Fontes

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04/11/2013

Engenho de Nossa Senhora do Rosário ou Trapiche/Sirinhaém

O distrito de Serinhaém se estendia ao sul do Rio Pirassinunga até o Norte do Rio Marcoype, e está perfeitamente extremado com marcos e pedras fincadas. A este distrito pertencia uma parte da freguesia de Ipojuca, desde os currais de Marcaype, compreendendo os engenhos de Francisco Soares Cunha e de Miguel Fernandes de Sá, e a freguesia de Una. No distrito existia a cidade chamada Vila Formosa de Serinhaém e a povoação de São Gonçalo de Una, além de alguns outros lugarejos. 
As origens de Sirinhaém remontam-se ao século XVII, época na qual, depois de vencer os índios Caetés que ocupavam toda a região, começa a povoar-se toda a zona sul do Estado de Pernambuco. Nesta época, foram construídos na região engenhos com uma produção de açúcar relevante e de boa qualidade, que era escoada pelo porto. O povoamento das terras do Sirinhaém teve início no século XVII, notadamente, pelas famílias Accioly, Lins, Siqueira, Uchoa, Peres, Campello e Barros. Quando os holandeses invadiram Pernambuco existiam 18 engenhos emSerinhaém, sendo que 11 estavam de fogo morto e 07 foram confiscado pela Companhia das Índias Ocidentais holandesas.

Praia de Serinhaém/PE

Segundo Pereira da Costa (1951, Volume 02, Ano 1627, pg. 460-461): "Coroada a empresa de bom êxito, e vencidos e derrotados os índios, abandonaram todas as terras a partir do litoral, internaram-se pelo país, e não mais inquietando os colonizadores, foram logo as suas terras divididas em grandes sesmarias, sendo uma delas conferida a Jerônimo de Albuquerque em remuneração dos seus serviços de campanha. Assim divididas as terras de Sirinhaém, começaram logo a surgir os seus primitivos engenhos de açúcar, sendo um desses o denominado de Nossa Senhora do Rosário, ainda existente, fundado pelo abastado colono Diogo Martins Pessoa, em terras da legítima de sua mulher D. Filipa de Melo...”.

Diogo Martins Pessoa – Nasceu em Olinda e faleceu em 08/01/1612, sendo sepultado na Igreja do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição. Filho de Fernão Martins Pessoa que chegou a Pernambuco no princípio da povoação, e de Isabel Gonçalves Raposo, natural da Vila do Conde, de onde viera pequena em companhia de seus pai, Antão Gonçalves Raposo e Maria de Araújo. Seu testamento se encontra no Livro Velho da Sé de Olinda e foi feito em 08/01/1612, deixando como testamenteira sua esposa D. Felipa.
Casamento 01: Felipa de Mello. Falecida no dito engenho em 07/1649. Filha de Jerônimo de Albuquerque e de D. Felipa de Mello. D. Felipa casou em 2ª núpcias com Pedro Lopes de Vera, c.g.
Filhos: João de Albuquerque; Fernão de Mello Albuquerque; Jerônimo de Albuquerque de Mello; Diogo de Albuquerque de Mello; Afonso de Albuquerque de Mello; Sebastiana de Mello Albuquerque c.c. Jacinto de Freitas da Silva (senhor do Morgado da Magdalena/Ilha da Madeira-PT); João de Albuquerque de Mello c.c. Maria de Veras; Maria Pessoa c.c. Francisco Monteiro Bezerra.
Curiosidades: Fernão Fragoso de Albuquerque quando escreveu sobre a família de Jerônimo de Albuquerque, negou a D. Felipa o sobrenome Mello, porque não reconhecia o casamento de Jerônimo e de D. Felipa de Mello, filha de D. Cristóvão de Mello, não usando os verdadeiros documentos que afirmavam tal fato do casamento.
Senhor do engenho Nossa Senhora do Rosário/Sirinhaém.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada. Guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. Edt 34. 2ª edição , definitiva. São Paulo, 2007.

             Nomes históricos: Nossa Senhora do Rosário (N S. đ Ro∫airo; N S. ᵭ Rosario), Tapicuru de Baixo (Tapiiruçú, Tapiruçu, Tapicuru), Trapiche (Usina Trapiche).
         Durante a ocupação holandesa o proprietário do engenho Nossa Senhora do Rosário era Pero Lopes de Vera. Segundo documentação holandesa o engenho, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, se encontrava de fogo morto, ficava localizado entre a margem direita do Rio Tapiruçu (alto curso) e a margem esquerda do Rio Jaguariu (no baixo curso), sob a jurisdição da vila Formosa de Serinhaém, a cerca de uma milha e meia de distância da cidade; tinha cerca de uma milha e meia de terra com uma várzea razoavelmente boa. Sua moenda era movida à água e podia anualmente fornecer 5.000 a 6.000 arrobas de açúcar e pagava de recognição 2 arrobas de açúcar branco por milhar, depois de dizimado. O partido da fazenda tinha 40 tarefas e seus lavradores eram: Diogo Lopes Bartolomeu (22 tarefas) e Gaspar Camelo (12 tarefas), totalizando 74 tarefas.

Pedro Lopes de Veras – Durante a ocupação holandesa era possuidor do passaporte holandês. Nascido em Lisboa. Homem muito rico e proprietário de vários cabedais em Pernambuco. Faleceu na Bahia no dia 14/05/1651, de acordo com o seu testamento, Cartório do Juízo das Capelas e dos Resíduos do Juízo Eclesiástico. 2º senhor do Morgado do Bom Jesus/Cabo de Santo Agostinho.
Casamento 01: D. Antônia, sem sucessão.
Casamento 02: D. Catharina de Lira. Filhos: Manoel da Vera Cruz de Veras c.c. D. Luísa Francisca de Albuquerque e depois com D. Cosma Bezerra da Cunha e por último com D. Brites Barbalho Lins; Antônio Maurício Wanderley; Theresa Caetana Maria de Jesus c.c. Antônio Velho Barreto; Maria Xavier Lins de Mello.
Casamento 03: Felipa de Mello, que era viúva de Diogo Martins Pessoa, senhor do engenho Nossa Senhora do Rosário/Serinhaém. Faleceu no dito engenho em 07/1649. Filha de Jerônimo de Albuquerque e de D. Felipa de Mello. Sem sucessão.
Senhor dos engenhos: São João/Cabo de Santo Agostinho; Nossa Senhora do Rosário/Serinhaém; Bom Jesus/Cabo de Santo Agostinho.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926.
Delano Carvalho. Ancestrais da Família Barros Carvalho. Publicado em 10/04/2012. Disponível em: http://www.delanocarvalho.com/Pages/bau1.aspx
       
          No século XIX, Gaspar Vasconcellos Menezes de Drummond Filho aparece como proprietário do engenho.

Gaspar Vasconcellos Menezes de Drummond Filho (Gaspar Drummond) – Faleceu em 05/05/1906. Filho do homônimo e proprietário de muitos escravos e terras em Pernambuco. Advogado pela Faculdade de Direito de Olinda. Coronel. Promotor Público.  Deputado Estadual (1894/96). Deputado Federal. Senador por Pernambuco (1893/94) jornalista e político brasileiro. Autor do livro: Breve Exposição acerca dos fatos ocorridos antes e depois da apreensão dos africanos na barra de Sirinhaém em outubro de 1855. Recife: Typographia Universal, 1856.
Gaspar de M. V. Drummond Filho (1875)
Coleção Francisco Rodrigues (FR-01748)
Curiosidades: O Coronel Gaspar de Menezes ficou conhecido pelo episódio do palhabote português que atracou com 209 africanos em Sirinhaém em 1855, já cinco anos depois da entrada em vigor da lei Eusébio. Drummond e seu outro filho, Antônio, se viram envolvidos judicialmente no caso, tendo sido o pai preso por 11 meses, antes de ser absolvido. O coronel, que era delegado na região, fora acusado de não ter dado auto de prisão ao capitão do palhabote, e de ter deixado toda a carga ser desembarcada, tendo sumido os africanos, dos quais 49 teriam sido furtados pelo seu próprio filho Antônio. O caso envolveu personagens importantes do governo, como Nabuco de Araújo, e as famílias influentes locais.
Curiosidades: Em 12/11/1889 o Presente da Província de Pernambuco, Innocêncio Marques de Araújo Góes, mandou entregar a Gaspar de Menezes Drummond a quantia de 100:000$000, em apólice de 07%, com auxílio para a construção do engenho central de Serinhaém, por haver ele exibido o traslado da escritura de compra e venda do material desse engenho, prestando a devida fiança.
Casamento 01: Felippa Cavalcanti de Albuquerque Uchoa. O casamento aconteceu na Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Livro de Registros de Casamentos n º 02, 1855-1879, pp 166v).
Filhos: Alfredo de Vasconcelos Menezes de Drummond; Antônio de Vasconcelos Menezes de Drummond (eng. Anjo)
Senhor dos engenhos: Água Fria/Rio Formoso, Trapiche/Serinhaém, Anjo/Serinhaém e Jaceru.
Nos seus engenhos trabalhavam em 1843, segundo o cônsul britânico H. Augustus Cowper, cerca de 400 escravos
Fontes consultadas:
A Questão do Tráfico. Publicado no Jornal o Liberal, n º 1. Recife, 05/03/1857.
Mensagem. Pernambuco (Brasil) Governo, 1846. Typ. Imp. De I. I. R. Roma. 1846

Hoje suas terras pertencem  a Usina Trapiche/Serinhaém.

Usina Trapiche – Em 1918, o coronel Augusto Octaviano de Souza e sua esposa, Clementina Octaviano de Souza, venderam a usina para José Lúcia Ferreira e Luiz Ferreira Gomes da Silva Filho. Em outubro de 1919, foi a usina novamente vendida para João Lopes de Siqueira Santos, Hermano Brandão de Siqueira Santos e o coronel Antônio Pedro Soares Brandão, que criaram uma sociedade denominada Firma Social de Santos Siqueira Etc. Cia. Em 1923, o coronel Antônio Pedro desligou-se da sociedade e, em 1924, morreu Hermano Brandão, ficando assim João Lopes da Siqueira Santos, como único sócio. Em 1929, tinha capacidade para processar 400 toneladas de cana em 22 horas, possuía seis quilômetros de via férrea, seis locomotivas e 130 vagões. No período de moagem contava com cerca de 400 operários trabalhando na fábrica. A exploração das terras era feita por parceria e o transporte da cana e da lenha por via férrea própria. A produção de açúcar era transportada para o Recife por via marítima. Possuía uma grande vila operária e uma escola com frequência anual de 30 alunos. Com a morte do proprietário João Lopes de Siqueira Santos, em 1934, a usina ficou para sua viúva, Benvinda Arruda Siqueira Santos e demais herdeiros. Em 1945, foi transformada em sociedade anônima. Em1957, os sócios ofereceram suas cortas a João Lopes de Siqueira Santos Filho, que as comprou ficando então como único proprietário da usina, junto com sua esposa Marina Loyo Meira Lins de Siqueira Santos. Em 1994, com a usina em ótimas condições, o comando foi passado para Clóvis Paiva, seu atual proprietário.
Fontes consultadas.
ACIOLI JR, Alexandre. Os Trabalhadores Rurais: Morada e Identidade Cultural na Zona da Mata Pernambucana. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)''' GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17).

Fontes consultadas:
ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)
GASPAR, Lúcia. Usina Bom Jesus. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em:  13/10/2013
GONÇALVES & SILVA, O assucar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17). 
PEREIRA, Levy. "N S. đ Ro∫airo (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_S._%C4%91_Ro%E2%88%ABairo_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 16/10/2013

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