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30/10/2013

Engenho Camaragibe/Sirinhaém

      
O engenho Camaragibe era movido à água, localizado na margem esquerda do Rio Camaragibe, afluente do Rio Serinhaém; sob a jurisdição da Vila Formosa de Serinhaém. Nomes históricos: Camurijĩmírĩ; Camriginÿ. Foi fundado em 1549, por Francisco Rodrigues de Porto (nada foi encontrado) e quando os holandeses invadiram Pernambuco ele já tinha falecido e o eng. Camaragibe era administrado pela sua viúva e herdeiros que ficaram sob a obediência dos invasores. O engenho tinha uma igreja dedicada a Santo Antônio. Suas terras tinha uma milha, com poucas várzeas, na maior parte matas e montes. Podia produzir anualmente 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar, pagando como pensão 2 arrobas em cada mil, depois de dizimado. No engenho os holandeses encontraram apenas açúcares pertencentes a pessoas que ficaram do lado dos holandeses.
Quando os holandeses ocuparam Pernambuco, após dominarem Recife e o norte, marcharam pelo sul e chegaram a Sirinhaém em 1632. Neste ano, cerca de 500 soldados e 100 marinheiros holandeses desembarcaram pelo rio Sirinhaém e invadiram, saquearam e queimaram o engenho de Romão Perez. O capitão Mateus Gomes de Lemos e Albuquerque organizou uma resistência com cerca de 60 homens. Os holandeses se retiraram. Com a queda da resistência no norte e em Recife, os holandeses planejavam a conquista do sul de Pernambuco para chegar à Bahia. As tropas luso-brasileiras resistiam a partir de três frentes: cerca de 450 homens compunham a resistência no Arraial (Velho) do Bom Jesus, 600 no Forte de Nazaré e 300 em Sirinhaém. Sirinhaém foi um dos últimos redutos da resistência, que foi derrotada após Maurício de Nassau chegar a Pernambuco e organizar o ataque à vila.
Segundo Borges da Fonseca durante o exército luso-brasileiro em visita ao engenho Camaragibe/Serinhaém encontrou 107 caixas de açúcar em um armazém e em outro armazém 160 caixas, que pretenderam leva-los com eles, mas, devido à constante e forte chuva que assolava a região, resolveram deixa-los, pois derreteriam, mas antes de partir tocaram fogo nos armazéns para que o inimigo não se aproveitasse do açúcar armazenado nos dois armazéns do engenho. E foi o que realmente aconteceu: .... voltando ao acampamento, incendiaram o povoado, com exceção da igreja, e partiram para Camaragibe, encontrando no caminho algum gado, mas não viram o inimigo, e levaram-no à frente com cordeiro, até chegarem ao engenho, onde foram distribuídos pela tropa. Mandaram várias forças em busca do açúcar, mas nada encontraram...
O engenho Camaragibe é citado no mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve - plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ: Camriginÿ'.
Segundo Dussen (1640, pág. 159), o engenho Camaragibe/Serinhaém aparece como pertencente a Blancol Mendes (nada foi encontrado) e seus lavradores eram: Domingos Pereira 09 tarefas; Gaspar Velho 12 tarefas; Manuel da Cunha 25 tarefas; Petro Peres 02 tarefas.
O próximo proprietário encontrado foi Manuel Correia de Araújo.

Manuel Correia de Araújo – Nada mais foi encontrado.
Casamento 01: Antônia Lins Correia de Araújo
Curiosidades: A revolução de 1817, quaisquer que tenha sido as suas causas, foi o primeiro grito de rebeldia social das América, que "aprendera por fim a se levantar mais alto que a Europa e dar leis àqueles de quem tinham por hábito recebê-las". A tradição chama esta revolução de "Revolução dos Padres", e tem razão, pois foi ela gerada no Seminário de Azeredo Coutinho, 50 padres seculares e 5 frades. Tal revolta recebeu o apoio inicial de Manuel Joaquim Barbosa, Comandante do Regimento de Artilharia, o que ocasionou em poucos dias a expulsão do governador Caetano Pinto e a derrota das forças portuguesas. Estando vitoriosa a revolução foi instalado um governo provisório (seguindo em algumas ocasiões os moldes franceses) composto por 05 diferentes membros representativos de classes: Domingos Teotônio Jorge (militar), Padre João Ribeiro (eclesiásticas), Domingos José Martins (comercial), Dr. José Luís Mendonça (jurídica) e Manuel Correia de Araújo (agricultura).


       O engenho depois pertenceu a Sebastião Antônio Accioly Lins Wanderley.

Sebastião Antônio Accioly Lins Wanderley – Nascido em 16/01/1829-Serinhaém e falecido em 02/05/1891-Recife. Filho do Cap. Sebastião Antônio Accioly e Joanna Francisca de Albuquerque Lins. Neto paterno de Cristóvão da Rocha de Barros e de Feliciana Ignácia Accioly. neto materno de Sebastião Antônio Accioly Lins e de Joanna Francisca de Albuquerque Lins. Estudou as primeiras letras, com o padre Joaquim Rafael N. Dura, conhecido latinista, no engenho Mamucabas/Rio Formoso que pertencia ao Cel. Manuel Xavier Paes Barreto. Foi bacharel em Direito em 1850 no Curso Jurídico em Olinda. Presidente da Assembleia Provincial em quatro legislaturas. Deputado Provincial em Pernambuco. Barão de Goicana, Dec. 18/08/1882. Senhor de engenho e Usineiro.
O Barão escreveu dois diários, o primeiro começado em janeiro de 1886 e terminado em 1890 foi publicado na revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Vol. L, Recife, 1978. O outro se perdeu.  Com fotografias na coleção Francisco Rodrigues; FR- 3716
Casamento 01: Feliciana Inácia Accioly Lins, c.g.
Senhor dos engenhos: Camaragibe/Sirinhaém; Fortaleza/Ipojuca; Goiana Grande (Usina Maravilhas)/Goiana; Goicana;  Palma; Portas d'Água;
Porto Alegre; Ubaquinha; Tapuia/Amaraji.
Fontes consultadas:

       No século XX o engenho Camaragibe pertencia a Mendes, Lima & AMP CIA.

Mendes, Lima & AMP CIA - Antônio Fernandes Ribeiro foi o fundador da firma "Barros, Mendes &AMP, Cia", em sociedade com os portugueses: João José Rodrigues Mendes e Gonçalo Alfredo Alves Pereira, sucedida por "Mendes, Lima & Cia, ao brasileiro José Adolpho de Oliveira Lima. A firma iniciou suas atividades comerciais com a compra de bacalhau, e depois como importadora do mesmo produto. Anos depois interessou-se pela atividade açucareira como comissária e exportadora de açúcar, que adquiria por financiamento antecipado a Engenhos e Usinas. Desse modo conseguiu acumular considerável patrimônio, por compra, ou em ressarcimento daquelas unidades incapazes de saldarem seus compromissos, conforme observa-se pelo levantamento do ativo da empresa por ocasião do inventário procedido com o falecimento do sócio Joaquim Lima d'Amorim que ingressara na firma em 1900, e cujos bens estavam assim arrolados as Usinas: Perseverança e Engenhos 73:200$000; Trapiche 1.693:037$000; Ubaquinha 1.877:044$842; Engenhos: Camaragibe, Jaciru, Cachoeira Nova, Cachoeira Velha , Anjo, Palma, Ubaca, Ubaquinha, Xanguá, Sapucaia, Sibiró do Cavalcanti, Porto Alegre, Gindaí ou Gindahi/Sirinhaém; Jardim /Catende; Jacaré/Goiana; Laje Nova/Palmares; Santana, Mangueira/Água Preta; Sirinhaém depois Todos os Santos, São Bras Coimbero/Cabo de Santo Agostinho; São Domingos/Barreiros; Fluminense; Rosário; Canto Escuro; Trapiche; e Machado.
Fontes consultadas:

Fontes consultadas:
PEREIRA, Levy. "Camurijĩmírĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Camurij%C4%A9m%C3%ADr%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 28/10/2013,
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1916 Vol 3

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