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01/12/2013

Engenho Nossa Senhora do Rosário ou Nossa Senhora da Conceição/Ipojuca

Engenho de Ipojuca/PE

               

A conquista de Ipojuca teve início em 1560, após a escravização dos índios caetés. A partir daí, os colonos de origem europeia puderam ocupar as terras férteis e ricas em massapê de Ipojuca, que eram bastante propícias para o cultivo da cana-de-açúcar, o que causou um rápido surgimento de diversos engenhos na região. Entre os pioneiros, estavam as famílias Lacerda, Cavalcanti, Rolim e Moura.
Assim na Jurisdição de Olinda e freguesias que dela faziam parte, existiam 67 engenhos, sendo que quando os holandeses invadiram Pernambuco haviam 20 de fogo morto e 47 moentes e destes 05 foram confiscados pela Companhia das Índias Ocidentais. Hoje suas terras fazem parte da Região Metropolitana do Recife. Administrativamente, o município é formado pelo distrito-sede, pelos distritos de Camela e de Nossa Senhora do Ó e pelos povoados das praias de Porto de Galinhas, Muro Alto, Cupe, Maracaípe, Serrambi, Touquinho e seus engenhos.
Segundo Pereira da Costa (1812, vol. 07. Pág. 91), quando os holandeses invadiram Pernambuco a freguesia de Ipojuca, que na época chamavam a Bela Pojuca, contava no seu termo os seguintes engenhos: Sibiró de Baixo sob a invocação de São Paulo, pertencente a Francisco Soares Ganha; Sibiró de Cima, a Manuel de Novalhas; Maranhão e Bertioga, a João Tenório; Trapiche, sob a invocação do Bom Jesus, a Francisco Dias Delgado ; Santa Luzia, e o denominado Salgado, sob a invocação de S. João, a Cosme Dias da Fonseca; Pindoba, a Gaspar da Fonseca Carneiro; Caroaçu, a Manuel Vaz Vizeu; Guerra, e o de nome Nossa Senhora do Rosário, sem menção do proprietário
                O engenho Nossa Senhora do Rosário foi fundado antes da invasão holandesa, com igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Situado a 1/2 milha de distância do engenho Bom Jesus, sob a jurisdição da cidade Olinda e freguesia de Ipojuca, cujo proprietário era D. Fernando de Queiróz que morava na Galiza/Espanha, (nada mais foi encontrado). Este engenho tinha uma moenda movida à água fornecida por um bom açude, suas terras tinha de extensão 1/2 milha, com lindas várzeas cheias de canas e matas, que forneciam toda a madeira de que se precisa. Podia moer anualmente 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar e pagava 03% de recognição. A casa de purgar e a casa das caldeiras eram de taipa e nelas os holandeses encontraram, antes da chegada do dito João Carneiro, 2 caixas pertencentes a L. Dolvero, 17 caixas provenientes, segundo ele, de algumas formas purgadas por .João Gonçalves.
Nomes históricos: Nossa Senhora de Conceição (Nossa Senhora da Conceição; Nossa Senhora de Conçetion; Conspsaõ); Nossa Senhora do Rosário. Hoje o engenho é chamado de Conceição Velha - vide mapa IBGE Geocódigo 2607208 IPOJUCA - PE.
                O engenho foi cidado nos seguintes mapas: PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve, plotado como engenho, Consepsaõ', na m.e. do 'Rº. Salga∂o' (Rio Ipojuca) e o PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado como engenho, 'N. S de Conçetion', na m.e. do 'Ipoiucâ' (Rio Ipojuca).
            Segundo o Relatório de Shott de 1636, e de acordo com documentos apresentados ao Alto Conselho holandês, o dito engenho foi arrendado por 09 anos a João Carneiro de Mariz,.

João Carneiro de Mariz nasceu em 1582, segundo declaração feita em 20/04/1648, quando declarou que tinha 66 anos de idade: Torre do Tombo (Lisboa), Inquisição de Lisboa, processo 306 de Mateus da Costa. De acordo com Borges da Fonseca tudo indica que tenha nascido na Vila do Conde-PT. Filho de Francisco Carneiro da Costa, que foi Desembargador do Porto, e de Isabel de Mariz Pinheiro, batizada em 09/1536.
Chegou a Pernambuco antes de 1630, juntamente com seu irmão José Carneiro da Costa, que em 1620 era Morgado de São Roque e Orta Grande, da dita Vila do Conde. Foi Vereador da 1ª Câmara dos Escabinos (1637/38). No começo da invasão holandesa fora um dos que mais se aproveitou dos benefícios oferecidos pelos holandeses, se tornando um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais holandesas. Durante a Restauração Pernambucana se voltou para o lado luso-brasileiro e lutou na guerra, juntamente com seu irmão José Carneiro da Costa e de seu sobrinho Pedro Álvares Carneiro. Em 16/08/1647, João Carneiro de Mariz foi preso, juntamente com Francisco Dias Delgado, e trazidos pelos holandeses para Recife.
Casamento 01: Na freguesia de Ipojuca com D. Maria Quaresma, filha de seu tio Pedro Alves Carneiro e de D. Maria Velha Ferreira.
Filhos: Francisco Carneiro da Costa c.c. Ana da Costa, filha de Gonçalo Dias da Costa (primeiro senhor do eng. Pirajui/Igarassu) e de Catharina Gil.. Francisco foi sucessor de seu tio José Carneiro da Costa no senhorio da Casa e do Morgado de São Roque e Orta Grande, em Portugal, onde tomou posse por procuração. Em 08/05/1653, morava na Várzea/Recife, de acordo com uma provisão que alcançou para não ser executado por um ano pelas suas dívidas. C.g.; Gonçalo Carneiro da Costa que sucedeu seu irmão, por procuração, no Morgado de São Roque e Orta Grande, em Portugal, que logrou por muitos anos. Foi Vereador de Olinda, de acordo com os livros da Câmara de 1680. Juiz Ordinário, em 1697. Capitão na guerra holandesa. Casou com D. Brites de Sá (viúva de Domingos de Oliveira Monteiro). irmão da Misericórdia, em 23/04/1696. S.g; João Carneiro de Mariz c.c. D. Ângela de Mello, filha de José de Albuquerque de Mello e de D. Brásia Baptista. C.g; D. Maria Carneiro de Mariz c.c. Gaspar Pereira Castelhano; D. Margarida Carneiro, falecida solteira; José de Jesus, nada consta;Manoel Carneiro de Mariz (eng. do Meio ou São Sebastião/Recife-Várzea) Vereador, em 1657, Juiz Ordinário em 1688 e 1702, e Provedor em 1704. Casado com sua prima D. Cosma da Cunha. C.g; D. Úrsula Carneiro de Mariz c.c. Paulo Carvalho de Mesquita; Isabel Carneiro (não se sabe se realmente existiu esta filha, citada no site Geneall.pt).
Senhor do engenho Sibiró de Cima/Ipojuca; Salgado/Ipojuca, Nossa Senhora do Rosário/Ipojuca (do qual foi rendeiro desde antes a invasão holandesa)
Fontes consultadas:
ACIOLI, Vera Lúcia Costa. Informações sobre senhores de engenho de Pernambuco no século XVII. Estrutura: Nome do proprietário e do engenho/local/atividade-ofício/outros dados relevantes.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais de:  1925 Vol. 47
Gonsalves de Mello, 1985, pg. 192.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Governo do Estado de Pernambuco. CEPE. 2ª Edição.  Recife, 2004
NIEUHOFS, Johan. Memorável Viagem Marítima e Terrestre ao Brasil. Biblioteca Histórica Brasileira. Direção de Rubens Borba de Moraes. Livraria Martins. São Paulo
               
No começo da invasão holandesa João Carneiro de Mariz foi um dos que mais se aproveitou dos benefícios oferecidos pelos holandeses, se tornando um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais holandesas. Entre suas dívidas está a compra, em 20/06/1637, à Companhia do eng. Sibiró de Cima, sob a invocação da Santa Cruz, que pertencera a Manuel de Nabalhas, por 40.000 florins, a serem pagos em prestações de 5.000 florins, a primeira a vencer em 01/01/1640. (Gonsalves de Mello, 1985, pg. 192).
Em 1642, os senhores de engenho eram os grandes devedores da Companhia, segundo informa o Conde João Maurício de Nassau, que estimou a dívida global em 75 tonéis de ouro, o que representava 7,5 milhões de florins; dois anos depois, a dívida já alcançava a elevada importância de 130 tonéis de ouro, correspondentes a 13 milhões de florins. Mas a Companhia visando o lucro obtido com o açúcar no mercado internacional, continuou a ajuda-los financeiramente e facilitando a construção dos engenhos ou pagando dívidas particular de alguns senhores, como Jorge Homem Pinto (Paraíba), João Carneiro de Mariz (Ipojuca), e D. Catharina de Albuquerque, proprietária do engenho Santo Antônio da Muribeca.
Praia de Porto de Galinhas/Ipojuca-PE.


Fontes consultadas:
PEREIRA, Levy. "N S. de Conçeição (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_ S._de_Con%C3%A7ei%C3%A7%C3%A3o_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 28/11/2013.

Um comentário:

dulcy gaby disse...

Moro no engenho mercês, e tem muitos fatos históricos que só agora aprendi, ao fazer várias pesquisas sobre o lugar, o engenho Mercês hoje é reconhecido como comunidade remanescestes de quilombolas . portaria do diario oficial N° 74 , de fevereiro de 2017 seria bom atualizar pois acredito ser um fato histórico. Já que essa localidade sofre muitas degradações ambientais com os desmandos de SUAPE e suas empresas rumo ao progresso .