste e Noroeste existia excelentes terrenos para cana-de-açúcar que pertenciam a uma irmandade de negros livres em Olinda.
Henry Koster chegou a tirar a primeira safra da fábrica, celebrando a botada, ou começo da moagem das canas, com a costumada e tradicional solenidade, mas, em fins de 1813, movido por contrariedades repetidas, particularmente com os seus vizinhos, gente muito barulhenta, abriu mão do arrendamento, e retirou-se para Itamaracá.

O engenho Jaguaribe funcionou do século XVI até meados do XIX, voltado para a plantação da cana-de-açúcar, produção de cal e de bens de subsistência. O Jaguaribe é um dos cinco primeiros engenhos instalados na Capitania de Pernambuco e o único que não foi fortemente atingido pela expansão urbana.
Nos anos seguintes, a povoação surgida nas terras de Jaguaribe, tornou-se um local acolhedor para os viajantes, que ali paravam para refeições ou pernoite. A parte central desse povoado ganhou a denominação de Maricota, que se supõe vir do início do século XVIII. O documento mais antigo até agora encontrado que faz alusão ao nome Maricota é de 16.02.1784, guardado nos arquivos da igreja dos Santos Cosme e Damião/Igarassu, que se refere ao batismo de um tal Francisco Nunes de Oliveira, realizado na capela de São Miguel do Engenho Inhamã, citando seus pais como sendo residentes em Maricota, então povoado de Igarassu.
No dia 10.11.1848 travou-se em Maricota a primeira batalha da Revolução Praieira, deflagrada três dias antes, em Olinda, entre os revoltosos praieiros e as forças dos legalistas do Governo.
No dia 04.12.1859 quando o imperador D. Pedro II, visitando e vistoriando obras em Pernambuco, passou em Maricota com sua comitiva real, registrando o fato no seu “Diário de Viagem”, no qual menciona também a estrada dos tropeiros, das boiadas do Norte que ele denomina de “estrada do contrato”, provavelmente por envolver verba real nas suas obras. 
No século XX a área do engenho foi comprada pela COMPANHIA DE TECIDOS PAULISTA.”


Hoje não mais existe vestígio do engenho e sua área foi ocupada pelo atual bairro de Jaguaribe/Abreu e Lima/PE. Em 2005 arqueólogos da Universidade Federal de Pernambuco/UFPE através do Programa de Preservação Ecológica e Cultural da Sesmaria Jaguaribe, lançado pela arqueóloga Cláudia Oliveira, foram localizadas as ruínas das edificações do engenho Jaguaribe, do século XVI, em Abreu e Lima. Os pesquisadores localizaram, no subsolo rstos do piso de taipa batido da casa grande, uma base de pedra e uma canaleta, possivelmente da época da implantação do engenho (1540 a 1580), depois encontraram restos de piso e da parede da Capela de Santo Antônio.
O templo, até agora, ocupa uma área de 8x20 metros, com três ambientes. Segundo os pesquisadores ainda é preciso avaliar mais para saber se o prédio foi construído com essa dimensão ou se sofreu acréscimos posteriores. As ruínas da casa-grande serão analisadas na segunda fase do projeto arqueológico. No terreno restam pedaço de parede, comprometida por uma árvore que cresceu entre os tijolos; uma capela interna de outro período e uma parede de tijolos de seis furos, erguida no século XX por antigos moradores.
Ainda falta demarcar a senzala e o cemitério. A moita (fábrica) aparece na estrada que dividiu o engenho ao meio (Rua Sítio Jaguaribe) e no quintal de casas da região. Os arqueólogos também recuperaram cacos de louça, faiança, aliança, botão de roupa militar, garrafas de vidro (uma delas cheia de contas de terço) e uma moeda portuguesa de cobre, de 1719, ao todo foram até agora encontrados materiais do século XVI ao XX.



Fontes:
http://fenomenohistorico.blogspot.com.br/2017/06/historia-da-cidade-de-abreu-e-lima.html
http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/4839/n/escavacoes_em_jaguaribe
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/08/29/engenho-jaguaribe-resgatado-por-arqueologos-da-ufpe-em-abreu-e-lima-303846.php
http://www.brasiliana.com.br/obras/viagens-ao-nordeste-do-brasil
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 76
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves
MARCONDES, Sandra.  Brasil, amor à primeira vista! Viagem ambiental no Brasil do século XVI ao XXI. Edt.  Peirópolis LTDA,  2005 -



PROPRIETÁRIOS:



1540 - VASCO FERNANDES DE LUCENA – Cristão-velho. Nascido em Portugal e falecido no séc. XVI/Pernambuco. Filho de Sebastião de Lucena e de D. Maria de Vilhena. Neto materno e Diogo de Azevedo (senhor donatário da vila de São João de Rei/Braga, chamados de fidalgos da Tapada).
Pereira da Costa descreve Vasco de Lucena como de origem fidalga e um dos mais conceituados colonos pernambucanos, que chegara com o 1º Donatário Duarte Coelho Pereira (09/03/1535), com o despacho de Feitor e Almoxarife da Fazenda Real em Pernambuco. Mas, Vicente do Salvador o descreve como um homem temido, estimado entre os índios e versado na língua brasílica, que teve um relacionamento com uma filha de cacique, com quem teve muitos filhos.
Alcaide-mor de Pernambuco. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Feitor e Almoxarife de Fazenda Real em Pernambuco.
CURIOSIDADES: Em torno dele foi criado uma lenda que diz: no momento da disputa pela preferência, quando os índios cercaram os colonos, Lucena teria discursado para a tribo, pedindo a adesão a Portugal e ameaçando os que preferiam os franceses com a morte, caso ousassem atravessar um risco que traçou no chão com a espada. Cinco teriam tentado e morrido fulminados por um raio. Por causa do milagre, o risco que traçou teria sido usado como base para a construção da principal igreja de Olinda. No lugar em que Vasco de Lucena fez o dito risco foi erguida depois a Igreja Matriz de Olinda, hoje a Igreja da Sé.
Segundo Duarte Coelho, em uma carta dirigida ao Rei de Portugal, em 22/03/1548, descreveu o Alcaide-mor de Olinda, Vasco Fernandes de Lucena, como "um funcionário cumpridor dos seus deveres, homem de bem e de boa consciência, tendo sempre dado boa conta de si".
CURIOSIDADES: Ainda sobre Vasco Fernandes de Lucena encontramos honrosa menção nas cartas de brasão de armas conferidas a dois de seus descendentes, a primeira a 06/05/1790, a Teodoro Correia de Azevedo Coutinho, e a segunda em 20/09/1800 em favor de Manuel Correia de Faria, ambos do Estado do Maranhão. Na primeira das referidas cartas se lê o seguinte: "Vasco Fernandes de Azevedo Lucena, fidalgo da casa real, foi um dos primeiros descobridores e povoadores de Pernambuco, que pelos grandes serviços que fêz naquele Estado para estender a sua povoação, que tôda se deveu ao seu valor e atividade, como faz memória o Padre Frei Agostinho de Santa Maria, Santuário Mariano, Tomo IX pag. 306, se lhe fêz mercê da alcaidaria-mor de Pernambuco”.
Senhor do engenho Aiamã de Riba/Igarassu e do Jaguaribe/Olinda.
C01: D.  Beatriz (Brites) Dias Correa – Nascida em Portugal. Filha de João Correa, o Português, e de D. Leonarda Ignez. Neta materna de João Correa (senhor da Torre do Ladrão Gaião/Leiria). Tanto na sua família materna e paterna existiram Fidalgos da Casa Real. D. Beatriz chegou a Pernambuco depois de seu marido.
Filhos: 01- Sebastião Lucena de Azevedo, nascido em Portugal. Comendador de Santa Maria de Matta de Lobos e Guarda-mor de Lisboa, no tempo da peste. C.c. D. Jerônima de Mesquita, filha de Thomé Borges de Mesquita e de Catharina Pinhel. (c.g.); 02- Francisco Fernandes de Lucena – Nascido em Portugal. Sucessor de seu pai no eng. Aiamã; 03- Clara Fernandes de Lucena, nascida em Portugal. C.c. Cristóvão Queixada, Cavaleiro castelhano. Do casal procede os “Queixadas” da Paraíba, que em 1748 se achavam em decadência, mas neste ramo houve vários sacerdotes do Hábito de São Pedro. (c.g.).
CURIOSIDADES: No ano de 1540 foi realizada uma demarcação judicial das terras de Jaguaribe, conferidas a Vasco Fernandes de Lucena, por carta do donatário Duarte Coelho, lavrada em 24/07/1540, e procedida em virtude de despacho do Desembargador Antônio Salema, Ouvidor Geral do Brasil, então em Pernambuco no desempenho do seu cargo, a requerimento dos herdeiros das ditas terras, D. Beatriz Dias, viúva de Vasco Fernandes, de seus filhos Sebastião e Francisco Fernandes de Lucena, e D. Clara Fernandes, representada por seu marido, Cristóvão Queixada. Nessas terras existia então um engenho, sem dúvida levantado por Vasco Fernandes, uma vez que isto pretendendo, solicitou um auxílio régio, que é assim recomendado pelo donatário Duarte Coelho, em carta dirigida a d. João III, em 22/03/1548: - "por êle querer fazer um engenho em uma ribeira, e em um pedaço de terra que lhe dei, pede a V. Alteza por ajuda de o fazer, lhe faça mercê de lhe dar licença para poder mandar algum brasil de cá para isso, o que irá fazer à costa onde não faça dano nem prejuízo, certo, Senhor, que êle disso e de tôda outra mercê e merecedor e a mim, Senhor, a fará fazendo a êle, pois a mercê, e êle escreve a V.Alteza sôbre isso por um seu filho". As referidas terras, bem como outras também situadas em Jaguaribe, passaram depois ao patrimônio do mosteiro de S. Bento, de Olinda, por doação ou venda, como sejam: - 400 braças de terra em quadro, doadas a Vicente Fernandes pelo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, por carta de 20/08/1566, e posteriormente vendidas ao mosteiro.
R1: (?) – Índia Tupinambás. (c.g. desconhecida). Segundo Vicente do Salvador, ‘Vasco Fernandes de Lucena se afeiçoara a filha de um principal dos índios, com quem tivera filhos. Vasco Fernandes era tão bem temido e estimado entre os índios, que o Cacique da tribo se sentia honrado em tê-lo por genro, pois o consideravam um grande feiticeiro’.
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 1902. Anais 1902 Vol 24 (1). Anais 1903 Vol 25 (1).
Archivo heraldico-genealogico contendo noticias histórico heraldicas.  Por Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Sanches de Baena (Visconde de) Typographia universal de T. Q. Antunes, 1872
Borges da Fonseca, Antônio Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Rio de Janeiro, 1935. Anais 1925 Vol 47 (2). Anais 1926 Vol 48 (2).
Guerra, Lucia Pereira de Lucena. Da cidade de Lucena, Espanha ao Brasil. Disponível em: http://www.brasa.org/Documents/BRASA_IX/Lucia-Guerra.pdf
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves
LISBOA, Balthazar da Silva. Annaes do Rio de Janeiro: contendo a descoberta e conquista deste ..., Vol. V. Typ. Imp. e Const. de Seignot-Plancher, 1835
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
PAES BARRETO, Carlos Xavier. Primitivos Colonizadores Nordestinos. Usina de Letras. 2ª edição revista. Rio de Janeiro, 2010.
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
Pergunte a Pereira da Costa. Vol: 1. Ano: 1493 Pág: 404. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br
______________________ Vol: 3. Ano: 1637. Pág: 212, 213. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br



Antes de 1566 - VICENTE FERNANDES DE LUCENA – (s.n.m.).
Nota: Não sabemos se era descendente ou parente de Vasco Fernandes de Lucena, mas seu nome é citado na venda de terra de Jaguaribe em 20.08.1566, ao Mosteiro de São Bento de Olinda.
NOTA: Todos os documentos citados sobre as terras de Jaguaribe, bem como a carta de data conferida a Vasco Fernandes de Lucena (1.540), se acham registrados no Livro do Tombo, do Mosteiro.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves



1566 - MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE OLINDA – A Ordem de São Bento veio para Pernambuco após convite do 3º Donatário da Capitania, Jorge de Albuquerque Coelho, para que se estabelecessem na colônia, oferecendo-lhes diversos benefícios e vantagens.
Chegando ao Estado de Pernambuco (1586), residiram primeiramente na pequena Igreja de São João Batista dos Militares, transferindo-se depois para a pequena ermida de Nossa Senhora do Monte uma das mais antigas Igreja do Brasil, que tinha sido doada pelo Bispo do Brasil, Dom Antonio Barreiros.
Em 27.10.1597 os monges adquiriram um terreno que se chamava à época de Olaria, junto ao Varadouro da Galeota, que pertencia a Gaspar Figueira e Maria Pinta, mais tarde o Mosteiro foi aumentado com a compra de mais três lotes vizinhos, iniciando assim a sua construção, dois anos (1599) depois o edifício estava pronto.
Durante a ocupação holandesa o Mosteiro foi incendiado (1631) consumindo
e sua reconstrução só começou a ser feita vinte anos depois. Em 1660 foi acrescentada a igreja anexa e o mosteiro foi crescendo até ao século XIX em resultado de diversos projetos e ampliações.
Em  1631 um grande incêndio, provocado pelo holandeses, consumiu grande parte de Olinda. Do Mosteiro escaparam apenas os arquivos. Passando 20 anos o Mosteiro foi reconstruído e depois ampliado. Nos diversos espaços internos do Mosteiro podem ser apreciadas muitas peças de alto valor artístico, como sanefas de talha dourada, gradis de jacarandá, pinturas de episódios da vida de São Bento e retratos de velhos abades e mestres da Ordem Beneditina no País, além de rico mobiliário. No claustro estão sepultados vários monges da abadia.
Com o tempo a Ordem em Olinda se firmou e enriqueceu, contando em 1850 com 16 casas de sobrado, 24 casas térreas, outros prédios rústicos, uma fazenda, engenhos de açúcar, um sítio de lenha em Beberibe.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_e_Mosteiro_de_S%C3%A3o_Bento_(Olinda)#Origens
http://ensina.rtp.pt/artigo/mosteiro-sao-bento-olinda-brasil/
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves



1609 - GASPAR FERNANDES ANJO Mercador e contratador dos dízimos de Pernambuco (1600-1602). Em 1609, Gaspar Fernandes Anjo possuía dois engenhos em Paratibe e Jaguaribe, exportando açúcar para Lisboa. Em 1623, o Paratibe de Riba produzia 2907 arrobas.
CURIOSIDADE: Em 18.04.1602 foi documentado o traslado das condições que põe Gaspar Fernandes Anjo, na arrematação do contrato dos açucares.
CURIOSIDADE: Em 24.04.1602/Olinda foi passada uma escritura de fiança e hipoteca a favor de Gaspar Fernandes Ante, arrematante dos dízimos, cujo fiador foi Mateus de Freitas de Azevedo
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais de 1939. Pág. 59, 60
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017




1623 - FRANCISCO GOMES FLORES – Filho do Capitão João Mendes Flores, do qual faz Memória Brito no Livro 4º, nº 359 e 375, e no Livro 5º, nº 384, porque foi um dos valerosos Capitães da Guerra contra os holandeses.
C01- Jerônima Cabral Távora – Filha de Baltasar Leitão Cabral e de sua 2ª esposa D. Leonor Rodrigues Paes
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/274367/mod_resource/content/0/MELLO.pdf
BORGES DA FONSECA, Antônio Victoriano. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925. Vol. 1. Pág. 333
MELLO,  José Antônio Gonsalves de. Fontes para a História do Brasil Holandês. 2ª edição. Recife. CEPE, 2004
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves



1630 - JERÔNIMA CABRAL – Filha de Baltasar Leitão Cabral e de sua 2ª esposa D. Leonor Rodrigues Paes
C01- Francisco Gomes Flores –– Filho do Capitão João Mendes Flores, do qual faz Memória Brito no Livro 4º, nº 359 e 375, e no Livro 5º, nº 384, porque foi um dos valorosos Capitães da Guerra contra os holandeses.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
BORGES DA FONSECA, Antônio Victoriano. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925. Vol. 1. Pág. 333
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves



1630 - ANTÔNIO DA ROCHA BEZERRA – Segundo Borges da Fonseca era um homem honrado que era membro da família Rocha Bezerra, uma das principais da Paraíba.
Rendeiro do engenho (arrendou o Engenho de Jerônima Cabral)
C01- D. Isabel da Silva – Filha de B. de João de Freitas da Silva (Fidalgo da Casa Real) com D. Maria de Siqueira, que foi c.c. N. Carreura (lavrador de cana do eng. Casa Forte)
Filhos (não se encontra na ordem certa de nascimento): 01- D. Antônia da Cunha – Manteve um relacionamento com seu primo Manoel Carneiro da Cunha (eng. Brum-Brum); 02- Manoel da Rocha Bezerra – C.c. D. Marianna da Cunha Pereira; 03- Antônio da Rocha Bezerra – C.c. Maria de Hollanda; 04- Joanna da Cunha Bezerra – Primeira esposa de Gonçalo Monteiro de Albuquerque (Casou 03 vezes)
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
BORGES DA FONSECA, Antônio Victoriano. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925. Vol. 1. Pág. 199, 228, 230, 477
__________________________________________________________________________________ 1926
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
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1647 - PAULO DE ALMEIDA E SOUZA – (s.n.m.)
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág 78
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
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1671- JOÃO FERNANDES VIEIRA (Francisco de Ornelas Moniz) – Nasceu em 29.06.1596/Funchal/Ilha da Madeira-PT e faleceu em 1679/Pernambuco. Filho de Francisco de Ornelas Muniz com Antônia Mendes.
Em 1606, com 10 anos de idade, imigrou para Pernambuco, pois como não era o filho primogênito - herdeiro de todo o legado dos pais, se viu obrigado a emigrar para o “Além-Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses da época. Assim que chegou adotou o nome de João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pelos emigrantes portugueses, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, o que era desonra para a época.
Trabalhou como: Ajudante de Mascate (em troca de comida e dormida). Auxiliar do Mercador do comerciante Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de algumas casas na Vila de Olinda. Voluntário da guerra holandesa (1630).
Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge. Após 1635, Fernando Vieira tornou-se muito amigo do Cons. Político da Cia. das Índias Ocidentais, Jacob Stachouwer, de quem depois foi Feitor-mor de seus engenhos: Ilhetas (Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe)/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. NOTA: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Stachouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour, homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)”.
Fernandes Vieira era descrito como um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente. Tendo em vista sua aproximação com os luso-brasileiros e holandeses conseguiu sua ascensão econômica e social.
Com a partida de Stachouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira ficou como seu Procurador e passou a lucrar com a administração dos engenhos e dos fundos do seu amigo e benfeitor. Logo tomou posse definitiva de todos as propriedades dos dois sócios. (Engenho: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo), e assumiu  os débitos contraídos por Stachower e de Ridder na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Logo Vieira se tonou um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
João Fernandes Vieira foi Escabino de Olinda (1639) e do Maurícia (Recife)  (07/1641 - 06/1642 - 1642/43). Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos. Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Embora fosse um dos mais importantes senhores de engenho da Capitania, para ser incorporado a elite pernambucana, em razão de sua suposta cor parda, do seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio com uma moça pertencente a uma das famílias mais importantes da Capitania. Com o casamento Fernandes Vieira que já era Colaborador e Conselheiro em Assuntos Brasileiros do Governo Holandês se tornaria, também um dos homens mais importantes da Capitania, com apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, e de doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas.
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644), Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada pela sua pessoa, com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana/Jaboatão dos Guararapes, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa.
O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco. NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é nomeado pelo Rei D. João IV, como: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses é que eram seus "devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o Conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto Lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto (herói da guerra contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia). Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; Abreu/Tracunhaém; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas (Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe)/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Jaguaribe/Abreu e Lima;Molinote (Santa Luzia, depois Sacambu)/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
C01: D. Maria César, em 1643 – Filha do madeirense e senhor de engenho Francisco Berenguer de Andrade (eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. (s.g.)
Filhos fora do casamento:
01- Manuel Fernandes Vieira – Filha como (N). Sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Herdou a Comenda de Santa Eugénia Alla, que tinha pertencido ao seu pai; 02- D. María Joanna – Filha tida com D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello (Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello); 03- D. Joaurza Fernandes Cesar – Filha com (N). C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre;  04- Maria de Arruda – Filha com (N)). Falecida ainda criança.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 74.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Volume 1, Edições 1-12
____________________________________________________________ Vol. LVI. Recife, 1981.
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

1812- HENRY KOSTER (Henrique da Costa) – Nasce em 1793/Lisboa/PT e faleceu em 1820/Recife. Filho comerciante inglês de Liverpool John Theodore Koster. Para curar uma tuberculose veio para Pernambuco, chegando em 07.08/1809. Proprietário de engenho e terras no Brasil entre 1809 e 1820,
Falava o português com fluência, o que fazia com que algumas pessoas duvidassem da sua nacionalidade, tratando-o brasileiramente por Henrique da Costa. Na época era considerado um dos mais importantes cronistas sobre o Nordeste brasileiro, tendo um papel importante na vida social, artística e até política do Recife.
Em 1810, sentindo-se bem melhor da doença que o acometia, resolveu viajar a cavalo para a Paraíba e de lá foi até Fortaleza, no Ceará. Voltou ao Recife no início de fevereiro de 1811 e já no final do mês viajou novamente, desta vez por mar, para o Maranhão, de onde regressou para a Inglaterra.
Em 27.12 do mesmo ano, voltou ao Recife e fez uma viagem ao sertão de Pernambuco. Quando retornou, arrendou o engenho Jaguaribe/Ilha de Itamaracá, tornando-se agricultor e senhor-de-engenho.
Como bom observador anotava, com detalhes, tudo o que via em suas viagens e no seu dia-a-dia. Tomava parte da vida brasileira, conhecendo seu povo, seus usos e costumes, convivendo nas ruas com as mais diferentes camadas da população e frequentando festas da sociedade local.
Retornando à Inglaterra, em 1815, resolveu escrever um livro sobre o Brasil. Publicou-o em Londres, sob o título Travels in Brazil, em 1816. A obra obteve uma grande repercussão na Europa, com várias edições publicadas em diversas línguas. A primeira edição brasileira do livro, foi publicada em 1942, com o título Viagens ao Nordeste do Brasil, traduzida por Luís da Câmara Cascudo
Koster não pretendia voltar ao Brasil, mas ao concluir o livro e sentindo o recrudescimento da tuberculose, retornou a Pernambuco em 1817. Transferiu-se depois para a Goiana, ao norte de Pernambuco, à procura de um clima melhor para sua saúde. Segundo informações de um outro viajante inglês, seu contemporâneo James Henderson, Henry Koster teria retornado ao Recife em fins de 1819, onde faleceu no início de 1820, sendo enterrado no Cemitério dos Ingleses, em local não identificado.
Fontes:
ANJOS JÚNIOR, João Alfredo dos (Org.). Viajantes ingleses no Nordeste do Brasil no século XIX.  Recife: Fundaj; Instituto de Documentação. Biblioteca Central Blanche Knopf; The British Council, 1991.  [Não paginado]. Catálogo de exposição bibliográfica.
FREIRE, Gilberto. Nordeste. Global Editora e Distribuidora Ltda, 4 de set de 2015 - 256 páginas
GASPAR, Lúcia. Viajantes em terras brasileiras - Documentos existentes no acervo da Biblioteca Central Blanche Knopf. Fundação Joaquim Nabuco. Recife.
http://jconline.ne10.uol.com.br/busca/?q=engenho-jaguaribe Publicado em 07/10/2015, às 08h08 por Cleide Alves
http://www.brasiliana.com.br/obras/viagens-ao-nordeste-do-brasil
PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 9 de dezembro de 2017
SILVA, Leonardo Dantas. Viajantes: a paisagem vista por outros olhos. Ciência &Trópico,Recife, v. 28, n. 2, p. 249-260, jul./dez. 2000.
SOUTO MAIOR, Mário; SILVA, Leonardo Dantas (Org.)  O Recife: quatro séculos de sua paisagemRecife: Fundaj, Ed. Massangana; Prefeitura da Cidade do Recife, Secretaria de Educação e Cultura, 1992. p. 78.

COMPANHIA DE TECIDOS PAULISTA No período de 1900 - 1904, Herman Lundgren, soube da precária situação financeira da Fábrica Paulista/Olinda e entrou em entendimentos para a aquisição da maioria das ações da empresa, controlada pela Rodrigues Lima & Cia.  
Ao assumir a fábrica de tecidos em 1904, Herman colocou seus filhos à frente do empreendimento, sob sua supervisão e mandou construir uma vila de casas de tijolo e telha, em substituição às miseráveis palhoças que alojavam o operariado e suas famílias.
A pequena fábrica de tecidos, sob a direção de Herman Lundgren e seus filhos, foi adquirindo um aspecto bem diferente. As máquinas obsoletas foram substituídas por máquinas modernas trazidas da Inglaterra. Esse novo quadro levou ao seu aumento de crédito nos bancos. Assim, Herman Lundgren foi estimulando os outros industriais de tecidos a melhorarem suas instalações, assim como as condições de vida de seus operários.
Aos 72 anos de idade, em fevereiro de 1907, vítima de um ataque cardíaco, faleceu Herman Lundgren. Sua família, herdou as fábricas de pólvora e de tecidos, além das empresas de exportação e importação.
Fontes:
http://textileindustry.ning.com/forum/topics/historia-da-industria-textil-em-pernambuco-da-primeira-fabrica-at