27/06/14

Engenho Pintos/Moreno

            O engenho Pintos foi fundado na segunda metade do século XVII, por Gonçalo Carneiro da Costa, em terras vizinhas ao engenho Moreno/Moreno, às margens do Rio Jaboatão, distante 16 km do Centro.

Gonçalo Carneiro da Costa – Filho de Francisco Carneiro da Costa (Morgado de São Roque/Portugal) e de D. Anna da Costa. Sucessor de seu irmão no Morgado de São Roque/Portugal, do qual tomou posse por procuração e o logrou por muitos anos. Vereador de Olinda (1680). Capitão de Infantaria de Ordenança de Pernambuco (1684). Juiz Ordinário, 23/11/1697.


Casamento 01: D. Brites de Sá, viúva de Domingos de Oliveira Monteiro. Filha de Simão Rodrigues (natural de Viseu/PT) e de Maria de Sá (natural de Pernambuco). Irmã do Cônego Simão Rodrigues de Sá. Neta materna de Francisco Velho Romeiro e de Beatriz de Sá, segundo o inventário do dito Simão, cujo testamento que foi feito no dia 01/11/1680, aprovado pelo Tabelião Diogo Cardoso. S.g.


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17).

Em 1693, o engenho Pintos foi vendido a João de Barros Rego, dono de vasta extensão territorial.

João de Barros Rego – Nasceu em1653/Olinda. Filho de com André de Barros Rego e de Adriana Wanderley, filha de Gaspar Wanderley (Van der Ley) e D. Maria de Mello. Neto materno de João Gomes de Mello (eng. Trapiche/Cabo de Santo Agostinho) e de D. Anna de Hollanda.
Capitão-mor de Olinda. Capitão de Cavalos de São Lourenço da Mata, por patente do Gov. João da Cunha Souto Maior, em 05/03/1688 e confirmada em 13/12 do mesmo ano. Vereador em Olinda (1685). Provedor da Fazenda Real (07/10/1690). Juiz Ordinário (1691). Provedor da Fazenda Real, pelo falecimento de seu primo João do Rego Barros, durante a menoridade de seu cunhado e sobrinho João do Rego Barros (2º Provedor proprietário). Cavaleiro da Ordem de Cristo, professo em 22/03/1633, nas mãos do Bispo D. Mathias de Figueiredo e Mello, que lhe lançou o hábito na Igreja Catedral de Olinda.
Instituidor da Colegiada da Santa Casa da Misericórdia de Olinda, dotando-a a capelães para resarem em coro (17/06/1702), depois eleito Provedor            (1701 a 1702), fazendo, por sua conta, festas de ação de graças como o Santíssimo Sacramento exposto, cheio de jubilo por ver completos os seus desejos, que sempre tivera desta colegiada, e nesta ocasião orou o Padre João Máximo de Oliveira, (Arcebispo e depois Mestre Escola da Catedral de Olinda, aonde se conservam suas memórias de sua vida exemplar); assentando, no mesmo dia, renda para serem rezadas 1.025 missas anuais, por sua tensão e pela de sua 2ª esposa e tia D. Margarida Arcângela Barreto.
Um dos chefes do partido da nobreza (1710-1711). Durante a Guerra dos Mascates participou das batalhas e acabou preso em maio de 1712, vindo a falecer no mesmo ano na prisão (Fortaleza do Brum, Recife).



Casamento 01: Maria Vidal, filha de Lopo Curado e de Isabel Ferreira. Meia irmã do Gov. André Vidal de Negreiros. S.g;
Casamento 02: D. Margarida Arcângela Barreto, sua tia, filha de Francisco do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real) e de D. Arcângela da Silveira. s.g;
Casamento 03: Margarida Cavalcante d’Albuquerque, filha de João Cavalcante de Albuquerque, o Bom, e de D. Simoa Fragoso. D. Margarida depois de viúva c.c. Pedro Cavalcante Bezerra (s.g.).
Filhos: 01- D. Maria, falecida criança.


Senhor dos engenhos: Bulhões/Moreno, Buscau, Camarão, Capim-assu, Catende/Catende, Estiva, Jaboatão/Jaboatão dos Guararapes, Moreno/Moreno, Pereiras/Moreno, Pintos/Moreno, Quilombo, Sapucaia, Viagens e Xixaim,


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais: 1925 Vol. 47 e 1955 Vol. 75

O morgadio de Pintos foi instituído por sua esposa, D. Margarida Cavalcante d’Albuquerque.

Margarida Barreto de Albuquerque – Filha do sargento-mor Antônio Pais Barreto. Instituidora do Morgado dos Pintos, em 1794, que durou até 1843, mas o vínculo não abrangia Moreno


Casamento 01: João de Barros Rego – Nasceu em1653/Olinda e faleceu antes de 1748-eng. Curado ou São Sebastião/Recife-Curado. Filho de com André de Barros Rego e de Adriana Wandereley, filha de Gaspar Wanderley (Van der Ley) e D. Maria de Mello. S.g. (dados acima);
Casamento 02: Pedro Cavalcante Bezerra – Filho de Cosme Bezerra Monteiro e de sua terceira esposa D. Leonarda Cavalcante de Albuquerque. Capitão. Cavaleiro da Ordem de Cristo. S.g.


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17).
           
            NOTA: Um dos lavradores do engenho Pintos casou com Joanna Carneiro, c.g. D. Joanna era filha de D. Maria Carneiro e de José da Silva, morador do engenho Emboassica/Ipojuca.
            O próximo proprietário encontrado foi Francisco de Barros Rego.

Francisco do Rego Barros – Filho primogênito de João do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo) e de D. Luzia Pessoa de Mello.
Provedor proprietário da Fazenda Real. Fidalgo da Casa Real. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Juiz da Alfândega de Pernambuco. Padroeiro da Igreja de Nossa Senhora do Pilar/Recife e do Capitulo do Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem de São Francisco/Olinda. Senhor das capelas vinculadas nos engenhos: Água Fria e Pintos.
Francisco do Rego Barros era um genealogista escreveu, sem muito método, porém verdadeiras, umas memórias sucintas, porém verdadeiras s, à maneira de árvore de costado de várias famílias nobre e especialmente dos descentes de Arnau de Hollanda c.c. D. Brites Mendes de Vasconcellos, de quem era descendente. A genealogia escrita não tinha métodos e eram.


Casamento 01- D. Maria Manoela de Mello, sua prima. Filha de Manoel Gomes de Mello (Fidalgo da Casa Real, Sargento-mor da Ordenança, Senhor do eng. São João/Cabo de Santo Agostinho, encapelado por seu pai) e de D. Ignes de Goes de Mello - primos. Neta paterna de João Gomes de Mello e de Ignez de Almeida Pimentel. Neta materna de André de Barros Rego (Cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor do eng. São João/São Lourenço da Mata) e de D. Adrianna de Almeida Wanderley.
Filhos: 01- João do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Fidalgo da Casa Real. Cavaleiro da Ordem de Cristo; 02- Sebastião Antônio de Barros Rego – nasceu em Recife. Fidalgo da Casal Real; 03- D. Luzia Anna de Mello c.c. Antônio Luiz de Siqueira Varejão Castello Branco, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. S.g. até 1748; 04- D. Adrianna Thereza de Mello – c.c. Felippe de Moura Accioli, falecido antes de 1748, filho de João Baptista Accioly de Moura (eng. Itabatinga/Ipojuca, Fidalgo da Casa Real, Alcaide-mor de Olinda, em 1711), S.g;


Senhor dos engenhos Pintos/Moreno; Água Fria/São Lourenço da Mata.


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17) e de 1926 Vol 48 (16). Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1983 o engenho Pintos foi desapropriado para reforma agrária pelo INCRA, e transformado no assentamento Herbert de Souza, onde moram hoje 400 famílias que conquistaram o direito de viver por lá e ou que receberam moradias por herança. No princípio as terras do engenho foram divididas em 147 lotes, administrados por pequenos agricultores. Atualmente, cada um tem seu espaço e todos plantam nas áreas comuns.

Eng. Pintos/Moreno
Foto: Alexandre Gondim - JC Imagem


A casa grande do engenho Pintos, em Moreno, foi construída no século XIX e tinha o estilo de falso bangalô, onde as casas eram adaptadas à nova moda de alpendres. Hoje se encontra em ruínas seu telhado e paredes inteiras estão caídas no chão. Touceiras de avenca em seu interior e a cozinha ganhou aspecto de floresta, mas podemos os pilares de sustentação da varanda. Contudo, pouco resta da balaustrada que contornava todo o alpendre.

Casa grande Eng. Pintos
Foto: James Davidson
A capela que existia na sala desmoronou. Sobrou apenas o altar vazio, com os anjos da decoração destruídos e um buraco na parede que indica o lugar onde antes repousava a santa. Segundo Geraldo Gomes (Engenho e Arquitetura, Fundação Gilberto Freyre, 1997), apesar de curioso, montar um oratório dentro de casa era comum, pois “grande parte dos ofícios religiosos era acompanhada apenas pelo senhor de engenho e seus familiares. Ter a capela privativa seria mais cômodo, no período da escravidão, os escravos assistiam à missa do lado de fora, pela janela, e quando o número de escravos aumenta, eram construídas capelas fora da casa-grande”. 

Capela do Eng. Pintos

Hélia Scheppa/JC Imagem

Em 2012, a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), Governo de Pernambuco, fez um projeto para construção da Barragem Engenho Pereira, para controle de enchentes do Rio Jaboatão que costumam afetar o município e parte de cidades vizinhas (Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, Zona da Mata) e reforçar do abastecimento de água de Moreno e Jaboatão dos Guararapes. Igual ao Engenho Verde, em Palmares, o casarão do Engenho Pintos e seu entorno ficarão submersos numa represa.
Eng. Pintos. Capela -  Vista interna
Fot: JC Online
Caberá à COMPESA recompensar as famílias pela destruição de suas casas. "Cada morador vai ter o direito de escolher se prefere ser indenizado ou reassentado. O valor da indenização e os detalhes dessa negociação ainda serão acertados", disse o diretor regional metropolitano da COMPESA, Rômulo Aurélio de Melo, durante audiência pública ocorrida na última quinta-feira no Centro de Moreno. Na ocasião, foi apresentado à população o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da barragem, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) e uma das ações que deverá ser posta em prática pela COMPESA é o replantio das espécies encontradas na área a ser inundada.
Barragem do Eng. Pereira - Área que vai ser inundada
Os animais identificados no engenho deverão ser encaminhados para outros territórios e os peixes tenderão a buscar outras áreas quando perceberem a mudança no meio, que acontecerá gradualmente. O Rima da Barragem do Engenho Pereira está disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). 
NOTA: Ainda não há previsão de data para o início das obras.



Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17)

PEREIRA, Levy. "Nicas (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Nicas_(engenho_de_bois). Data de acesso: 9 de abril de 2014

26/06/14

Engenho Água Fria, antes Nicas/Paudalho

Nome histórico
Nicas, depois Água Fria/Paudalho
Nome atual
O engenho Água Fria/Paudalho não mais existe
Natureza
Movido a bois. Não possuía igreja
Localização
Margem esquerda do Rio Capibaribe
Jurisdição: Cidade de Olinda
Freguesia de São Lourenço da Mata
Mapas
- Præfecturæ Paranambucæ Pars Borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ
- IBGE Geocódigo 2610608 Paudalho - PE.
- PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado, 'Nicas', na m.e. do 'Capiibari'.
Pensão
Segundo a Relação dos Engenhos da Capitania de Pernambuco, de 1655 o engenho Nicas pagava 01 ½ %, sobre todo o açúcar antes de ser dizimado.
História – Proprietários/Moradores

Município de Paudalho, Pernambuco
            Engenho fundado antes da ocupação holandesa por Francisco do Rego Barros.

Francisco do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Filho de João do Rego Barros e de D. Caetana Theodora Valcaçar.
Soldado de Infantaria (09 anos). Capitão da Ordenança, por morte de João Baptista Accioly. Sargento-mor de Pernambuco, por patente de Roque da Costa Barreto (Mestre de Campo do Brasil), em 1668. Vereador de Olinda, em 1678. Coronel. Auditor e Ouvidor da Capitania de Pernambuco, em 19/06/1684 , segundo as Provisões dadas por Antônio de Sousa Menezes e por D. Antônio de Sousa Tello de Menezes (2º Marques das Minas), Governadores e Capitães Generais do Estado do Brasil, nos anos de 1683, 1684 e 1685. Provedor da Fazenda Real, herdado de seu pai e avô Luis do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de São Thiago). Proprietário do ofício de Juiz da Alfândega e Vedor Geral, avaliado em 325$ réis. Padroeiro da Igreja de Nossa Senhora do Pilar/Recife. Capitulo do Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem de São Francisco/Olinda. Senhor das capelas vinculadas nos engenhos: Água Fria e Pinto. Cavaleiro da Ordem de Cristo, professo antes de 17/09/1676.
Recebeu do Rei D. João IV o foro de Fidalgo da Casa Real e o Hábito da Ordem de São Thiago, que por falecer não chegou a receber.  Faleceu um pouco antes de ter recebido o Hábito ade Cavaleiro de Santiago.
Francisco do Rego Barros, como genealogista, escreveu (sem muito método, porém verdadeira) sobre a família dos seus ascendentes: Arnau de Holanda e de sua esposa D. Brites Mendes de Vasconcelos. De acordo com o General Francisco de Brito Freire era um dos homens mais nobres da Capitania.
Quando os holandeses invadiram Pernambuco Francisco do Rego Barros vivia na vila de Olinda, pelo que se viu obrigado a retira­r-se para a Bahia, em 1635. NOTA: Segundo Borges da Fonseca não se sabe se Francisco do Rego faleceu  na Bahia ou em Pernambuco, mas seus restos mortais estão sepultados em Olinda no Capitulo do Convento de São Francisco, onde se veem gravadas as suas armas e a inscrição do seu nome e com o (com o título de Capitão) e o de D. Arcangela da Silveira, nem por isso pode-se ter certeza de que faleceu em Pernambuco; porquanto consta que seu filho o João do Rego Barros, depois da Restauração Pernambucana¸ pediu licença para ir à Bahia buscar sua mãe, D. Archangela, cuja licença lhe foi concedida em 22/04/1654. Pode ser também que tenha deixado a Bahia e tenha vindo para Pernambuco na ocasião da guerra holandesa, o que seria mais provável devido a inscrição em sua lápide.
NOTA: "Do antigo convento resta apenas a pequena e bonita capela do capítulo na quadra do claustro,... e da qual foram seus primeiros padroeiros Lopo Soares e sua mulher d. Adriana Pessoa, e de 1656 por diante o capitão Francisco do Rego Barros e sua mulher d. Arcângela da Silveira, que ali jazem em sepultura rasa junto ao altar,...". (Pereira da Costa, 1951, Volume 01, Ano 1585, pg. 547).

Casamento 01, em 08/05/1623: D. Archangela da Silveira de Moraes, nascida em Olinda, filha de Domingos da Silveira (irmão de Duarte Gomes da Sylveira que era instituidor do morgado do Salvador do Mundo, na Santa Casa da Misericórdia da Paraíba) e de Margarida Gomes da Silva, ambos naturais de Viena/PT.
Filho 06 , segundo Borges da Fonseca, só há posteridade do primogênito João do Rego Barros:
01- João do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Fidalgo da Casa Real (1675), Comendador da Ordem de Cristo, Capitão-mor e Governador da Paraíba, de 20/12/1675 a 1697), , c.c. D. Margarida Barreto, que foi a terceira esposa de seu primo João do Rego Barros;

Senhor dos engenhos Pinto e Água Fria/São Lourenço da Mata.

Fontes consultadas:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 1878-1879 Vol 05 (1), 1903 Vol 25 (2), 1906 Vol 28 (2)
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1903 Vol 25 (2); Anais 1926 Vol 48 (16).
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais de 1925. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
http://lhs.unb.br/biblioatlas/Nicas_(engenho_de_bois)

            Depois do falecimento de Francisco do Rego Barros o engenho ficou para sua viúva D. Archangela Josefa da Silveira, em 1655.

Archangela Josefa da Silveira – Nascida em Olinda, filha de Domingos da Silveira (irmão de Duarte Gomes da Sylveira que era instituidor do morgado do Salvador do Mundo) e de Margarida da Silva, ambos naturais de Viena/PT.

Casamento 01: Francisco do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Filho de João do Rego Barros e de D. Caetana Theodora Valcaçar. (outros dados acima)
Filhos (06). Segundo Borges da Fonseca, só há posteridade do primogênito João do Rego Barros:
01- João do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Fidalgo da Casa Real (1675), Comendador da Ordem de Cristo, Capitão-mor e Governador da Paraíba, de 20/12/1675 a 1697), c.c. D. Margarida Barreto.

Fontes consultadas:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 1878-1879 Vol 05 (1), 1903 Vol 25 (2), 1906 Vol 28 (2)
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1903 Vol 25 (2); Anais 1926 Vol 48 (16).
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais de 1925. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
http://lhs.unb.br/biblioatlas/Nicas_(engenho_de_bois)
           
O próximo proprietário encontrado foi Francisco do Rego Barros (Borges da Fonseca, Nobiliarquia Pernambucana).

Francisco do Rego Barros – Filho primogênito de João do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo) e de D. Lusia Pessoa de Mello. Coronel do Regimento de Cavalaria de Olinda e Recife, composto de dois batalhões com 10 companhias cada um. Provedor proprietário da Fazenda Real. Fidalgo da Casa Real. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Juiz da Alfândega de Pernambuco. Padroeiro da Igreja de Nossa Senhora do Pilar/Recife e do Capitulo do Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem de São Francisco/Olinda. Senhor das capelas vinculadas nos engenhos: Água Fria e Pintos.
Francisco do Rego Barros era um genealogista escreveu, sem muito método, porém verdadeiras,  umas memórias sucintas, porém verdadeiras s, à maneira de árvore de costado de várias famílias nobre e especialmente dos descentes de Arnau de Hollanda c.c. D. Brites Mendes de Vasconcellos, de quem era descendente. A genealogia escrita não tinha métodos e eram.

Casamento 01- D. Maria Manoela de Mello, sua prima. Filha de Manoel Gomes de Mello (Fidalgo da Casa Real, Sargento-mor da Ordenança, Senhor do eng. São João/Cabo de Santo Agostinho, encapelado por seu pai) e de D. Ignes de Goes de Mello - primos. Neta paterna de João Gomes de Mello e de Ignez de Almeida Pimentel. Neta materna de André de Barros Rego (Cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor do eng. São João/São Lourenço da Mata) e de D. Adrianna de Almeida Wanderley.
Filhos: 01- (?); 02- Sebastião Antônio de Barros Rego – Nasceu em Recife. Fidalgo da Casal Real; 03- D. Lusia Anna de Mello c.c. Antônio Luiz de Siqueira Varejão Castello Branco, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. S.g. até 1748; 03- D. Adrianna Thereza de Mello – c.c. Felippe de Moura Accioli, falecido antes de 1748, filho de João Baptista Accioly de Moura (eng. Itabatinga/Ipojuca, Fidalgo da Casa Real, Alcaide-mor de Olinda, em 1711), S.g;

Senhor dos engenhos Pintos/Moreno; Água Fria/São Lourenço da Mata.

Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17) e de 1926 Vol 48 (16). Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

            Nada mais foi encontrado sobre outros proprietários do engenho. 

Fontes consultadas:

PEREIRA, Levy. "Nicas (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Nicas_(engenho_de_bois). Data de acesso: 9 de abril de 2014

16/06/14

Engenho Aiama da Riba/Igarassu

Nome histórico
Aiamá (Anjama, Inhamã), Aiama da Riba (de Cima).
O nome Inhamã é de origem tupi e segundo Alfredo Carvalho significa água em torno, círculo d’água.
Nome atual
Hoje não existe mais vestígio do engenho e suas terras estão na área urbana do bairro Cruz de Rebouças/Igarassu-PE.
Natureza
Engenho movido à água, com igreja dedicada aos Fiéis de Deus.
Localização
Capitania de Pernambuco. Jurisdição: Vila Antiga de Igarassu.
Situado na margem esquerda do Rio Aiamã (Arroio Caité).
Citado nos mapas
- Præfecturæ Paranambucæ pars borealis, una cum Præfectura de Itâmaracâ
- Mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 Capitania de Itamarica - plotado como 'Ԑ. Anjama', na m.e. 'R. Anjama'.
- Mapa IT (Orazi, 1698) Provincia di Itamaracá, plotado como 'E Aniama', na m.e. do 'R Aniana'.
- Mapa PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado, sem nome, na m.e. do 'Guiarare', afluente m.e. rio 'Aiama'.
Pensão
Segundo Evaldo Cabral de Mello (O Bagaço de Cana, 2012) em 1560 a Coroa portuguesa concedeu aos colonos que levantassem engenho de açúcar a isenção do pagamento dos impostos da dízima e da sisa (20%) durante o prazo de 10 anos, findo os quais passariam a pagar a “meia liberdade” (10%), limitada ao decênio consecutivo.
História e Biografia dos Proprietários

Monjope - Foto divulgação
Eng. Monjope/Igarassu
            Segundo vários autores, em 23/10/1600, as terras onde foi fundado o engenho Inhamã (água em torno, circulo d'água) pertenciam a Antônio Jorge e Maria Farinha (nada foi encontrado sobre o casal), que desmembram parte dela (800 braças em quadra), e as doam aos jesuítas do Colégio de Olinda, que constroem o engenho Monjope/Igarassu, no restante das terras foram fundados os engenhos: Aiama de Riba, sob a invocação dos Fies de Deus, e o Aiama de Baixo, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. NOTA: O nome Aiama é de origem tupi e segundo Alfredo Carvalho significa água em torno, círculo d'água.
O primeiro proprietário e fundador do engenho Aiama de Riba/Igarassu foi Vasco Fernandes de Lucena, que, em 1540, recebeu as terras do primeiro Donatário Duarte Coelho Pereira.

Brasão da família Lucena
Vasco Fernandes de Lucena (de Azevedo) – Cristão-velho. Nascido em Portugal e falecido no séc. XVI/Pernambuco. Filho de Sebastião de Lucena e de D. D. Maria de Vilhena. Neto materno e Diogo de Azevedo (senhor donatário da vila de São Joâo de Rei/Braga, chamados vulgarmente fidalgos da Tapada). Primeiro Alcaide-mor de Pernambuco. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Feitor e Almoxarife de Fazenda Real em Pernambuco.
Pereira da Costa descreve Vasco de Lucena como de origem fidalgo e um dos mais conceituados colonos pernambucanos, que chegara com o 1º Donatário Duarte Coelho Pereira (09/03/1535), com o despacho de Feitor e Almoxarife da Fazenda Real em Pernambuco, trazendo sua mulher D. Brites Dias Correia.
Como Alcaide-mor de Olinda o Donatário escreveu uma carta dirigida ao Rei, em 22/03/1548, dizendo que Vasco de Lucena era "um funcionário cumpridor dos seus deveres, homem de bem e de boa consciência, tendo sempre dado boa conta de si".
Segundo Vicente do Salvador, Vasco Fernandes de Lucena se afeiçoara a filha de um principal dos índios, com quem tivera filhos. Vasco Fernandes era tão bem temido e estimado entre os gentios, que o principal se tinha se sentia honrado em tê-lo por genro, porque o tinham por grande feiticeiro. Era ele muito versado na língua brasílica.
Ainda sobre Vasco Fernandes de Lucena encontramos honrosa menção nas cartas de brasão de armas conferidas a dois de seus descendentes, a primeira a 06/05/1790, a Teodoro Correia de Azevedo Coutinho, e a segunda em 20/09/1800 em favor de Manuel Correia de Faria, ambos do Estado do Maranhão. Na primeira das referidas cartas se lê o seguinte: "Vasco Fernandes de Azevedo Lucena, fidalgo da casa real, foi um dos primeiros descobridores e povoadores de Pernambuco, que pelos grandes serviços que fêz naquele Estado para estender a sua povoação, que tôda se deveu ao seu valor e atividade, como faz memória o Padre Frei Agostinho de Santa Maria, Santuário Mariano, Tomo IX pag. 306, se lhe fêz mercê da alcaidaria-mor de Pernambuco”.
CURIOSIDADES: Em torno dele foi criado um mito: no momento da disputa pela preferência, quando os índios cercaram os colonos, Lucena teria discursado para a tribo, pedindo a adesão a Portugal e ameaçando os que preferiam os franceses com a morte, caso ousassem atravessar um risco que traçou no chão com a espada. Cinco teriam tentado e morrido fulminados por um raio. Por causa do milagre, o risco que traçou teria sido usado como base para a construção da principal igreja de Olinda. No lugar em que Vasco de Lucena fez o dito risco foi erguida depois a Igreja Matriz de Olinda, hoje a Igreja da Sé.


Senhor do engenho Aiamã de Riba/Igarassu e do Jaguaribe/Olinda.


Casamento 01: D. Brites Dias Correa, nascida em Portugal, filha de João Correa, o Português, e de D. Leonarda Ignez. Neto materno de João Correa (senhor da Torre do Ladrâo Gaiâo/Leiria). Tanto a sua família materna e paterna eram Fidalgos da Casa Real.
Filhos: 01- Sebastião Lucena de Azevedo, nascido em Portugal, Comendador de Santa Maria de Matta de Lobos e Guarda-mor de Lisboa, no tempo da peste. C.c. D. Jerônima de Mesquita, filha de Thomé Borges de Mesquita e de Catharina Pinhel. C.g; 02- Francisco Fernandes de Lucena – sucessor de seu pai no eng. Aiamã; 03- Clara Fernandes de Lucena, nascida em Portugal, c.c. Cristóvão Queixada, Cavaleiro castelhano, do casal procede os “Queixadas” da Paraíba, que em 1748 se achavam em decadência, mas neste ramo houve vários sacerdotes do Hábito de São Pedro. C.g;
CURIOSIDADES: No ano de 1540 foi realizada uma demarcação judicial das terras de Jaguaribe, conferidas a Vasco Fernandes de Lucena, por carta do donatário Duarte Coelho, lavrada em 24/07/1540, e procedida em virtude de despacho do Desembargador Antônio Salema, Ouvidor Geral do Brasil, então em Pernambuco no desempenho do seu cargo, a requerimento dos herdeiros das ditas terras, D. Beatriz Dias, viúva de Vasco Fernandes, de seus filhos Sebastião e Francisco Fernandes de Lucena, e D. Clara Fernandes, representada por seu marido, Cristóvão Queixada. Nessas terras existia então um engenho, sem dúvida levantado por Vasco Fernandes, uma vez que isto pretendendo, solicitou um auxílio régio, que é assim recomendado pelo donatário Duarte Coelho, em carta dirigida a d. João III, em 22/03/1548: - "por êle querer fazer um engenho em uma ribeira, e em um pedaço de terra que lhe dei, pede a V. Alteza por ajuda de o fazer, lhe faça mercê de lhe dar licença para poder mandar algum brasil de cá para isso, o que irá fazer à costa onde não faça dano nem prejuízo, certo, Senhor, que êle disso e de tôda outra mercê e merecedor e a mim, Senhor, a fará fazendo a êle, pois a mercê, e êle escreve a V.Alteza sôbre isso por um seu filho". As referidas terras, bem como outras também situadas em Jaguaribe, passaram depois ao patrimônio do mosteiro de S. Bento, de Olinda, por doação ou venda, como sejam: - 400 braças de terra em quadro, doadas a Vicente Fernandes pelo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, por carta de 20/08/1566, e posteriormente vendidas ao mosteiro.
Relacionamento: (?), índia tabajara. C.g.


Fontes consultadas:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 1902. Anais 1902 Vol 24 (1). Anais 1903 Vol 25 (1).
Archivo heraldico-genealogico contendo noticias historicoheraldicas.  Por Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Sanches de Baena (Visconde de) Typographia universal de T. Q. Antunes, 1872
Borges da Fonseca, Antônio Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Rio de Janeiro, 1935. Anais 1925 Vol 47 (2). Anais 1926 Vol 48 (2).
Guerra, Lucia Pereira de Lucena. Da cidade de Lucena, Espanha ao Brasil. Disponível em: http://www.brasa.org/Documents/BRASA_IX/Lucia-Guerra.pdf
Lisboa, Balthazar da Silva. Annaes do Rio de Janeiro: contendo a descoberta e conquista deste ..., Vol. V. Typ. Imp. e Const. de Seignot-Plancher, 1835
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012.
PAES BARRETO, Carlos Xavier. Primitivos Colonizadores Nordestinos. Usina de Letras. 2ª edição revista. Rio de Janeiro, 2010.
Pergunte a Pereira da Costa. Vol: 1. Ano: 1493 Pág: 404. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br
Pergunte a Pereira da Costa. Vol: 3. Ano: 1637. Pág: 212, 213. Disponível em: http://www.liber.ufpe.br


O engenho Aiama (Inhamã) foi parcialmente destruído durante os levantes dos índios Caetés*, em 1548 e em 1553 a 1555. Em 1550, o Donatário Duarte Coelho escreveu uma carta ao Rei informando em o engenho estava em pleno funcionamento. Esta informação é confirmada em documentos sobre pagamento feitos por Vasco Fernandes (1552), pelos serviços prestados por um carpinteiro em sua “Ribeira”, entre 1550 e 1551; e pela compra de material de construção, em 1552, para obras de Sua Alteza.
*Os índios Caetés ocupavam as Capitanias de Itamaracá e de Pernambuco, eram compostos por 62 mil índios em 1562, quando foram escravizados e aldeados em Missões.

Vila de Igarassu, século XVII
pintura de Jan Van Brosterhuisen
No ano de 1540, o engenho pertencia a Francisco Fernandes de Lucena, que tinha herdado de seu pai Vasco Fernandes de Lucena.

Francisco Fernandes – Filho de Vasco Fernandes de Lucena e de D. Beatriz Dias. (nada mais foi encontrado).
Sucessor de seu pai no engenho Aimã de Riba/Olinda


Fontes consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012.

            Em 1609 o engenho pertencia a Estevão Gomes.

Estevão Gomes – Escrivão da Fazenda Real em Pernambuco. (nada mais foi encontrado)
Senhor do engenho Aiamã de Riba/Olinda


Fontes consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012.

            No ano de 1623 o engenho moeu cerca de  2.847 arrobas de açúcar e pertencia a Pero da Rocha Leitão.
           
Igreja de São Cosme e São Damião, em pintura de Frans Post do século XVII
Igreja de São Cosme e Damião, pintura de
Frans Post - Igarassu século XVII
Pero (ou Pedro) da Rocha Leitão – Comandante de uma Companhia em Igarassu. No dia 27/03/1635, André Marin (ou Marinho), o Comandante do Arraial do Forte do Porto de Nazareth, no Cabo de Santo Agostinho, mandou enforcar Pedro da Rocha Leitão e Augustinho de Holanda por terem trocado cartas com o exército holandês.


Fontes consultadas:
PEREIRA, Levy. "Engenho de roda d'água". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua. Data de acesso: 15 de junho de 2014.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, Edições 20-27. Recife, 1871

Canavial - Brasil colônia
Em 27/03/1635, o engenho passou a pertencer aos seus herdeiros de Pero (ou Pedro) da Rocha Leitão, o que é confirmado em dois documentos holandeses: Breve Discurso sobre o Estado das quatro Capitanias Conquistadas (1638) e o Relatório sobre o Estado das Capitanias Conquistadas (1639).
O engenho não tinha partido de fazenda e contava com 09 lavradores, num total de 56 tarefas (2.800 arrobas): Antônio Saraiva, com 07 tarefas; Estevão do Prado Leão, com 07 tarefas; Francisco Bernardes da Rocha, com 10 tarefas; Francisco Coelho, com 06 tarefas; Geraldo do Prado Leão, com 15 tarefas; Luís da Mota, com 02 tarefas; Paula d'Almeida, com 03 tarefas; Simão Dias Rodrigues, com 02 tarefas; e Simão Furtado, com 04 tarefas.
Em 1636, os campanhistas, comandados pelo Capitão Estevão de Távora, invadiram os engenhos de Pedro da Rocha Leitão, de Pedro Lopes de Vera, de Domingos da Costa Brandão, de Gonçalo Novo e o de Cosmo Dias da Fonseca (eng. Santa Luzia que havia abandonado); destruindo todo o engenho, queimando os canaviais e os açucares que estava feitos.

Herdeiros de Pero da Rocha Leitão – Proprietários do engenho a partir de 27/03/1635. No ano de 1645, deviam 1.750 florins à Companhia das Índias Ocidentais holandesa e em 1663 a dívida estava em torno de 4.900 florins


Fontes consultadas:
PEREIRA, Levy. "Engenho de roda d'água". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua. Data de acesso: 15 de junho de 2014.

Em 1646, o engenho foi evacuado, quando da retirada da população residente em Olinda e no Rio Grande do Norte, pelo Comando do Exército luso-brasileiro.
No ano de 1655, após a Restauração Pernambucana, João Fernandes Vieira adquire o engenho em leilão público (1655).

João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT, filho do fidalgo Francisco de Ornelas Muniz e da mulata Antônia Mendes. Em 1606, com 10 anos de idade, imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois não era o filho primogênito - herdeiro de todo o legado dos pais, enquanto que os demais irmãos não tinham como se sustentar. Fernandes Vieira se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses.
João Fernandes Vieira
Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, pois trabalhariam em serviços braçais. Trabalhou como ajudante de mascate, em troca de comida e morada. Foi Auxiliar do Mercador Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de casas em Olinda. Durante a ocupação holandesa (1630), se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Era Fernandes Vieira um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante a trégua estabelecida entre Portugal e a Holanda, estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social. Associou-se ao judeu e Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Stachouwer, de quem fora feitor-mor, proprietário dos engenhos: Ilhetas (Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe)/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes
Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Stachouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour, homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)
Com a partida de Stachouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois sócios, passou a lucrar com a administração dos engenhos e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Em 1639, Fernandes Vieira é indicado como Escabino (membro da Câmara Municipal) de Olinda. Escabino de Maurícia (Recife) de 07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43. Vieira também foi Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá, e representantes dos senhores portugueses da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640).
Embora fosse um dos mais importantes senhores de engenho da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio para poder ascender na sociedade luso-brasileira.


Casamento 01(1643): D. Maria César, filha do madeirense e senhor de engenho Francisco Berenguer de Andrade (eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. S.g


Com o casamento Fernandes Vieira que já era colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros do governo holandês se torna um dos homens mais importantes da Capitania, com apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, das suas doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados [...] de peitas e dádivas a todos os governadores [...] grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes". Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, e percebendo as vantagens econômica e social, a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros.
Logo os holandeses o chamam para ser agente de negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
Escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando o pendão da Liberdade em Pernambuco – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a Revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores-de-engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Fernandes Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645. Após a tomada do engenho Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10.01.1681/Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.


Senhor dos engenhos: em Pernambuco: Abiaí, do Meio, Cumaúpa, Ilhetas, Jacaré, Molinote, Santana, Santo André; Santo Antônio; São João (antes Nossa Senhora do Rosário), Tibiri de Baixo, Tibiri de Cima;  na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel.


Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258.

Após adquirir o engenho (1655) João Fernandes Vieira e o revendeu a Pedro Monteiro de Queiroz (nada foi encontrado)

Batalha dos Guararapes/PE. (1758)


Fontes consultadas:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil holandês. Edt. Penguim & Companhia das Letras.1ª edição. São Paulo, 2012.
Memorias diarias da guerra do Brasil por espaço de nove annos: começando em 1630 deduzidas das que escreveu o marquez de Basto, conde e senhor de Pernambuco.  Por Alexandre José Mello Moraes,Basto (marquez de.),Ignacio Accioli de Serqueira e Silva. Typ. de M. Barreto, 1855 - 164 pág.

PEREIRA, Levy. "Engenho de roda d'água". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua. Data de acesso: 15 de junho de 2014.