Fontes

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13/12/2014

Engenho do Meio - Recife

           Nomes históricos:  São Carlos (S. Carlis); do Meio; de Carlos Francisco.
Engenho situado na margem direita do Rio Capibaribe, freguesia da Várzea, jurisdição de Olinda e capitania de Pernambuco. Com moenda movida a bois, com Igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Ajuda, pagando 02% de pensão ao Donatário.
Citado no mapa PE (Orazi, 1698) Provincia di Pernambvco, plotado, 'S. Carlis', na várzea entre o 'Capiibari' (Rio Capibaribe) e o 'Tajiibipio' - 'Teubipí' (Rio Tejipió).
O primeiro proprietário encontrado foi Álvaro Velho Barreto que chegou a Pernambuco como sócio de parentes ricos de Vianna/PT, como ele mesmo declarou a dois jesuítas que foram vê-lo em busca de donativos para o Colégio de Olinda. Em Pernambuco c.c. a cristã-nova Luisa Nunes e adquiriu o engenho do Meio, que ao falecer deixou à família.

Álvaro Velho Barreto
Nascido em torno de 1546/ Viana Foz de Lima, arcebispado de Braga  /PT. Cristão-velho. Filho de Tristão Velho e de Isabel Pais. Neto de Vasco Velho que era abade de muitas igrejas pelo Rio Lima/PT acima, que teve um filho com Inês Nunes Barreto; e de João Vaz da Cunha, abade de Anha e Daque, que teve sua mãe em uma mulher chamada Fulana Pais.
Álvaro Velho Barreto chegou a Pernambuco como sócio de parentes ricos de Vianna/PT, como ele mesmo declarou a dois jesuítas que foram vê-lo em busca de donativos para o Colégio de Olinda. Em Pernambuco adquiriu dois engenhos de açúcar na Várzea do Capibaribe. Participou da conquista da Paraíba como um dos comandantes da esquadra formada por 03 naus mercantes e 02 bons caravelões ou zabras, que foram a pique na baía da Traição, juntamente com Pero de Albuquerque, Lopo Soares, Thomé Rocha, Pero Lopes. Capitão-mor da gente de cavalo de Pernambuco.
Fidalgo de geração e da governança da Capitania de Pernambuco, confirmado por vários testemunhos durante o processo que o Visitador lhe moveu por blasfêmia durante a primeira visitação do Santo Ofício (Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, Processo nº 8475). Álvaro foi preso em 19.11.1593 e teve como sentença: auto-da-fé privado de 30/06/1595. Abjuração de leve, penitências espirituais, pagamento de dez cruzados para despesas dos Santos Oficio, pagamento de custas.
Segundo João Peretti na Várzea do Capibaribe ficava localizado os alegres engenhos de Bento Dias Santiago, de Ambrósio Brandão e de Álvaro Velho Barreto, todos contribuindo para existência de uma sociedade muito animada nas vizinhanças de Camaragibe.
Casamento 01: Luisa Nunes, cristã-nova. Filha de Domingos Mendes Pereira e de Marcella de Araujo.
Filhos encontrados: (NI)
Senhor dos engenhos: do Meio/Recife- Nossa Senhora do Rosário-Várzea; (NI) /Recife-Várzea (1578).
Fontes:
http://pt.wikisource.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Brasil_%28Frei_Vicente_do_Salvador%29/IV/XIII
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1885-1886, Vol 13 (1), Pág. 160. Anais 1926, Vol 48 (2), Pág. 142, 148.
http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=2308595
http://geneall.net/pt/nome/235587/joao-vaz-da-cunha-abade-de-anha-e-darque/
http://geneall.net/pt/nome/240613/vasco-velho-barreto/
http://sephardic-brazil.blogspot.com.br/2006/01/lista-dos-engenhos-nas-denunciaes.html
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. Pág. 61
MELLO, Evaldo Cabral dee. O nome e o sangue. Companhia de bolso. São Paulo, 2009. Pág. 64
PERETTI, João. Camaragibe Terra das Sinagogas, pp. 17-25, in Novos Ensaios, Recife: Imprensa Oficial, 1956.
Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e e Etnográphico do Brazil. Volume 36. Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico do Brazil (Rio de Janeiro). Pág. 66

Em 1609 o engenho do Meio pertencia a viúva D. Luisa Nunes e filhos. Em 1623 o engenho produziu 4.634 arrobas de açúcar.

Luísa Nunes
Cristã-nova. Após o falecimento de seu marido D. Luísa assumiu o engenho do Meio, juntamente com seus filhos. Em 1625. D. Luisa e demais herdeiros impossibilitados de pagar seus credores e vendeu a propriedade a Carlos Francisco Drago.
Casamento 01: Álvaro Velho Barreto (ver dados acima).
Filha de Domingos Mendes Pereira e de Marcella de Araujo.
Senhora dos engenhos: do Meio/Recife- Nossa Senhora do Rosário-Várzea
Fontes:
http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=2308595
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1926 Vol 48 (2). Pág. 142, 148
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. Pág. 61
MELLO, Evaldo Cabral dee. O nome e o sangue. Companhia de bolso. São Paulo, 2009. Pág. 64

Em 1625, D. Luiza e filhos declararam que estavam impossibilitados de pagarem aos seus credores e venderam o engenho a Carlos Francisco Drago, que faleceu antes da invasão holandesa ficando o engenho nas mãos de seus herdeiros.

Carlos Francisco Drago
Falecido em 1630. (nada mais foi encontrado_
Senhor do engenho Moreno/Moreno; do Meio/Recife- Nossa Senhora do Rosário-Várzea
Fontes:
PEREIRA, Levy. "S. Carlis (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Carlis_(engenho_de_bois). Data de acesso: 2 de dezembro de 2014

Em 1637 o engenho é confiscado pela Companhia das Índias Ocidentais e vendido a Jacob Stachouwer, alto funcionário do governo holandês no Recife, pelo montante de 62.000 florins em 06 prestações anuais a partir de 27.05.1637.

Jacob Stachouwer (Estacour )
Judeu. Nasceu em 1596. Capitão da Cavalaria holandesa. Segundo José Antônio Gonsalves de Mello, Jacob Stachhouwer chegou ao Recife em 08/05/1634, atuando como Conselheiro Político e acompanhando as operações militares de conquistas. Foi um dos principais homens durante a invasão holandesa. Governador da Capitania, juntamente com: Servaes Carpentier, Willen Schott, Bartazar Wyntgens e Ippo Eysens (1634). Participou da tomada do Arraial do Bom Jesus/Recife e, através de seu amigo Fernandes Vieira, conseguiu saber as pessoas ricas que estavam presas e da soma que cada um poderia pagar, extorquindo valores (dinheiro e joias) dos lusos brasileiros em troca de liberdade.
Stachouwer era um homem de baixa moral, vendo que o status de senhor de engenho lhe traria mais prestígio e dinheiro, pois "o açúcar prometia fortunas”, logo após a rendição do Arraial do Bom Jesus (1635), começou a comprar alguns engenhos confiscados através de empréstimo junto a Companhia das Índias e se apossar de outros. Mas, como não tinha experiência contratou seu amigo João Fernandes Vieira como feitor-mor de seus três primeiros engenhos: Santana/Jaboatão dos Guararapes, Meio/Recife (adquirido em 27.05.1637, por 62.000 florins a WIC, em 06 prestações anuais) e do Ilhetas/Sirinhaém (adquirido em 06.05.1638, por 27.000 florins).
NotaJacob Stachower morava no Recife em duas casas por ele edificadas, localizadas na Rua do Bom Jesus, nº 62-64, antes Rua da Cruz. Essas casas passaram a pertencer a João Fernandes Vieira durante a Insurreição Pernambucana, assim como quase todos os seus bens “porque de muito lhe era credor”. Ainda hoje existem esses dois sobrados, que constituíam um só prédio, onde existe uma laje de pedra mulatinha (grés parto de Pernambuco), com 01m de altura sobre ½m de largura, onde se vê insculpida em alto relevo uma figura vestida de túnica, empunhando um bastão na mão direita, que dizem os historiadores que era do próprio Jacob, abaixo dela uma inscrição em holandês, já bastante apagada pelo tempo: ‘Jacob bem id genaemt’.
Senhor dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
cvc.instituto-camoes.pt/.../2422-joao-fernandes-vieira-mestre-de-campo
OLIVEIRA, Márcio Amêndola de. O trato dos escravos na América Colonial: da ‘mercadoria’ à condição ‘humana’ Universidade de São Paulo – FFLCH – Curso De História. Disciplina: Brasil Colonial I – 1º Semestre Noturno (2007)
Os Holandeses em Pernambuco - Uma história de 24 anos. O Senhor de Engenho. Publicado no Diário de Pernambuco. Edição de Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2003.
PEREIRA, Levy. "N S. de Guadalupe (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_S._ de_Guadalupe_(engenho_de_bois). Data de acesso: 11/11/2013
PEREIRA, Levy. "S. Anna (engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Anna _(engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 11/11/2013
www.delanocarvalho.com/Pages/dholandes.aspx‎

O engenho do Meio moía em 1637 e 1639, com três partidos de lavradores e o partido da fazenda (50), além de alguns partidos livres, fazendo 6.750 arrobas de açúcar. Seus lavradores eram: Allaert Holl (10 tarefas), Antônio Pereira (40 tarefas) e Hugo Graswinckel (35 tarefas), que depois aparece como coproprietário de engenho Cunhaú/RN (1640).
Em 1637 após a partida de Stachower para a Holanda o engenho ficou sob os cuidados de seu amigo, feitor e bastante Procurador João Fernandes Vieira c.c. D. Maria César, juntamente com os engenhos: Santana e Ilhetas, que também foram adquiridos a WIC.

João Fernandes Vieira
Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT, filho de Francisco de Ornelas Muniz e de Antônia Mendes. Seu pai era bisneto de Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico. Sua mãe era bisneta de Pedro Vieira, morgado da Ribeira de Machico; entre os seus bisavós se conta António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no norte da ilha da Madeira.
Em 1606, imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois como não era o filho primogênito, herdeiro de todo o legado dos pais, não tinha como se sustentar. Fernandes Vieira se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses. Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época.
Em Pernambuco trabalhou primeiramente como ajudante de mascate, em troca de comida e morada. Auxiliar do Mercador Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de algumas casas em Olinda. Durante a ocupação holandesa (1630), se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Era Fernandes Vieira um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante o cerco ao Arraial do Bom Jesus/Recife estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social. Trabalhou como Feitor-mor do judeu e Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Satchhouwer, nos engenhos: Ilhetas ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Satchhouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour (Satchhouwer), homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)
Com a partida de Satchhouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois sócios, passou a lucrar com a administração de todos os bens deixados e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Cargos e funções: Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos.
Embora fosse um dos homens mais importantes da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio para poder ascender na sociedade luso-brasileira.
NOTA: João Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Casamento 01(1643): D. Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrade (um dos principais líderes da Insurreição pernambucana e senhor do eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque.
Filhos encontrados: (s.g.)
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco;
02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello;
03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre;
04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Em 1664 o valor das contribuições dos escravos alforriados (pelas suas várias modalidades) da finta paga pelos mestres, banqueiros e purgadores de açúcar, era muito alta, fazenda dessas profissões uma categoria economicamente importante, os quais às vezes se equiparavam, quando não sobrelevavam, em valor de contribuição a muitos lavradores de canaviais. Segundo documentação encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa – Pernambuco, papéis avulsos. Cx 5 o Gov. Fernandes pagava anualmente nas suas fazendas: Jaguaribem, Maranguape, Salinas e Forno de Cal) o equivalente a 50$ (cinquenta mil réis).
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Vol. LVI. Recife, 1981.
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

Com a partida de Stachouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois holandeses, passou a lucrar com a administração de todos os bens deixados e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Em 1642, Vieira declarou devedor de 541.610 florins em função da arrematação de contratos de cobrança de impostos e da compra de três engenhos, Vieira conseguiu reescalonar a dívida ao longo de três safras seguintes, oferecendo a garantia de seus bens. Àquela altura Stachouwer devia à WIC uma parcela de 56.999 florins conjunta com Nicolaas de Ridder; e outra parcela de 88.612 florins.
Após a Restauração Pernambucana Fernandes Vieira comprou o engenho do Meio aos herdeiros de Carlos Francisco Drago, que residiam em Castela.
NOTA: Em 1663, os herdeiros de Stachouwer deviam integralmente à WIC o montante do engenho; e Fernandes Vieira, segundo maior devedor da Companhia, a soma de 321.756 florins.
Em 1686, o engenho do Meio pertencia a D. Maria César, viúva de João Fernandes Vieira.

D. Maria César.
Filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrade (um dos principais líderes da Insurreição pernambucana e senhor do eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque.
Casamento 01: João Fernandes Vieira (dados acima)
Filhos encontrados: (s.g.)
Senhora dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.
Fontes:
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (2). Pág. 464. Anais 1926 Vol 48 (7). Pág. 224.

No fim do século XVII ou no começo do XVIII o engenho pertencia a João Carneiro da Cunha.

João Carneiro da Cunha
Filho de Manoel Carneiro de Mariz e de D. Anna Carneiro de Mesquita (sobrinha pelo lado de sua mãe de seu marido). Neto paterno de João Carneiro de Mariz. Neto materno de Paulo Carvalho de Mesquita e de D. Úrsula Carneiro de Matiz. Irmão de Manuel Carneiro da Cunha que foi senhor do engenho Brum Brum/Recife. Vereador de Olinda (1657). Juiz Ordinário (1688 e 1702). Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Olinda (1704).
Casamento 01: D. Anna de Mesquita, sua prima, filha de Paulo de Carvalho de Mesquita e de D. Úrsula Carneiro.
Filhos encontrados:     
01- Pedro da Cunha de Andrade, falecido criança;
02- Manoel Carneiro da Cunha a quem seu pai mandou para a Índia por querer se casar contra a sua vontade. Capitão de Infantaria;
03- José Carneiro da Cunha, sucessor no engenho do Meio. C.c. D. Cosma da Cunha, filha de Manoel Carneiro da Cunha e de D Sebastiana de Carvalho. (c.g.)
04- Paulo Carneiro da Cunha, falecido solteiro e sem deixar geração;
05- Pedro da Cunha de Andrada, Clérigo Presbítero;
06- Antônio Carneiro da Cunha, Jesuíta. Depois abandonou a Ordem. Faleceu solteiro e s.g.
07- D. Joanna Carneiro primeira esposa de Francisco de Moura Rolim – Fidalgo da Casa Real, Mestre de Campo de Auxiliares. Filho de Felipe de Moura (Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Comendador de São Miguel da Ribeira Oto na Ordem de Cristo e Alcaide-mor de Olinda) e de D. Margarida Accioly. (s.g.)
08- D. Anna Carneiro de Mesquita segunda esposa de João Baptista Accioly de Moura – Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e Alcaide-mor de Olinda. Irmão de Felipe de Moura Rodlim casado com sua cunhada. (c.g.);
09- D. Úrsula Carneiro c.c. Manoel Garcia de Moura Rolim, em 1701. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real (1677). Senhor do eng. do Salgado/Ipojuca. Nascido em 1677. Filho de Antônio de Moura Rolim (Fidalgo da Casa Real) e de D. Mécia de Moura. (s.g.);
10- D. Cosma da Cunha. Falecida solteira e s.g.
Senhor do eng. do Meio/Recife-Várzea
Fontes:
http://www.outrostempos.uema.br/OJS/index.php/outros_tempos_uema/article/viewFile/14/8
http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364351603_ARQUIVO_DOC.pdf
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7). Pág. 199, 429, 476

         Após o falecimento de João Carneiro da Cunha o engenho passou a pertencer ao seu filho: José Carneiro da Cunha.

José Carneiro da Cunha
Filho de João Carneiro da Cunha (senhor do eng. do Meio/Recife-Várzea) no engenho do Meio.
Casamento 01: D. Cosma da Cunha, filha de Manoel Carneiro da Cunha e de D Sebastiana de Carvalho. (c.g.)
Filhos encontrados:
01- José Manoel Carneiro da Cunha – Por muitos anos foi julgado na Relação do Porto o Morgado de São Roque e Horta Grande da Vila do Conde, pela clausula da sua instituição exclusiva de fêmeas em que havia recaído. Solteiro e com pouca saúde;
02- D. Anna Carneiro da Cunha, solteira;
03- D. Úrsula Carneiro Maris, soleira;
04- D. Antônia da Cunha c.c. Jacinto de Freitas da Silva (casou depois com (NI) mas sem geração) – Batizado em 16.03.1680/Sé de Olinda. falecido em 24.12.1757. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Tenente Coronel de um dos três Regimentos de Auxiliares de Pernambuco, chamado de Volante e que foi extinto em 1739 por conta da criação Real dos Terços com Mestres de Campo. Vereador de Olinda (1715, 1729 e 1744). Provedor  da Santa Casa da Misericórdia (1732). Sucessor de seu irmão mais velho no senhorio do eng. Casa Forte/Recife-Casa Forte. (c.g.
04- D. Isabel Bernarda de Freitas da Silva c.c. Antônio da Silva Santiago – Estudou em Coimbra. Filho de
Senhor do eng. do Meio/Recife-Várzea
Fontes:
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1925 Vol 47 (7). Pág. 199
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Anais 1926 Vol 48 (8). Pág. 173, 174

Hoje suas terras foram reocupadas pelo bairro do Engenho do Meio com uma área de 90,8 ha, que surgiu de uma povoação que se formou em torno do antigo engenho, e que integra a 4ª região político-administrativa do Recife, fazendo limites com os bairros de Torrões, Cordeiro, Iputinga, Cidade Universitária e Curado. Possui 02 praças: a Praça do Bom Pastor e a Praça do Engenho do Meio. O principal logradouro do bairro é a Rua Antonio Curado
       No local onde existiu a casa grande do engenho há uma estátua de João Fernandes Vieira, que, segundo a sua placa alusiva, foi um de seus proprietários.

Fontes:
Acioli, Vera Lúcia Costa. Disponível em: http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
Fernando Pio, "Cinco Documentos para a História dos Engenhos em Pernambuco".
http://lhs.unb.br/biblioatlas/N_S._%C4%91_Candas_%28Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua%29
http://pt.wikipedia.org/wiki/Engenho_do_Meio
http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1089:engenho-do-meio&catid=57&Itemid=176
Mello, Evaldo Cabral de. O Bagaço da Cana. 1ª edição. Edt. Penguin Classics Companhia das Letras. São Paulo, 2012. Pág. 61, 62.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana: os engenhos de açúcar do Brasil. 1ª edição. Edt. Penguin & Companhia das Letras. São Paulo, 2012. Pág. 61-62
MELLO, José Antônio Gonçalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. 2ª edição. CEPE, 20004. Pág. 152
PEREIRA, Levy. "S. Carlis (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Carlis_(engenho_de_bois). Data de acesso: 13 de dezembro de 2014.

Revista do Museu do Açúcar. Vol. 2. Recife, 1969. pp. 26-31.

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