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12/11/2014

Camaragibe ou Santiago/Camaragibe

História do Engenho Camaragibe ou Santiago/Camaragibe
Diogo Fernandes e Branca Dias

O Brasil no princípio do século XVI se tornou o polo de maior interesse da coroa portuguesa, pois os lucro
s com o comércio das Índias haviam desaparecido através de construção em Portugal de edifícios majestosos, sustentos da realeza, construção de navios, organização e manutenção das guarnições militares; o que levou a coroa a contrair empréstimos junto a banqueiros portugueses.
Para uma melhor administração da Colônia o Rei D. João III implanta o sistema de Capitanias Hereditárias no Brasil e o divide em 15 lotes de terras, entregando-os aos Donatários, que eram pessoas ligadas a realeza ou que tivessem realizados serviços para o reino.
A esses donatários cabia: colonizar a terra recebida, fundar vilas, proteger os colonos contra os índios e piratas; fazer cumprir o monopólio real do pau-brasil e do comércio colonial. Caso fossem encontrados metais precisos, 1/5 seria pago à Coroa e o restante ficaria para o Donatário. A capitania seria passada para seus herdeiros e, o donatário teria direito de doar terras, escravizar índios, montar engenhos, cobrar impostos e exercer a justiça em seus domínios.
A primeira capitania foi dada ao militar Duarte Coelho Pereira, pelos serviços prestados, em 10/03/1534, através de carta de doação, que foi subscrita em Évora/PT no dia 25 do mesmo mês. A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia tinha 60 léguas de costa no Brasil e abrangia os territórios dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas, a porção ocidental da Bahia, possuindo, deste modo, fronteira ao sul/sudoeste com Minas Gerais (o extremo noroeste de Minas era a parte final da comarca do São Francisco: a capitania/província de Pernambuco avançava um pouco mais adentro do território norte/noroeste-mineiro do que a Bahia). NOTA: O nome Pernambuco vem de paranambuca que significa pedra furada em tupi, usada pelos índios quando se referiam a abertura meridional da barra do Capibaribe.
Duarte Coelho na época tinha 64 anos de idade, e mesmo podendo administrar a Capitania de Portugal resolveu partir para o Brasil e, para isso conseguiu ajuda do banqueiro Fugger de Augsburg, através de seus prepostos, e dos primos Sibald Linz von Dordorf e Christoph Lins, que depois imigraram para Pernambuco onde foram senhores de engenho e comerciantes de açúcar.
Canal de Santa Cruz, Ilha de Itamaracá-Pernambuco
Em 09/03/1535, Duarte Coelho desembarca na Ilha de Itamaracá, às margens do Canal de Santa Cruz - foz do Rio Igarassu, no local chamado de Sítio dos Marcos, por conta do marco que indicava a fronteira entre as Capitanias de Itamaracá e de Pernambuco. Nesse local já existia uma feitoria cuja fortaleza de pau-a-pique, foi construída pelo navegador Cristóvão Jacques para combate e expulsão de piratas franceses que negociavam o pau-brasil com os índios (1516-1519). Nessa feitoria o português Pedro Capico, plantava a cana-de-açúcar (trazida de Cabo Verde) e extraía o açúcar (1º engenho da Capitania de Itamaracá e do Brasil). CURIOSIDADES: O Livro da Casa da Índia da Alfândega de Lisboa/PT registra no ano de 1526, o engenho de açúcar de Pedro Capico como contribuinte sobre a produção de açúcar fabricado na Ilha de Itamaracá/PE. Esse documento vem comprovar que a primeira fabrica de açúcar foi construída na Capitania de Itamaracá/PE, destruindo o que escreveu frei Gaspar da Madre de Deus e outros escritores, quando dizem que o açúcar brasileiro foi extraído primeiramente na Capitania de São Vicente. Na verdade a cana-de-açúcar só vem a ser plantada na Capitania de São Vicente quase 10 anos depois, quando foi firmado um contrato social, entre 1533 e 1534, entre Martim Afonso e seu irmão Pero Lopes de Souza, como se refere Dr. Freire Alemão, com João Vicente Veniste, Francisco Lobo e Vicente Gonçalves para a construção de 02 engenhos, sendo um em Itamaracá e outro em São Vicente (eng. São Jorge).
Sítio dos Marcos - Ilha de Itamaracá
Acompanhou Duarte Coelho Pereira sua mulher D. Beatriz (Brites) de Albuquerque, seu cunhado Jerônimo de Albuquerque, parentes, várias famílias “nobres do Norte de Portugal”, especialistas em plantações da cana-de-açúcar (provenientes da Ilha da Madeira e de São Tomé) e judeus especialistas na montagem de engenhos de açúcar.
Um dos primeiros homens que chegaram no princípio da colonização do Pernambuco, talvez junto com Duarte Coelho, foi o comerciante judeu português Diogo Fernandes que se tornou uma pessoa de confiança da família do Donatário e em 1542 foi agraciado com uma sesmaria de terra em Camaragibe, tendo como sócio o judeu Pedro Álvares Madeira (com casamento desconhecido). No contrato de sesmaria os dois sócios tinham a obrigação de construir um engenho, cujas canas seriam moídas, até a construção da fábrica, no eng. São Salvador/Olinda que pertencia a Duarte Coelho.

Pedro Álvares Madeira – Natural da Ilha da Madeira. Cristão-novo judaizante. Residiu com Diogo Fernandes e Branca Dias em sua casa na Rua dos Palhais/Olinda. Repelia abertamente a religião católica, tenso sido denunciado ao Santo Ofício por volta de 1564, pelo fato de haver açoitado um crucifixo em seu quarto. Em um dos ataques dos índios Tupinambás Pedro Álvares Madeira é preso pelos indígenas e depois morto e devorado em um ritual antropofágico, pois pressupunham uma troca entre o inimigo capturado e a comunidade que o aprisionou. 
Fontes:
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 122-23

Diogo Fernandes nasceu entre século XV e XVI, no Norte de Portugal, e faleceu entre 1563 e 1567/Pernambuco. Criptojudeu (judeu que praticavam sua fé e seus costumes em segredo, por receio de perseguições religiosas, ao mesmo tempo em que, publicamente, praticam outra religião). Viveu um tempo em Vianna/Portugal aonde comercializava tecidos em grosso, onde se casou, em 1520, com Branca Dias nascida em 1515 (ou data anterior)/Viana da Foz do Lima-PT (Minho) e falecida de morte natural, em idade avançada para os padrões da época, no ano de 1589/eng. Camaragibe, aonde foi sepultada. Filha de Antônio Afonso e Violante Dias. (Relação dos filhos do casal no fim do texto).
Com a partida de seu marido para o Brasil, Branca Dias continuou com o ofício de venda de tecido em grosso para o sustento de sua família, sendo auxiliada por criadas cristãs-velhas. Acusada de práticas judaizantes pela mãe Violante Dias e uma de suas irmãs: Isabel Dias, que haviam sido presas por práticas de judaísmo e se encontravam encarceradas pelo Santo Ofício. NOTA: No processo nº 5775, datado de 02/04/1544, consta que Violante Dias foi ao auto-de-fé em Lisboa, e Isabel Dias foi sentenciada a abjuração pública, 02 anos de cárcere e hábito penitencial; reservada a comutação da penitência quando parecesse serviço de Nosso Senhor.
Palácio do Estaus - Lisboa-Portugal
Branca Dias é presa e enviada aos Estaus do Róssio (masmorras de Lisboa), onde acaba confessando que seguia fielmente às práticas judaicas. Segundo o panfleto do Promotor do Santo Ofício, que resumia as acusações, dizia que Branca Dias era cristã batizada, e que veio a judaizar e renegar da fé Católica, honrando os sábados e obedecendo a ritos e cerimônias judaicas desde 1535; que às sextas-feiras vestia uma roupa limpa e colocava lençóis lavados na cama, tudo por honra do dito dia e que jejuava no Iom-Quipur (Dia da Expiação, o último dos “Dez Dias de Penitência”, e, tal como Rosh-Hashaná, um dos dois Grandes Dias Santificados). Julgada foi sentenciada, em 12/09/1543: a auto-de-fé privado de 02/04/1544. Abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa. (Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, Processo de Branca Dias nº 5736, datado de 13.09.1543 e 07.09.1545. Código de Referência: PT/TT/TSO-IL/028/05736. 34 folhas).
         Nesses tempos a Inquisição portuguesa não fazia segredo do nome das testemunhas de acusação, por isso, Branca Dias soube que as suas acusadoras foram a sua mãe e sua irmã, e resolve apresentar nova defesa, na qual dizia que sua irmã Violante Dias sempre fora sua inimiga, e que sua mãe não gostava dela por ter casado com Diogo Fernandes, contra a sua vontade, e por isso “lhe tirou a fala e lhe lançava maldições”; mais tarde, por insistência de muitas pessoas, tornaram a falar-se. Mesmo assim, tinha-lhe ela “grande ódio”. De sua irmã Isabel disse que era “havida por tola e mentecapta, fora do juízo natural”, e por ser assim não quis fazer vida com seu marido, nem ele com ela.
sambenito 
Os meses de cárcere custaram o pior dos tormentos, pois estava privada da companhia dos filhos. Em julho de 1545, Branca Dias apresenta uma petição ao Tribunal do Santo Ofício solicitando a dispensa do acolhimento, o não uso do sambenito e a necessidade de trabalhar para cuidar dos filhos, tendo em vista que o marido estar ausente do reino. Concedida a petição, a sua prisão foi relaxada, mas com a condição de não sair do Reino.
Nesse tempo Diogo Fernandes sozinho, entregue às suas lides de proprietário rural e longe de sua família, mantém um relacionamento com a portuguesa Magdalena Gonçalves, que fora criada de sua esposa e que viera com ele para o Brasil, e com quem tem uma filha chamada Briolanja Fernandes (biografia no fim do texto).
Depois de 1545, Branca Dias consegue finalmente viajar para Pernambuco, com seus filhos nascidos em Portugal: Beatriz ou Brites Fernandes; Filipa da Paz; Inês FernandesViolante FernandesGuiomar FernandesBaltazar Dias Manuel Afonso, e mais sua irmã, Beatriz Fernandes, que depois foi acusada de práticas judaizantes, presa e mandada de volta para Lisboa, não mais retornando para o Brasil. Branca ao desembarcar encontra seu marido e descobre seu envolvimento com sua ex-empregada, mas acolhe Magdalena Gonçalves em sua casa e a ajuda a criar a sua filha Briolanja Fernandes.
Caravelas portuguesas
Diogo Fernandes logo prospera e compra uma casa em Olinda, situada na Rua Bispo Azeredo Coutinho, nº 526, por trás da Matriz do Salvador, hoje Igreja da Sé/Olinda, onde residiam alguns dos nomes de maior prestígio na sociedade olindensetais como os cristãos-novos João Nunes e Duarte de Sá, mercadores e financiadores de açúcar. NOTA: A casa original deve ter sido queimada pelos holandeses na tomada de Olinda. Por conseguinte, pode ter sido palco de uma das primeiras sinagogas constituída nas Américas.
Conforme as “denunciações”, registradas nos livros do Santo Ofício, Branca e Diogo viviam na Rua dos Palhares, mas existem controvérsias a respeito da localização desta rua, havendo quem afirme que se trate da mesma Rua Nova. A confusão dos nomes advém da leitura dos livros da Inquisição. Em alguns dos depoimentos, o logradouro é escrito como “Rua do Salvador”; em outros, “Rua detrás da Sé”, “Rua principal da vila”, “Rua que vai da Matriz para o Colégio de Jesus”, confundindo-se, pois, com a Rua Nova, que tem epítetos semelhantes. Ao que tudo indica as duas ruas, Palhais e Nova, podem ter sido uma a continuação da outra, sendo a primeira, a que corresponde ao trecho que passa ao lado da Sé e desce até o Seminário de Olinda (antigo Colégio Real Jesuíta). A Rua Nova seria, então, o prolongamento na direção da Ladeira da Misericórdia. Em todo caso, é certo que moravam perto da Igreja do Salvador (atual Igreja da Sé/Olinda).

Rua Bispo Azeredo Coutinho nº 526 - Olinda

As evidências de que o atual imóvel seria a casa da sinagoga não param apenas na especulação locativa. Em seus jardins, há uma piscina de época, que pode ter sido precisamente a micvá dos Fernandes. Como se não bastassem os indícios, observa-se que a fachada do imóvel atual exibe uma instigante figura em alto-relevo que lembra uma Torá. Este tipo de decoração não é comum nas fachadas, em estilo neoclássico ou eclético, que ainda hoje existem nos bairros tradicionais do Recife e de Olinda, do final do século XIX e começo do século XX. No pátio interno da casa, existe um portal construído com tijolos aparentes, ligados por uma espécie de argamassa, que demonstra ter sido alvo de várias intervenções, fato que se percebe ao verificar que alguns dos tijolos são ligados por cimento comum. Este portal dá acesso à piscina, cujos elementos constitutivos são de épocas diversas, mas, seguramente, as pedras do fundo são do século XVI, pois apresentam incrustações de mariscos, provavelmente retiradas dos arrecifes de Olinda e que era comum na época. 
Micvê quinhentista - Recife
A comprovação de que a piscina teria sido ou não uma micvá quinhentista não é uma tarefa fácil, uma vez que suas medidas não determinariam sua autenticidade – e que são requeridas pelos rabinos de hoje, mas dificilmente foram respeitados, naqueles tempos difíceis, em um ambiente em que não se podia praticar o judaísmo às abertas, e onde os costumes eram arrefecidos ou pelas distâncias aos centros europeus ou pelas rudezas típicas de uma terra ainda tão nova.
No século XVI a intolerância religiosa portuguesa é acirrada, pois o rei português D. João III instala por completo a Inquisição (1533), seguindo o modelo espanhol. A Inquisição torna-se um organismo muito poderoso, abrangendo todos os setores da sociedade, leigos ou religiosos, em Portugal e em todas as suas colônias. O seu poder era tanto que, embora instituída como um instrumento do poder régio, podia discutir com o Rei e com o próprio Papa.
Em Pernambuco os cristãos-novos organizaram-se secretamente e cultivaram uma intensa vida comunitária judaica, formando sinagogas, estudando a Torá, guardando o shabat e a cashrut, comemorando suas festividades. Mas, toda a discrição era pouca para evitar possíveis delações ao Santo Ofício. Os vizinhos, por exemplo, precisavam ser convencidos de que os hábitos judaizantes não eram mais que algumas esquisitices praticadas por aquela gente. Neste ambiente, o casal Diogo Fernandes e Branca Dias, considerados líderes da comunidade criptojudaica, mantinham uma sinagoga secreta em sua casa de Olinda e outra no eng. Camaragibe, onde se reuniam os judeus da região para secretamente praticar os cultos da lei de Moisés. Um dos amigos da época, Thomas Lopes, era encarregado de desfilar pelas ruas, conclamando os fiéis para as festas e para o Shabat, usando como sinal um pano amarrado aos pés.
São Tiago
No engenho Camaragibe ou San Thiago, o casal manda construir na casa grande um oratório dedicado a San Thiago, talvez para imprimir mais ‘cristianismo’ ao local e afastar possíveis comentários dos cristãos velhos. No engenho durante “as luas novas de agosto”, chegavam diversos criptojudeus em carroças, enfeitadas com ramos de árvores, para celebrar o yom kippur  o Dia do Perdão, uma das mais importantes festas da comunidade. “A maioria desses judeus residiam em Olinda e em Camaragibe, enfrentando uma longa jornada para realizar a festa distante dos olhares curiosos”, diz o historiador e pesquisador sobre a vida judaica em Pernambuco, José Alexandre Ribemboim, Instituto Arqueológico.
Entre os frequentadores da sinagoga do eng. Camaragibe, podemos citar: - Ambrósio Fernandes Brandão (autor de ‘Diálogos das Grandezas do Brasil’ [1618], senhor de engenhos de açúcar e que foi denunciado ao Santo Ofício); - Anrique Mendes (alfaiate, casado com Violante Roiz); - Antônio Dias (alfaiate. Frequentava o eng. com seu cunhado ‘Alma de Burzeguis’); - Diogo Fernandes (genro de Branca Dias e Diogo Fernandes. Feitor do eng. Camaragibe); - Diogo Lopes da Rosa (tabelião, falecido em 1569); - Duarte Dias Henrique (comerciante e senhor de engenho. Denunciado ao Santo Ofício. Frequentador  da sinagoga do eng. de São Martinho/São Lourenço); - Francisco de Taíde (mercador em Olinda); - Francisco Pardo (lavrador de canas. Teria sido rabino em Roma e em Nápoles, antes de vir para o Brasil); - Francisco Vaz Soares (mercador em Olinda. Pai de Simão Soeiro que era senhor de engenho); - Joane Mendes ou Joanes Mendes d’Oliveira (cristão-novo, que teria sido um dos gabaim da sinagoga do eng. Camaragibe); - João Nunes ou João Nunes Correia (mercador muito rico. Acredita-se que ele teria sido o outro gabai da sinagoga do eng. Camaragibe); - Jorge Dias de Cajá (cognominado de ‘rabi e sacerdote dos judeus’. Especializado em fazer calçamentos de pedras. Um dos responsáveis pelo chamamento secreto para os cultos religiosos judaicos. Frequentava as sinagogas de Camaragibe e São Martinho, antes de 1550. Pode ter sido rabino oficiante no eng. São Martinho); - Manuel Nunes (morador de Olinda e parente do comerciante João Nunes); - Manuel Vaz (morador de Olinda, conhecido por ter só uma orelha); - Nuno Álvares (um dos administradores do eng. Camaragibe. Residia no local de trabalho. Frequentava também a sinagoga do eng. São Martinho); - Pantaleão Vaz(mercador e morador em Olinda); - Pero de Galegos (residia no eng. Camaragibe e frequentava também a sinagoga judaicas do eng. São Martinho); - Simão Vaz (residente no eng. Camaragibe. Parente de João Nunes); - Tomas Lopes era conhecido como 'Maniquete' (adorno de rendas das mangas do sacerdote católico), ele pode ter sido o shamash na sinagoga do engenho Camaragibe, morava em Olinda e era um dos responsáveis pelo chamamento secreto aos judeus nos dias de festas religiosas. NOTA: De acordo com o historiador Gustavo Barroso, Tomas Lopes era coxo e pertencia à casta dos judeus cohanim, ou seja, um Cohen que era uma derivação da corruptela conhom que designa as pessoas coxas em alguns estados do Nordeste.

Tupinambás  
Em 1549, após a instalação do Governo Geral do Brasil, o donatário da Capitania de Pernambuco preocupado com os frequentes ataques indígenas e as sesmarias ociosas, manda chamar Diogo Fernandes, e pede que se recolha em sua casa de Olinda, pois não tinha homens suficientes para defender seu engenho San Thiago dos sucessivos ataques indígenas que vinham acontecendo no seu engenho.
Por volta de 1555, os índios Tupinambás destroem todo o canavial do engenho e suas edificações, inclusive a casa-grande. Prendem Pedro Álvares Madeira, depois o devoram em rituais antropofágicos, que pressupunham uma troca entre o inimigo capturado e a comunidade que o aprisionou. 
O engenho depois do ataque indígena fica de fogo morto e Diogo e Branca Dias arruinados, sendo inclusive, objeto de uma carta escrita por Jerônimo de Albuquerque, o Torto, cunhado de Duarte Coelho, ao rei de Portugal, na qual pede auxílio para o casal, "gente pobre de Viana", com muitos filhos: “Dois engenhos se perderam ou quasi tres no tempo desta guerra, nos quaes se fazia muitos assucares; um delles é o de (...) Santiago de Olinda, que por estar fracamente provido nelle um Diogo Fernandes, que o fez com outros companheiros de Vianna, por ser gente pobre mandei recolher a esta villa, por achar não tinha escravaria, armas, nem artilharia com que se pudesse defender, no qual tempo os Indios o queimaram e roubaram, pelo que este engenho ficou deserto e si tivera cem peças de escravos não se despovoaria (...) [neste engenho] se podem assentar dentro da cerca dois engenhos d’assucar e tem bôas terras e muitas madeiras, e lenhas e outras cousas necessarias; os quaes, andando bem providos do necessario e escravaria, como cumpre, se farão nelles cada anno dez mil arrobas d’assucar, e porque isto é cousa do serviço de Deus e de Vossa Alteza (...) Folgue Vossa Alteza de favorecer nisto o dito Diogo Fernandes, que está muit pobre, com seis ou sete filhas e dois filhos, sem ter com que os possa manter pela dita perda que recebeu, e elle é homem que para negociar o ditos engenhos outro mais sufficiente na terra que elle não se achára, e que com menos dinheiro e tempo isto acabee ponha no estado que cumpre, dando-lhe um quinhão como elle soia ter no dito engenho”. Infelizmente, a carta não surtiu efeito junto à Coroa, e no mesmo ano o Ouvidor da Capitania notificou Fernandes, dando prazo para que o engenho voltasse a funcionar.
Como não cessassem os contratempos com os índios em toda a Capitania, o novo donatário, Duarte de Albuquerque Coelho, ordenou que toda a gente válida da capitania se afastasse dos nativos (1560), cuja campanha foi liderada pelo judeu converso português e homem muito rico, Bento Dias de Santiago.

Bento Dias (Bento Dias Santiago) – Português, talvez nascido no Porto. Judeu. Parente de Branca Dias. Morador em Pernambuco desde o  princípio da colonização. Rico comerciante de açúcar e do pau-brasil. Proprietário de várias terras em Pernambuco. Frequentador das reuniões que ocorriam no engenho Camaragibe. Capitão do Porto, nomeado por Duarte Coelho de Albuquerque, 2º Donatário de Pernambuco. Conceituado comerciante em Olinda. Arrematou a cobrança dos dízimos reais de Pernambuco (1576, 1577, 1578, 1582, 1583, 1584 e 1585). Contratador dos dízimos da Bahia. Como Capitão colaborou na campanha oficial do Cabo de Santo Agostinho contra os índios que haviam destruído alguns engenhos da região.
NOTA: Bento Dias acrescentou o sobrenome de Santiago, possivelmente numa alusão ao santo padroeiro do eng. Camaragibe (São Thiago).
Bento Dias foi denunciado como judeu à Mesa Inquisitorial entre 1591 a 1595, juntamente com os senhores de engenho Diogo Lopes Ilhoa, Bento Dias Santiago, João Nunes, Duarte de Sá, Heitor Antunes ou Tristão Ribeiro. Segundo o cristão velho Francisco Varella, em sua denúncia, disse: ...fama geral e pública nesta terra dito comumente pelo povo que o dito Bento Dias e outros cristãos-novos mais que não nomeavam se juntavam na dita fazenda de Camaragibe e açoitavam um crucifixo de latão e o colocavam nos traseiros.
Documentação e doações recebidas:
- Em 13/07/1563, Bento Dias Santiago recebe de Duarte Coelho de Albuquerque uma doação de sesmaria de terras ao longo do Rio de Camaragibe, carta datada de 30/10/1574.
- Em 03/12/1564, recebe uma doação de terras e águas da Ribeira de Camaragibe.
- Em 03/11/1567, recebe de Duarte Coelho de Albuquerque uma doação de terras em Camaragibe, carta datada de 29/10/1574.
- Em 26/04/1568, recebe terras e águas do Rio Capibaribe, carta de 29/10/1574.
- Em 12/02/1572, recebe um alvará que manda levar-lhe em conta certa quantia de dinheiro.
- Em 10/06/1573, recebe permissão de trazer “madeira do Brasil”. (Alvará sobre a compra de licenças para trazer) com a Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique.
- Em 05/01/1574, por alvará o Rei recebe doação de 5.000 braças de terras na capitania de Itamaracá, com a obrigação de fazer nelas dentro em 05 anos um engenho de açúcar. Mas não consegue fazer o engenho, por várias razões que foram apresentadas. Mas Jerônimo de Albuquerque reforma a carta de sesmaria para que ele possa finalmente construir o engenho. No dia 29 de outubro do mesmo ano, recebe confirmação da doação de terras e águas na região de São Lourenço da Mata “Matas do Brasil”; e, no mesmo dia, recebe uma carta de aforamento de outras terras e águas no mesmo local.
- Em 10/06/1575, recebe alvará para trazer “madeira do Brasil” e no dia 23/12/1575, o Rei manda fornecer ornamentos as 09 Igrejas dos índios cristãos, nas partes do Brasil, dando por esmolas 200.000 réis para serem comprados, determinando a Bento Dias Santiago que os pague ao procurador dos padres da Companhia de Jesus etc. (M. ined.); no mesmo dia o Rei designa-o como contratador dos dízimos de Pernambuco e Itamaracá.
- Documentos existentes por cópia na biblioteca do Instituto Histórico mostram que Bento Dias Santiago arrematou os dízimos de Pernambuco em 1576, 1577, 1578, 1582, 1583, 1584 e 1585. Nos últimos anos arrematou igualmente os da Bahia. No de 1583 obteve uma moratória de dez dias em seus pagamentos, equivalente aos dez dias suprimidos em Outubro do ano anterior, quando se pôs em vigor o calendário gregoriano.
- Em 05/01/1580, recebe a confirmação da carta de sesmaria. (L. 46, fl. 6).
- Em 1582, recebeu um documento que lhe permitia nomear escrivães para assistir à saída dos açúcares.
- Um documento datado de 1583 fala em seus feitores. NOTA: Foram feitores do engenho: o judeu Ambrósio Fernandes Brandão (autor dos "Diálogos das Grandezas do Brasil") e o cristão-novo Nuno Álvares,  o interlocutor Alviano dos referidos diálogos, como feitor dos dízimos reais que o seu patrão arrematava, consoante o velho hábito dos hebreus.
- Em 05/01/1584, recebe o alvará de doação da uma sesmaria de terra no Brasil. (L. 5, fl. 194 v.)
Fontes:
Frei Vicente do Salvador, História do Brasil, pág. 198. 1918
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio De Janeiro. Anais 1885-1886 Vol 13 (1), pág. 113. Anais 1909 Vol 31 (4), pág. 478.
http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=929&p=4
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Peguin e Companhia das Letras. 1ª edição. São Paulo, 2012. Pág. 73
Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil. Denunciações e Confissões de Pernambuco, 1593-1595. Recife, FUNDARPE, 1984, pp. 105, 145-6, 197-8
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 105-106
             
Com o sucesso da campanha Bento Dias solicitou ao Donatário a compra de grande parte do engenho Camaragibe, ficando para Diogo Fernandes 1/4 da propriedade, quinhão que administrou até o seu falecimento. Em 1563 o acordo foi finalmente assinado, tendo certamente pesado na decisão, além da vitória da campanha contra os indígenas na região do Cabo de Santo Agostinho, o fato de que Diogo Fernandes não cumprira a condição pela qual lhe fora concedida a terra. Logo Bento Dias Santiago recupera os canaviais e constrói a fábrica cuja moenda era movia a bois.
Feitor
Entre os feitores e moradores do engenho podemos citar: - Diogo Fernandes (feitor e genro de Branca Dias e Diogo Fernandes), irmão de Duarte Fernandes; - Duarte Fernandes, feitor do engenho e irmão do genro de Diogo Fernandes e Branca Dias, Diogo Fernandes; - Nuno Álvares (residia no engenho e costumava frequentar a sinagoga do eng. São Martinho/Camaragibe); - Pero de Galegos, residente no engenho, frequentador das festividades judaicas do eng. São Martinho/Camaragibe; - Simão Vaz, residente no engenho.
       Depois do falecimento de Diogo Fernandes (1567) a administração do que restou das terras do engenho, passa a ser feita por sua esposa Branca Dias, o que não seria fácil para uma mulher no princípio da colonização, uma cristã-nova, penitenciada pela Inquisição, com muitos filhos para criar e ainda com função de ser a “guardiã da Torá”.
Diante das dificuldades encontradas, Branca Dias entrega a administração do engenho a Bento Dias de Santiago, com a aprovação do donatário, que parcela o fundo territorial entre os membros da sociedade, conferindo ao mercador a parte da fábrica e a comercialização do açúcar e a Branca Dias a administração dos partidos de cana fundados por seu marido.
Branca Dias fixa definitivamente sua residência em Olinda, e para sustentar a família começa a costurar para as ricas famílias olindenses, pois tinha três filhos e oito filhas, dentre os quais dois especiais: Brites que era corcunda e Manoel Afonso, que nascera sem os braços. Estas crianças foram, inclusive, alvo de atenção especial dos pais. Branca, pessoalmente, ensinou Manoel Afonso a escrever com os dedos dos pés; e, para Brites, guardou a digníssima função de ser a “guardiã da Torá”, coisa que não é comum de ser designada às mulheres.
Sociedade - Brasil colonia
Com o passar do tempo Branca resolve fundar a 1ª Escola de Prendas Domésticas do Brasil, onde algumas filhas de cristãos-velhos consideráveis da Capitania eram dotadas para o disputado mercado matrimonial, aprendendo boas maneiras, a lavar, costurar, cozinhar e tomar conta de uma casar, cuja assistência contava com algumas filhas de ricos cristãos-velhos da capitania.
        Entre 1593 e 1595 deu-se a primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil. Isso ocorreu porque, a essa altura, Portugal estava sob o jugo de Filipe II, Rei da Espanha, com maior intolerância religiosa, o que implicou uma expansão do catolicismo no ultramar e, por conseguinte, a designação do licenciado Heitor Furtado de Mendonça para o cargo de Visitador Geral.
Quando o inquisidor chegou a Pernambuco, Branca Dias já era falecida (1589), o que não a impediria que seu nome estivesse no rol das denúncias de pessoas que colaboravam com a Inquisição, por medo ou para afirmarem-se perante as autoridades eclesiásticas.
Entre elas estavam as suas ex-alunas, cristãs-velhas, já adultas e mães de família, que relataram o estranho comportamento e costumes malvistos da sua professora de boas maneiras, mesmo tendo ocorrido há mais de trinta anos. Joana Fernandes fora uma delas: "viu a dita Branca Dias nos sábados de todo o dito ano que em uma casa aprendeu não fiar nunca. E viu que nos ditos sábados pela manhã se vestia com camisa lavada e apertava a cabeça com seu toucado lavado", vestindo aos filhos com "o melhor vestido que tinha". Nas sextas-feiras à tarde, mandava lavar e esfregar o sobrado e, nos sábados, jantava "mais cedo que nos outros dias, e (...) chamava acima do sobrado as ditas suas filhas (...) e todos iam então acima jantar com ela", quando "jantavam sempre uma iguaria que nunca comiam".
Outras ex-alunas procurariam o inquisidor para relatar o que presenciaram: Maria Álvares, ressaltaria o descaso cristão da mestra ao trazer certa vez "no pescoço umas contas de rezar com uma cruz pendurada nelas, correndo-lhe a cruz para diante dos peitos, tomou com a mão a cruz dizendo: dou-te ao demo, e a lançou para detrás das costas". Ana Lins, que por três anos fora doutrinada e ensinada a cozer e a lavrar afirmava que, “em um domingo quando assistia a missa e levantava ao senhor na hóstia consagrada, viu Branca Dias olhando para a hóstia e apontando para o altar, dizendo: ah, cães encadeados”; reparara ainda que a antiga professora possuía sobre a cama "uma cabeça de boi sem cornos", que "se punha muitas vezes sobre a dita cama às sextas-feiras, onde ficava até os domingos". A cabeça de boi, ou "toura", era a corruptela a que foi submetido o livro sagrado dos judeus, a Torá.
Tendo em vista  as delações recebidas, o Visitador Heitor Furtado de Mendonça, através de Gonsalo Novo de Lira, funcionário do Santo Ofício, ordena a prisão de alguns filhos e netos de Branca Dias por práticas do judaísmo e manda desenterrar os ossos  de Branca Dias, que depois foram queimados no Rossio, em auto-de-fé.

NOTA: A maioria dos descendentes de Branca Dias limpou seu nome judeu falsificando a genealogia, comprando o Hábito da Ordem de Cristo que era proibido aos judeus, pretos, índios e hereges, e seus descendentes. Muitos casaram com cristãos-velhos.


Em torno de Branca Dias foram criadas várias lendas, como a origem da denominação do Riacho e do Açude do Prata, que para alguns era chamado assim devido a prata jogada por Branca Dias, embora na época já estivesse falecida, quando da chegada da Inquisição a Pernambuco (Carlos Drummond de Andrade chegou a compor um poema a esse respeito: "É acusada de judaísmo/ Já vão prendê-la/ Atira joias e prataria na correnteza/ A água vira Riacho de Prata/ Morre queimada no santo lume da Inquisição em Portugal/ Reaparece na Paraíba, em Pernambuco/ Sob o luar toda de branco/ Sandálias brancas e cinto azul-ouro...).
De Pernambuco, a lenda de Branca passa a “Branca Dias da Paraíba” que teria vivido muitos anos após sua homônima de Pernambuco, e foi alvo das perseguições de um clérigo local, sendo por fim queimada pela Inquisição. Sobre esta, Dias Gomes escreveu sua famosa peça de teatro, “O Santo Inquérito”, e a uma “terceira” Branca Dias, personagem de um romance ficcional escrito no século XIX, por Joana Maria de Freitas Gamboa, que a descreve como protagonista na Guerra dos Mascate (1710).

NOTA: No romance: Memórias de Branca Dias de Miguel Real Dias, publicado em 2003, relata a infância de Branca Dias no Mi­nho/PT, a sua prisão em Lisboa, a vinda para o Brasil, o levantamento da casa grande de Camaragibe e da casa da Rua dos Palhais, onde educou seus filhos e uma enteada, o convívio com Duarte Coelho, 1º donatário do Pernambuco, a morte de Pedro Álvares da Madeira, o candomblé dos escravos pretos, os terrores de uma nova geografia e uma nova fauna, o martírio dos portugueses no Novo Mundo, evidenciando assim o lado popular do heroísmo quotidiano dos primeiros colonos no Brasil.

No fim do século XVII, a casa da Rua do Palhais/Olinda, hoje  Rua Bispo Azeredo Coutinho nº 526, aparece como sendo de propriedade de  Violante Dias, neta de Diogo Fernandes e Branca Dias. A casa na época era conhecida como lugar de judiação, permanecendo fechada e abandonada e com o passar do tempo foi arruinada por ataques de vândalos e queimada durante o grande incêndio de Olinda. Violante, como o pouco dinheiro obtido das partilhas e depois de muito trabalho, ergueu no antigo lugar uma nova casa, mantendo a primitiva divisão das câmaras e aproveitando o pé-direito das paredes; mas nunca viveu nela, pois sua ideia era vendê-la e com o dinheiro comprar de volta o engenho Camaragibe, verdadeiro lugar da sua família, e local aonde seu avô tinha sido enterrado por Branca Dias e Bento Dias Santiago, cujo lugar foi posteriormente disfarçado, por ocasião da chegada do Santo Ofício, com um plantio de um cajueiro. Violante consegue vender a casa da Rua dos Palhais ao mercador português Antônio Matos Fernandes, que no local fez o primeiro asilo de órfãs e viúvas pobres de reinóis minhotos. Com o dinheiro recebido consegue dar entrada para compra do engenho Camaragibe (1593) e dedica o resto da sua vida a reconstrói-lo, permanece solteira e se dedicando a ressurreição da obra de seus avós. Como a fábrica ficou nas mãos de feitores e só produzia pouco açúcar, Violante para sobreviver e conseguir seu intento vendia madeira para o Recife.
        Nessa época estava sendo construídas 25 casas, todas iguais, no Bairro de Jesus/Recife, para 60 judeus. Cada casa formaria um espaço interior aberto, com uma lareira de cozinha ao fundo e fossa para os dejetos atrás, onde mais tarde, cada família poderia construir paredes, compondo divisões consoantes as suas necessidades. Mas, para isso, era preciso muita madeira e a solução foi procurar Violante Dias, senhora de engenho e das matas de Camaragibe, abastecedora de madeiras para a vila do Recife, e pedir a matéria-prima. Se o encargo fosse demasiado pesado para Violante, os mercadores Simão Ribas, Joaquim de Almeida e Vidal Rabelo,  comprometiam-se a ressarci-la de parte dos prejuízos na conta-corrente do açúcar que mantinham em Camaragibe, vendendo-o para Lisboa. Violante ofertou toda a madeira necessária, demandando que, em futuras orações, os judeus, nas suas rezas secretas, orassem por sua avó Branca Dias.

Damião Álvares de Freire – Capitão da Guarnição de Olinda. Sargento-mor, em 10.07.1600. (nada mais foi encontrado)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.Anais 1955 Vol 75 (2), pág. 49

O engenho Camaragibe, situado na margem direita do Rio 'Camurijĩ' (Rio Camaragibe), é citado nos seguintes mapas do Pernambuco colonial: PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ: Camaraginÿ', na m.d. do rio sem nome (Rio Camaragibe), tributário m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ. Camaraginÿ', na m.d. do rio sem nome (Rio Camaragibe), tributário m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'.
Durante a ocupação holandesa João Fernandes Vieira acampou com 130 soldados, em 16/06/1645, no seu engenho Camaragibe que se encontrava de fogo morto e abandonado, e depois se dirigiu à mata do Borralho (Aldeia de Camaragibe). 

João Fernandes Vieira – Nasceu em 29/06/1596-Funchal/Ilha da Madeira/PT, filho de Francisco de Ornelas Muniz e de Antônia Mendes. Seu pai era bisneto de Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico, e neto de Lançarote Teixeira, o grande ginetário. Sua mãe era bisneta de Pedro Vieira, morgado da Ribeira de Machico; entre os seus bisavós se conta António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no norte da ilha da Madeira.
Em 1606, imigrou para a Capitania de Pernambuco, pois como não era o filho primogênito, herdeiro de todo o legado dos pais, não tinha como se sustentar. Fernandes Vieira se viu obrigado a emigrar para o “Além Mar”, para adquirir fortuna, como muitos jovens portugueses. Assim que chegou a Pernambuco trocou o seu nome de Francisco de Ornelas Moniz Júnior, para João Fernandes Vieira, um disfarce muito usado pela corrente emigratória para o Brasil, que queriam esconder sua origem nobre, porque trabalhariam em serviços braçais, uma desonra para a época.
Em Pernambuco trabalhou primeiramente como ajudante de mascate, em troca de comida e morada. Auxiliar do Mercador Afonso Rodrigues Serrão, que ao falecer o deixou como único herdeiro do seu negócio e de casas em Olinda. Durante a ocupação holandesa (1630), se alistou como voluntário de guerra. Em 1634, participou da resistência luso-brasileira no Forte de São Jorge.
Era Fernandes Vieira um homem de aspecto melancólico, testa batida, feições pontudas, olhos grandes, mas amortecidos, e de poucas falas, exceto quando se ocupava de si, pois desconhecia a virtude da modéstia. Ativo, ambicioso e inteligente, durante o cerco ao Arraial do Bom Jesus/Recife estabeleceu ligações estreitas com os holandeses, o que lhe proporcionou ascensão econômica e social. Trabalhou como Feitor-mor do judeu e Conselheiro Político da Companhia das Índias Ocidentais, Jacob Satchhouwer, nos engenhos: Ilhetas ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes. Nota: Em seu testamento Fernandes Vieira declarou sobre sua aproximação com Satchhouwer: “Declaro que no tempo dos holandeses por remir minha vexação e viver mais seguro entre eles, tive apertada amizade com Jacob Estacour (Satchhouwer), homem principal da nação flamenga, com diferença nos costumes, e com ele fiz negócios de conformidade e por conta de ambos (...)
Com a partida de Satchhouwer e de seu sócio de Nicolaes de Rideer, Vieira, que era procurador bastante dos dois sócios, passou a lucrar com a administração de todos os bens deixados e dos fundos do seu amigo e benfeitor Stachouwer. Logo se apoderou dos engenhos: Guerra/Cabo de Santo Agostinho, Ilhetas, ou Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém, Meio/Recife, Santana/Jaboatão dos Guararapes e Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho, assumindo os débitos contraídos pelos dois sócios na compra das propriedades à Companhia das Índias Ocidentais (débito que nunca foi pago). Se tornando depois um dos homens mais ricos da Capitania, proprietário de 16 engenhos e de mais de 1.000 escravos.
Cargos e funções: Escabino de Olinda (1639); Escabino de Recife (07/1641 a 06/1642, sendo conduzido ao cargo de 1642/43). Contratador de dízimos de açúcar da Capitania de Pernambuco e de Itamaracá.  Representante dos luso-brasileiros da Várzea do Capibaribe na Assembleia convocada pelo Conde Maurício de Nassau para assuntos do governo (1640). Mestre de Campo do Terço de Infantaria de Pernambuco. Participou da defesa do Arraial do Bom Jesus/Recife (1635), com apenas 22 anos.
Embora fosse um dos homens mais importantes da Capitania, para ser incorporado à nobreza rural de Pernambuco, em razão de sua suposta cor parda, de seu “defeito mecânico” (trabalhos manuais) e de sua “falta de qualidade de origem”, teve que contrair matrimônio para poder ascender na sociedade luso-brasileira.
NOTA: João Fernandes Vieira levantou em Olinda a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida por Santa Thereza, onde antigamente funcionava o Colégio das Órfãs, antes dos Órfãos.
Casamento 01(1643): D. Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrade (um dos principais líderes da Insurreição pernambucana e senhor do eng. Giquiá/Recife), pessoa de boa estirpe perante o clã dos Albuquerque, e de Joana de Albuquerque. S.g.
Filhos fora do casamento: 01- Manuel Fernandes Vieira, sacerdote do hábito de São Pedro com ações de algumas Mercês de seu Pai. Vigario de Itamaracá e senhor do engenho Inhaman. Perfilhado nos livros de Sua Magestade. Comendador de Santa Eugénia Alla, que vagou por falecimento de seu Pai João Francisco.
02- D. María Joanna filha natural de João Fernandes Vieira e de D. Cosma Soares. C.c. Jerouymo Cesar de Mello Fidalgo da Casa Real, Cavalheiro da Ordem de Cristo e Capitão-mor de Maranguape ; filho de Agostinho Cesar de Andrada (Gov. do Rio Grande do Norte) e de D. Laura de Mello;
03- D. Joaurza Fernandes Cesar. C.c. Gaspar Achi'oli de Vasconcellos, Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, filho de João Baptista Achioli e de sua mulher D. Maria de Mello. Alcaide-mor da cidade da Paraíba do Norte, e senhor do eng. Santo Andre;
04- Maria de Arruda, falecida ainda criança.
Fernandes Vieira era um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais, com uma dívida estimada em 219.854 florins, que nunca foi paga, pois alegou no seu Testamento que os chefes holandeses "são devedores de mais de 100 mil cruzados (...) de peitas e dádivas a todos os governadores (...) grandiosos banquetes que ordinariamente lhes dava pelos trazer contentes".
Após a partida do Conde Maurício de Nassau (1644) Vieira viu a intensificação da insatisfação do povo pernambucano, influenciado pelo seu sogro e percebendo as vantagens econômica e social a serem alcançada com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais passou para o lado dos Insurrectos pernambucanos.
Reúne-se com várias lideranças rurais nas matas do engenho Santana, onde traçam os planos para expulsar os holandeses do Brasil. Como contragolpe, lança a campanha de Restauração de Pernambuco, servindo-se da mesma táctica manhosa dos inimigos e passa a circular nos dois lados: holandeses e luso-brasileiros. Nessa mesma época os holandeses o chamam para ser Agente de Negócios da Companhia e membro do seu Conselho Supremo, ficando Vieira, conhecedor de todas as tramas e recursos.
João Fernandes Vieira escreve a D. João IV pedindo-lhe licença para resgatar as Capitanias invadidas da mão dos usurpadores, ao que o Monarca se opõe. Descobrindo os holandeses os seus intentos, atraíram-no ao Recife, mas Vieira iludiu-os e pôs-se em campo, levantando a bandeira da Insurreição Pernambucana – de fazenda em fazenda, de engenho em engenho incentivando a revolução e declarando traidores os que não seguissem a sua causa. O Conselho holandês põe a cabeça de Vieira em prêmio e em resposta Fernandes Vieira põe preço a cabeça dos membros do Conselho e se torna um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração de Pernambuco.
NOTA: Segundo José Antônio Gonçalves de Melo: A insurreição de 1645 foi preparada por senhores de engenho, na sua maior parte, devedores a flamengos ou judeus da cidade. Foi nitidamente um levante de elementos rurais, no qual tomaram parte, negros escravos, lavradores, pequenos proprietários de roças, contratadores de corte de pau-brasil, e outros.
Após a tomada do eng. Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João/Recife-Várzea do Capibaribe, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra. Vieira participa da guerra contra os holandeses e, vence junto com sua tropa, a Batalha das Tabocas em Vitória de Santo Antão/PE, em 03/08/1645, e a Batalha de Casa Forte/Recife, junto aos heróis: André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, em 17/08/1645.
Com a Batalha dos Guararapes, sob o comando do General Barreto de Meneses, em 19/04/1648 e 19/02/1649, os holandeses são finalmente vencidos e expulsos de Pernambuco e, como recompensa pelos serviços prestados na guerra João Fernandes Vieira é recompensado pelo Rei D. João IV com os cargos: de Governador da Paraíba (1655/57), Capitão General do Reino de Angola (1658/61) e Superintendente das Fortificações de Pernambuco e das Capitanias vizinhas, até o Ceará, (1661/81).
Depois do tratado de paz entre Portugal e a Holanda (1661), Fernandes Vieira figurava em 2º lugar na lista de devedores dos brasileiros à Companhia das Índias Ocidentais, com o débito de 321.756 florins, cuja dívida nunca foi paga.
Já idoso Fernandes Vieira encomenda ao Frei Rafael de Jesus um livro sobre a sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia. Vieira falece, com 85 anos de idade, em 10/01/1681-Olinda, mas só em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda. Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Senhor dos engenhos: Abiaí/Itamaracá; do Meio/Recife-Várzea; Guerra/Cabo de Santo Agostinho; Ilhetas, Nossa Senhora de França, ou Nossa Senhora de Guadalupe/Serinhaém; Jacaré/Goiana; Molinote, ou Santa Luzia, depois Sacambu/Cabo de Santo Agostinho; Santana/Jaboatão dos Guararapes; Santo André/Jaboatão dos Guararapes - Muribeca; Santo Antônio/Goiana; São João (antes Nossa Senhora do Rosário)/Recife-Várzea; Velho ou da Madre de Deus/Cabo de Santo Agostinho. Na Paraíba: Inhaman, Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião, Gargaú e São Gabriel. Tibiri de Baixo e Tibiri de Cima.

Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Anais 1885-1886 Vol. 13; 1902 Vol. 24; 1925 Vol. 47; 1926 Vol. 48
CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318 e tomo II, p. 12, 14
Diário de Pernambuco. Os Holandeses em Pernambuco – Uma História de 24 anos. João Fernandes Vieira. Publicado em 22.09.2003.
Fontes para História do Brasil Holandês – 1636, Willem Schott. A Economia Açucareira. Inventário feito pelo Conselheiro Schott Cia. CEPE, MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória Local: Recife, 1981
Francisco Adolpho de Varnhagen, E. e H. Laemmert, 1857. Historia geral do Brazil, Volume 2.
GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2
Revista do Instituto Archeológico e Geográphico de Pernambco. Volume 1, Edições 1-12
SANTIAGO, Diogo Lopes, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258

O engenho Camaragibe, situado na margem direita do Rio 'Camurijĩ' (Rio Camaragibe), é citado nos seguintes mapas do Pernambuco colonial: PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ: Camaraginÿ', na m.d. do rio sem nome (Rio Camaragibe), tributário m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'; IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ. Camaraginÿ', na m.d. do rio sem nome (Rio Camaragibe), tributário m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'.
No século XVII foi construída a atual casa-grande. Nessa época o engenho pertencia ao Coronel Manuel Correia de Araújo, que era maçom e membro da Junta Governista, como representante da lavoura, mas que depois mudou de lado e se juntou as forças contra revolucionárias de 1817. Nessa época o comerciante inglês residente em Recife Henry Coester relatou que o engenho Camaragibe era um dos melhores de Pernambuco.

Manuel Correia de Araújo – Nasceu em 1767/engenho Camaragibe.  Coronel. Maçom, em torno de 1817. Membro da Junta Governista, como representante da lavoura na sua composição, mas que depois mudou de lado e se juntou as forças contra revolucionárias (BERNADES, 2002: 210).
Casamento 01: (NI)
Filhos encontradosAna Tereza Correia de Araújo  c.c. Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque (Barão de Camaragibe)
Fontes:
http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/11/revolucao-pernambucana-de-1817.html
Mello, Evaldo Cabral de. Dezessete: a Maçonaria dividida. Disponível em http://www.revistatopoi.org/numeros_ anteriores/Topoi04/04_artigo01.pdf

Após o falecimento de Manuel Correia de Araújo o engenho aparece como sendo de propriedade de Pedro Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque c.c. Ana Tereza Correia de Araújo herdeira do engenho.

Pedro Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – Nasceu em 19/04/1806/Jaboatão dos Guararapes e faleceu em 02/12/1875-Camaragibe. Filho de Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, o Coronel Suassuna, (eng. Suassuna, Pantorra e Carrapato) e de Maria Rita de Albuquerque e Melo.  Estudou em Coimbra e depois transferiu o curso para a Alemanha, onde concluiu o doutorado (1827), na Faculdade de Goettingen. Professor do Curso Jurídico de São Paulo em 1829, mas não quis tomar posse e, no ano seguinte, foi indicado para a Academia de Olinda, assumindo, em 1830, a Cátedra de Direito Civil. Em 1854, coube-lhe a direção da Faculdade, em substituição ao Visconde de Goiana.
Deputado Provincial e Geral, nas 2.ª, 5.ª, 10.ª, 11.ª e 14.ª legislaturas por Pernambuco: 03.05.1832 a 21.10.1832, 24.04.1843 a 24.05.1844, 03.05.1857 a 16.09.1860, 02.05.1861 a 12.05.1863 e 11.05.1869 a 22.06.1869. Diretor da Academia de Direito de Olinda e da Academia de São Paulo. Em 1854, coube-lhe a direção da Faculdade, em substituição ao Visconde de Goiana. Foi agraciado com o título de Barão com honras de grandeza de Camaragibe, por decreto de 02.12.1854, pelo Imperador D. Pedro II. Título de origem toponímica, tomado do nome do seu engenho. Barão de Camaragibe.
Na célebre visita do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, ao Recife em 1859, aconteceu um grande e pomposo baile em sua homenagem, oferecido pela Associação Comercial de Pernambuco, onde o Barão de Camaragibe dançou e foi o 3º par da Imperatriz D. Tereza. O Imperador D. Pedro II, no ano de1860, querendo manifestar o seu apreço à hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, no ano anterior, o elevou, por decreto de 09.03.1860, ao título de Visconde com honras de grandeza de Camaragibe. Presidente da Câmara dos Deputados (1861-1863). Senador do Império, por Pernambuco, de 23.06.1869 até seu falecimento. Vice-Presidente do Senado, de 05.05.1874 a 03.05.1875. Membro do Conselho e grande do Império. Como julgava que não possuía as qualidades de orador, chegou a recusar alguns ministérios.
Casamento 01: Ana Tereza de Hollanda Cavalcanti (Correia de Araújo) – Nascida em 1810 e falecida em 17/09/1862, filha do Cel. Manuel Correa de Araújo de quem herdou o engenho Camaragibe, e de (?). S.g.
Fontes:
http://doria.genealogias.org/HolandaCav.pdf
http://rosasampaiotorres.blogspot.com.br/p/jorge-cavalcanti-de-albuquerque-uma.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Francisco_de_Paula_Cavalcanti_e_Albuquerque
https://www.ufpe.br/ccj/index.php?option=com_content&view=article&id=234&Itemid=161
Revista genealógica latina, Volumes 8-11. Pág. 29

Casa grande do engenho Canaragibe
Louis Véger Vauthier, engenheiro francês que trabalhou em Pernambuco entre 1839 e 1846, em  seu Diário Íntimo descreveu a sua visita ao engenho Camaragibe: os cavalos foram postos na cocheira e afinal fomos introduzidos no solar – grande e comprido edifício, tendo três faces para um pátio e a quarta para uma espécie de jardim mal tratado. Sobre a mais longa das três faces correspondentes ao pátio, no rés-do-chão, espécie de claustro cujo acesso se faz por alguns degraus em ruínas. Essa fachada dá para Leste. Sobre a face Sul fica a escada principal coberta por uma parte do teto que se projeta além das paredes da fachada e é sustentada por três colunas.
Fábrica de tecido - Camaragibe, Pernambuco.
No século XIX Affonso Pereira Carneiro compra parte das terras do engenho Camaragibe e com outros acionistas fundam a Companhia Industrial Pernambucana – CIP, integrando Camaragibe na área urbana de Recife. (Colaboração de Enock engenhos enviada em 15/07/2014). Em 1893 a Companhia desenvolve um programa social para seus operários através da construção de uma vila operária, a primeira do gênero na América Latina. E tudo isso, deveu-se à coragem e a perspicácia de Carlos Alberto de Menezes, que nessa obra foi o pioneiro no Brasil, que pôs em prática nas suas unidades fabris de Camaragibe e Goiana, o seu denotado projeto, criando à primeira “Corporação Operária”.
Aos poucos surgiram as fábricas e as casas operárias com altos padrões higiênicos para a época. Surgindo assim a primeira Vila Operária da América Latina. Mais tarde em 06/1900, fundou a Corporação Operária de Camaragibe, onde era diretor. A Corporação surgiu forte e independente da vontade dos patrões, garantida por si e pela lei. Todos os operários de Camaragibe faziam parte dela, que tinha uma função moral, pois desenvolveria toda a sorte de benefício moral, material, espiritual e intelectual para eles e suas famílias. Educar o operário pela prática da associação, desenvolvendo o espírito da união, solidariedade e fraternidade. Em 1987, a fábrica foi adquirida pelo grupo BRASPÉROLA, desativada e logo depois revendida ao grupo VIVABRÁS.
A casa grande do engenho Camaragine conhecida como "casa de Maria Amazonas" por ter pertencido a Maria Anita Amazonas MacDowell, fica hoje localizada em uma elevação entre a BR-408 e a estrada que liga o Recife à região de Aldeia, ao lado do Parque Camaragibe, a cerca de 10 km da capital pernambucana. Foi ao longo dos séculos completamente reformada sofrendo sucessivas alterações, mudando inclusive a fachada frontal. A casa atual mantém um porte majestoso, presente nas suas fachadas de características neoclássicas dos fins do século XIX, possui: 02 pavimentos, 07 salas, 11 quartos e uma capela sob a invocação de São Tiago. De linhas barrocas, o orago tem um rico alto-mar com uma grande imagem de seu padroeiro, consolos ao estilo Brenguer, além de um belíssimo lampadário de prata. Todo este acervo foi trazido de Portugal. Hoje a fábrica (moita) e uma vila de casas, são as únicas edificações que restaram do antigo engenho.

Atual casa grande do engenho

Maria Anita Amazonas Mac Dowell – Última herdeira e descendente da família Amazonas MacDowell, residiu na casa grande do engenho desde 14/01/1908, e se tornou uma fiel que ostentava títulos abençoados pelo Papa.
Casamento 01: Samuel Wallace Mac Dowell.
Filhos encontrados: 01- Dolores Mac Dowell de Figueiredo; 01- Maria Anita Mac Dowell dos Santos; 03- Samuel Wallace Mac Dowell Filho; 04- Antônio Amazonas Mac Dowell, nascido e 25.03.1937.
Fontes:
ftp://ftp.mct.gov.br/Unidades/SECUP/GAB/UPS/ComiteBuscaINPE/Ant%F4nio%20Maria%20Amazonas%20%20Mac%20Dowel/Curriculum%20Vitae%20(Mac%20Dowell).pdf
http://www.radaroficial.com.br/d/5313220701061120

Maria Anita Mac Dowell dos Santos, conta que, no atual local da capela (erguida dentro do casarão), já foram encontrados restos de objetos e, certa vez “uma empregada da casa achou uma caixa com as cinzas e avisou que havia ‘um pozinho branco’ no piso da capela”, conta ainda que: “Dizem que os escravos gostavam de trabalhar aqui durante o tempo em que o engenho era administrado pelos judeus, pois não precisavam trabalhar aos sábados”, e comenta: como o domingo era o dia do descanso cristão, os donos do engenho também preferiam guardá-lo. Assim, os escravos ficavam dois dias sem trabalho.
Moita do engenho Camaragibe
Em 07/08/1987, através do Dec. nº 12.550, o Governador do Estado de Pernambuco tomba a nível estadual a casa grande do engenho Camaragibe, de 07/08/1987. Em 1995 a presidência da República, no uso das atribuições que lhe conferem os artigos 84, item IV, e 184, da Constituição, e nos termos dos artigos 18 e 20, da Lei nº 4.504, de 30/11/1964, e 2º, da Lei nº 8.629, de 25/02/1993, 2º, da Lei Complementar nº 76, de 6/07/1993 através do Decreto de 10/11/1995 declarou de interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural denominado "Engenho Camaragibe", situado no Município de Camaragibe, Estado de Pernambuco, e dá outras providências.

Vista casa grande do engenho Camaragibe


NOTA: O engenho Camaragibe foi testemunha de toda trajetória da economia canavieira em Pernambuco, desde sua fase mais remota do século XVI, e somente a partir do século XVI, é que suas terras foram integradas ao crescimento urbano do Recife, e como tantos outros situados na Várzea do Capibaribe, dando origem ao município que passou a levar seu nome.


Fontes:
A Terra das Sinagogas. Jornal do Comércio. Recife - 06.12.2001. Quinta-feira
BARRETO, C. F. Os Primitivos Colonizadores Nordestinos e seus Descendentes, Pag. 158
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Biblioteca Nacional do Rio De Janeiro. Anais 1925 Vol 47
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MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 51, 77, 81, 83-5,  88, 93, 98, 116, 119, 124, 129, 160, 165, 232-3
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Filha de Diogo Fernandes com Magdalena Gonçalves

Briolanja Fernandes – Nasceu antes de 1539/Pernambuco. Filha de Diogo Fernandes com Magdalena Gonçalves. Viveu com sua mãe na mesma casa de Branca Dias, em Olinda (PE), aonde foi instruída na prática da religião judaica. Em 1599, Briolanja foi presa em Olinda acusada de práticas de judaísmo pela sua meia irmã Brites Fernandes. Depois foi enviada para o cárcere da Inquisição nos Estaus, em Lisboa, aonde respondeu processo, juntamente com suas irmãs paternas: Andreza Jorge e Brites Fernandes. Sentenciada a ir ao Auto de Fé realizado na Ribeira/Lisboa, abjurar da suspeita na fé, cárcere a arbítrio dos inquisidores, penas e penitências espirituais, bem como pagamento das custas. Em 06/09/1603 depois de sofrer tormentos inquisitoirais, Briolanja foi libertada, permanecendo em Lisboa até o fim dos seus dias.
Casamento 01: André Gonçalves, cristão velho, carpinteiro e depois senhor de eng. Sicupema (Secupema)/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca que depois pertenceu a Agostinho de Holanda c.c. Maria de Paiva, sobrinha de sua esposa Briolanja Fernandes.
NOTA: *Manuel Franco Nobre, nascido em torno de 1585. Em 1601 depõe no Santo Ofício de PE. Tinha 47 anos e foi feitor da Fazenda Muribeca de propriedade Briolanja Fernandes, denunciada ao Santo Oficio.

Fontes:
PEREIRA, Levy. "Ĩbipúpura". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em:http://lhs.unb.br/biblioatlas/%C4%A8bip%C3%BApura. Data de acesso: 01.11.2014.
*MELLO, José Antônio Gonsalves de - Gente de Nação. pg. 157 - Editora Massangana - Recife/PE -1996 – 2ª Edição.
MELLO, Evaldo Cabral de Mello. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco Colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. pág. 83
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81, 106

Filhos do casal Diogo Fernandes e Branca Dias:
(não foi encontrada a verdadeira ordem de nascimento dos ditos filhos)

01- Beatriz ou Brites Fernandes – Nascida antes de 1535/Viana de Caminha -Portugal. Tinha problemas mental e corcunda. Por volta de 1551 transferiu-se, com sua mãe, para Pernambuco, passando a residir no eng. Camaragibe. Já órfã, mudou-se com a mãe para Olinda (PE). Beatriz costumava ler a Bíblia na casa de sua irmã Violante Fernandes junto a Bento Teixeira, e suas irmãs Inês Fernandes e Andreza Jorge.
Em virtude de denúncias ao Tribunal do Santo Ofício por prática de "judaísmo", foi presa em Olinda em 25.08.1595 e enviada para Lisboa (Portugal), onde deu entrada nos Estaus (como era chamado o Paço e Cárceres da Inquisição, no Rossio), em 19.01.1596. Nos autos, é descrita como débil mental e aleijada (donde o seu apelido de Alcorcovada), tendo começado a confessar suas culpas em 03.12.1597. Submetida à "câmara de tormento" em 31.12.1598, é sentenciada a "ir ao Auto de Fé, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, penitências espirituais, além de confisco de bens". Em consequência de seus depoimentos, outros filhos e netos de Diogo Fernandes e Branca Dias foram processados.
Findo o processo, participou do auto-de-fé de 31.01.1599 e, ao contrário do que informa Pereira da Costa (in RIAP, v. VII, n.46, p. 146), não foi condenada à fogueira, pois anda vivia, em Lisboa, no ano de 1604. (Processo nº 4580 da Inquisição de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa).
Segundo Borges da Fonseca seus bens foram confiscados e leiloados por Gonsalo Novo de Lira que era Tesoureiro Fiscal do Santo Ofício da Capitania de Pernambuco.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (4). Pág. 476
cf. Barreto, Os primitivos colonizadres nordestinos e seus descendentes, p. 158
http://origem.biz/ver_cadastro1.asp?id=6142
http://www.geni.com/people/Violante-Fernandes/6000000027377471178
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81.
RIBEIRO, Eneida Beraldi. O Marranismo no Brasil Colônia através do processo inquisitorial contra Bento Teixeira Capítulo 1 - Raízes judaicas no Brasil

02- Inês Fernandes (Ignez Fernandes de Goes) – Cristã-nova. Nascida em Viana de Caminha -Portugal.
Casamento 01: Baltasar Leitão Cabral, primeira esposa. Cristão-velho.  Vereador de Olinda em 1596. Viúvo c.c. Leonor Rodrigues Paes (c.g.). NOTA: No livro velho da Sé de Olinda se encontra o assento do seu óbito, feito no dia 01.12.1617, no qual declara que faleceu sem testamento e que foi sepultado na Igreja Matriz do Salvador. Inês Fernandes costumava ler a Bíblia na casa de sua irmã Violante Fernandes junto a Bento Teixeira, e suas irmãs Beatriz e Andreza Jorge.
Filhos encontrados: Maria de Paiva, nascida em Pernambuco. C.c. Agostinho de Holanda Vasconcellos, cristão-velho. Senhor do engenho Novo da Muribeca/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca. Agostinho depois que casou a família se afastou dele por conta de sua esposa ser judia. (c.g.)
Fontes:
Barreto, C. F. Os primitivos colonizadores nordestinos e seus descendentes, p. 158 e 268.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol. 47 (4). Pág. 335, 479, 483
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1926 Vol 48 (2) Pág. 187, 286
http://origem.biz/ver_cadastro1.asp?id=6148
http://www.geni.com/people/In%C3%AAs-Fernandes/6000000013751218627
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 83
RIBEIRO, Eneida Beraldi. O Marranismo no Brasil Colônia através do processo inquisitorial contra Bento Teixeira Capítulo 1 - Raízes judaicas no Brasil
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

03- Violante Fernandes – Nasceu em torno de 1550/Portugal. Transferindo-se com sua mãe para Pernambuco, residiu no engenho de seus pais, em Camaragibe (PE) e, depois, em Olinda (PE).  Violante Fernandes quando ficou muito doente pediu que ao morrer deveria ser amortalhada em um lençol de pano virgem, que lavassem seu corpo, cortassem as unhas e lhe metessem uma joia na boca. Dois dias após seu pedido veio a falecer (1595) sendo enterrada à moda judaica como era seu desejo.
Casamento 01: João Pereira. Nasceu em 1501 em Portugal.
Filhos encontrados: 01- Mateus Pereira nascido em 1566; 02- André Pereira da Cunha, nasceu em 1590. C.c. Isabel de Mello Albuquerque (c.g.); 03- Leonardo Pereira c.c. Brásia Pinto;
Casamento 02: Antonio Barbalho, cristão-velho. Nascido em Portugal. Filho de Fernão Barbalho. Membro da governança de Olinda. Antônio Barbalho foi casado em primeira núpcia (1586) com Antônia Bezerra (c.g.).
Filhos encontrados: 04- Guiomar Barbalho c.c. Ignácio Gernache; 05- Antônio Barbalho Pinto c.c. Anna Gomes da Silveira; 06- Felipe Barbalho Bezerra; 07- Luís Barbalho
No processo por judaísmo movido pela Inquisição contra suas irmãs Brites Fernandes e Andreza Jorge, em 1599, é acusada de guardar o sábado, em que se abstinha de cozer, lavar ou fiar, bem como de outras práticas judaizantes, como não comer peixes sem escamas. Violante também foi citada no processo contra Bento Teixeira, com quem parece ter mantido estreita amizade. Como resume Ribeiro: Foi a Diogo Meireles que Bento Teixeira pediu que o apresentasse a Violante Fernandes. Justificou seu pedido argumentando ser ele pobre e ela mulher de muitas posses. Diogo de Meireles lembrou a facilidade da aproximação, uma vez que Bento Teixeira já ministrava aulas aos filhos de Violante Fernandes. A apresentação dos judeus era precedida por palavras deixadas como perdidas, que, se entendidas, demonstravam a crença e criavam um círculo de amizade e de ajuda mútua. Assim, para aproximar-se de Violante Fernandes, Bento Teixeira, num dia em que dava aula à filha, manteve com ela o seguinte diálogo: _Bento Teixeira: 'Ainda que Vossa Mercê via em seus dias os filhos, que é uma das bênçãos que o Senhor lançava antigamente._' Violante: 'Por que agora não as lança?' Bento: 'Dizem os cristãos que já isto é acabado._'Violante: 'Acabados os veria eu e os nossos bem principiados._' Bento: 'Quando isto há de ser?_'Violante: 'Espero eu no Senhor, que pôs o seu nome em quatro letras, que antes que morra os hei de ver, os ditos bens.'"
CURIOSIDADES: Violante Fernandes manteve uma estreita amizade com Bento Teixeira que chegou a lhe ensinar os filhos homens e com ela praticou, ou seja, judaizou, discutindo sobre a lei velha em sua casa, com irmãs e filha. Violante recebia Bento Teixeira junto à filha Guiomar Barbalho, em quem confiava, mas mantinha os filhos homens, nascidos de cristão velho, distantes das conversações, pois, quando se aproximavam, a mãe fazia sinais para Bento Teixeira para que se calasse. (...) Em um dos seus encontros Violante pediu a Bento Teixeira que voltasse à casa para ler a Bíblia a si e às suas irmãs Beatriz Fernandes, Inês Fernandes e Andreza Jorge, quando o marido estivesse no engenho, o que ele fez por umas duas vezes; lendo capítulos do Levítico em português e a estória da rainha Ester. Juntos, discutiam o papel das mulheres, a vinda do Messias e costumes que seguiam por guarda da Lei de Moisés.
Fontes:
http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer? - Processo de Andreza Jorge.
http://www.geni.com/
http://www.geni.com/people/Brites-Fernandes/6000000018776782642
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 85
Pinto, Zilma Ferreira .A Saga dos Cristaos-novos na Paraiba" edt. Ideia. Joaopessoa/2006 – Pág. 98
Ribeiro, Eneida Beraldi. O Marranismo no Brasil Colônia através do processo inquisitorial contra Bento Teixeira Capítulo 1 - Raízes judaicas no Brasil
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

04- Guiomar Fernandes – Nascida em Viana de Caminha -Portugal. Residiu em Olinda. Falecida antes de 1599. No processo da Inquisição (1599) contra sua irmã Andreza Jorge, foi citada como também praticante de judaísmo.
Casamento 01: Francisco Frazão. Mamposteiro-mor dos Cativos da Capitania de Pernambuco (1558).
NOTA: A filha de Francisco Frazão, primeiro casamento, Isabel Frazão, foi uma das testemunhas contra Branca Dias e família, em 06/11/1593, na Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil.
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1955 Vol 75 (1). Pág. 08
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81
cf. Processo de Andreza Jorge -  http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer ? id = 2306369 
http://www.geni.com/people/Guiomar-Fernandes/6000000018777512597

05- Baltazar Dias – Nascido em Viana de Caminha -Portugal. Residiu em Olinda. Retornou para seu País e depois seguiu carreira militar na Espanha. Capitão de Cavalos na região de Flandes.
Fontes:
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

06- Manuel Afonso – Nasceu em Viana de Caminha -Portugal , sem os braços. Alvo de muita atenção da mãe que, pessoalmente, o ensinou a escrever com os dedos dos pés.
Fontes:
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

07- Filipa da Paz – Cristã-nova, natural de Portugal. Faleceu antes de 1599. Transferiu-se para Pernambuco, em companhia da mãe, em 1551, residindo inicialmente no engenho de seu pai em Camaragibe e, em seguida, na Rua Palhais/Olinda .
Casamento 01: Cristóvão Serradas. (s.g.)
Casamento 02: Pero da Costa, em torno de 1580.
Filhos encontrados: 01- Anna da Costa Arruda; 02- Bartholomeu Favela Arruda; 03- Catharina Favela; 04- Maria de Arruda; 05- Isabel; 06- Filipe; 07- Diogo Martins da Costa; 08- Pero da Costa.
NOTA: Duas de suas filha foram presas e enviada ao Estaus em 16.12.1599, juntamente com sua tia Andressa Jorge e a filha dela Beatriz de Souza (Processo nº 4273). Submetidas ao tormento são condenadas e vão ao auto de 03.08.1603.
Fontes:
http://www.old.pernambuco.com/diario/2003/07/28/especialholandesesf42_0.html
http://origem.biz/ver_cadastro1.asp?id=6148
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

08- Isabel Fernandes – Nascida na Capitania de Pernambuco.
Casamento 01: Sebastião Coelho
Fontes:
http://origem.biz/ver_cadastro1.asp?id=6148
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

09- Anna Paes (Fernandes) – Nascida na Capitania de Pernambuco
Camento 01: Diogo Fernandes (II), conhecido como ”de Camaragibe ou do Brasil”. Cristão-novo. Trabalhou com seu irmão no eng. Camaragibe.
Filhos encontrados: Filipe Dias Vaz c.c. Brites Mendes de Vasconcellos (a Nova) para distinguir de sua avó paterna D. Brites Mendes (a Velha). Filha de Agustinho de Hollanda de Vasconcellos e de Maria de Paiva. Casados por eleição própria. Segundo alguns Borges da Fonseca o casamento só foi feliz porque não houve sucessão. Durante a inquisição foi injustamente maculada por ser muito amiga de sua sogra Branca Dias. Senhor do engenho São Bartholomeu da Muribeca/Jaboatão dos Guararapes-Muribeca.
Fontes:
BARRETO, Carlos Xavier Paes. Primitivos Colonizadores Nordestinos. Edt. Usina de Letras. 2ª edição. Rio de Janeiro, 2010.
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (4). Pág. 336.
http://www.geni.com/people/Ana-Pais/6000000018777462278
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 84
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81

10- Jorge Dias de Paz – Citado nas págs. 58, 94, 95, 149 e 151 das Denunciações, não consta haver ou não se conservou processo no cartório da Inquisição de Lisboa.
Casamento 01: Maria de Góis. O casal residiu na Capitania da Paraíba. (c.g. desconhecida)
Fontes:
http://www.old.pernambuco.com/diario/2003/07/28/especialholandesesf42_0.html
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81
http://www.geni.com/people/Jorge-Dias-de-Paz/6000000018777549793

11- Andressa Jorge – Após ser presa e deportada para Lisboa, ingressou nos Estaus em 16.12.1599 (Processo nº 6321), juntamente com uma filha, Beatriz de Souza (Processo nº 4273), e duas sobrinhas, estas filhas de Filipa da Paz. Submetidas ao tormento são condenadas ao auto-de-fé em 03.08.1603. NOTA: Das quatro implicada apenas Andresa Jorge recebe ordens de retornar ao Brasil em 04.12.1603. Andreza Jorge costumava ler a Bíblia na casa de sua irmã Violante Fernandes junto a Bento Teixeira, e suas irmãs Beatriz e Inês Fernandes.
Segundo D. Felipe de Moura, Andressa era mui aparentada por aliança com muitos cristãos-velhos e pirncipais da vila de Olinda e do governo dela, orgulhando-se de tratar e conversar com a principal gente desta capitania mui familiarmente e a viu sempre desejosa de casar suas filhas com cristãos-velhos e afastar-se da gente da nação.
Casamento 01: Fernão de Sousa.
Filhos encontrados: Beatriz de Souza, presa e enviada com sua mãe para Lisboa.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue. Uma parábola genealógica no Pernambuco colonial. Edt. Companhia de Bolso. São Paulo, 2009. Pág. 83
RIBEIRO, Eneida Beraldi. O Marranismo no Brasil Colônia através do processo inquisitorial contra Bento Teixeira Capítulo 1 - Raízes judaicas no Brasil
RIBEMBOIM, José Alexandre. Senhores de Engenho. Judeus em Pernambuco Colonial. 1542-1654. 20-20 Comunicação e Editora. Recife, 1995. Pág. 81
http://www.old.pernambuco.com/diario/2003/07/28/especialholandesesf42_0.html