Fontes

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27/06/2014

Pintos/Moreno

            O engenho Pintos foi fundado na segunda metade do século XVII, por Gonçalo Carneiro da Costa, em terras vizinhas ao engenho Moreno/Moreno, às margens do Rio Jaboatão, distante 16 km do Centro.

Gonçalo Carneiro da Costa – Filho de Francisco Carneiro da Costa (Morgado de São Roque/Portugal) e de D. Anna da Costa. Sucessor de seu irmão no Morgado de São Roque/Portugal, do qual tomou posse por procuração e o logrou por muitos anos. Vereador de Olinda (1680). Capitão de Infantaria de Ordenança de Pernambuco (1684). Juiz Ordinário, 23/11/1697.
Casamento 01: D. Brites de Sá, viúva de Domingos de Oliveira Monteiro. Filha de Simão Rodrigues (natural de Viseu/PT) e de Maria de Sá (natural de Pernambuco). Irmã do Cônego Simão Rodrigues de Sá. Neta materna de Francisco Velho Romeiro e de Beatriz de Sá, segundo o inventário do dito Simão, cujo testamento que foi feito no dia 01/11/1680, aprovado pelo Tabelião Diogo Cardoso. S.g.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17).

Em 1693, o engenho Pintos foi vendido a João de Barros Rego, dono de vasta extensão territorial.

João de Barros Rego – Nasceu em1653/Olinda. Filho de com André de Barros Rego e de Adriana Wanderley, filha de Gaspar Wanderley (Van der Ley) e D. Maria de Mello. Neto materno de João Gomes de Mello (eng. Trapiche/Cabo de Santo Agostinho) e de D. Anna de Hollanda.
Capitão-mor de Olinda. Capitão de Cavalos de São Lourenço da Mata, por patente do Gov. João da Cunha Souto Maior, em 05/03/1688 e confirmada em 13/12 do mesmo ano. Vereador em Olinda (1685). Provedor da Fazenda Real (07/10/1690). Juiz Ordinário (1691). Provedor da Fazenda Real, pelo falecimento de seu primo João do Rego Barros, durante a menoridade de seu cunhado e sobrinho João do Rego Barros (2º Provedor proprietário). Cavaleiro da Ordem de Cristo, professo em 22/03/1633, nas mãos do Bispo D. Mathias de Figueiredo e Mello, que lhe lançou o hábito na Igreja Catedral de Olinda.
Instituidor da Colegiada da Santa Casa da Misericórdia de Olinda, dotando-a a capelães para rezarem em coro (17/06/1702), depois eleito Provedor (1701 a 1702), fazendo, por sua conta, festas de ação de graças como o Santíssimo Sacramento exposto, cheio de jubilo por ver completos os seus desejos, que sempre tivera desta colegiada, e nesta ocasião orou o Padre João Máximo de Oliveira, (Arcebispo e depois Mestre Escola da Catedral de Olinda, aonde se conservam suas memórias de sua vida exemplar); assentando, no mesmo dia, renda para serem rezadas 1.025 missas anuais, por sua tensão e pela de sua 2ª esposa e tia D. Margarida Arcângela Barreto.
Um dos chefes do partido da nobreza (1710-1711). Durante a Guerra dos Mascates participou das batalhas e acabou preso em maio de 1712, vindo a falecer no mesmo ano na prisão (Fortaleza do Brum, Recife).
Casamento 01: Maria Vidal, filha de Lopo Curado e de Isabel Ferreira. Meia irmã do Gov. André Vidal de Negreiros. S.g;
Casamento 02: D. Margarida Arcângela Barreto, sua tia, filha de Francisco do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real) e de D. Arcângela da Silveira. s.g;
Casamento 03: Margarida Cavalcante d’Albuquerque, filha de João Cavalcante de Albuquerque, o Bom, e de D. Simoa Fragoso. D. Margarida depois de viúva c.c. Pedro Cavalcante Bezerra (s.g.).
Filhos: 01- D. Maria, falecida criança.
Senhor dos engenhos: Bulhões/Moreno, Buscau, Camarão, Capim-assu, Catende/Catende, Estiva, Jaboatão/Jaboatão dos Guararapes, Moreno/Moreno, Pereiras/Moreno, Pintos/Moreno, Quilombo, Sapucaia, Viagens e Xixaim
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais: 1925 Vol. 47 e 1955 Vol. 75

O morgadio de Pintos foi instituído por sua esposa, D. Margarida Cavalcante d’Albuquerque.

Margarida Barreto de Albuquerque – Filha do sargento-mor Antônio Pais Barreto. Instituidora do Morgado dos Pintos, em 1794, que durou até 1843, mas o vínculo não abrangia Moreno.
Casamento 01: João de Barros Rego – Nasceu em1653/Olinda e faleceu antes de 1748-eng. Curado ou São Sebastião/Recife-Curado. Filho de com André de Barros Rego e de Adriana Wandereley, filha de Gaspar Wanderley (Van der Ley) e D. Maria de Mello. S.g. (dados acima);
Casamento 02: Pedro Cavalcante Bezerra – Filho de Cosme Bezerra Monteiro e de sua terceira esposa D. Leonarda Cavalcante de Albuquerque. Capitão. Cavaleiro da Ordem de Cristo. S.g.
Senhora dos engenhos:  Pintos/Moreno
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17).
           
NOTA: Um dos lavradores do engenho Pintos casou com Joanna Carneiro, c.g. D. Joanna era filha de D. Maria Carneiro e de José da Silva, morador do engenho Emboassica/Ipojuca.
           
         O próximo proprietário encontrado foi Francisco de Barros Rego.

Francisco do Rego Barros – Filho primogênito de João do Rego Barros (Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo) e de D. Luzia Pessoa de Mello.
Provedor proprietário da Fazenda Real. Fidalgo da Casa Real. Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Juiz da Alfândega de Pernambuco. Padroeiro da Igreja de Nossa Senhora do Pilar/Recife e do Capitulo do Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem de São Francisco/Olinda. Senhor das capelas vinculadas nos engenhos: Água Fria e Pintos.
Francisco do Rego Barros era um genealogista escreveu, sem muito método, porém verdadeiras, umas memórias sucintas, porém verdadeiras s, à maneira de árvore de costado de várias famílias nobre e especialmente dos descentes de Arnau de Hollanda c.c. D. Brites Mendes de Vasconcellos, de quem era descendente. 
Casamento 01- D. Maria Manoela de Mello, sua prima. Filha de Manoel Gomes de Mello (Fidalgo da Casa Real, Sargento-mor da Ordenança, Senhor do eng. São João/Cabo de Santo Agostinho, encapelado por seu pai) e de D. Ignes de Goes de Mello - primos. Neta paterna de João Gomes de Mello e de Ignez de Almeida Pimentel. Neta materna de André de Barros Rego (Cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor do eng. São João/São Lourenço da Mata) e de D. Adrianna de Almeida Wanderley.
Filhos: 01- João do Rego Barros – Nasceu em Olinda. Fidalgo da Casa Real. Cavaleiro da Ordem de Cristo; 02- Sebastião Antônio de Barros Rego – nasceu em Recife. Fidalgo da Casal Real; 03- D. Luzia Anna de Mello c.c. Antônio Luiz de Siqueira Varejão Castello Branco, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. S.g. até 1748; 04- D. Adrianna Thereza de Mello – c.c. Felippe de Moura Accioli, falecido antes de 1748, filho de João Baptista Accioly de Moura (eng. Itabatinga/Ipojuca, Fidalgo da Casa Real, Alcaide-mor de Olinda, em 1711), S.g.
Senhor dos engenhos Pintos/Moreno; Água Fria/São Lourenço da Mata.
Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17) e de 1926 Vol 48 (16). Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1983 o engenho Pintos foi desapropriado para reforma agrária pelo INCRA, e transformado no assentamento Herbert de Souza, onde moram hoje 400 famílias que conquistaram o direito de viver por lá e ou que receberam moradias por herança. No princípio as terras do engenho foram divididas em 147 lotes, administrados por pequenos agricultores. Atualmente, cada um tem seu espaço e todos plantam nas áreas comuns.
Casa grande Eng. Pintos 
Foto: James Davidson
A casa grande do engenho Pintos, em Moreno, foi construída no século XIX e tinha o estilo de falso bangalô, onde as casas eram adaptadas à nova moda de alpendres. Hoje se encontra em ruínas seu telhado e paredes inteiras estão caídas no chão. Touceiras de avenca em seu interior e a cozinha ganhou aspecto de floresta, mas podemos os pilares de sustentação da varanda. Contudo, pouco resta da balaustrada que contornava todo o alpendre.
A capela que existia na sala desmoronou. Sobrou apenas o altar vazio, com os anjos da decoração destruídos e um buraco na parede que indica o lugar onde antes repousava a santa. Segundo Geraldo Gomes (Engenho e Arquitetura, Fundação Gilberto Freyre, 1997), apesar de curioso, montar um oratório dentro de casa era comum, pois “grande parte dos ofícios religiosos era acompanhada apenas pelo senhor de engenho e seus familiares. Ter a capela privativa seria mais cômodo, no período da escravidão, os escravos assistiam à missa do lado de fora, pela janela, e quando o número de escravos aumenta, eram construídas capelas fora da casa-grande”. 

Capela do Eng. Pintos

Hélia Scheppa/JC Imagem

Em 2012, a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), Governo de Pernambuco, fez um projeto para construção da Barragem Engenho Pereira, para controle de enchentes do Rio Jaboatão que costumam afetar o município e parte de cidades vizinhas (Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, Zona da Mata) e reforçar do abastecimento de água de Moreno e Jaboatão dos Guararapes. Igual ao Engenho Verde, em Palmares, o casarão do Engenho Pintos e seu entorno ficarão submersos numa represa.
Eng. Pintos. Capela -  Vista interna
Fot: JC Online
Caberá à COMPESA recompensar as famílias pela destruição de suas casas. "Cada morador vai ter o direito de escolher se prefere ser indenizado ou reassentado. O valor da indenização e os detalhes dessa negociação ainda serão acertados", disse o diretor regional metropolitano da COMPESA, Rômulo Aurélio de Melo, durante audiência pública ocorrida na última quinta-feira no Centro de Moreno. Na ocasião, foi apresentado à população o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da barragem, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) e uma das ações que deverá ser posta em prática pela COMPESA é o replantio das espécies encontradas na área a ser inundada.
Os animais identificados no engenho deverão ser encaminhados para outros territórios e os peixes tenderão a buscar outras áreas quando perceberem a mudança no meio, que acontecerá gradualmente. O Rima da Barragem do Engenho Pereira está disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). 
NOTA: Ainda não há previsão de data para o início das obras.
Barragem do Eng. Pereira - Área que vai ser inundada



Fontes consultadas:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victorino. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (17)
PEREIRA, Levy. "Nicas (engenho de bois)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/Nicas_(engenho_de_bois). Data de acesso: 9 de abril de 2014

2 comentários:

Vitor Franca disse...

Uma pena que um engenho como Pintos seja depredado e o patrimonio historico pernambucano seja deixado ser invadido, destruido e finalmente alagado. Sobre a continuacao da historio sugiro procurar a familia Portella.

marcelo elias disse...

viajo muito pelos engenhos em moreno. e vejo que não existe incentivo das autoridades para melhorias. e muitos estão acabando-se sem ao menos ter reconhecimento.