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26/04/2015

São Cosme e Damião (S. Co∫mo), antes São Jerônimo (St. Jeron; St. Jeroñ); /Recife-Várzea


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Engenho de açúcar -
Pernambuco colonial
A Várzea do Capibaribe é banhada pelo Rio Capibaribe, fica a 10 km do porto e a Oeste da cidade do Recife, sua mata ribeirinha era rica em pau-brasil e suas terras muito férteis, clima propicio e muita água, fizeram surgir vários engenhos.
Entre esses engenhos podemos citar o São Cosmo e Damião, situado a montante da desembocadura do Riacho Camaragibe, cidade de Olinda, freguesia da Várzea, Capitania de Pernambuco. Possuía uma igreja e sua fábrica era movida à água e seu proprietário pagava uma pensão de 3% sobre todo o açúcar produzido antes de ser dizimado.
De acordo com documentação encontrada entre 1593 e 1617 o engenho pertencia a Paulo Bezerra.

Paulo Bezerra – Chegou a Pernambuco antes da invasão holandesa, junto com sua família, seu irmão Antônio Bezerra “o Barriga”, suas irmãos Ignez de Brito, Isabel Pereira, Genebra Bezerra e Joanna de Abreu. Segundo relatos da época o seu pai foi degredado para São Thomé, por crime grave, assim como afirmavam também que eram pessoas muito nobres da Casa dos Morgados de Paredes de Vianna. Vereador de Olinda (1596, 1603, 1611 e 1620). Juiz Ordinário de Olinda (1613).
Casamento 01: Maria Nunes Paes Barreto, em Vianna-PT. Parente de João Paes Barreto, instituidor do Morgado do Cabo de Santo Agostinho.
Filhos (nascidos em Portugal): 01- Manoel Gomes Barreto c.c. Gracia Bezerra, filha de Domingos Bezerra Felpa de Barbuda e de Brásia Monteiro; 02- Luiz Brás Bezerra, o Velho, c.c. Brásia Monteiro.
Fontes:
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012. Pág. 64
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (4) Pág. 34, 36,

            Em 1623 o engenho produziu 7.510 arrobas de açúcar e já pertencia a Luís Brás Bezerra, herdeiro da propriedade.

Luiz Bras Bezerra, o Velho – Filho de Paulo Bezerra. Durante a ocupação holandesa permaneceu à frente do seu engenho. Vivia em seu engenho São Jerônimo no ano de 1650, como consta em uma escritura de dote feita em 18.06, feita pelo Tabelião Balthasar de Mattos, quando Fernão de Mello de Albuquerque c.c. sua filha viúva Antônia Bezerra. Prestou depoimento à Inquisição em 1594.
Senhor do engenho de São Cosme e São Damião/Freguesia de S. Jerônimo da Várzea
Casamento 01: Branca Monteiro, filha de Antônio Bezerra Felpa de Barbuda e de Camilla Barbalho, que vivia em Olinda no ano de 1608. Neta materna de Braz Barbalho e de (NI) Guardez.
Filhos: 01- Apolinário Gomes Barreto – Capitão. Faleceu durante batalha contra os holandeses no Forte das Salinas/Olinda. C.c.  D. Lourença Correia, sua prima, viúva do Capitão Manoel de Araújo de Miranda (c.g.). Ao enviuvar pela segunda vez D. Lourença c.c. o Capitão Domingos Gomes de Brito (c.g.). (s.g.); 02- D. Antônia Bezerra – C.c. Álvaro Teixeira de Mesquita. Depois de viúva c.c. o Capitão de Infantaria paga, Fernão de Mello de Albuquerque, em 1650, segundo consta do inventário que se fez pó morte deste, em 12.08.1666, pelo Juiz de Órfãos: Feliciano de Araujo de Azevedo e pelo Escrivão Francisco Barbosa Aranha de Araujo. (com geração nos dois casamentos); 03- D. Leonor Cabral – C.c. o holandês Abrahan Traper, de acordo com o testamento do Gov. João Fernandes Vieira, feito em 14.02.1674. Após ficar viúva D. Leonor teve um filho com D. João de Sousa, Comendador de São Euricio e de São Fins e Mestre de Campo de Infantaria do Terço do Recife; 04- D. Mécia Bezerra – C.c. João de Oliveira, que era proprietário do Ofício de Escrivão da Alfândega e Almoxarifado do Recife. Filho de Luiz de Siqueira (Moço da Câmara de Sal Majestade, cujo serviço, feito no decurso de 15 anos e pelos de seu pai Duarte de (NI), feita a mercê do dito Ofício, por Alvará régio de1622) e de Isabel de Sousa de Vasconcellos; 05- Maria Paes Bezerra – C.c. (?) Antônio Mendes.
Fontes:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a história do Brasil holandês. Edt. CEPE.  Recife, 2004. Pág. 87, 153
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (4), pág: 36, 167, 218, 234.
PEREIRA, Levy. "S. Co∫mo (engenho/Capĩibarĩ)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Co%E2%88%ABmo_(engenho/Cap%C4%A9ibar%C4%A9). Data de acesso: 23 de abril de 2015.
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012. Pág. 64

             Em 1634 o engenho foi destruído pela tropa holandesa, mas depois foi reconstruído por Luiz Brás Bezerra, que talvez para poder tocar novamente o engenho tenha pedido dinheiro em prestado a WIC, como tantos outros senhores de engenhos da Capitania de Pernambuco.
            O engenho moeu em 1637 e 1639, com 05 partidos de lavradores que, somados ao da fazenda (08), forneciam 55 tarefas, equivalente a 2.750 arrobas de açúcar. Lavradores: Breatis Cala (?) com 16 tarefas; Domingos Mix. Dinis com 13 tarefas; Francisco Gonçalves Barreto com 12 tarefas; João Álvares com 3 tarefas; Maria de Lisboa com 3 tarefas.
            Em 1644 Luiz Brás propôs ao governo do Recife um acordo para o pagamento das suas dívidas e das dos genros (Álvaro Teixeira de Mesquita e Antônio Mendes) à WIC e a comerciantes particulares, decorrentes da aquisição de escravos africanos, no total de 12.755 florins. Em 1645 sua dívida era de 2.422 flroins à WIC, mas em 1663, a dívida de Luiz Brás e seus genros somavam 21.166 florins.
            Nas terras do engenho São Jerônimo, depois Santos Cosme e Damião, foi onde arregimentaram os primeiros insurrectos pernambucanos. Durante a guerra contra os holandeses quando os batavos foram capturar João Fernandes Vieira no seu engenho. As tropas, enviadas polo Conselho do Governo holandês, encontraram deserto o engenho de S. João Baptista. Vieira tinha se fugido à tempo e refugiado-se no engenho de Luiz Braz Bezerra, tido como um dos homens principais da Capitania; e, logo que ali se lhe juntaram uns cento e trinta homens, entre eles: Francisco Berenguer de Andrada (seu sogro), Chistovão Berenguer, Antonio Bezerra, o Capitão Antonio Borges Uchoa, Francisco de Faria, o Capitão dos Cavaleiro Antonio da Silva, o Capitão Antonio Carneiro Falcão, Bernardim de Carvalho, Cosme de Castro Pessoa, Manoel Cavalcanti, Antonio Cavalcanti (com seus dois filhos), o Capitão João Nunes Vitoria, com alguma gente d'armas de fogo, João Cordeiro de Mendanha, Álvaro Teixeira, Amaro Copes Madureira, que depois veio a ser Capitão. Após a reunião Vieira depois de ser aclamado Governador das Armas, partiu com todos os homens em marcha em busca de um alojamento mais seguro na região de Camaragibe que ficava vizinha a Várzea, em um outeiro situado no interior de uma mata, que lhes serviria de atalaia e alojamento.
            Em 1650, Luiz Brás Bezerra ainda estava vivo e residia em seu engenho São Jerônimo, quando deu o engenho de dote nupcial para Fernão de Mello de Albuquerque, que se casara com sua filha D. Antônia Bezerra.

Fernão de Melo de Albuquerque – Natural de Pernambuco. Alferes em Flandres. Falecido em 12.08.1666, com inventário feito pelo Juiz de Órfãos: Feliciano de Araujo de Azevedo e pelo Escrivão Francisco Barbosa Aranha de Araujo. Capitão de Infantaria paga.
Casamento 01: (NI).
Filhos: 01- D. Maria – Em 1666, quando foi feito o inventário de seu pai, tinha 15 anos de idade. Nada mais foi encontrado. Casamento 02: Antônia Bezerra, em 1650, viúva de Álvaro Teixeira de Mesquita (c.g.). D. Antônia teve geração nos dois casamentos. Filhos: 02- Luiz Braz Bezerra – Que foi obrigado a se casar com D. Innocência de Brito (irmã do Capitão de Infantaria do Recife Plácido de Azevedo Falcão que já idoso em 1740). (c.g.). Casamento 02: D. Isabel de Gusmão. Inventariante de seu marido. (s.g.)
Fontes:
BORGES DA FONSECA, Antônio José Victoriano. Nobiliarquia Pernambucana. Anais 1925 Vol 47 (4), pág: 85, 86
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752012000100011
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012. Pág. 64

            O engenho Santos Cosme e Damião, antes São Jerônimo, safrejou em 1655.
Mapa Pernambuco - Nicolaes Visscher (1640)
O engenho foi citado nos seguintes mapas coloniais: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ; PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, ' 'Ԑ: St. Jeron', na m.e. de um riacho afluente m.d. do 'Capĩibarĩ' (Rio Cabibaribe); IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ: St. Jeroñ.', na m.e. de um riacho afluente m.d. do 'Capĩibarĩ' (Rio Cabibaribe); PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, plotado como engenho, 'S. Cosmo', na m.e. do 'Capiibari' (Rio Capibaribe).
Com o passar do tempo o engenho deixou de existir e em parte de suas terras foi construía a Cerâmica São João, por Ricardo de Almeida Brennand c.c. Olímpia Padilha Nunes Coimbra, em outra parte começou a surgir casas que depois foram anexadas ao bairro da Várzea, e em 05/01/2012 através da Lei municipal nº 17766/2012 foi finalmente desmembrada do eng. Santos Cosme e Damião/Várzea/Recife.
A Cerâmica São João foi herdada pelo seu filho e artista plástico Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand (nascido em 11.06.1927-Eng. São João/Recife-Várzea).

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Oficina Francisco Brennand

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             Francisco Brennand, em 1971, resolveu instalar nas ruínas da Cerâmica São João a Oficina Brennand, lugar único no mundo, que constitui num conjunto arquitetônico monumental de grande originalidade, em constante processo de mutação, onde a obra se associa à arquitetura para dar forma a um universo abissal, dionisíaco, subterrâneo, obscuro, sexual e religioso.



Fontes:
CHAGAS, Manuel Pinheiro. A Conspiração de Pernambuco. Edt. Afra, 1870. Pág. 207.
DUSSEN, Adriaen van der.  Relátorio sôbre as capitanias conquistadas no Brasil pelos holandeses (1639): suas condiçoes econômicas e sociais. IAA/Instituto do Açúcar e do Alcool, 1947.
Jésus, Raphael de. Castrioto Lusitano: ou Historia da guerra entre o Brazil e a Hollanda ou Historia da guerra entre o Brazil e a Hollanda, durante os annos de 1624 a 1654, terminada pela g. restauraçao de Pernambuco a das capitanias con finantas, obra em que se descrevem os heroicos feitos do João Fernand. Vieira, e dos ... capitanes, que co (Google e-Livro). Disponível em: https://books.google.com.br
MELLO, Evaldo Cabral de. O Bagaço de Cana. Edt. Penguin & Companhia das Letras. 1ª Edição. São Paulo, 2012. Pág. 64
MELLO, José Antôlnio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a História do Brasil Holandês. Edt. CEPE. 2ª edição. Recife, 2004. Pág. 153
MELLO, José Antônio Gonsalves de. A Economia Açucareira. Fontes para a história do Brasil holandês. Edt. CEPE.  Recife, 2004.
PEREIRA, Levy. "S. Co∫mo (engenho/Capĩibarĩ)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/biblioatlas/S._Co%E2%88%ABmo_(engenho/Cap%C4%A9ibar%C4%A9). Data de acesso: 23 de abril de 2015.

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