Fontes

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22/02/2015

Tapacurá, Apuepe, Nossa Senhora do Rosário ou de Monserrate/São Lourenço da Mata

          A região onde atualmente fica o município de São Lourenço da Mata era coberta por extensa floresta (de Mata Atlântica) e habitada por índios Tupinambás que ofereceram grande resistência à colonização portuguesa em Pernambuco. Em 1554, os indígenas acabaram derrotados pelos colonizadores que passaram a explorar a região rica em madeira, sobretudo em pau-brasil, introduziram a cultura da cana-de-açúcar, que até hoje é a principal atividade econômica da região.
Entrada do engenho Tapacurá
         No século XVII, São Lourenço era a freguesia, sob a jurisdição de Olinda, com maior número de engenhos, embora ficasse distante do porto do Recife. Essa distância era compensada pela fertilidade dos solos onde brotava a cana de açúcar, que eram reputados entre os melhores da capitania, o que tornava a localidade muito importante para o açúcar pernambucano.
O engenho Tapacurá, Apuepe, Nossa Senhora do Rosário ou de Monserrate/São Lourenço da Mata foi fundado após 1609, possivelmente por Belchior Rodrigues Covas citado como Casa do Covas (Broeck, 1651, pg. 13), em terras situadas na margem esquerda do Riacho Jabaíra, freguesia de São Lourenço da Mata, sob a jurisdição de Olinda, Capitania de Pernambuco. Como moenda movida a bois e igreja.

Belchior Rodrigues Covas – Nada mais foi encontrado.
Senhor do engenho: Covas, depois Tapacura/São Lourenço da Mata
Fontes:
Castrioto Lusitano 1679 (1). Parte 1, livro VI. Pág. 301.
Varnhagen, Francisco Adolfo de (Visconde de Porto Seguro) Historia das lutas com os Hollandezes no Brazil desde 1624 a 1654. Typ. de Castro Irmão, 1872.
A Illustração luso-brazileira, Vol. 3. Typ. do Panorama, 1859
PEREIRA, Levy. "Apuepe". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Apuepe. Data de acesso: Data de acesso: 20.02.2015.

           Em 1623 pertencia a Antônio Rodrigues Moreno, produzindo 5.700 arrobas de açúcar, pagando 10.000 réis em dinheiro ao Donatário da Capitania. A casa de vivenda do engenho, segundo Frei Manoel Callado (pág. 193) era a mais alterosa e espaçosa que no sertão de Pernambuco havia.

Antônio Rodrigues Moreno (Torto)Nada mais foi encontrado.
Domingos  da Costa Brandão, senhor do engenho Araripe de Baixo ou Jaracutinga/Igarassu, e sua esposa Maria Henriques Brandoa, em 1639 se encontravam na Holanda e passaram uma procuração para  José de Abraão Lumbroso que viera para o Brasil, e na falta deste a Antônio Rodrigues Moreno, para que expulsasse a lavradora Maria da Fonseca, que ocupara do engenho na ausência do casal.
Senhor do engenho: Tapacurá/São Lourenço da Mata
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012.  Pág. 76, 80
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1919-1920 Vols 41 / 42 (2). Págç 159 Anais 1919-1920 Vols 41 / 42 (2). Pago 167
PEREIRA, Levy. "Apuepe". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Apuepe. Data de acesso: Data de acesso: 20.02.2015.

O próximo proprietário encontrado foi João Rodrigues Moreno que provavelmente herdou o engenho de Antônio Rodrigues Moreno,

João Rodrigues MorenoNada foi encontrado
Senhor do eng: Nossa Senhora de Monserrat/São Lourenço da Mata
Fontes:

ACIOLI, Vera Lúcia Costa. Museu Virtual

      Durante o domínio holandês João Rodrigues Moreno permaneceu no engenho, que em 1636 foi saqueado por campanhistas luso-brasileiros, mas em 1637 e 1639, safrejou com 05 partidos de lavradores, no total de 100 tarefas (3.500 arrobas), sem partido da fazenda.
      Segundo relatos feitos da coluna do Cel. Crestofle d'Artischau Arciszewski (ou Krzysztof Arciszewski), em 04 de agosto de 1636, cedo pela manhã, chegou em tempo na aldeia de Nossa Senhora da Luz, onde morava ainda alguma gente fiel e um padre de confiança; tinha marchado de Muribeca até ali quatro léguas. Nessa aldeia fez provisão de víveres para uma longa viagem e deu aos habitantes uns vales para o Conselho pagar a conta dos animais e outras coisas que forneceram. No dia seguinte choveu forte, e não havendo casas bastante nesta aldeia para ficarem com as suas mochilas enxutas, foram obrigados a se porem em caminho para o engenho de Antônio Rodrigues Moreno, cerca de uma légua da aldeia, a fim de se abrigarem da chuva.".
       Em 1643, com o falecimento do proprietário, seus credores expuseram ao Governo do Brasil holandês, o abandono em que se encontrava o engenho, propondo que fosse repassado a
Manoel Fernandes Cruz que “era um indivíduo de suficientes capitais”, que se oferecera para beneficiar o engenho e pagar os credores e a WIC nas três safras seguintes, o que foi logo aceito.

Manoel Fernandes Cruz – Capitão.
Manoel Fernandes Cruz, em seu nome e no de seus herdeiros compareceu perante as seguintes autoridades holandesas: Pieter Janz Bas e Joan van Ratsvelt, Conselheiros de Justiçado Brasil, por especial designação da Companhia das Índias Ocidentais (WIC) e do Assessor do Grande Conselho Joan van Walbeek, para fazer um acordo sobre sua dívida que já era de 41.526 florins, acompanhado dos credores (Benjamim de Pina, Isaac da Costa, Joseph Abenacar, Abraham Aboab, Symon de Valle, Gaspar Francisco e David Brandão, Abraham de Tovaer, João Parente, João Mendonça de Muribeca, Jacob Gabay, More de Leon, Balthasar de Fonseca, Simon Gomes de Lisboa, Bartholomeu Rodrigues, Daniel Cardoso), igualmente devedores da WIC. Assinado o contrato entre os credores e devedores, ficou acordado que Manoel Fernandes Cruz ficaria devedor à WIC da soma de 60.795 florins, dos quais 19.269 florins referentes a sua dívida perante a WIC, e o restante 41.526 florins por conta de seus credores, que deveriam ser creditados pela WIC, na proporção dos respectivos débitos sob as seguintes condições: que o débito total deveria ser liquidado nos 03 próximos anos, em parcelas iguais ou de maior valor, sendo o primeiro pagamento feito em janeiro de 1645 [...] Seus fiadores foram: João de Mendonça que era seu cunhado e nada possuía e Manuel Gomes de Lisboa que era um homem rico. NOTA: Segundo a “Bolsa do Brasil” Manoel Fernandes Cruz teria subornado com 10.000 florins as autoridades do Recife holandês para conseguir o acordo com o Governo holandês.
Em 1645, Manoel Cruz era devedor de 47.756 florins à WIC e de outros 10.070 florins contra a razo, em em 1663 sua dívida já era de 61.160 florins.
Em junho de 1645, ao desfechar a Insurreição luso-brasileira, João Fernandes Vieira, subindo com sua tropa pela Ribeira do Capibaribe, deteve-se no engenho de Manoel Cruz, mas nem [...] quis comer coisa de sua casa, nem dormir dentro dela, e se agasalhou na ermida do engenho e o levou [Cruz] consigo, montando-lhe ruim semblante pelas grandes suspeitas que havia de que ele avisara ao inimigo de tudo o que entre nó se passava. Porém depois, aderiu a causa dos insurrectos e lutou com mais dois filhos, distinguindo-se todos na guerra contra os holandeses.
Após deflagração da Insurreição Pernambucana lutou contra os holandeses junto a seus dois filhos.
No ano de 1652, Manoel Fernandes Cruz sugeriu a D. João IV várias medidas de incentivo à economia canavieira.
Senhor dos engenhos: Tapacura/São Lourenço da Mata; Camaçari/Jaboatão dos Guararapes.
Casamento 01: Joanna Maria das Dores. Filha do Capitão-mor Manoel do Carmo Inojosa e de Joanna Felícia do Espírito Santo.
Filhos: (NI)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Vicotiano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (1). Pág. 408
Johannes Nieuhof, José Honório Rodrigues e Moacir Nascimento Vasconcelos. Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Edições 20-27. Pág. 183-184
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 161
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 82-83, 99

       O engenho Tapacura foi citado nos seguintes mapas coloniais:  PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 Capitania de Pharnambocqve, plotado como engenho, 'Ԑ: Tapicura', na m.e. do Rio sem nome, afluente do 'Rº. Capauiriuÿ'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 Capitania de I. Tamarica, plotado como engenho, 'Tapicura Ԑ', na m.e. do Rio sem nome, afluente m.d. do 'Rº. Capauiriuÿ'; PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado, 'Apuepe', na m.e.  do 'Iabaira' (Riacho Jabaíra).
Casa grande do engenho Tapacurá
          Durante a guerra contra os holandeses o Sargento-mor Antônio Dias Cardozo e todo o seu exército, seguiu para o campo do engenho Maciape, atravessando o Rio Capibaribe, em jangadas, na altura do engenho da Moribára-Pequena, que pertencia a Fernão Soares da Cunha. Desse engenho seguiram para o São João, pertencente ao senhor Arnau de Holanda, onde pernoitaram. No outro dia Arnau de Holanda e seus filhos se reuniram a Companhia. Deste engenho, em virtude da aproximação de um corpo de operações, ás ordens do Capitão Blaar, tendo consigo Pero Poty com uns 100 índios vindos da Paraíba, e mais uns 200 jovens voluntários holandeses, partiram todos em direção do engenho do Covas, que pertencia a Manuel Fernandes da Cruz. Chegando na passagem do Rio Tapacurá, viram que teriam que atravessa-la com jangadas com um vaivém de cipós, pois havia crescido muito devido as recentes chuvas do mês de julho. Levou-se bastante tempo nessa travessia, de modo que não foi possível continuar a jornada e mais 03 ou 04 léguas, e tiveram que pernoitar no engenho cuja casa, segundo o Frei Manoel Calado, era «a mais alterosa e espaçosa que no sertão de Pernambuco havia», onde tiveram de ficar 20 dias.

Casa grande do engenho Tapacurá
      No ano de 1644 Manoel Fernandes Cruz fez um requerimento ao Governo holandês reclamando dos contratadores de pau-brasil, entre eles seu amigo o Pe. Manoel de Morais, cujos carros de bois causavam danos aos canaviais, onde dizia que o engenho dispunha de todas suas terras, canaviais, pastagens, matas e outras coisas a ele pertencentes, tais como: 08 caldeiras de cobre, 10 tachos e paróis, além de outras vasilhas de cobre [...], 90 escravos [...] sua casa [de vivenda] e 60 bois.
      Em 1645, durante a batalha Monte das Tabocas os holandeses aproveitando-se da escuridão e das fortes chuvas que caíam, refugiaram-se no Engenho Tapacurá, a quatro léguas do local do confronto, seguindo depois em direção à Várzea pondo de assalto várias casas-grandes de onde levaram o que restava de objetos de valor, tendo sido aprisionadas algumas mulheres dos conjurados, dentre as quais se encontrava a sogra de João Fernandes Vieira.
      Em 1655 o engenho Tapacurá pagava 10 mil réis em dinheiro por todo açúcar produzido ao Donatário D. Miguel de Portugal, mas de todo o açúcar que cabia ao dízimo real pagava a D. Maria de Albuquerque, herdeira de Duarte de Albuquerque Coelho, pelo contratador que o arrendava, de cada dez arrobas, uma. (Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Vol. XLVIII. Recife, 1976. Pág. 161).
      Em 08.01.1853 foi publicado no Diário de Pernambuco um anúncio onde dizia que - No dia primeiro de janeiro desapareceu do engenho Tapacurá, pertencente ao Rvm. Sr. padre Félix José Moreira da Costa, um escravo de nome Ignácio, de nação Quiçama, de idade de 40 a 45 anos, pouco mais ou menos, com os sinais seguintes; alto, seco, pernas finas, pés regulares, e tem do lado esquerdo abaixo da última costela uma cicatriz proveniente de uma queimadura, o qual escravo veio da freguesia da Escada, e foi comprado há pouco tempo nesta praça à senhora D. Flamína Maria Claudina: quem o pegar leve-o ao engenho acima, ou à casa do seu correspondente Antônio Joaquim Ferreira de Souza, no Pátio do Carmo, venda nº 1, que será gratificado generosamente.
     Hoje suas terras são conhecidas como Engenho Tapacurá, no município de São Lourenço da Mata-PE (Vide mapa IBGE Geocódigo 2613701 São Lourenço da Mata-PE), e as edificações existentes foram tombadas pela FUNDARPE.
       Na Região do Rio Tapacurá, localizadas a 35 km do Recife, foram criadas:
1975 - Estação Ecológica de Tapacurá – Com uma área de preservação de Mata Atlântica, com 776 ha, destinada a pesquisas na área de Botânica, Zoologia e Ecologica, administrada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. No local se produz muda de espécies frutíferas e florestais, como também abriga o lago formado pela represa do Rio Tapacurá. A Estação Ecológica protege cerca de 406 ha da Floresta Remanescente, estando o Restante em mãos de particulares.  Embora a área seja relativamente próxima do litoral, a floresta e classificada como semidecídua, justificando a presença de algumas aves típicas das Matas de Brejo do interior. Para chegar lá é preciso pegar a BR-232 e PE-40.
1987 - Reserva Ecológica Mata do engenho Tapacurá – Com uma área de 316,32 há.


Fontes:
Diário na História. Há 150 anos. Disponível em: http://www.old.pernambuco.com/diario/2003/01/08/historia.html
(Laet, 1644), Livro Décimo Terceiro, 1636, agosto, relata os feitos da coluna do Coronel Artichau ― Crestofle d'Artischau Arciszewski (ou Krzysztof Arciszewski) ― pg. 911-912:
A Illustração luso-brazileira, Vol. 3. Typ. do Panorama, 1859.
http://www.birdlife.org/datazone/sitefactsheet.php?id=20198
http://brasilchannel.com.br/municipios/mostrar_municipio.asp?nome=S%E3o%20Louren%E7o%20da%20Mata&uf=PE&tipo=lazer
http://mario-historiadomunicipio.blogspot.com.br/
http://www.revistacontinente.com.br/index.php/component/content/article/502-artigo/8179-a-cidade-qcidade-da-copaq-um-dia-foi-a-qcidade-do-acucarq.html
http://peredescoberto.blogspot.com.br/2008/02/so-loureno-da-mata.html
Pereira, José Hygino Duarte, in (Broeck, 1651), pg. 13-14.
PEREIRA, Levy. "Apuepe". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/Apuepe. Data de acesso: 20.02.2015.
Projeto Brasiliana USP- Universidade de São Paulo. Visconde de Porto Seguro. História Geral do Brasil, antes da sua separação e independência de Portugal. 2ª edição.
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Edições 20-27
Varnhagen, Francisco Adolfo de (Visconde de Porto Seguro) Historia das lutas com os Hollandezes no Brazil desde 1624 a 1654. Typ. de Castro Irmão, 1872.

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